A Filha de Máscara da Morte
16 A ira de pisces
Notas iniciais
Balançou a cabeça freneticamente, que lindo, se pegou fitando a mesma rosa e acariciando suas pétalas por... minutos? A soltou e suspirou.
– Sensação ruim... — sussurrou. Não estava com bons pressentimentos, e sendo que eles se referiam a canceriana, preocupou-se.
Se levantou e saiu do jardim, se trocou com a vaidade de sempre, isso acabava nunca mudando, fazer o que. Seguiu para as casas a baixo.
– Procurando por ela, peixes? — se virou para o virginiano que havia parado de meditar.
– O que você sabe, Shaka? — perguntou sério. Estava recheado de preocupações, tinha que achá-la.
– O que eu sei? — arqueou a sobrancelha. — eu sei de várias coisa cavaleiro de peixes. — respondeu com meio sorriso.
– Não tenho tempo pra enigmas seus Shaka! Onde a Victorie tá?! — acabou deixando seu desespero transparecer, mas dane-se.
– Já prevejo o que vai acontecer. — resmungou e balançou a cabeça. — Ela está na 13°.
– 13°? — perguntou confuso. — Obrigado, Shaka! — se despediu com um simples aceno e correu escadarias acima novamente.
– "Vai ser uma loucura."– pensou o virginiano que saiu da posição de lótus e entrou em sua casa.
Assim que entrou sequer olhou na cara do Grande Mestre e apenas acenou para Atena, a Afrodite já havia partido. Abriu as portas de todos os quarto até chegar ao último.
– Vic...? — se aproximou cauteloso, via que ela dormia.
Não estava entendo absolutamente nada, por que ela estava na 13 e não em câncer? O que havia acontecido? Por que... seu travesseiro tinha manchinhas?
Se abaixou ficando de joelhos bem na frente de seu rosto e afastou a franja, ainda haviam pequenas lágrimas que escorriam.
– O que aconteceu com você... — fez um leve carinho em sua bochecha, esqueceu que ela sempre teve sono leve, abriu os olhos e saltou ficando sentada.
– DIH?! — exclamou assustada e meio corada ao mesmo tempo pela proximidade. Ele notou que seus olhos estavam vermelhos. — O que veio fazer aqui...?
– O que aconteceu com você? Quem fez isso com você? — perguntou com suavidade e se aproximou de novo segurando seu rosto.
– N-nada... — resmungou e abaixou a cabeça.
Não iria desistir tão fácil, ah não iria mesmo! Abaixou um pouco a cabeça, a beijou e levantou a cabeça a forçando a levantar também. Ela corou, mas sorriu fracamente.
– Anda, o que foi? — se sentou na cama, a puxou para o colo e a abraçou.
– Dih... você... era tão narcisista assim? — o fitou com intensidade, lágrimas vinham novamente em seus olhos.
Finalmente ele entendeu, se não estivesse a consolando nesse segundo, iria para cima do canceriano, na realidade... isso já estava em seus planos.
– Antes... eu era sim. — revelou e suspirou. — O mais narcisista entre os cavaleiros, mas... eu mudei. Mudei mais ainda depois que você chegou.
– Hum... — resmungou, ele achou estranho de início, mas ela estava abalada, não iria pressionar. — Eu... acho que virei órfã Dih. — um bolo se formou novamente em sua garganta.
– C-Como assim? Me diga tudo! — pediu, ela não respondeu. — Victorie... — estreitou os olhos. — Como quer melhorar se fica guardando tudo para si mesma?! Isso faz mal! — ficou preocupado, nunca a vira desse jeito, era... anormal, fora do curso do universo, um anjinho sempre sorridente que agora só conseguia chorar...
– M-Máscara soube... descobriu sobre nós, me disse coisas horríveis! — lágrimas rolaram livremente, os olhos chocolates eram um mar de tristeza. O pisciano a apertou fortemente, tanto para confortá-la quanto devido ao ódio.
– Aquele... — se afastou um pouco, faz carinho em seus cabelos. — Não dê atenção, ok? Ele foi bobo, cretino! Ele deveria ter enxergado, mas o orgulho e o ciúmes dele foram maiores e...
– Ciúmes? — perguntou de repente. Agarrou com força suas vestes. — Ele me tratou como uma... uma... POR CIÚMES?! — berrou furiosa, o ódio borbulhava por dentro de si.
Afrodite se surpreendia a cada segundo, nunca pensou que a veria: chorando inconsolavelmente, urrando de ódio contra o pai, que fugisse de casa.
Victorie começou a tremer. Como ele pôde?! Pensou. Destruiu a família por ciúmes bobos! A esfaqueou, mesmo sem possuir uma faca, despedaçou seu mundo... a mudou...
– ... kärlek? (N.A amor) — ele chamou. Ela parou de apertá-lo ao ouvir ele chamá-la em sua língua natal.
– Dih... perdono. (N.A perdão) — desculpou-se enquanto respirava fundo.
Estava transtornada, milhões de emoções reviravam dentro de si. Levantou da cama e sentou no peitoril da janela de cabeça baixa, não queria encarar o amado, devia estar com uma cara bem feia.
– Está tudo bem... — se aproximou, como era mais alto que ela, a abraçou ainda de pé mesmo, ela retribuiu em silêncio. — Vai falar com ele depois?
– Não.
Novamente se surpreendeu, como "não"? Ela amava o pai mais que tudo, e agora o negava! Ah sim, é claro. Lembrou-se, cancerianos, ou a boa parte deles, eram ALTAMENTE rancorosos.
– Não lhe forçarei a nada. — passou os dedos por seu cabelo, o desembaraçando.
– Obrigada Dih... muito obrigada, você é um anjo, um anjo disfarçado de cavaleiro. — sorriu por fim e tocou seus lábios.
Olhava uma por uma caindo no chão e fazendo um estrondo, as pilastras estavam sendo apenas pobres vítimas da ira de sua irmãzinha.
– CANCERIANO — Lyra socou outra pilastra com força. — MALDITO — desferiu outro soco, sua fúria nunca cessava. — DO INFERNO! — a pilastra cedeu e caiu ao seu lado fazendo seus cabelos loiros voarem.
– Mana... se acalma pelo amor de deus. — segurou seus ombros, as mãos da leonina já se encontravam sangrando.
– Vai me dizer que apoia aquele monstro?! — estreitou os olhos, o gêmeo fez o mesmo e ficaram se fuzilando. Suas entranhas reviraram de raiva com o canceriano.
– N Ã O! Não estou do lado dele! Nunca estarei! — retrucou ficando irritado. Até parece que apoiarem o homem que fez sua prima chorar, ainda mais sendo pai da mesma.
– Acho bom! — disse curta e grossa, os olhos azuis como céu de Milo não eram tão ameaçadores, mas na filha... arrepiaram os cavaleiros de prata mais fortes.
Lyra se afastou do gêmeo e rumou para outra pilastra, uma pobre sobrevivente que logo virará pó. As socava furiosamente.
– Como ele pôde fazer isso com ela, Shoran? — perguntou furiosa, as mãos ensanguentadas... deveriam doer? Talvez, mas não as sentia.
– Eu não sei mana... não sei... — suspirou pesadamente. Não tinham como ajudar em nada, só restava esperar...
Afrodite lhe fez companhia até que se acalmasse um pouco. Prometeu que logo voltaria, ela aceitou, e aceitou também a comida que Angel lhe trouxera.
– Estarei esperando... — sorriu fracamente.
– Eu voltarei. — sorriu e desceu, seus planos de vida do momento se concretizariam bem mais rápido, melhor assim.
Desceu para a arena, sorte que estava com a roupa de treino, se acabasse se sujando de sangue, não se importava no momento.
O canceriano, naturalmente, estava ensopado do líquido escarlate, sentiu um terrível asco ao ver a cabeça sendo segurada pelo cabelo na mão do canceriano.
– MÁSCARA! — o chamou enquanto andava, o outro sequer respondeu a tempo quando o pisciano avançou nele o segurou pelo colarinho. — SEU MALDITO!
– O que você quer Afrodite? — perguntou frio, não estava com humor para sequer ouvir a voz dele.
– POR QUE FEZ AQUILO COM ELA?! — não conseguia segurar a histeria, simplesmente não conseguia.
– O que? Dizer a verdade? — arqueou a sobrancelha. O pisciano trincou os dentes e o jogou contra a pilastra, o som das suas costas estralando era música para os ouvidos do cavaleiro.
– Isso tudo é burrice sua! Tolice sua! — disse nervoso.
– A culpa não é minha, diga-me... já se "divertiram" como comemoração por se livrar de mim? — sorriu sarcástico.
Aquela foi a gota d'água. Afrodite trincou os dentes, falar aquilo de Victorie... nunca o perdoaria, NUNCA.
Avançou nele novamente e desferiu um soco no canceriano, não estava nem aí para usar as rosas no ataque, queria matá-lo com as próprias mãos. Máscara caiu no chão massageando o rosto, não houve tempo, o outro avançou novamente e sentou encima dele começando a socá-lo diversas vezes furioso.
– NUNCA. MAIS. OUSE. FALAR. ASSIM. DELA. DE NOVO! — urrava de tanto ódio, sem dúvidas quem o visse agora, nunca diria que era o cavaleiro mais belo de todos. — A CULPA É TODA SUA POR SER UM IDIOTA! — em determinado momento, Máscara segurou seu punho.
– Ora faça-me o favor! Você não cansava de brincar com mocinhas e depois largá-las, até parece que ia deixar ela virar mais uma na sua listinha! — exclamou furioso. O pisciano estreitou os olhos azuis piscina. — No fim, ela já virou, só estou esperando que pise em minha porta com seu bastardinho no ventre! — tremeu de raiva com essas palavras, mas se segurou, por hora.
– Eu fui um moleque idiota! Não dava valor a nada na vida a não ser eu! Você é que teve a ignorância de não notar que mudei, tudo por causa de seu ciuminho desnecessário! — esbravejou. O canceriano ficou estático, pensou que ele não reagiria mais.
O canceriano digeria cada palavra lentamente. Tinha raiva, MUITA raiva por ele saber tão bem que a verdade e ainda jogar na cara. Reagiu e o chutou.
Começaram a rolar no chão distribuindo socos e chutes violentos, o pisciano já tinha filetes de sangue escorrendo pelo cantos da boca e uns belos hematomas pelas costas e abdômen, o canceriano estava um pouco pior, com um olho roxo, sangue no canto da boca e em outras partes, além de estarem cheios de areia.
– VOU MATAR VOCÊ! — Máscara berrou furioso.
Iam se chocar de novo. Milo e Camus estavam dando uma volta quando os viram, correram e os pararam a tempo, Milo segurou Afrodite e Camus a Máscara, ambos tentavam se soltar esperneando para brigarem de novo.
– Fiquem quietos! — Camus bufou enquanto prendia o canceriano firmemente.
– ME LARGUE MILO! VOU ACABAR COM A RAÇA MISERÁVEL DESSE FILHO DA PUTA! — Afrodite berrava sem parar, o escorpiano estava sério e o segurava com firmeza.
– Acabe com ele depois. — respondeu.
Os dois amigos arrastaram os dois para o hospital e ficaram lá para os vigiarem enquanto faziam os exames e todo o processo.
– Victorie? — se virou para a porta para ver quem seria. Não se surpreendeu ao ver Kalika entrar.
– Fique a vontade... — suspirou enquanto fitava o céu pela janela, tentou enxugar as lágrimas que voltaram a cair.
A amazona se aproximou da mais nova e sentou ao seu lado e fez carinho em seu rosto. Victorie a fitou.
– Está tentando se manter forte? Não tem por que fazer isso, lagostinha. — sorriu docemente. Aquelas palavras a tocaram, desabou no choro novamente, ela a abraçou. — Pronto... pronto... — falava como se ninasse uma criança.
– Por que e-ele fez a-aquilo?! — soluçava, escondeu o rosto no ombro da loira enquanto a mesma acariciava seus cabelos.
– Por que é um idiota! Se pudesse lhe daria uns belos tapas! — bufou frustada, mas uma frustração que fez com que sua voz afinasse, a canceriana riu em meio as lágrimas.
– Obrigada mamã... Kalika! Você sempre consegue fazer eu me sentir melhor. — sorriu gentilmente. A amazona se emocionou ao ouvi-la quase chamá-la de mãe.
– Vamos lavar esse rostinho vamos? Uma menina tão bonitinha não pode receber a sardinha assim. — sorriu, ela retribuiu.
Kalika segurou sua mão e a balançou, Victorie foi até o banheiro e lavou o rosto, logo voltou e se sentou na cama.
A ariana pegou a escova e começou a pentear os cabelos lisos e sedosos da mais nova que apreciava a atenção. Fez suas unhas e pés mesmo a protestos da canceriana. Victorie sempre acabava a vendo como mãe.
– Obrigada por tudo, Kalika. — sorriu agradecida. — Você é a pessoa que sempre posso contar.
– Fico feliz, mini canceriana. — sorriu. Victorie se lembrava que a chamavam assim quando criança.
– Você sabe cantar, não é? — inclinou a cabeça para o lado. — Deve cantar muito bem. — sorriu, ela corou levemente.
– S-sei sim. — sorriu.
– Bem... posso te testar? — brincou e riu levemente. Ela sorriu e assentiu animada. Respirou fundo.
I remember tears treaming down your face... (Kalika)
When I said, "I'll never let you go"
When all those shadows almost killed your light
I remember you said, "Don't leave me here alone"
But all that's dead and gone and passed tonight (Victorie)
Just close your eyes
The sun is going down
You'll be alright
No one can hurt you now (Kalika)
Come morning light
You and I'll be safe and sound (ambas)
Sorriram uma para a outra. Kalika a levou até o escritório do ariano com quem ela gostava de conversar, o mais velho insistiu que a amazona ficasse com eles e ficaram a conversar juntos. Preferiram não tocar no assunto "Máscara da Morte" para levar a canceriana de volta ao estado triste de antes.
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