A Filha da Minha Melhor Amiga
8 O Pequeno Uchiha
Notas iniciais
Informações importantes nas notas iniciais!
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– MAMÃE – chamou Mina por Sakura assim que entrou no consultório da mais velha com lágrimas escorrendo pelos seus olhos.
– O que acon... – Sakura não conseguiu terminar a frase. Ela ficou estática ao visualizar os dois garotinhos de mesma idade que sua filha entrando no consultório, um loiro e um moreno. Ambos lembravam aqueles que ela chamava de seus melhores amigos.
O loiro tinha um semblante preocupado olhando para o moreno de canto. Ele segurava levemente nos ombros de seu amigo, tentando parecer calmo, mas era inútil, ele estava preocupado e sua preocupação estava estampada em seus olhos. O moreno, no entanto, era o que estava em pior estado dos três, ele tentava segurar o choro, mas era inevitável, algumas lágrimas escapavam vez ou outra de suas orbes cor de ônix.
O motivo?
Seu braço direito estava posicionado em um ângulo incomum, claramente quebrado.
O garotinho tentava segurar o braço quebrado com o seu esquerdo, mas o toque piorava a dor, queimava por dentro.
– Mamãe, ajuda ele – pediu Mina chorosa agarrando na barra da saia de sua mãe.
Como se o pedido a despertasse de seu torpor momentâneo, Sakura caminhou até os garotinhos e se abaixou para ficar da altura deles já com a mão coberta por seu chakra verde medicinal.
Nisuke, assustado, se afastou da mulher. Ele não a conhecia e o que ele ouviu sua mãe dizer, durante seus auges de bebedeira, quando ele era mais novo, não ajudavam em nada a ele confiar na mulher de cabelos rosas.
– Está tudo bem – Sakura sorriu docemente para o menininho claramente com medo dela – eu não vou te machucar. Meu nome é Sakura. Qual é o seu?
– Ni-Nisuke – respondeu gaguejando, lutando contra os gritos de dor que pediam passagem na sua garganta.
– Bonito nome, Nisuke – sorriu mais abertamente a mulher.
Nisuke ficou encantado por aquele sorriso. Ela não parecia o monstro que sua mãe gritava dizendo que era, enquanto seu padrasto tentava controlar a situação da esposa. Sakura, por outro lado, aos olhos de Nisuke, parecia um anjo, alguém doce que não lhe dava o olhar de desprezo que os outros lhe davam. Ela parecia bondosa, mesmo tendo um olhar que ele sabia que era de dor. Aquela mulher também era sofrida, mas tinha um bom coração, ele podia ver.
– Posso? – perguntou a mulher apontando para o braço quebrado dele. Ele olhou para Mina que acenou com a cabeça estimulando ele a continuar em frente. Voltando o seu olhar para a mulher que tinha um semblante preocupado, ele assentiu concordando.
Levemente, Sakura aproximou sua mão com o seu tradicional ninjutsu médico.
Nisuke sentiu uma leve queimação quando entrou em contato com o chakra de Sakura, mas não era uma sensação ruim, pensou consigo mesmo, era boa.
Depois de um tempo calados, Sakura interrompeu o silêncio:
– E você quem é? – perguntou para o loiro com uma voz doce sem desviar sua atenção do braço quebrado de Nisuke.
Bolt estava encantado olhando aquela mulher de cabelos rosas. Ela era bonita e bondosa, do mesmo jeito que seu pai sempre lhe contara sobre as aventuras vividas por ambos todas as noites antes de dormir.
“As Grandes Aventuras do Time 7”, era assim que seu pai intitulava as histórias contadas para seu filho.
Bolt sempre ficava encantado com os olhos brilhando sempre que escutava e assistia seu pai interpretando as batalhas deles com grandes vilões. Aquele pequeno menino sempre pensava “eu tenho o melhor pai do mundo” todas as noites, só que os dias foram passando e seu pai foi adquirindo responsabilidades, logo ele se tornaria Hokage e estava em treinamento para isso, seus trabalhos e missões foram ocupando o espaço que antes era de seu filho e assim Bolt se sentiu sozinho, sem os momentos pai e filho antes de dormir, onde ele ficava imaginando se teria grandes aventuras como o seu pai.
Sozinho, vítima dos olhares repreendedores e altamente cobrado pelo seu sensei, Konohamaru, ele se viu sem alternativa a não ser virar o menino travesso que tentava chamar a atenção de seu pai.
Mas ali estava ela, a antiga garota de cabelos rosas que seu pai admitia que já fora apaixonado e Bolt dizia que era impossível, que ela não existia, que não existia pessoas com cabelo rosa.
Ali estava ela, na sua frente, o que o fazia relembrar de todas as histórias que ela participara e foram contadas pra ele. Esse pensamento só o fazia sentir uma forte dor no peito, pois o lembrava da ausência do pai.
Sakura virou o rosto para o garoto loiro que a encarava com os olhos vidrados, possivelmente pensando em algo. Pequenas lágrimas queriam se formar naqueles imensos olhos azuis claros, mais claros que os do Naruto.
– Então... – estimulou ela tentando fazer com que o garoto parasse de pensar nas coisas tristes que ele pensava para voltar a realidade.
– Ah é... Meu nome é Boruto. Uzumaki Boruto, mas pode me chamar de Bolt – ele sorriu sem humor.
– Boruto, – repetiu pensativa – diferente esse nome, – sorriu levemente diminuindo a tensão do garotinho – mas gostei dele.
Bolt sorriu de volta para Sakura.
– Nisuke – Sakura voltou-se para o moreno – é melhor nós o colocarmos na maca.
O garotinho só assentiu, ainda estava absorto analisando atentamente cada detalhe que a mulher fazia. A cada instante que se passava ele estava mais encantado por ela, mas ele ainda tinha um pé atrás com ela.
Sakura o colocou na maca e continuou o procedimento sentando-se ao lado dele.
– Alguém pode me explicar como isso aconteceu? – perguntou a mulher atenta ao braço do garoto.
Os três pequenos ficaram pálidos, principalmente Bolt. Ele era o culpado, a ideia da brincadeira fora dele.
– Nós estávamos competindo para ver quem subia mais alto na árvore... – começou Bolt.
– Nós não, você e o Nisuke – interrompeu Mina – e a ideia foi sua, ele nem queria brincar disso. Mas do jeito que vocês vivem competindo ele acabou indo. – suspirou desolada a menina – Quando Nisuke, já estava em um galho bem alto, ele desequilibrou e caiu.
Sakura sorriu minimamente. Sim, aqueles dois mereciam ser crias de quem eram. O loiro, por ser um Uzumaki, deduziu ser filho de Naruto, já o moreno...
Levantou o olhar e encarou aquele par de ônix questionadores que a analisavam. Ela conhecia muito bem de quem aquela criança herdara aquele olhar ou aquele cabelo rebelde espetado. Ele era filho de Sasuke, era inegável, mas a memória da noite anterior, quando o pai daquela criança fez questão que ela soubesse de sua indiferença perante o filho, voltou violentamente à sua memória e ela sentiu pena da criança e raiva do pai. Ela era mãe e sabia que crianças não tinham culpa dos erros dos pais.
– E quem ganhou? – ela indagou Nisuke sorrindo levemente.
Os três ficaram surpresos por ela não ter brigado com ninguém. Ela conhecia aquela história de cor e sabia que era inútil brigar, eles eram crianças e deveriam brincar e competir entre si. Ela viveu isso, era a vez deles viverem.
– Eu – respondeu corado mas orgulhoso de si, Nisuke.
– Aposto que vocês fizeram isso escondido dos seus senseis e fugiram da Academia para virem ao hospital para não receberem uma bronca dos seus professore, não é? – perguntou virando o olhar para Mina e Bolt.
A menina ficou envergonhada pela sua atitude e sua mãe logo supôs que sua teoria estava certa.
Sakura não queria que ela se metesse em encrenca e aqueles dois, sendo filhos de quem eram, eram o sinônimo de problemas, mas ela via que sua filha tinha arrumado amigos no primeiro dia de aula, que se preocupou quando um deles se machucou. Ela sabia que a garota estava pegando afeto por eles e a mulher não queria quebrar os primeiros laços que sua filha fez na vida com alguém de sua idade.
– É melhor vocês dois voltarem para a aula antes que termine o intervalo e percebam o sumiço de vocês. Não se preocupem, eu vou cuidar do Nisuke. – comentou depois de suspirar com um leve sorriso nos lábios – Bolt – chamou o loiro assim que os dois já estavam perto da porta – toma mais cuidado com a brincadeira da próxima vez.
Bolt sorriu e prometeu que ia tomar cuidado. Ela estava sendo gentil com ele, era raro o menino problema ser tratado desse jeito por pessoas desconhecidas, o que fazia com que ele gostasse ainda mais dela.
– Porque você não brigou com a gente? O que fizemos foi errado – Nisuke perguntou assim que os dois saíram.
– Digamos que eu sei que é inútil brigar e que também sei que vocês vão aprontar de novo – respondeu piscando um olho.
– Como? – perguntou incrédulo.
– Já vi esse “filme” uma vez.
– Está nos comparando com os nossos pais?
– Só estou dizendo que vocês são crianças e que gostam de brincar, é normal se machucarem, mas tem que ter cuidado.
– Você é a primeira pessoa que não nos diz que somos parecidos com nossos pais logo quando nos olhou pela primeira vez – comentou com o olhar baixo pensando em seu pai.
– Vocês se parecem um pouco no jeito quando aqueles dois eram crianças e viviam competindo, não vou negar.
Um momento de silêncio os envolveu, mas Nisuke estava curioso e resolveu reiniciar a conversa, o que não era muito de seu feitio ficar conversando, muito menos iniciar uma conversa.
Tão parecido com o pai e ao mesmo tempo tão diferente.
– Você não se parece com o que a minha mãe dizia sobre você – falou receoso.
– E o que ela dizia sobre mim? – perguntou de cabeça baixa.
– Eu não acho certo repetir as palavras dela, – fez uma careta e Sakura riu da expressão do menino – mas digamos que não eram palavras bonitas.
– Digamos que eu e Karin nunca fomos as melhores amigas do mundo.
– Porque ela implica com você, Sakura-sama?
– Ei, pode me chamar de tia Sakura – sorriu minimamente acariciando o rosto da criança com sua mão direita – quando me chamam de Sakura-sama eu me sinto uma velha – fez uma leve careta de desgosto e o garoto riu – mas sobre a sua pergunta, digamos que eu não sei a resposta. Ela simplesmente nunca gostou de mim, acho que é porque ela era afim do Sasuke quando eramos mais novas, mas ele andava mais comigo – deu de ombros indiferente ao que dizia – mas eu sinceramente não sei o real motivo dela.
– Hn.
Ele não queria continuar com aquela conversa, já estava envolvendo o seu pai, ele não queria falar sobre ele, mas queria continuar conversando com a mulher de cabelos rosas.
– Eu caí porque eu senti uma vertigem – reiniciou com outro assunto – se eu não tivesse tido eu ia conseguir subir bem mais alto – comentou triste pensando na sua situação de saúde.
– Vertigem? – perguntou Sakura atenta aos detalhes daquela conversa pegando o material para fazer o gesso para imobilizar o braço do menino. Ela era médica, detalhes clínicos em uma conversa não se passavam despercebidos por ela.
– Sim, mas não se preocupe isso é normal – falou sem graça.
– Você tem vertigem sempre?
– Quando eu faço esforço físico, sim.
– Nisuke, não é normal uma criança da sua idade ter vertigem sempre que faz algum esforço físico.
– Mas eu não sou uma criança normal – sussurrou com o olhar baixo.
– Nisuke, me conta direito essa história – falou levantando o rosto do garotinho com seu dedo indicador direito para que ele olhasse em seus olhos. Ela já havia terminado de imobilizar o braço direito dele.
– É que eu nasci com problemas respiratórios. Eu tenho dificuldades para respirar toda vez que eu faço esforço físico o que me deixa tonto, sem ar, as vezes até desmaio, mas em geral tenho ataques asmáticos.
Sakura não entendia o porquê daquilo, ele parecia uma criança saudável, tinha pais saudáveis. Tirando o fato do problema visual de Karin, não havia nenhum outro problema genético vindo deles que ela conhecia para provocar problemas respiratórios.
Será que é por isso que Sasuke não quer saber do Nisuke? Porque ele tem problemas respiratórios?, pensou Sakura. Se fosse por isso, ele iria pagar bem caro! Que hipocrisia!
– Te contaram o porquê desses problemas?
– Sim. Problemas na gravidez. – suspirou, ele não gostava de falar sobre aquilo com ninguém, mas ele precisava desabafar com alguém. E Sakura parecia estar preocupado com ele, então resolveu contar tudo de uma vez – Quando minha mãe descobriu que estava grávida, ela foi atrás do meu pai, mas ele não queria saber dela, muito menos do filho que ela carregava. Ele mandou ela abortar – Sakura arregalou os olhos surpresa. Sasuke não quis o garoto bem antes dos problemas, mesmo ele sendo do seu sangue, sendo a sua reconstrução do clã – ela insistiu, mas ele só repudiava ela, o que a deixou alterada e muito ressentida com ele. Ela tentou abortar usando medicamentos, mas não conseguiu. Ela bebia sem parar. Como vocês adultos dizem, ela estava afogando as mágoas – sorriu sem humor – isso durou até meu padrasto Suigetsu e o tio Naruto intervirem. Eles cuidaram dela durante a gravidez, foi assim que o meu padrasto se aproximou da minha mãe e eles acabaram se casando dois anos depois – sorriu feliz por saber do carinho que Suigetsu tinha por sua mãe, mesmo que as vezes seja retribuído de forma indevida – mas os problemas continuaram. A gravidez era instável, por causa dos inúmeros medicamentos e litros de álcool que ela ingeriu no início da gravidez. Eu acabei nascendo prematuro com esses problemas respiratórios. Não sei porque eu ainda insisto em me tornar ninja, se eu não vou poder atuar mesmo – falou triste abaixando o olhar.
– Nunca procuraram ajuda médica para cuidar do seu caso?
– Sim, logo que eu nasci, o tio Naruto me levou a vários médicos, até para a Hokage da época, mas ela disse que não tinha jeito para o meu caso.
– Nisuke, olha para mim – o garotinho levantou o olhar já com princípios de lágrimas nos olhos – eu posso te examinar?
– Mas aquela mulher, que diziam ser a melhor médica do mundo, não conseguiu achar uma cura pra mim. Porque você quer me examinar.
– Aquela mulher, foi a minha mestra.
Nisuke arregalou os olhos, não conhecia aquela informação.
– Eu tenho algumas suspeitas, queria averiguar, só isso – acalmou-o.
– Tudo bem, então.
Sakura começou a examinar com seu ninjustu médico as regiões respiratórias da criança e chegou a um diagnóstico que já esperava.
– Nisuke, eu passei alguns anos fora e acabei pesquisando sobre muitas plantas medicinais raras e seus efeitos. Eu acho que eu posso te ajudar.
– Pode mesmo? – perguntou esperançoso.
– Posso. – sussurrou colocando o rosto infantil entre as suas mãos aproximando-o do seu – Vai ser um tratamento longo, porque é um tratamento tardio, mas vai melhorar muito seu estado de saúde. Você vai poder crescer e se tornar um shinobi como uma criança normal. Bom, – ela afastou os seus rostos botando suas mãos sobre a saia – só se você quiser, é clar...
– Eu quero – interrompeu – eu faço qualquer coisa.
Sakura sorriu minimamente. Queria ajudar aquela criança. Se havia uma coisa que ela não negava, era ajuda a quem mais precisava.
– Sakura-sama... Quer dizer, tia Sakura. Porque você está fazendo isso por mim? É porque você é amiga do meu pai? – perguntou receoso.
– Não, não – falou abanando as mãos no ar, rindo da suposição da criança – ele não tem nada a ver com a minha decisão. Eu estou fazendo isso por você, só por você, Nisuke.
– Então, você quer fazer isso por mim, sem nem ao menos me conhecer?
– Isso.
Nisuke não acreditou. Ela queria ajudar ele sem esperar nada em troca. Ela estava fazendo isso por ele, só por ele.
O garotinho se jogou nos braços de Sakura, da forma que podia, com o braço direito imobilizado, abraçou a mulher com o seu esquerdo. Ele estava feliz e pela primeira vez deixou as lágrimas escorrerem sem pudor na frente de alguém.
– A-arigato.
Sakura arregalou os olhos para a atitude da criança que a abraçava. Ela sentiu desespero naquele abraço, ele não recebia carinho e ela percebeu isso.
Lentamente ela retribuiu o abraço afagando os cabelos da criança.
Nisuke, quase não acreditou que estava sendo retribuído o afeto. Ele gostou do toque dela, queria ficar no colo dela pra sempre.
Quando se acalmou e desfizeram o abraço, Sakura falou:
– Já que entramos em acordo, eu só preciso que seus pais assinem os documentos de autorização e podemos começar com os exames computadorizados e o tratamento.
– Eu não sei se a minha mãe vai concordar com isso. Se ela souber que é você que vai fazer o meu tratamento, aí mesmo que ela não vai concordar.
– Acredite em mim. As vezes sou bem convincente.
– Tudo bem então – falou ainda descrente descendo da maca – vou conversar com ela e amanhã eu peço para ela vim falar com você?
– Eu vou com você.
– O-O QUÊ?
– Isso mesmo que você ouviu – comentou descendo da cama tirando o jaleco – vou te levar para a sua casa e lá eu convenço a Karin a assinar os documentos, depois eu me viro com o seu pai.
Nisuke engoliu em seco pensando na cena dele chagando em casa acompanhado da arqui-inimiga de sua mãe.
– Não adianta fazer essa cara – comentou Sakura abrindo a porta com o jaleco jogado sobre o braço esquerdo – você não pode sair do hospital sem estar acompanhado de um adulto.
Sakura se dirigiu à recepção assinou todos os papeis para a saída de Nisuke e ordenou que sua antiga pupila Moegi preparasse a documentação para o tratamento da criança.
Nisuke ainda não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Era uma chance única, mas ele não queria que Sakura enfrentasse Karin por sua causa. No entanto, aquela mulher parecia completamente tranquila com tudo que estava fazendo.
Enquanto eles caminhavam pelas ruas de Konoha, ele percebeu os olhares direcionados à ambos. As pessoas estavam confusas se perguntando o porque do filho do Uchiha está andando com a Haruno. Ele bufava e abaixava o olhar a cada nova fofoca formada ou olhar que recebia. Sakura, porém, parecia indiferente à tudo e ele admirou ela pela sua atitude.
Assim que chegaram à sua casa Sakura tocou a campainha. O coração de Nisuke palpitava cada vez mais rápido. Estava nervoso, tinha medo da própria mãe e da reação dela.
– Já vai – gritou Karin de dentro da casa e Nisuke prendeu a respiração assim que a porta foi aberta – Desculpa a demora é que...
Karin ficou estática na porta quando visualizou Sakura. Ela não estava acreditando que aquela mulher estava ali.
Fazia quantos anos que não se viam? Oito?
Suas últimas conversas não foram as melhores, sempre tinham haver com um certo moreno de olhos ônix, na qual a ruiva jogava indiretas para rosada que tentava ignorar a implicância.
Karin a olhou de cima a baixo e ficou chocada ao ver o quão bela Sakura havia se tornado.
A blusa sem mangas de estilo kimono com um belo decote, a saia preta de cintura alta até o meio da coxa, os saltos baixos pretos e o jaleco jogado sobre o seu braço esquerdo que seguravam alguns papeis, davam-lhe um ar de sedução e mulher dedicada ao trabalho.
Enquanto que Karin estava com roupas jogadas, de usar em casa, suja de uma papa infantil, que seu filho mais novo jogou nela enquanto tentava inutilmente dá-lhe de comer.
Ela sentiu inveja. Sentia inveja daquela mulher que parecia ter tudo e ainda ser bela.
Quem é a melhor ninja médica do mundo? Sakura. Quem tem a vida perfeita? Sakura. Quem tem amigos perfeitos? Sakura. Quem é PERFEITA? Sakura.
Tudo era ela, nunca Karin.
– O que você quer? – trincou os dentes Karin.
– Oi para você também, Karin. – respondeu com um sorriso de deboche.
– Se você não disser o que você quer logo, eu vou fechar a porta na tua cara.
– Ela veio me deixar em casa, mamãe – interveio Nisuke.
Karin abaixou o olhar e entortou o nariz ao ver Nisuke.
– Não quero que você volte a andar com esse tipo de pessoa – disse olhando de canto Sakura.
– Não sei se você notou, mas seu filho está com o braço quebrado.
– O que aconteceu? – falou surpresa ao notar o braço enfaixado da criança, algo que não havia percebido antes.
– Eu caí, mamãe.
– Foi bem invenção do Boruto. Já te disse que você não pode fazer atividade física e para parar de andar com aquele encrenqueiro – falou exaltando a voz – Nisuke, você não é uma criança normal!
Sakura levantou uma sobrancelha ao ouvir aquilo. Como uma mãe pode tratar seu próprio filho daquela maneira? Se perguntava.
– Desculpe mamãe – disse abaixando a cabeça.
Karin suspirou.
– Vá para o seu quarto, você estar de castigo.
O garoto começou a entrar, mas Sakura o chamou docemente:
– Nisuke – ele voltou olhar para trás com um sorriso no rosto – daqui a uma semana você já estará com o braço completamente curado. E pode ficar tranquilo, eu cuido da sua mãe aqui – comentou debochada olhando para Karin que lhe retribuía com um olhar assassino.
Ele assentiu rindo do comentário, antes de sair correndo para o seu quarto.
– Vá embora – falou Karin fechando a porta, mas Sakura era mais forte e impediu facilmente da porta ser fechada.
– Não antes de você assinar isso – falou com uma expressão cruel e autoritária.
– Não vou assinar nada vindo de você.
– Nem que eu tenha que assinar com teu sangue, mas você vai assinar.
Karin engoliu em seco com aquela ameaça que não tinha nenhum tom de brincadeira.
– O que é isso?
– O tratamento do seu filho, preciso da autorização dos pais.
– Tratamento? Se você está falando de Nisuke, está perdendo o seu tempo. Ele é doente, não é uma criança normal, não tem jeito.
– Se você se referir ao Nisuke com desprezo mais uma vez na minha frente, eu juro, Karin que eu não respondo pelos meus atos.
– Fala logo o que é esse tratamento – comentou Karin mais contida com medo de Sakura.
– Eu sei como curar o seu filho, mas o tratamento é demorado.
– Tem cura?
– Sim.
– Mas a Tsunade disse...
– Eu não sou a Tsunade-sama.
– Tem algum risco esse tratamento?
– Não. Será com ervas medicinais e ninjutsu médico, nada de cirurgias.
– Se eu não aceitar?
– Eu te faço aceitar por outros meios – ameaçou sorrindo de canto com uma sobrancelha arqueada e com o punho direito fechado rodeado de chakra, pronto para abrir uma cratera no chão.
– Onde eu assino? – sussurrou encarando o punho, se odiando, não gostava de ceder a ninguém muito menos para aquela mulher.
Sakura sorriu minimamente e entregou a papelada que Karin assinou a contragosto.
– Boa sorte conseguindo a assinatura do pai. Ele não liga pro Nisuke.
– Não preciso que ele se importe, só preciso da assinatura e isso eu consigo.
– Que seja. Aqui está o documento assinado. Agora vá embora – falou fechando a porta.
– Se lembra daquela ameaça que eu te fiz se você se falasse mal de Nisuke na minha frente – comentou impedindo a porta de ser fechada novamente – pois bem, ela vale se eu descobrir que você descontou na criança a minha visita.
Dizendo isso Sakura virou as costas e foi embora, rumo ao pai da criança. Karin só ficou olhando a mulher se afastar, absorvendo as palavras amargas proferidas a ela.
Assim que a raiva dominou seu corpo ela fechou a porta com força fazendo um enorme barulho que chamou a atenção das pessoas que passavam na rua.
Sakura não se importou com os olhares, apenas continuou andando procurando pelo pai da criança. Em outras palavras, procurando por Sasuke.
Continua...
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