A Filha da Rainha Má

3 Capítulo 3 - Solidão


Notas iniciais
Oi, meus lindos!! Boa leitura para vocês!

(Boston, Massachusetts)

O relógio tortamente pendurado na parede descascada em tom pastel marcava o início de mais um dia. Ela dormia profundamente e perdida no mundo dos sonhos o seu coração mais uma vez a tentava mostrar a verdade. E ela lutava contra este instinto em cada ocasião, iria tentar se proteger daquela evidente dor a qualquer custo, a qualquer preço, não se importando com o que fosse necessário para consegui-lo.

Erros foram e ainda seriam cometidos em nome dessa dor. E não apenas por essa garota cuja história foi esquecida até o ponto de se tornar uma desconhecida. Mas por muitos outros que sofreram e ainda sofrerão pela consequência do passado.

"Ela estava caminhando sozinha em uma floresta, um lugar que não conhecia, mas sentia familiaridade em estar ali, como se fosse acostumada a caminhar na mata. E percebeu que não controlava o que acontecia, apenas estava ali como um telespectador, os seus olhos tentavam procurar por respostas para o que estava acontecendo ao seu redor. Em seguida corria, os galhos das árvores tocavam-lhe o rosto provocando pequenos traços vermelhos, e batiam em seu corpo a assustando a cada novo choque, e sentia o seu coração acelerar, palpitar como se fosse explodir pela voracidade com que o ar entrava e saia dos seus cansados pulmões.

Alguém a seguia, e mais, alguém a perseguia, e ela corria por sua vida. Tentava olhar para trás, mas não enxergava nada, ouvia apenas o barulho de seus próprios pés e dos animais que habitavam ao redor. E como em um deslumbre a floresta se desmanchou como se fosse um quebra cabeça tendo suas peças retiradas dando lugar a uma nova imagem. Era um castelo, ou ao menos parecia ser um, ela não conseguia descrever com detalhes o que seus olhos viam, estavam ficando turvos, distantes. Havia homens com armaduras em prontidão como cavaleiros de guarda portando espadas prateadas em suas bainhas prontas para a batalha se fosse necessário.

E uma mulher deslumbrante surgiu por uma imensa porta provocando um enorme ruído. Ela era magnifica, usava um corpete de couro preto com uma calça no mesmo tom e material modelando todo o seu corpo, e por cima uma blusa marsala aveludada que se estendia até a altura de sua cintura e deixava o seu busto exposto elegantemente, as mangas se alongavam até o seu pulso, luvas pretas cobriam suas mãos, e ainda calçava botas pretas de salto grosso até a altura de seus joelhos a contemplando em um visual de glamour e riqueza.

Elizabeth sentiu enquanto ela caminhava a passos firmes em sua direção que os seus olhos estavam enegrecidos pela profunda dor, o seu coração estava ferido. O seu rosto era gélido e ao mesmo tempo angelical, ela se aproximou mais e um sorriso desabrochou em seus lábios, Elizabeth não sentiu medo. Ela sentiu uma estranha sensação de paz e de proteção. E viu o seu braço se estendo para toca-la..."

E acordou.

Ela não entendia a causa de sempre ter o mesmo sonho, a sensação de que aquilo significava muito mais do que ser apenas o seu cérebro trabalhando enquanto o seu corpo descansava. Ela queria acreditar que era mais do que isso, ela tinha que acreditar, no entanto, o medo a dominava e paralisava qualquer resquício de esperança que ela pudesse ter.

Era menos doloroso se apegar na mísera possibilidade de que aquilo tudo deveria ser uma mentira ou uma peça pregada por sua mente, mesmo que tivesse que lutar contra o seu próprio coração.

Entretanto, Elizabeth não conseguia esquecer os olhos escuros que a fitavam não com ódio ou com desprezo, mas com compreensão e timidamente com amor. Amor que ainda não compreendia, mas que existia dentro do seu coração mesmo que negasse. E no coração de um outro alguém, em algum outro lugar mesmo que o tivesse esquecido.

*

A cidade mesmo que receosa seguiu com a sua rotina diante do fato de que mais nada suspeito sobreveio acontecer com os moradores na semana seguinte. Os xerifes estavam em alerta para qualquer coisa fora dos padrões normais para uma cidade que possuía magia.

Emma aguardava em sua casa juntamente com o seu filho que a Madre Superiora, a Fada azul retornasse, ela percorria os arredores da cidade na tentativa de detectar qualquer modificação que fora feita para justificar o estrondo que havia ocorrido.

Na mansão Mills uma Regina impaciente esperava por seu filho para o almoço, ela tentava tudo o que estivesse ao seu alcance para estar com ele um pouco mais, contudo, as coisas pareciam não estar funcionando, e a cada dia que passava ela se sentia mais distante do seu filho.

A lasanha e a mesa enfeitada para o almoço que havia preparado com tanto carinho mais tarde seriam atiradas ao lixo.

E depois de trinta minutos de atraso ela disparou pela porta.

Regina havia respeitado a vontade de Henry em viver com Emma. E as duas mães resolveram não brigar porque o mais importante era a criação do garoto, elas o amavam acima de tudo. No entanto, era evidente a imensa discrepância no modo de educar, o que dificultava o relacionamento dos dois. Emma sempre agia de forma descontraída e mais flexível, enquanto Regina sempre era a mais rígida e firme com horários, escola e atitudes, ela queria estar presente a todo momento na vida do filho e acabava o sufocando com os cuidados excessivos e broncas constantes. Henry sabia que era o jeito da sua mãe demostrar o seu amor e preocupação, apesar de não concordar.

E nada disso mudava a verdade, ele agradecia, respeitava e reconhecia a importância de Regina em sua vida, mas em seu coração a sua casa era ao lado de Emma. A sua família eram os Encantados.

E com a intensidade de um furacão Regina adentrou para o apartamento, e de imediato Henry se recordou que havia combinado de almoçar com ela. Ele sabia o que significava a expressão de insatisfação no rosto de sua mãe. Castigo. Talvez, um dia ou dois dias, pensou.

— Desculpa mãe, eu... — Henry tentou se justificar, porém, uma mãe conhece quando um filho mente. Ele parecia simplesmente não se importar mais, não sentia arrependimento por ter faltado ao compromisso.

— Sem desculpas, não é a primeira vez que você faz isso, mas será a última.

Emma na tentativa de ajudar o filho diante da provável punição que ganharia desvia o assunto para algo que acreditava ser mais importante do que um simples esquecimento.

— A Fada Azul está utilizando todos os meios que tem para tentar descobrir alguma coisa, nós estamos aguardando-a retornar. — Explica.

Regina arqueia as sobrancelhas deixando transparecer que o motivo não a importava, e que a falta de compromisso e respeito de Henry era muito mais importante para ela do que um tremor sem sentido.

— Uma ligação, uma mensagem teriam sidos suficientes, mas não... Como sempre eu sou...

A ira começou a crescer em seus olhos castanhos tornando-os chamas vivas. Ela sempre era deixada. Ela sempre era esquecida. Esquecida, a palavra ecoava em sua mente percorrendo em direção ao seu coração. E aquilo doía, e crescentemente doía mais com o passar do tempo. E antes que pudesse explodir naquela sala diante dos dois foi interrompida pelas batidas exaltadas na porta.

Emma antes mesmo de abrir a porta completamente foi surpreendida pela Fada Azul visivelmente perturbada e com os seus olhos assustados.

— O escudo que nos protegia, que nos escondia foi destruído. — Ela falou a última palavra em pânico, não sabia ao certo o que aquilo significava, mas analisando o modo como as coisas ocorreram a sensação de vulnerabilidade era inevitável.

— Vamos montar grupos de vigilância nos limites da cidade. Não precisamos de mais surpresas. — Emma concluiu disparando pela porta juntamente com o seu filho e seguida pela Fada Azul.

Regina foi completamente ignorada e deixada sozinha no apartamento, ela bateu a porta ao sair e ainda ouvia o som da palavra esquecida martelando em sintonia com o seu coração, era uma enorme tristeza perceber que não tinha mais espaço para ela na vida do seu filho.

Esquecida.

Notas finais
Espero que tenham gostado! ♥ Deixem os seus comentários, lindos!!!