A Filha da Minha Melhor Amiga
13 Os Quatro Estágios
Notas iniciais
Uma leve brisa matinal acariciou meu rosto juntamente com alguns fios sedosos femininos. Fazendo-me inalar o cheiro floral de seu perfume.
Fazia alguns minutos que eu estava acordado só que ainda não havia aberto meus olhos. Fiquei ali parado, sem mover um músculo para evitar ser obrigado a me levantar.
Com o decorrer da noite eu havia saído parcialmente de cima dela, mas meu lado esquerdo do corpo ainda permanecia sobre ela. Meu braço esquerdo envolvia a sua cintura enquanto que o direito parou debaixo do nosso travesseiro. Meu rosto acomodou-se na curva esquerda do pescoço de Sakura e minha perna esquerda entrelaçou-se com as delas.
Sakura já estava acordada, percebia pela alteração de sua respiração esse fato, mas por estar presa por mim, ela permaneceu no lugar.
Mais alguns minutos se passaram até eu sentir Sakura se mover abaixo de mim tentando escapar do meu enlaço.
Apertei mais meu braço esquerdo em seu entorno impedindo-a de escapar e fazendo com que seu corpo se aproximasse ainda mais do meu.
Um leve suspiro saiu de seus lábios antes de proferir:
– Sasuke, eu sei que você está acordado – eu nada respondi e ela suspirou mais uma vez – você não vai me largar?
– Não – resmunguei baixo. Minha voz saiu abafada devido aos meus lábios estarem de encontro com o seu pescoço – estou ocupado dormindo, então para de se mexer.
– Temos uma missão para cumprir, o sol já nasceu e deveríamos ter chegado a Iwagakure no Sato ontem no entardecer. Estamos atrasados.
Eu não respondi, apenas fiquei parado indiferente. Ela bufou com a minha reação.
– Pelo visto você não vai me largar tão cedo. – murmurou baixo suspirando antes de voltar a acariciar meus cabelos com sua mão esquerda, enquanto que a direita percorria o percurso do meu braço que a envolvia. Quando eu pensei que iria voltar a dormir, Sakura voltou, infelizmente, a falar – Eu estava pensando sobre você – falou como se estivesse falando consigo mesma e não comigo – nas suas atitudes e cheguei a uma conclusão. – ela esperou alguma reação minha, mas recebeu só o silêncio – Você bebe, dorme com inúmeras mulheres e tem esses ataques a noite. Não sei, mas... Sinto que as duas primeiras coisas são modos de fuga de problemas relacionados ao terceiro, estou certa? – perguntou-me, mas nada foi dito – Vou considerar isso um sim – resmungou – eu não sei o porquê dos seus ataques ou quais são seus pesadelos, mas eu sei que isso te atormenta a ponto de fazer você passar por quatro estágios de tentativa de fuga da realidade.
– Não faço ideia do que você está falando – murmurei tentando mudar de assunto – Porque você não fica quieta e dorme, ainda temos tempo para descansar.
– Sabe sim! – reiniciou ignorando minha fala – Primeiro estágio, beber altas doses de álcool. Quando ficamos bêbados, esquecemos dos nossos problemas. Segundo estágio, sexo – fechei a cara tentando me concentrar nos movimentos que ela fazia nos meus cabelos – o prazer provocado pelo ato faz com que momentaneamente nos sintamos satisfeitos e felizes – ela riu sem humor de sua fala – se bem que eu acho isso uma mentira, para mim se não for com alguém que se goste de verdade não há uma verdadeira felicidade nesse ato – pigarreou – Ok, ok, estou parecendo uma virgem falando assim, mas é a verdade – sorriu levemente.
– Você continua tagarela e irritante – resmunguei.
– Vou continuar falando até você me soltar – resmungou e eu a apertei mais contra mim. Ela bufou com a minha ação e eu rir de canto – vou considerar isso como um "Sim, Sakura. Continue falando para a eternidade" – falou de mal humor.
– As palavras são suas, não minhas – murmurei me aconchegando mais a ela.
– Se é assim, tudo bem. Mas não reclame se não gostar das verdades que você vai ouvir sobre você – elevou um pouco mais a voz.
– Você não sabe nada sobre mim...
– Terceiro estágio – interrompeu-me parando sua mão direita em um ponto do meu braço que a envolvia – mutilação. – abri meus olhos e encarei o pescoço alvo na minha frente sem me importar com a claridade que fazia arder meus olhos. Com um pequeno sorriso ela virou o seu rosto para mim encarando-me nos olhos – Então Sasuke, eu te conheço ou não?
– Tsc. Da onde você tirou essa ideia maluca? – falei trincando os dentes.
– Eu sou médica se esqueceu. Uma cicatriz – falou acariciando um ponto no topo do meu braço – por menor que seja, não passa despercebida aos meus olhos. Essa por exemplo, eu poderia dizer que foi feita a muitos anos, quase não dar para percebê-la, mas ela existe.
– Ganhei ela em uma missão.
– Não, não ganhou – o sorriso dela se foi, ficando só os olhos frios cravados em mim que eu correspondia da mesma maneira.
– Como pode ter tanta certeza? – levantei uma sobrancelha e um sorriso de canto não amistoso surgiu em meu rosto.
– Você não levaria um golpe desses tão facilmente nesse ponto. Outro motivo é que se tivesse acontecido em missão, quando você voltasse para Konoha, ninjutsu médico te curaria e não deixaria marcas. Ao meu ver essa cicatriz decorre de um corte horizontal, de média profundidade que você tratou sozinho, de maneira adequada, mas que deixou uma pequena cicatriz em seu braço. Sasuke, você pode enganar qualquer um, mas eu não – ela sorriu minimamente debochada – a dor física faz com que esqueçamos momentaneamente a dor psicológica.
Fiquei calado encarando-a. Eu nunca havia dito aquilo para ninguém, mas...
Era verdade.
Eu havia me automutilado. Não me orgulhava daquilo, mas não tinha como mudar o passado, aquilo havia acontecido e ela descobriu só tocando na cicatriz.
– Encararei o seu silêncio como um "Sim, Sakura. Você está absolutamente certa". – seu sorriso aumentou um pouco, mas desapareceu quando ela reiniciou a fala – Existe um quarto estágio... – soltei-a rapidamente me levantando da cama em direção ao banheiro prevendo o que viria a seguir. Ouvir o farfalhar dos lençóis, Sakura estava se levantando da cama mas se deteve. Com a voz triste e baixa ela continuou – e ele é o suicídio.
Detive-me com a minha mão direita sobre a maçaneta. O silêncio se fez presente por alguns momentos.
– Porque você diz isso?
– Há uma pequena cicatriz no seu pulso direito – admitiu.
Foi inevitável, meu olhar divagou para o meu pulso, mais precisamente para a pequena cicatriz esbranquiçada em minha pele.
Meu corpo ficou tenso ao me lembrar do sangue que jorrava dele logo após cortá-lo com uma kunai. Gotas de sangue que escorriam pelo meu antebraço e manchava meu rosto enquanto o encarava deitado no chão gélido da cozinha a tantos anos atrás.
Sakura se levantou e parou atrás de mim.
– Sasuke... – sua voz falhou.
– O que foi? – as palavras saíram sem comando
Ela pousou a mão direita em minha bochecha esquerda fazendo-me virar em sua direção. Botou meu rosto entre suas mãos e com os dedões acariciou minha bochecha. Fechei meus olhos absorvendo a sensação, soltando um suspiro.
– Você tentou se matar, não foi? – perguntou de maneira baixa.
Segurei os seus pulsos afastando-os de mim. Fixei meus onixes em suas esmeraldas antes de dizer:
– Você sabe a resposta – respondi com a voz baixa e dura – nunca fale isso para ninguém.
– Tudo bem, eu não direi isso a ninguém. Isso é um assunto pessoal seu e eu não tenho direito de ficar me intrometendo nele, principalmente nos motivos para tal. – concordou séria – Eu quero apenas que você me responda uma última pergunta – assenti contrariado – se você dorme com tantas mulheres, então como você ainda não matou nenhuma? – franzi o cenho para a pergunta dela – Tenho certeza que não são todas que dormem com uma kunai posta no criado-mudo.
Ela se referia ao meu ataque na noite anterior, na qual havia tentado matá-la. Suspirei soltando os seus pulsos antes de responder:
– Essa resposta é fácil – ela franziu o cenho confusa – eu não durmo com as mulheres.
– Você é gay? – perguntou surpresa.
– Tsc, Sakura. É claro que não. Eu não sou gay. Eu só não durmo com as mulheres. Eu transo com elas e depois vou embora. Não passo a noite com elas, por isso as pessoas nunca me veem nesse estado. Você é a felizarda por passar por isso duas vez e sair viva – falei com um humor negro a última frase – Só você me viu desse jeito – comentei baixo olhando para o lado.
– Hn. Isso explica bastante coisa – falou acariciando sua bochecha direita e um olhar baixo. Só então eu me lembrei do tapa que eu havia lhe dado.
– Ainda dói? Não parece estar mais inchado.
– Ah, não! Não dói mais não – comentou se afastando – enquanto você dormia eu me curei com ninjutsu médico – falou caminhando até a escrivaninha.
– Agora é a minha vez – comentei me lembrando da noite anterior – eu tenho uma pergunta para você.
– E qual seria? – perguntou mexendo em sua sacola com ervas medicinais.
– Porque aqueles ninjas estavam atrás de você?
Vi Sakura ficar estática no lugar com os músculos tensos.
– Então você percebeu – falou baixo.
– Responda-me.
– Eles foram contratados para me matar – assenti concordando, aquilo eu já havia percebido, mas...
– Quem iria querer te matar?
Sakura virou-se para mim com um olhar sério e disse com uma voz fria:
– O Tsuchikage de Iwagakure no Sato.
Continua...
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