Notas iniciais
A boate estava cheia, como de costume, mas felizmente havia dois bancos vazios no balcão, onde Alice e Zacky sentaram, e fizeram uma competição pra ver quem bebia as cinco doses de vodka primeiro.
– Isso foi só um aquecimento! – Diz Alice, após perder a competição.
– Acha mesmo que um dia vai ganhar de mim? – Ele se gaba.
– Tenho certeza. – Responde. Era impressionante como o álcool agia no organismo, e ainda mais quando era consumido rapidamente. – Ah... Vamos dançar! – Diz já puxando o amigo pela mão e o levando pro meio da multidão.
– Você sabe que eu não sei dançar. – Grita ele, devido ao barulho da música.
– Não precisa saber. – Explica Alice, revirando os olhos. Qual era a dificuldade de dançar música eletrônica? De mexer o corpo?
Ela era engraçada, constatou Zacky. Mas não como algo que desse vontade de gargalhar, era algo meio irônico. Talvez por existir tanta maldade em um rosto angelical, mas também não era exatamente maldade, era sarcasmo e humor negro. Não conseguia definir, mas ela o fazia se sentir bem, ainda mais quando o inspirava a dançar. Olhando a sua volta, havia tantas mulheres lindas, mas sua consciência falava mais alto, e Gena estava em casa, achando que ele estava na casa dos pais. Mas por outro lado, sentia que ela não era santa nem nada. Lutou contra os próprios pensamentos, não valeria à pena pensar tanto num ambiente como aquele.
– Aquela ruivinha está te dando bola! – Diz Alice, no ouvido dele, que vira na direção da moça que realmente o encarava.
– Não... – Ele ri. – Deve ser impressão sua.
– Larga de ser fresco, e vai lá conversar com ela.
– Eu não sou... – Ele suspira. – Ok. – Diz fazendo o que fora pedido.
Viu a mulher abrir um sorriso, quando o viu chegar e tratou de se apresentar, ela fez o mesmo, e parecia ser legal. Porque não? Afinal, seria só uma conversa...
Alice continuou na pista dançando, logo já havia perdido Zacky de vista. Não demorou muito até alguém se aproximar.
– Estou te observando desde que você chegou. – Diz o rapaz, em seu ouvido. Ela se vira e sorri não muito interessada. Ele era loiro, e ela, infelizmente, tinha preferência pelos morenos.
– Estou acompanhada. – A desculpa mais clichê do universo, dessa vez não serviu.
– Não sou ciumento.
– Mas eu não estou a fim. – Ela se aproximou. – Você já ficou com quinze meninas essa noite.
– Eu não... – Ele a encara assustado. – Como você sabe? – Pergunta, mas ela apenas sorri fino, e some rapidamente.
Alice procurou por Zacky, e deu pulos internos de alegria, ao vê-lo aos amassos com a ruivinha. Andou de volta ao balcão e pediu outra garrafinha de tequila. Era bom estar só. Não havia ido ali pra beijar na boca, se quisesse isso, ligaria pra seus muitos contatos. Não era a liberdade que lhe agradava a final? Fechou os olhos e bebeu uns goles longos de sua bebida favorita. Ao abrir os olhos, quase vomitou tudo.
– O que você está fazendo aqui? – Pergunta, recuperando o fôlego,
– Sempre educada. – Afirma Gates, sentando ao lado dela, e chamando o barman. – Cerveja, por favor.
– Você me seguiu? – Pergunta ela, curiosa.
– Você não é tão importante assim, garota. – Diz ele, bebendo sua cerveja que acabara de chegar.
– Vai se ferrar, babaca. Se veio aqui pra encher o saco, vai embora!
– A verdade é que eu vi o carro do Zacky no estacionamento, e vim procurar por ele. Eu estava indo pra casa de uma amiga. – Explica ele, sorrindo convincente em seguida.
– Quando um cara da sua idade diz que estava indo pra casa de uma amiga, eu interpreto como: “estava indo pra casa de uma garota que eu como quando dá vontade”. – Ela ri da própria idéia, e ele também embora tentasse manter a pose séria.
– Tem razão. – Diz Brian, a vendo piscar. – Mas ela é especial, sabe.
– Então você gosta dela... – Concluiu Alice, sentindo uma pontada de raiva. – Quem é?
– Michelle. – Diz ele, sem muita preocupação.
– Minha tia? – A garota ficou boquiaberta. – Eu sempre desconfiei que houvesse algo entre vocês, mas...
– Somos adultos, você não entende ainda. – Diz ele, fixando o olhar nas pernas descobertas dela, a saia curta demais, provocadora demais.
– Veio aqui pra me ofender mesmo? – Ela cerra os olhos, desejando quebrar à garrafa que segurava, na cabeça dele.
– Não. – Responde um pouco aéreo, subindo o olhar pro decote dela. – Você mudou muito, Alice.
– E você não mudou nada. – Ironiza, se sentindo desejada.
– Você ainda é apaixonada por mim? – Pergunta Brian, diretamente. Alice não esperava por aquela pergunta, e embora tenha tentado, não conseguiu disfarçar a vergonha que sentira, como ele conseguia ser tão filho da puta?
– Ah... Que eu saiba, nunca fui.
– Quando você tinha onze anos... – Ele solta uma gargalhada abafada.
– Eu era uma criança. – Responde seca, trancando dentro de si, qualquer sentimento que pudesse vir a transparecer.
Brian sabia que ela tinha uma queda por ele, apenas estava mais mentirosa. Mais forte. Ele não se importava, havia algo ali que chamava sua atenção. Sentia uma leve excitação, por ela estar tão perto e usar roupas tão curtas, e um perfume tão forte.
– E o que você é agora? – Brinca, levando um soco no braço.
– Não sei, mas você se torna mais moleque a casa dia que passa. – Ela balança a cabeça, ficando de pé em seguida. – Vou ao banheiro e volto logo. – Diz dando uns passos e voltando pra dizer algo a mais. – Mas se eu voltar e você não estiver mais aqui, eu agradeço.
Como resposta, ele sorri, agindo como sempre agia. Como se nada o atingisse.
– Mulher assim, é problema meu amigo. – Comenta o barman, que pareceu estar ali o tempo todo escutando a conversa.
– Claro. – Concorda Gates. – Mas é tudo questão de ponto de vista.
– Como assim? – Pergunta o barman, demonstrando toda a sua curiosidade.
– Eu adoro um problema. – Diz por fim, deixando a garrafa de cerveja já vazia sobre o balcão e saindo dali.
Quando entrou no banheiro, ela estava de frente pro espelho, arrumando o cabelo e nem o viu chegar. Foi bom ver a expressão de surpresa se formar em seu rosto, quando virou e se deparou com ele.
– Pensei que não estava me seguindo. – Alice cruza os braços.
– Sabe quantas garotas dariam tudo pra ter o Synyster Gates no mesmo banheiro que elas? – Pergunta. Ela deixa escapar uma risada maldosa.
– Deve ser porque elas não te conhecem de verdade. – Afirma, passando por ele em direção a porta e girando a maçaneta. Repetiu o movimento algumas vezes, puxou a porta, e nada adiantou. Então se virou pra ele, e soltou um suspiro.
– O que? – Pergunta o guitarrista, com um sorriso fino nos lábios.
– Abre a porta. – Pede, prendendo a respiração ao ver ele se aproximar.
– Porque eu faria isso?
– Se você preferir, eu posso dizer que fui estuprada pelo Synyster Merda Gates, posso acabar com a sua carreira e ainda faço o meu pai arrancar o seu órgão reprodutor com as próprias mãos.
Brian franziu as sobrancelhas. Como ela conseguia criar essas teorias conspiratórias tão rapidamente?
– Você é incrível. – Diz a encarando, muito perto.
– O que? – Alice não acreditou no que ele disse, e nem na atitude que veio em seguida. Sentiu uma mão quente em sua cintura e a outra em sua nuca, e em seguida um beijo. Inicialmente forçado. Mas porque ela resistiria? Estava só ficando com um babaca que não significava nada pra ela, e amanhã de manhã nem se lembraria disso tudo. Pelo menos era isso que ela esperava. O beijo foi bom, tão bom...
Quando finalmente o beijo foi interrompido, Alice deu uns passos pra trás e ergueu a chave da porta do banheiro, que conseguira tirar do bolso dele, sem ser notada. Virou-se e abriu a porta.
– Você é gostoso pra caralho. – Ela o encarou uma última vez. – Mas eu não sou burra, meu caro.
Alice andou alguns passos e esbarrou em Zacky, riu ao notar que a boca dele estava manchada de batom vermelho. Ele ficou se perguntando o motivo dela estar rindo. Alice o puxou pela mão até fora da boate, quando finalmente se pronunciou.
– Sua boca está completamente vermelha... O batom da ruivinha lá era tão forte assim, ou você foi fazer um oral arrancou o clitóris dela com os dentes, e isso daí é sangue?
Vengeance passou a mão na boca na intenção de limpar, apenas piorando a situação.
– Merda... – Resmungou, pensando em como iria chegar em casa assim.
– Entra no carro e dirige, você vai dormir comigo hoje. – Informa ela, entrando no carro e colocando o sinto, e vendo ele fazer o mesmo. – Até porque, nós temos muito que conversar.
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