Notas iniciais
Oi gente ^^ Sejam muito bem vindos novamente à A Filha da Minha Melhor Amiga! Sejam bem vindos novos acompanhamentos! Obrigada às favoritações e comentários (OBS: Estou respondendo sempre que possível, mas devido à minha rotina eu estou respondendo devagar!). A música do capítulo de hoje é Jealous da Marina and The Diamonds: http://www.vagalume.com.br/marina-and-the-diamonds/jealousy-traducao.html -> tradução https://www.youtube.com/watch?v=IwADR7V4tUs -> música Queria destacar um acontecimento que me deixou muito feliz ^^ Sim, sim, sim, acertou quem pensou em recomendação! Uau gente eu fiquei muito feliz em receber recomendação em dois capítulos seguidos *---* Estou babando por vocês suas lindas atenciosas!!! Devido a esse fato hoje irei destacar a Maah-chan (Maah) que mandou essa recomendação linda para a fic durante essa última semana! Infelizmente, também ainda não a conheço pelos comentários Y.Y mas fiquei muito lisonjeada em saber que você acha que a fic é espetacular e merece muitas outras recomendações, obrigada Maah ^^ principalmente pelo fato de descobrir que essa é a PRIMEIRA fic SasuSaku que você não conseguiu prever o que ia acontecer no capítulo seguinte O.o UAU! Fiquei feliz em saber disso! Aliás rir muito ao ler: "Com certeza a escritora deve ter batido muito a cuca, e ela não deve ter escrito sem pensar bastante.." hahahaha você está certa Maah-chan hahahaha realmente eu bati muito a minha cabeça e antes de escrever tive que escrever ela em forma de esquema para saber o que ia acontecer e de que maneira. As vezes até eu me surpreendo com o que acontece hahahaha e me pergunto: "Sério mesmo que aconteceu isso?" Fico honrada em saber que você está gostando de tudo, mesmo tendo ódio pelas atitudes e jeitos de alguns personagens (principalmente do Sasuke!) e que acha que não seria melhor se fosse diferente! Obrigada por recomendar mais uma vez Maah ^^ Espero continuar agradando-a e devido a sua recomendação o capítulo de hoje, Segunda Chance, será dedicado à você! Divirtam-se...

Suspirei novamente encarando os papeis nas minhas mãos. Eram os relatórios dos interrogatórios tanto do único nukenin sobrevivente quanto de Mina e Nisuke. Neles estava explicando o que aconteceu na noite passada e mais importante, estava admitido pelo próprio nukenin que eles foram contratados por Yoshito Hiroto para sequestrarem Mina e Nisuke. Aposto que ele foi altamente torturado para admitir e para entregar provas como local de encontro, datas e valores pagos.

Um ANBU me entregou esses relatórios antes do sol nascer com um recado de Kakashi dizendo que já estava mandando um aviso formal ao Tsuchikage logo após de conseguir o restante das provas.

Eu não estava satisfeito. Apenas uma intimação não era suficiente para mim. Minha sede de vingança ainda pedia pela visão da cabeça de Hiroto sendo arrancada pelas minhas próprias mãos. Minha sede por sangue ainda pedia pela morte dele.

Mas havia uma coisa que nesse momento era mais importante e Kakashi tinha razão ao dizer isso. Uma coisa que estava atrás da porta a minha frente...

Eu ainda não tinha tomado coragem de entrar novamente no quarto de Sakura no hospital. Passei a noite em claro sentado em uma das cadeiras em frente a porta.

Uma vez ou outra uma enfermeira entrava no quarto para verificar, mas nada de anormal havia ocorrido.

Meus onixes desgrudaram dos relatórios assim que vi um par de pés infantis pararem na minha frente chamando a minha atenção.

Lentamente meus olhos subiram analisando a criança. Sandálias negras, bermuda cinza, camisa preta, até chegar na face infantil tão semelhante a minha se não fosse pelos grandes óculos quadrados pretos sobre o ônix que me encarava, mas ao receber o meu olhar desviou com a face ruborizada ao mesmo tempo que a franja escondia um pouco de seus olhos.

Alguns arranhões ainda eram visíveis em seus braços, mas muito discretos, diferente do curativo que cobria quase toda a sua bochecha esquerda.

Eu poderia falar alguma grosseria e mandar ele se afastar, mas apenas fiquei encarando-o esperando que ele falasse o que tivesse para falar, já que ele não se aproximaria de mim se não tivesse algo muito importante para fazer e a folha que ele segurava na mão parecia estar relacionada ao que ele queria me dizer.

Um segundo motivo para não falar alguma grosseria era que nos relatórios de Mina dizia que ele havia despertado o sharingan. Aquilo era bem incomum, ainda mais se tratando apenas de uma criança de sete anos. Ao ler aquilo me lembrei de Itachi que sendo um prodígio despertou aos 8 anos. Mas não foi exatamente isso que me chamou atenção, mas sim que para despertar o sharingan você precisa de muita decepção, transformar seu amor em ódio ou simplesmente desespero. Fiquei me perguntando em silêncio o que havia acontecido com ele para despertar o sharingan, já que para despertar o meu eu tive que perder toda a minha família.

Mas o motivo principal para não enxotá-lo é que por mais que não quisesse admitir, Sakura e Mina só foram salvas porque ele se arriscou e avisou o problema ao invés de se esconder como um medroso. Eu, querendo ou não, tinha que admitir que se não fosse por ele, Mina seria sequestrada e Sakura estaria morta.

Posso saber disso, mas nunca admitiria. Eu não sou o tipo que se expressa verbalmente, não sou o tipo que parabeniza feitos ou inicia longos diálogos. Goste ou não, sou o tipo que guarda seus pensamentos para si.

– Hn. Desculpe-me incomodar... – começou o menino incerto em um sussurro antes de encarar meus onixes com as bochechas coradas. Olhar naqueles olhos me incomodava tanto, que eu tinha vontade de manda-lo embora – Mas é que... – estendeu a folha para que eu pegasse. Silenciosamente eu peguei sem entender o que ele queria com aquilo e para piorar a situação ele não parecia muito do tipo de conversar, assim como eu. Tsc, só me faltava essa! Duas pessoas que não gostam de conversar tentando construir um diálogo, pensei em silêncio – eu preciso que o senhor assine esse formulário para a minha liberação do hospital – disse por fim desviando o olhar do meu.

Suspirei entendendo a situação.

– Sei que sua mãe pode assinar isso. Peça a ela – falei tentando manter a calma esticando a folha de volta para ele.

– Ela não está no hospital – admitiu.

– Ela não sabe que você está no hospital? Você passou a noite inteira fora de casa – franzi o cenho confuso.

– Ela deve achar que eu devo ter ido para a casa do Boruto durante a madrugada por isso não veio me procurar.

– Não seja por isso, o hospital permiti que você mande recados para comunicar os seus responsáveis sobre a sua estadia aqui.

– Pensei em fazer isso mas... – ele olhou para os lados e trocou de peso entre os pés inquieto – não achei que seria uma boa ideia dizer o que ocorreu e muito menos juntar minha mãe e a tia Sakura no mesmo lugar. – riu de canto pensando na ideia – A mamãe não gosta que eu fale com a tia Sakura.

Concordei com a cabeça pensando no raciocínio dele. Por mais que elas parecessem amigáveis na noite anterior, era melhor não arriscar, ainda mais com Sakura não podendo se estressar e Karin sendo sinônimo de estresse e término da paz, ainda mais que eu não estava muito afim de ter que lidar com a ruiva que me perturbaria se soubesse de todo o ocorrido.

– Tudo bem. – sussurrei e o menino abriu um pequeno sorriso feliz – Tem caneta?

Ele assentiu e me estendeu a caneta. Assinei rapidamente tudo o que precisava, mas assim que levantei meu olhar para entregar a folha, o menino não olhava para mim, mas sim a porta a minha frente.

– Toma – estendi a folha chamando-lhe a atenção. Ele assentiu e pegou a folha com um olhar baixo.

– A tia Sakura está nesse quarto? – perguntou baixo encarando os seus próprios pés.

– Sim – respondi laconicamente. Nisuke olhou para os lados incerto, como se tentasse encontrar as palavras certas. Percebi que ele queria dizer alguma coisa pelo seu rosto corado – Você quer visita-la – deduzi.

– Posso? – perguntou com um olhar esperançoso.

Eu não sabia que tipo de relação Sakura tinha com ele, mas sabia que era uma bem melhor que a minha e que era capaz de fazê-la ir em um bordel a minha procura. Ela gostava dele, isso era fato, mas olhando para os olhos negros brilhando em expectativa eu vi que era recíproco o sentimento.

Suspirei assentindo em concordância.

Levantei-me da cadeira caminhando até a porta do quarto sendo seguido pelo garotinho. Encarei a porta por alguns instantes, eu sabia que uma hora ou outra eu teria que entrar e encarar a Sakura, talvez essa fosse a hora e Nisuke seria a desculpa perfeita para poder ver com meus próprios olhos se estava tudo bem com ela.

Abri a porta sem fazer barulho. Sakura estava deitada olhando para a janela ao seu lado direito, imersa em pensamentos.

– Sakura – chamei a assustando pois não havia me notado antes.

– Sasuke, precisamos conv... – pronunciou virando-se para mim, mas suas palavras sumiram ao fitar Nisuke parado na porta junto comigo.

– Você tem uma visita – falei tentando parecer indiferente.

– Oi tia Sakura – cumprimentou Nisuke sorridente.

Em questão de segundos o rosto chocado de Sakura tomou a forma de um grande e largo sorriso feliz que mostrava seus dentes, enquanto seus olhos recuperaram um brilho que a muitos anos eu não via.

– Nisuke! – exclamou feliz erguendo um pouco o tronco com dificuldade – Vem cá! – chamou.

O menino sorrindo caminhou-se até ela e subiu na poltrona do seu lado esquerdo sentando-se de joelhos para ficar na altura da cama de Sakura.

Fechei a porta, o certo era me retirar do local e deixar os dois conversarem a sós, era isso que eu pretendia desde o início, mas ao ver Sakura tão diferente, mas ao mesmo tempo tão parecida com aquela garota gentil que morava em Konoha e esbanjava sorrisos, algo me incomodou e me fez querer ver o porquê daquilo, porque logo ele a fazia ficar assim? Porque ele, porque não eu?

Aquela cena me fez ficar com uma cara amarrada, mas não me fez sair do quarto. Encostei-me de braços cruzados na parede perto da porta de frente aos dois em silêncio prestando atenção nos mínimos detalhes.

Sakura estava tão encantada com o menino a sua frente que esqueceu da minha presença e esse fato me incomodou ainda mais.

Talvez fosse ciúmes...

Tsc! Desde quando eu sinto ciúmes da Sakura e muito mais pelo fato dela preferi a companhia do meu filho a minha! Não, eu não sinto ciúmes!, repreendi-me em pensamentos.

– Você está bem tia Sakura? – perguntou preocupado o garotinho a olhando por inteira enquanto apoiava as pequenas mãos na cama.

– É claro que eu estou Nisuke – falou gentil acariciando levemente o rosto do menino com a mão direita tirando um sorriso e um rosto corado dele e uma carranca minha ainda maior.

– Então porque a senhora está internada? – perguntou inocentemente.

– Posso te contar um segredo? – piscou um olho parando com a carícias – Mas tem que prometer não contar para ninguém – falou brincalhona fazendo bico tirando um riso do menino.

Desde quando ela é gentil e tem sensor de humor ao mesmo tempo?, perguntei-me chocado, nos últimos tempos ela não me demonstrou tais coisas, raras vezes ou um ou outro, mas nunca ambos juntos!

– Mas é claro que sim, tia Sakura! Eu prometo!

Sakura pôs a mão direita sobre a barriga e disse:

– Eu estou grávida.

O moreno ficou surpreso com a informação, encarava Sakura com a boca escancarada.

– Sério? – perguntou piscando três vezes os olhos sem acreditar.

– Uhum – concordou – é por isso que estou aqui. Para verificar se está tudo bem com o meu bebê, aliás preciso me cuidar bem durante a gestação – disse sorrindo um pouco triste. Eu sabia que ela pensava em sua atual situação, sendo médica ela sabia perfeitamente o que tinha.

– Nossa, parabéns tia Sakura! – comentou sorrindo abertamente – Mina ficará muito feliz com a notícia!

– Falando na Mina, como ela está Nisuke? – perguntou preocupada – Os enfermeiros que eu questiono não sabem me responder.

– Fique tranquila tia Sakura – comentou com um pequeno sorriso de conforto – Mina está bem! Ela não sofreu nenhum machucado, mas foi avaliada e logo liberada. Tio Naruto levou-a para a sua casa juntamente com a tia Hinata. Eles vão cuidar bem dela.

– Eu sei que vão. – murmurou um pouco mais calma depois de escutar as informações – Mas e você? – reiniciou – Está tudo bem?

– Eu estou bem – sorriu – eu tive uma crise asmática perigosa porque eu corri de maneira exagerada – falou entortando o rosto em desgosto tirando um riso leve e contagiante da rosada – mas eles curaram os machucados mais graves com ninjutsu médico, mas eles disseram que o trabalho pesado foi feito por você, se você não tivesse me curado na floresta... – ele não terminou de pronunciar e seu rosto obscureceu, mas logo tentou disfarçar trocando de expressão para uma mais leve. Eu sabia pelos relatórios que ele quase teve uma hemorragia interna pelos chutes que deferiram nele. Uma covardia, até na minha opinião, um homem se submeter a machucar uma criança indefesa. Se Sakura não tivesse chegado a tempo, possivelmente nem ele estaria aqui – mas agora está tudo bem, acabei de ser liberado – forçou um sorriso fraco.

– Correr de maneira exagerada – murmurou a rosada séria pensando em algo. Por um instante seus olhos esverdeados desviaram de Nisuke e se focaram em mim tendo uma ideia – Foi você quem avisou o Sasuke o que estava acontecendo? – perguntou séria olhando o menino ficar vermelho.

Ele me olhou rapidamente antes de voltar o seu olhar para a Sakura.

– N-na-não... – gaguejou.

– Sim – respondi por ele chamando a atenção de Sakura.

– Na verdade, eu avisei o tio Naruto, mas o... pa-pai – Uau! Bota dificuldade para me chamar de pai!, pensei irônico ao mesmo tempo que fiquei impressionado porque na verdade nunca havia o escutado me chamar de pai – estava lá e foi atrás de você junto com o tio Naruto.

Sakura alternou o olhar entre mim que ainda encarava o menino que tinha me chamado de “papai” e o menino corado que tentava ao máximo não me encarar pelo constrangimento da situação.

Vi pelo canto do olho ela sorrir para o menino antes de dizer:

– Pelo visto eu tenho um herói – sussurrou piscando um olho para ele – um herói que salva a minha vida e a de Mina mesmo arriscando a sua própria – acariciou os cabelos negros do garoto incrédulo e envergonhado – só cuidado para não abusar no heroísmo – riu levemente com a própria ideia tirando um sorriso envergonhado dele.

Franzi o cenho para a sentença de Sakura. Pelo que eu me lembre fui eu que impedir ela de ser morta e de Mina ser sequestrada, pensei sentindo meu rosto arder levemente. Desviei meu rosto para a janela para disfarçar minha situação.

– Só fiz o que eu achei certo, tia Sakura – murmurou com um sorriso fraco estampado no pequeno rosto – só fiz o que deveria ser feito.

– Você vai ser uma ótima pessoa quando crescer Nisuke – comentou olhando para o teto encostando a cabeça no travesseiro enquanto um pequeno sorriso ainda permanecia em seu rosto.

– Arigato, tia Sakura – Nisuke sorriu fracamente – Tentarei dar o meu melhor.

Continuei olhando para o horizonte fingindo não ouvir a conversa, mas a verdade é que eu escutava tudo. Sakura gostava dele e via bondade na criança, acreditando que ele seria bom quando crescesse, ela tinha uma esperança nele que não tinha mais em mim.

Eu não sou bom, eu sei, assim como Sakura sabe e como todos sabem. Sou uma pessoa corroída pelo ódio, entalhada pela vingança, vivida pelas mentiras e abraçada pela solidão.

Não havia mais esperanças para mim, não havia mais quando você crescer, só havia eu e o que eu me tornei. Um alcoólatra solitário que transa com mulheres por pura conveniência e diversão e mata pessoas por puro prazer de ver a dor dos outros, uma pessoa que foi capaz de ser odiado até pela única mulher que me amou de verdade durante toda a minha vida, que me amou como um homem.

– Você está cansada. Melhor descansar – comentou o garotinho me tirando dos meus devaneios. Voltei o meu olhar para a rosada que realmente estava com uma aparência de cansada.

Ela assentiu.

– Mas antes eu quero um abraço do meu herói – sorriu esticando os braços.

O menininho se inclinou sobre ela lhe dando um abraço fortemente correspondido pela Sakura que acariciou os cabelos com a mão direita enquanto beijava demoradamente o topo da cabeça dele.

Um nó se formou na minha garganta ao ver a cena pois me lembrei de minha mãe e seus abraços que eu tanto gostava enquanto eu ainda era apenas um menino bom querendo atenção do pai e do irmão, tão diferente do que eu sou hoje em dia.

Eles desfizeram o abraço sorrindo em silêncio. Nisuke pulou da poltrona e caminhou na minha direção, a mesma da porta.

– Tchau tia Sakura, espero que melhore logo – comentou assim que parou e a olhou por cima do ombro.

– Eu vou, mas Nisuke quero que refaça todos os exames já feitos para que eu tenha os resultados mais fidedignos antes de começar o seu tratamento.

– Tudo de novo? – resmungou triste.

– Isso aí. Tudo de novo – falou rindo.

– Tudo bem – foi só o que disse antes de se retirar após Sakura se aconchegar melhor para dormir.

Segui o garoto que parou no meio do corredor de costas para mim com o olhar baixo.

– Ela está mal, não é?

– Sim – respondi.

– Ela vai melhorar não vai? – perguntou esperançoso olhando agora de frente para mim.

– Eu não sei – admiti sentando novamente na cadeira.

– Ela pode morrer? – sussurrou temendo a resposta. Eu apenas assenti, não tinha vontade de admitir em voz alta – Ela só tem a tia Sakura agora – murmurou triste. Encarei-o sem entender sobre o que ele falava – Mina perdeu seu pai, tudo o que ela conhecia não existe mais, a única pessoa que lhe resta é a mãe. Ela... ela está perdendo tudo.

– Às vezes a solidão precisa de novos adeptos, de novas vítimas – murmurei sem humor.

Ninguém merece ficar sozinho – comentou convicto antes de virar de costa e continuar – Arigato pela assinatura. Desculpe se eu incomodei – sussurrou antes de ir embora.

Mesmo depois de desaparecer da minha visão ainda continuei encarando o espaço que antes era ocupado pelo Nisuke.

Ninguém merece ficar sozinho, as palavras ainda ecoavam na minha mente.

Errado Nisuke, de acordo com a Sakura, eu mereço, pensei. No fundo, creio que ela esteja certa!

Não demorou muito tempo até Naruto e Kakashi chegarem, era hora de visita e eles com certeza viriam. Levantei-me assim que estavam próximos.

– Teme, como está a Sakura-chan? – perguntou o loiro. Pelas olheiras ele não havia dormido muito bem aquela noite. Talvez nenhum de nós tenha dormido, pensei observando o cansaço de Kakashi.

– Ela está bem, mas agora ela está dormindo – comentei indiferente pondo minhas mãos nos bolsos.

– Hn. Bom, já que não podemos visita-la seria uma ótima hora para decidirmos para onde a Sakura e a Mina vão. Conversei com o médico e ele disse que a Sakura vai ser liberada hoje à noite – comentou Kakashi.

– Não se preocupe Kakashi, isso já está resolvido – disse por fim.

– Como assim Sasuke?

– A Sakura e a Mina vão para o meu apartamento.

Não conseguia decifrar o que se passava na mente do loiro e do grisalho. Ambos me olharam em choque sem reação.

– COMO É QUE É TEME? – gritou Naruto e eu tampei a sua boca para ele parar de gritar.

– Ficou louco Naruto, aqui é um hospital. Fala mais baixo!

– Sasuke, você sabe mesmo o que está falando? – perguntou Kakashi.

– É claro que eu sei.

– Sasuke, não é tão simples assim. Não acho que seja a melhor escolha.

– Na verdade Kakashi essa é a nossa única escolha – rebati calando-o.

– O Teme não é apropriado para cuidar da Sakura-chan.

– E quem seria? Você Dobe?

– Parem vocês dois! – nos interrompeu o kage prevendo uma discussão entre nós dois – Pelo visto não temos outra saída – resmungou.

– Kakashi-sensei você vai mesmo deixar a Sakura-chan sob os cuidados do Teme?

– Não temos outro jeito Naruto. – suspirou – Você está mesmo disposto a cuidar da Sakura durante todos esses meses de gravidez, Sasuke?

Estou?

– Tsc, Kakashi.

– Sim ou não?

– Sim – resmunguei.

– Kakashi-sensei! – exclamou alto o Naruto. Fuzilei ele para que abaixasse a voz – Não é uma boa ideia!

No fundo, eu concordava com Naruto.

– Eu vou! – exclamou uma voz baixa feminina chamando a nossa atenção para a porta do quarto onde Sakura estava apoiada em um dos batentes. O vestido hospitalar ia até um pouco acima do joelho.

– Você tem certeza? – perguntou o kage.

– Sim, é a minha única opção. – respondeu-lhe cruzando o olhar com o meu rapidamente antes de se voltar para o kage

– Mas Sakura-chan... – começou Naruto.

– Eu vou para a casa do Sasuke, é o mais seguro para a minha filha, Naruto.

O loiro assentiu derrotado. Apenas continuei a encarando. Ela não queria ir para o meu apartamento por minha causa, ela só queria ir porque eu seria o guarda-costas perfeito para a sua filha. Seria bem mais difícil para Hiroto tentar sequestrar Mina se ela estivesse na minha casa.

– Se está tudo decidido, eu vou voltar a dormir. Por favor Naruto fale mais baixo, sua gritaria me acordou – comentou esfregando um olho com um punho fechado. Naruto apenas assentiu em silêncio.

Assim que ela fechou a porta nosso momento de torpor foi quebrado.

– Então a Sakura vai mesmo para a casa do Sasuke – murmurou o kage me encarando em suspeita – mas isso não significa que eu vou simplesmente deixar ela sob os seus cuidados – fechei a cara com o seu comentário com tom de ameaça – terá termos a ser seguidos.

– Quais seriam? – perguntei com suspeita.

– Naruto, entre e acompanhe a Sakura. O Sasuke terá que sair um pouco – o loiro assentiu e se direcionou ao quarto, mas não antes de me direcionar um olhar raivoso que eu retribuir com um dar de ombros – Sasuke, – me chamou – a Sakura terá que ter um acompanhamento médico além de alguém para cuidá-la. O ideal era ela ir para a casa de Ino, mas devido a rotina dela, ela não poderá cuidar de Sakura, mas eu vou precisar que ela visite a Sakura todos os dias para verificar se está tudo bem com ela e para ajudar em algumas situações do dia-a-dia ou você espera que eu vá permitir que você der banho na Sakura caso ela precise? – encarei incrédulo Kakashi, nem eu havia pensado naquilo. E olhe que ultimamente eu ando pensando e tenho sonhos nada inocentes com a Sakura.

– A parte mais divertida você vai privar de mim? – provoquei.

– Isso não tem graça. Ino me informará sempre o andamento da Sakura.

– Não gosto de gente andando pela minha casa, só tolero as visitas nada convenientes de você e do Naruto porque não tenho saída e agora a estadia da Sakura. Não quero aquela loira perambulando por lá também.

– Ou você aceita ou eu vou colocar a Sakura para morar na casa de outra pessoa... – os olhos do kage se prenderam em alguém atrás de mim e eu me virei para ver quem era. A pessoa que o kage observava era um médico de mesma idade que eu, ele tinha os cabelos pretos e olhos castanhos – e acho que eu sei quem seria o ideal.

– Hokage-sama, Sasuke-sama – cumprimentou-nos educadamente – só vim visitar a Sakura – sorriu levemente corado.

Franzi o cenho para o cara que eu nem sabia quem era, mas que me incomodou ao escutá-lo falar o nome da Sakura sem o sufixo de respeito, como se fosse íntimo.

– Quem é ele? – perguntei para o kage depois que eu vi o cara entrar no quarto.

– Yakushi Noyoto, filho do Capitão do Corpo Médico de Konoha.

Entrei no quarto sendo seguido por Kakashi. Assim que entrei vi Naruto sentado na poltrona enquanto Sakura ao invés de estar dormindo, estava acordada sentada na cama com vários travesseiros apoiando sua costa, possivelmente obra de Naruto. Mas o que mais me chamou atenção foi o rosto corado de Sakura encarando o médico sorridente.

– Noyoto?

– Surpresa em me ver Sakura. Achou mesmo que eu não viria te visitar depois de saber pelo meu próprio pai o que aconteceu – disse falsamente ofendido.

Ela sorriu em resposta para ele.

Ah, não! Mais um não!, pedi fechando a cara pensando que aquele cara era possivelmente mais um pretendente de Sakura.

Já não basta um defunto e um kage psicótico, agora a Sakura tem um filho de Capitão do Corpo Médico apaixonado por ela?

– Fiquei preocupado Sakura – disse sério – infelizmente não poderei ficar muito tempo, tenho pacientes para atender – disse coçando a cabeça envergonhado – só vim mesmo ver se está tudo bem com você – terminou com um sorriso tímido.

– Eu estou bem – informou gentilmente com um pequeno sorriso.

– Então eu vou indo – falou incomodado pois estava sendo encarado por nós três, principalmente por mim – espero que você tenha gostado das flores de ontem.

– Elas eram lindas, obrigada – falou envergonhada olhando para os demais. O médico sorriu e saiu da sala.

– Flores? – perguntou Naruto mais rápido que eu.

– E-ele me deu um buquê ontem, só isso Naruto – comentou ficando vermelha.

– Devo avisar para ele entrar na fila e dizer para ser mais original no pedido de casamento do que uma casa demolida na tua cabeça? – falei seco e rude fuzilando a rosada.

Ela bufou e virou a cara. Não esperei ela me responder me retirei do quarto sendo seguido por um kage sorridente.

– Ele seria uma ótima pessoa para cuidar de Sakura, além de descaradamente ter um fascínio por ela.

– Ele é um desconhecido e se aproveitaria dela – rebati duro.

– Você não quer aceitar as regras, então devo procurar alguém mais adequa...

– Eu aceito a Ino ficar perambulando pela minha casa.

– Tudo bem então. Hanare e Naruto iram cuidar de Sakura quando você não puder fazer algum trabalho na sua casa – bufei com a ideia da minha casa sendo invadida por gente. Kakashi apenas ergueu uma sobrancelha em questionamento e eu engoli meu orgulho assentindo.

Não fui com a cara do médico e não ia perder a Sakura para ele.

Ok, essa frase saiu estranha, mas era a verdade.

– Vá para casa, troque de roupa e volte a noite para buscar a Sakura.

Assenti concordando saindo do local. Realmente eu precisava de um banho já que já era tarde e ainda não tinha comido, dormido ou trocado de roupa. Para piorar a situação, existiam algumas garrafas de Sakê jogadas pelo apartamento que Kakashi reclamaria se as encontrasse quando levasse ela para casa. E claro, um retrato para esconder.

Tsc, mulher irritante, mal veio para minha casa e já está mudando a minha rotina!

***

Abri a porta do quarto de visitas com Sakura nos braços. Como planejado eu fui busca-la de noite no hospital. Preferimos leva-la pela madrugada para casa para não chamar atenção exagerada no trajeto, assim que chegamos na porta do apartamento despachei Naruto e Kakashi, ficando apenas com as duas rosadas.

Coloquei Sakura sentada na cama de casal, ela vestia as vestes da festa da noite anterior, já que ainda não havíamos pegado as coisas dela em sua casa, por sorte o hospital havia lavado as suas roupas.

Em silêncio tirei os sapatos delicadamente sob o olhar questionador dela.

– Eu consigo tirar meus sapatos, Sasuke.

Dei de ombros.

– Concentre suas forças para tirar sua roupa – disse fazendo ela ficar um pouco corada e espantada.

– Mas eu não tenho nada para vestir.

– Vista isso – falei desabotoando os botões da minha camisa negra de mangas compridas com o símbolo do clã Uchiha na costa. Assim que a tirei joguei em seu rosto.

– Não teria uma que você não esteja usando? – riu sem humor. Sakura podia se mostrar forte, mas seus olhos cansados mostravam o quanto a gravidez e sua situação deixavam seu corpo exausto – De preferência sem o símbolo do clã.

– Tsc, vista-se.

– Pode chamar a Mina, por favor?

– Porque?

– O vestido é muito justo, não vou consegui tirá-lo sozinha – murmurou.

Suspirei pegando-a pela cintura botando-a de pé.

– O que você está fazendo? – questionou assim que botei minhas mãos nas laterais de suas coxas.

– Tirando a sua roupa – falei com um mínimo sorriso de canto levantando o tecido justo lentamente, descobrindo a pele branca e macia de Sakura antes escondida, deixando-a apenas de lingerie preta de renda.

Ergui uma sobrancelha para o conjunto. Eu gostava de mulheres de lingerie preta, achava que as deixava mais sexy e pelo visto Sakura era adepta ao gosto. Bem diferente das muitas mulheres que usavam vermelho pensando que eu gostaria.

– Para de me olhar assim – resmungou enfurecida tentando inutilmente cobrir-se com os braços enquanto jogava seu vestido para longe.

– Você não parece grávida, nem barriga tem.

– Eu estou com dois meses e meio. Em breve a barriga deve começar a aparecer – explicou-me enquanto a botava na cama – só tenho que ficar aqui por um pouco mais de seis meses.

Assenti observando enquanto ela dobrava os braços para a costa mas parou ao perceber que olhava.

– Dá para virar de costa? Eu quero tirar meu sutiã sem alguém me olhando – bufei virando de costa ouvindo-a se vestir.

– Como se eu nunca tivesse te visto nua.

– Não estou em um genjutsu para me despi a sua vontade – Ai, pegou no calo! – Pode se virar.

Virei-me a tempo de ver ela abotoando um último botão deixando dois abertos ao mesmo tempo que sentia meu membro querer se animar com a visão.

Ali estava Haruno Sakura na minha casa vestindo apenas uma calcinha e a minha camisa deitada na cama do meu quarto de visitas pronta para ser tomada por mim, mas um suspiro cansado lembrou-me de sua atual situação me trazendo de volta a realidade.

– Porque você me trouxe para cá? – preguntou assim que a embrulhava.

– Porque era a única alternativa – respondi, mas o olhar dela dizia que não acreditava.

– O que você quer de mim Sasuke?

– Nada. Quero apenas... – suspirei sentando-me ao seu lado – uma segunda chance.

– O quê? – perguntou surpresa.

– Eu sei que o que eu fiz naquele esconderijo foi errado – olha que é difícil me ver admitindo que errei – Desculpe-me – sussurrei virando o rosto. Ela nada me respondeu, apenas me fitou surpresa – Sei que não sou a pessoa mais indicada para cuidar de você, mas eu tentarei e quem sabe um dia você possa me perdoar e eu poder reconquistar a sua confiança, para que algum dia eu possa ter sua amizade de volta. Sakura, – mirei seus olhos verdes – eu só quero uma segunda chance!

Ela continuou a me encarar surpresa. Apenas um assentir de concordância com a cabeça foi a minha resposta.

Dei um pequeno sorriso de canto sem humor e me levantei da cama. Ela estava exausta, cansava-se muito rápido, deveria dormir.

Assim que fechei a porta atrás de mim, apoiei minha costa nela e deslizei até o chão sentando-me no piso gélido.

Um discreto soluço chamou a minha atenção para a sala.

Mina estava parada no início do corredor encarando-me. Seus olhos estavam cheios de lágrimas que pediam passagem, mas que a menina segurava.

Naruto havia contado toda a situação crítica de sua mãe para ela e desde então ela se calou e fechou-se para si.

Olhar para ela, era como olhar para mim logo depois que eu perdi os meus pais, uma criança sem rumo e sem família.

E agora ela estava perdendo a única coisa que restava do que algum dia ela conheceu como família.

Chamei-a da mesma forma que Itachi me chamava. Entendendo o recado ela se jogou no meu colo e chorou tudo o que ela estava segurando.

Não adiantava o quanto lutasse, uma hora a dor iria ter que sair.

Sem saber direito o que fazer apenas deixei-a que me abraçasse e chorasse contra o meu peito nu, com o decorrer do tempo a aconcheguei melhor acariciando os cabelos ao mesmo tempo que a abraçava...

***

Punhos apertavam fortemente a mensagem vinda de Konohagakure no Sato. Hiroto estava frustrado pelo seu plano não ter dado certo. A raiva o dominava por dentro, mas por fora apenas os seus músculos tensos na costa nua e mãos trêmulas demonstravam tal situação.

Kakashi havia mandado um ultimato oficial, mostrando provas de seu envolvimento com o sequestro de Mina e Nisuke seguida da ameaça que se tentasse prejudicar alguém de Konoha e isso se subentendia se tratar da Sakura, o Hokage não mediria esforços para combater Iwagakure com a ajuda de outras Vilas.

Hiroto sabia que aquilo não era um blefe, que era uma ameaça real. Era fato que as outras grandes vilas iriam apoiar Konoha quando descobrissem a verdade.

Sua vila estava em perigo...

Os músculos se contraíram ainda mais sob a pele do corpo másculo perfeito do kage.

No fundo ele era um bom kage, uma boa pessoa que pensava nos moradores de Iwagakure antes de si, não permitiria que eles sofressem com uma guerra que com certeza perderiam, mas existia um porém...

Existia Haruno Sakura.

A única mulher que ele se apaixonou em toda a sua vida. Arrependeu-se no momento que pôs os olhos na noiva do primo por não ter ido naquela missão em Konoha há oito anos atrás quando seu primo a conheceu.

Era sua missão, sua tarefa. A Haruno era para ser sua desde o início.

Envergonhou-se no início por desejar a mulher do primo, mas com o tempo o sentimento tornou-se insuportável, não havia como voltar atrás. O amor platônico e doentio já havia criado raízes no coração solitário e bondoso do homem que cresceu fadado a ser o Tsuchikage no futuro.

Ele se apaixonou pelo sorriso dela, pelo seu jeito educado e bondoso, pelos olhos verdes transbordando amor sempre que fixavam-se em sua filha.

Por muitos anos apenas o saber da presença próxima dela foi o suficiente, mas a possibilidade de separação o transformou em uma pessoa completamente diferente, capaz de fazer coisas que antes ele achava incapaz de fazer.

Ele só queria ela de volta, queria ela para si, queria ver aquele sorriso mais vezes, queria poder acordar de manhã e ver aqueles olhos verdes abrindo-se sempre para si, queria poder amá-la como mulher como uma vez ele a amou, de maneira errônea, por meio de uma traição, mas que ele nunca se arrependeu por ter feito.

É tão difícil decidir entre duas coisas que se ama. E era assim que o kage se encontrava, no dilema que o dividia entre a Vila que aprendeu a amar e defender e a mulher que roubou seu coração e que agora não se via vivendo sem.

Com metade do braço transformado em pedra, um jutsu da família Yoshito que lhe dava uma super força, Hiroto socou a parede na sua frente destruindo-a totalmente.

Sua respiração estava profunda e rápida enquanto ele caminhava a passos pesados de volta para o seu quarto. Não se importava pelo barulho causado, só pensava em sua Vila e na mulher de cabelos róseas.

Rompendo fortemente a porta dupla de seu quarto ele acordou as duas prostitutas nuas que antes dormiam em sua cama.

– SAIAM! – vociferou. Obedientemente elas saíram apressadas com medo de seu kage.

Jogando-se na cama, focando o seu olhar no teto ele decidiu que por hora era melhor não tentar nada contra Sakura. Seria mais adequado que se mantivesse longe, por mais que essa ideia lhe corroesse por dentro, essa era a mais sábia.

Mas de uma coisa ele tinha certeza, ele não iria desistir de Haruno Sakura. Só ela poderia preencher o vazio que sentia.

– Eu te amo Sakura – murmurou triste olhando para o teto – Eu só preciso que me ame. E eu prometo te fazer feliz...

Continua...

Notas finais
Ufa! Depois de vários capítulos terminamos essa noite tão conturbada e que mudou todo o caminho que a fic estava tomando antes! Sakura realmente foi para a casa do Sasuke *-* Eita, como será essa convivência deles hein??? Ainda mais ela estando nesse estado >.< Tivemos nossa segunda conversa Nisuke e Sasuke *-* sem muito diálogo, mas bem melhor que a anterior. A aproximação deles será aos poucos, prometo que ainda terão muitas cenas dos dois juntos no decorrer da história! ^^ Sobre o Noyoto, prometo que ele não será um psicopata que nem o Hiroto hahaha de doido já basta o Tsuchikage nessa fic! kkkkk E aí gente o que vocês acharam? Mereço reviews? Quero saber a opinião de vocês!!! Beijos! Boa noite e até a próxima pessoal!