Notas iniciais
Oi gente ^^ sei que estou sumida dos comentários nesses últimos dias. Está faltando responder os comentários do capítulo 16 e 17 e Meu Deus! Oh capítulozinhos para ter mexido com as nossas pobres cabecinhas >.< Devo admitir que deu polêmica. E caso vocês achem que eu só achei errado o que o Sasuke fez, na verdade, eu também senti pena do que a Sakura disse, chegando ao ponto dela ser cruel, ainda mais que ele tem certos problemas emocionais >.< É isso gente! Eu estava adiantando capítulos esses dias que estive desaparecida, para vocês terem uma ideia, eu já estou escrevendo o capítulo 20 *o* Me amem! kkkkk brink's Esse está enorme! Demorei três dias escrevendo-o, mas enfim saiu ^-^ Prometo que os outros ficarão menores! É isso gente! Divirtam-se...

Meus olhos abriram pesadamente. Minha cabeça latejava pelos litros de Sakê ingeridos. Demorei algum tempo para me acostumar com a penumbra que invadia o meu quarto em Konohakagure no Sato.

Sentei-me meio trôpego recordando-me o que havia acontecido nos últimos dias.

Hoje era sábado. Havíamos retornado a duas semanas da missão à Iwagakure no Sato. Depois que saímos do esconderijo, Sakura seguiu caminho sozinha. Bom, foi o que ela pensou...

Eu a acompanhei de volta para Konoha escondido. Por mais que eu não quisesse qualquer contato com ela depois da nossa recente conversa, eu não poderia ignorar minha missão de manter sua segurança e foi o que eu fiz.

Não nos falamos nos dias seguintes e eu não estava afim de encará-la, mas sabia que mais cedo ou mais tarde eu teria. E eu pedia que fosse mais tarde, mesmo que uma ínfima parte de mim quisesse que fosse mais cedo.

O mais próximo que eu cheguei dela nesses últimos dias foi pelos relatórios que eu recebia do ANBU que mandei vigiá-la 24 horas por dia e que toda madrugada me informava sobre o dia dela.

Aparentemente sua vida estava normal. Ela passava o dia no hospital, onde não havia ninguém que a colocasse defeito, ela era inteligente, eficiente e ótima médica. O povo de Konoha já ansiava pela proximidade de sua nomeação como Capitã do Corpo Médico.

Mina também estava na mira dos meus relatórios diários. Ela estava tendo uma vida normal, ia para a Academia todos os dias da semana, tinha cada vez mais proximidade com Bolt e Nisuke e as vezes sua mãe ia busca-la para sair para compras ou só comer um dango antes delas voltarem para casa onde permaneciam a noite inteira.

Uma vida aparentemente normal. Se não fosse um pequeno detalhe. O fato delas estarem na mira de um kage.

E era por esse motivo que eu mantinha a vigia. Para saber caso ele aprontasse alguma coisa. Uma medida de segurança.

Querendo ou não, a responsabilidade da segurança de todos os moradores da Vila era minha. Era a minha responsabilidade protege-las e mais ainda por provavelmente também estar na mira do kage.

Enquanto a vida de Sakura aparentemente prosperava sendo iluminado pela luz. A minha parecia ser o retrato do meu quarto.

Frio, escuro e solitário. Com algumas garrafas jogadas pelo chão.

Nessas últimas semanas minha vida se resumiu em trabalhar durante o dia e beber em casa à noite tentando esquecer os problemas enquanto o sono não me envolvia. O problema é que meu subconsciente me traía e meu sono era permeado de sonhos que alternavam-se entre meus pais mórbidos e agora mais recentemente por uma certa mulher de cabelos róseas, sendo eles sonhos eróticos.

Suspirei esfregando meu rosto sonolento tentando me levantar ainda grogue.

O chão frio fez percorrer uma corrente elétrica pelo meu corpo, fazendo-me despertar mais para a realidade.

– Eu tinha alguma coisa para fazer hoje, mas o que era? – resmunguei olhando ao redor. O quarto já estava completamente tomado pela escuridão. Até que eu olhei para o criado mudo ao meu lado direito onde avistei um pequeno envelope branco ao lado de uma garrafa de Sakê quase vazia. Bati levemente na minha testa me lembrando – A inauguração do Novo Ichiraku Ramen.

Peguei a garrafa de Sakê e tomei os três últimos goles que restavam. O calor da bebida me fez despertar ainda mais para a realidade.

Caminhei em direção ao banheiro com a intenção de me preparar para a noite. Não que eu quisesse ir para uma festa, na verdade odiava ir em qualquer evento, mas este eu não poderia faltar.

Naruto e Teuchi tiveram a ideia de fazer uma sociedade juntos e planejaram aumentar o Ichiraku Ramen. Fazia alguns meses que o novo estabelecimento estava sendo construído e hoje era a sua inauguração.

Não estava indo pelo evento, mas pelo Naruto que fez questão de me lembrar todos os dias da última semana sobre o tal evento colocando-me sobre ameaça. Se eu não aparecesse, ele viria até a minha casa e me arrastaria do jeito que eu estivesse para a festa.

Ri de canto me lembrando da expressão do rosto do loiro tentando ser ameaçador enquanto eu o encarava com tédio.

Olhei-me no espelho. A maior parte dos hematomas haviam sumidos. Os que persistiam eram os que tinham sidos de maior profundidade, alguns estavam bem cicatrizados, outros porém ainda eram bem visíveis, principalmente os machucados na minha costa.

Retirei minha calça e minha box para entrar debaixo da ducha. Deixei a água fria percorrer o meu corpo despertando-me completamente.

Saí do banho com uma toalha amarrada na cintura e outra enxugando o meu cabelo com o braço direito. Escolhi uma calça preta e uma blusa branca de manga, que escondiam os hematomas persistentes.

Tomei um analgésico para a dor de cabeça que persistia, calcei as botas e saí de casa.

O céu estava nublado denunciando que mais tarde uma poderosa tempestade cairia sobre a Vila.

Não demorei muito para chegar ao local iluminado.

O Novo Ichiraku, agora não era mais uma barraca, mas sim um estabelecimento amplo. Ele era retangular e comprido, uma grande bancada estava posicionada do lado esquerdo, na parede da entrada do meu lado direito tinham várias mesas retangulares grudadas na parede com uma imensa janela que dava visão para a rua, na parede da direita outras mesas estavam posicionadas e ao fundo haviam algumas circulares. No centro, para a abertura do estabelecimento haviam feito uma pista de dança.

– Sasuke! Que prazer vê-lo hoje aqui. – recepcionou-me Teuchi.

– Seja bem-vindo Sasuke-san. – saudou-me Ayame – A sua mesa está reservada. É logo ali ao fundo, onde o Naruto está – indicou-me sorrindo apontando para uma mesa ao fundo.

Acenei para os dois e entrei no estabelecimento. Parei no balcão e pedi uma bebida. Assim que peguei o copo de Sakê uma morena de olhos castanhos no banco ao meu lado direito deslizou o dedo pela minha mão que segurava o copo.

– Nossa, que moreno – falou sorridente – será que eu teria a chance de conhece-lo melhor?

– Quem sabe mais tarde a gente não se divirta – falei com um mínimo de sorriso de canto no rosto.

Quem sabe uma noite com uma mulher não me distraia dos meus problemas, pensei.

– Será que não teria espaço para mais uma? – perguntou manhosa a loira de olhos azuis do meu lado esquerdo alisando com um dedo o meu rosto.

– Sempre há espaço para mais uma – disse piscando um olho enquanto me levantava da bancada ao som das risadinhas maliciosas de ambas, dirigindo-me em direção a minha mesa, na qual Naruto, Hinata, Kakashi e Hanare já estavam acomodados.

– TEME! – recepcionou-me Naruto levantando-se de braços abertos. Ele trajava uma blusa de manga comprida preta e uma calça laranja – Você veio!

– Mas é claro Dobe! – disse-lhe entre um abraço amigo de cumprimento – Você acha que eu deixaria você sozinho nessa. Tenho que garantir que dure pelo menos uma noite o seu estabelecimento.

– TEME... – resmungou raivoso Naruto, mas Hinata interrompeu o marido sabiamente:

– Seja muito bem vindo Sasuke! – recepcionou-me de maneira calma, como ela sempre fazia. Sua barriga de seis meses estava proeminente abaixo do vestido longo lilás de alças.

– Hinata – cumprimentei ela educadamente – Kakashi, Hanare – cumprimentei os outros que me recepcionaram educadamente.

Se existiam duas mulheres que eu nunca me relacionei e nunca me relacionaria, essas duas eram Hinata e Hanare. Eu poderia ser o mal caminho em pessoa, mas respeitava as mulheres dos meus amigos.

Sentei-me ao lado de Kakashi na nossa mesa circular. Apenas uma cadeira estava vaga, mas não liguei para esse fato. Concentrei-me em olhar ao redor ao mesmo tempo que bebericava meu Sakê.

Alguns casais conhecidos como Lee e TenTen e Ino e Sai dançavam na pista em meio a alguns casais. Outros como Shikamaru e Temari e Chouji e Karui estavam sentados em uma mesa na parede oposta ao bar. Alguns acenaram com a cabeça em cumprimento a mim assim que nossos olhares se cruzaram e eu correspondi a todos.

Continuei a olhar ao redor até que minha vista caiu sobre ela...

Descansei sobre a mesa minha mão com o copo sem desviar meu olhar de Haruno Sakura.

Eu a olhava surpreso. Não pelo fato dela está em pé perto da entrada do estabelecimento conversando amigavelmente com Juugo, Suigetsu e Karin, mesmo esse fato sendo incrivelmente incomum, mas mesmo assim o que mais me chamou a atenção na rosada, foi a roupa que ela trajava. E que roupa!

Por kami, aquela rosada só podia estar brincando comigo e com meus hormônios!

Vi Sakura olhar ao redor até seus olhos esmeraldinos encontrarem meus onixes.

– Essa noite vai ser longa! – resmunguei tomando mais um gole do meu Sakê sem desviar meu olhar do dela enquanto ela se aproximava...

***

Algumas horas antes...

Sakura chegava em casa depois de mais um dia de trabalho no hospital de Konoha. Ela era responsável pelos casos mais complicados, era cansativo a rotina, mas ela não reclamava. Trabalhar, cuidar da casa e de sua filha eram coisas que a ocupavam integralmente, mas de maneira satisfatória e que podem ocupar sua mente o suficiente para que, por breves momentos, ela se esquecesse dos problemas que a atormentavam fora dos portões de Konoha.

Ela não era tola. Já havia percebido que durante as duas últimas semanas era perseguida e vigiada por um ANBU a mando de um certo moreno...

No início havia ficado com raiva e quase bateu na porta da casa dele para pedir satisfação do fato durante uma madrugada que flagrou o ANBU entregando um relatório para o seu Capitão. Mas quando ela estava a poucos metros do apartamento que ele residia com o chakra camuflado, ela desistiu. Pensou melhor na situação, e por mais que não gostasse, ter um ANBU 24 horas por dia vigiando ela e sua filha dava-lhe mais segurança em relação a sua cria.

Talvez a ideia não seja assim tão ruim, pensou enquanto olhava para a porta do apartamento dele com o punho pronto para anunciar a sua presença ali.

Naquele dia ela voltou para casa aceitando a sua situação. Não que ela houvesse o perdoado pelo que ele havia feito com ela da última vez que eles se encontraram. Não caro leitor, ela ainda não o havia perdoado, a mágoa ainda persistia, por mais que agora tolerasse mais sua presença e até a medida de segurança inusitada.

Talvez a aparente distância dele depois do fato tenha me ajudado a acalmar meus ânimos, pensou pondo em um vaso de flores o buquê de rosas vermelhas que havia recebido de um colega de trabalho. Ou talvez ele só satisfez a vontade e se cansou de mim, mais uma em sua listinha das já pegadas.

Suspirou e foi para o seu quarto retirando a roupa de trabalho. Mina ainda estava na Academia, poderia ter algum tempo para descansar antes de dar atenção à rosada mirim.

Depois de um banho relaxante em sua banheira, Sakura optou por vestir apenas um lingerie preta e um robe curto de seda negra.

Enquanto ela amarrava o robe deixando à mostra parte de seu sutiã olhando-se no espelho, ela não pôde deixar de se lembrar:

"– Gosto de mulheres que usam lingerie preta", ele havia dito.

Ela bufou afastando a ideia e se deitando na cama de casal. Aconchegando-se de maneira que os sonhos a envolvessem rapidamente...

Sakura estava em sua banheira, não a banheira que ela usava em seu apartamento em Konoha, mas sim sua grande banheira de pedra refinada em sua antiga mansão em Iwagakure no Sato.

Não era um sonho, mas uma lembrança. Lembrança essa que ocorreu a um ano atrás.

Uma garrafa de vinho refinado e uma taça de cristal descansavam ao seu lado direito.

Nada que sais, pétalas de rosas vermelhas e espumas acompanhadas de um bom vinho não a acalmassem.

Não que ela tivesse uma vida difícil...

Na verdade, Sakura era tratada como uma rainha pelo seu marido que a idolatrava, tinha uma filha que amava, uma bela casa com empregadas para fazerem o seu serviço doméstico, mas as vezes nem tudo é o que parece...

Enquanto ela enchia a taça de vinho seu marido rompeu a porta do aposento.

Pelo seu semblante ela sabia que ele não estava feliz, que algo o incomodava, de tal modo que ele nem notou a sua presença enquanto tentava se acalmar com a cabeça baixa e mãos apoiadas na bancada de mármore da pia dupla.

Ele tirou a camisa ninja jogando em algum lugar longe de si, dando passagem para que Sakura admirasse a bela costa de seu marido. Ele era um homem bonito, ela tinha que admitir. Dono de um corpo másculo levemente bronzeado, cabelos castanhos escuros e olhos castanhos dourados que nem a sua filha. Um homem fino, educado, rico e bem dotado.

Tudo o que todas as mulheres queriam, mas que só ela tinha, pois ela foi a escolhida dele.

Ele socou com força a pia, mostrando a sua frustração.

– Pensei que só voltaria da missão daqui alguns dias. – comentou ela chamando a atenção do homem que se assustou ao ouvir o som de sua voz. Através do espelho eles se encararam e ela pôde ver seu olhar se acalmar, isso acontecia toda vez que ele a olhava – O que aconteceu?

– Nada – respondeu suspirando.

Eu te conheço o suficiente para saber que algo o incomoda – comentou bebericando de seu vinho quebrando o contato visual.

Ela sentiu ele se aproximar dela e sentar sobre a borda da banheira ao seu lado esquerdo. Não demorou muito para as mãos grandes e quentes dele acariciassem o seu rosto forçando-a a olhá-lo.

Ele selou os lábios com os dela em um beijo longo e casto, sem aprofundá-lo.

Um pequeno sorriso brincava nos lábios do homem a sua frente.

Ela o olhou confusa tentando entender o que aqueles olhos brilhantes queriam lhe dizer. Tentando entender o que o atormentava. Mas ela tinha a breve sensação que era algo relacionado a ela.

– Você ainda o ama? – perguntou de maneira lacônica a ela que se surpreendeu com a pergunta inesperada.

– O-o qu..?

– Você compreendeu a minha pergunta, Sakura – interrompeu-a.

Sim, ela havia compreendido. Ele se referia a Uchiha Sasuke. Mas porquê fazer tal pergunta depois de tantos anos?

– Porque você quer que eu responda?

– Apenas preciso saber a verdade. Você ainda o ama? – repetiu a pergunta pacientemente enquanto colocava uma mecha cor de rosa solta do coque frouxo atrás da orelha de sua amada.

– Eu estou aqui, não estou? – disse-lhe como se aquilo explicasse tudo.

– Sim ou não?

Ela suspirou, pôs a taça ao lado e pegou com as duas mãos o rosto do marido e olhou no fundo de seus olhos antes de dizer:

– O que eu te disse quando você me pediu em casamento?

– Que você o amava – comentou a contragosto.

– E o que você disse?

– Que eu aceitava você mesmo assim e a faria esquecê-lo.

– Quando você me pergunta se ainda o amo, você está perguntando se você falhou. Não, você não falhou. Se eu ainda o amasse, você acha que eu ainda estaria aqui, ao seu lado, depois de tantos anos?

Ele suspirou mais aliviado fechando os olhos encostando as suas testas.

– Porque você me perguntou isso de repente? – perguntou a rosada firme. Ela não era idiota, havia algo por trás da pergunta do moreno.

Ela sentiu o homem ficar tenso sob suas mãos antes dele se afastar de seu toque ficando de costas pra água da banheira, mas mesmo assim ainda sentado na borda.

– Konoha acabou de nomeá-lo Capitão da ANBU, – comentou com desgosto – acreditas? – mas ela não respondeu. Agora entendia o porquê daquela conversa estranha. Konoha estava começando a mexer em seus pilares e se havia uma coisa que ela sabia desde que ela havia saído de Konoha, é que um deles era ela. Ela nunca havia falado sobre a cláusula com ninguém. Mas todas as Nações a viam como um pilar precioso e que Konoha com certeza não abriria mão tão facilmente – Depois de anos, Konoha nomeia um ex-nukenin para cuidar de sua segurança. Isso é uma piada! – falou rindo sem humor.

– Talvez tenha ganhado o título por merecer. Já faz tantos anos desde que tudo aconteceu – tentou acalmar o clima tenso no aposento.

– Por merecer Sakura? Ah por favor, me poupe. – disse descrente rindo de maneira mais obscura – Um homem como ele não ganha um título por merecer – falou fuzilando a esposa – Sabe o que ele fez em uma missão de espionagem que acabou encontrando meus subordinados? – fez uma pausa antes de recomeçar – Simplesmente seduziu uma de minhas subordinadas, levou pra cama e roubou todas as informações secretas que ela tinha. – os olhos verdes obscureceram ao ouvir aquelas palavras – Ele mata, ele usa, ele não se importa com as pessoas Sakura. – ela não tinha como contrariar o argumento dele. Todas as coisas erradas que ele fazia desde de sua saída de Konoha iam de encontro com o garoto que ela conhecia, mas se confirmavam. Muitos falavam da vida devassa que ele levava em Konoha, ao mesmo tempo que matava sem dó os seus inimigos – Eu sei porquê Konoha o nomeou. Sei o porquê de estarem fazendo isso – e como ela também sabia!, pensou a rosada – mas eles não vão conseguir – falou em um sussurro antes de voltar a olhar para a sua mulher – Sakura, você vai ficar ao meu lado para sempre, não vai?

– Até que a morte nos separe, não é mesmo? – respondeu em um sussurro com um mínimo sorriso no rosto retirando um brilho esperançoso do homem a sua frente.

– Sim – disse selando os lábios com os dela novamente – Sakura, eu preciso de um Capitão – ele sussurrou antes de se afastar indo em direção a porta que o levava para o quarto – Te espero no quarto – disse alto satisfeito saindo do cômodo.

"Sakura, eu preciso de um Capitão".

Aquelas palavras preenchiam a mente da rosada que encarava estática o nada a sua frente.

Ela sabia exatamente o que aquelas palavras significavam. Assim como Konoha começava a mexer em seus pilares, Iwagakure também mexeria. Uma falsa ilusão de paz entres as Nações pós-guerra que tentavam se sobressaí sobre as outras, mostrando quem tinha mais poder. E seus filhos seriam as vítimas. Eles já tinham Mina que já era vista com a futura Capitã do Corpo Médico, agora eles queriam um Capitão para a ANBU.

Ela afundou-se mais na banheira.

Se havia uma coisa que ela sabia, é que ela não poderia engravidar e não iria...

– Mamãe, mamãe – chamou Mina acordando a rosada.

– Oi meu amor – respondeu a rosada sentando-se sonolenta na cama.

– Como assim oi? Você precisa se levantar mamãe.

– Pra quê? – perguntou a mãe observando que o céu já havia escurecido.

– Pra quê!? Pra quê!? – disse incrédula com os braços cruzados a olhando com um bico – Para a festa, oras.

Foi quando Sakura se lembrou da festa que Naruto estava organizando e fez questão de vim entregar pessoalmente o convite e lembra-la sempre que se encontravam por acaso na rua, mas ela achava que todas aqueles vinte encontros "por acaso" não foram tão por acaso assim.

– Eu não vou – resmungou voltando a se deitar fechando os olhos.

– O QUÊ!? – exclamou incrédula – Ah você vai sim! – disse pulando em cima da mãe fazendo cócegas.

– Mina... para! – disse entre gargalhadas. A menina parou deitando-se na cama e ficou olhando travessa para a mãe – Aliás, como a senhorita sabe dessa festa? – o sorriso travesso sumiu dando lugar para o rosto corado da menina.

Te peguei, pensou Sakura.

– É que... que...

– Que? – estimulou Sakura acariciando os cabelos longos de Mina – Aposto que foi Hanare que te contou e disse para me convencer a ir – a garotinha olhou para os lados vermelha – Sabia!

– Não foi bem assim, mãe! Eu acabei encontrando por acaso a tia Hanare e perguntei se tinha alguma festa prestes a acontecer devido ao movimento incomum no centro comercial. Aí ela me contou...

Sakura suspirou.

– Você não vai me deixar em paz até eu concordar em ir para a festa, não é?

– Isso aí.

A contra gosto Sakura se levantou e se assustou ao ver que um look de festa estava colocado com cuidado sobre a poltrona de sua penteadeira.

– O que é isso? – perguntou pegando o vestido.

– A roupa que você vai usar hoje – disse alegre a menina que trajava um vestidinho amarelo e uma boina da mesma cor.

Sakura a olhou incrédula, mas desistiu de discutir com a menina e pôs a se vestir. Maquiou-se com cores fortes por ser uma festa a noite e para ser digno do look, colocou um esfumaçado preto e um batom vermelho destacando bem seu rosto alvo e olhos verdes. Arrumou o cabelo de forma que ele ficasse solto, mas não inteiramente liso, ele estava cheio e ondulado.

– Aqui – estendeu os sapatos para a mãe assim que a menina voltou correndo para o cômodo que ela se arrumava. Sakura suspendeu uma sobrancelha para os saltos altos pretos que a menina segurava com as mãos pequenas – Não reclame, apenas se vista – repreendeu a pequena divertida.

A mulher deu de ombros e os calçou. Assim que estava arrumada olhou-se no espelho de corpo inteiro.

– Uau mãe, você está linda. Se algum homem não babar por você, então ele é um idiota – disse risonha sentada na cama.

– Você quer que eu arranje alguém, Mina? – perguntou desconfiada admirando o vestido preto e justo no corpo, ele tinha alças grossas deixando os braços e colo a mostra pelo decote retangular. As suas pernas grossas a baixo do meio da coxa ficavam a mostra. Os saltos altíssimos deixavam-na como uma postura impecável.

Cabelo, maquiagem, roupas, tudo nela era diferente daquela adolescente franzina e insegura que andava pelas ruas de Konoha. Ela não era mais aquela pessoa por fora. Se havia uma coisa que ela havia aprendido nos últimos anos, essa coisa era ser mulher.

– Eu não estou tentando te casar mãe – disse a menina – eu só quero que você se divirta. Eu só quero que você viva – murmurou.

Sakura não pôde não se tocar com as palavras de sua menina. Sentou-se na frente dela e a abraçou acariciando os cabelos dela.

– Arigato Mina – ela inspirou o perfume floral dos cabelos dela antes de dizer – Eu te amo! – para Sakura não havia palavras tão verdadeiras como essas três para a sua pequena.

O rostinho pequeno e infantil olhou-a de maneira brilhante sem desfazer o abraço.

– Eu também te amo, mamãe!

Sakura sorriu. De maneira verdadeira enquanto acariciava o rosto de sua filha, de uma maneira que só Mina conseguia tirar dela.

– Você vai ficar bem aqui sozinha?

– Vou.

– Não vou voltar tarde – disse depositando um beijo no rosto da menina que ficou marcado pelo batom.

– Mamãe! – resmungou a menina tentando tirar o batom.

Entre risadas Sakura saiu da casa sem antes ter certeza que o ANBU estava lá de vigília e dizer uma última vez em pensamentos: "Eu te amo Mina e faria qualquer coisa por você!".

Sakura não demorou muito para alcançar o estabelecimento. Teuchi e Ayame arregalaram os olhos ao vê-la.

– SAKURA! – exclamaram juntos encarando-a de boca aberta.

Ela suspirou. Sabia que acabaria vendo muitos de seus antigos amigos na festa, amigos esses que ainda não havia visto desde que voltara de Konoha. Mas era algo que não dava mais para adiar. Não com ela ali na frente do estabelecimento.

– Oi Teuchi-san, Ayame-san. A quanto tempo! – cumprimentou-os de maneira amistosa tentando quebrar a tensão dos olhares incrédulos de ambos.

– Que bom revê-la! – anunciou Teuchi abraçando a rosada que por educação retribuiu – Seja muito bem-vinda!

Ela assentiu e depois de um abraço apertado de Ayame ela pôde entrar.

O ambiente estava escuro, mas ainda assim era visível ver a todos ali. Tudo que ela não queria era atenção, mas sabia que suas roupas e cabelo rosa logo chamariam atenção de todos aqueles que uma vez ela tinha dito "Adeus!".

– Sakura? – perguntou incerta uma voz masculina ao seu lado direito chamando sua atenção – Sakura é você?

– Juugo? – disse sorrindo vendo o homem de cabelo laranja, que mesmo tendo um problema de bipolaridade grave, ela sabia que ele tinha um grande coração e foi um dos poucos que não a julgou em suas decisões passadas.

– Sakura! – falou firme a abraçando. Sem fingimentos, ela o correspondeu – Então é mesmo verdade? Que você voltou? – falou se afastando para olhá-la como se não acreditasse que ela estava ali na sua frente.

– Sim. Eu voltei – falou sorrindo minimamente.

– Nossa! Não sabia que estava tão desesperada para arrumar outro marido, chiclete – comentou Karin aparecendo ao lado de Juugo com o braço entrelaçado com Suigetsu que sorria enormemente.

– Se isso foi um elogio para me dizer que estou bonita, então obrigada Karin – ironizou a rosada tirando gargalhadas de Suigetsu e Juugo e uma cara amarrada da ruiva – Você também está bonita! – falou cortês e a ruiva se assustou com as palavras da rosada que não tinham nenhum tipo de ironia. Por mais que ainda não gostasse de Sakura, Karin não pôde deixar de lhe sorrir minimamente em agradecimento amenizando o clima entre os quatro. Apenas uma paz temporária.

– Para mim, você está perfeita! – disse Suigetsu dando-lhe um grande sorriso que foi recompensado por um cutucão da esposa enciumada – Amor, você sabe que você é única para mim! – tentou se justificar com a ruiva enquanto Sakura e Juugo tentavam segurar a risada devido a situação.

Sakura observou o local ao redor pensando em como as coisas haviam mudado no Ichiraku Ramen. Algumas pessoas começavam a olhar, mas apenas um olhar pesado e nada discreto sobre si chamou a sua atenção.

Sakura respirou discretamente tomando coragem de seguir para a sua mesa que era a mesma do homem que a observava. A mesma de Uchiha Sasuke.

– Essa noite vai ser longa! – resmungou para si mesmo enquanto Sasuke bebericava de seu copo sem quebrar o contato visual ao mesmo tempo que ele estampava um mínimo sorriso de canto.

***

– SAKURA-CHAN! – saudou Naruto a abraçando quebrando nosso contato visual.

– Oi Naruto – cumprimentou a rosada correspondendo o abraço inesperado.

– Sakura-chan – cumprimentou Hinata docemente – como é bom revê-la!

– Hinata!? – falou surpresa Sakura piscando três vezes ao ver a morena. Mas logo seu momento de confusão passou e um singelo sorriso apareceu no rosto dela – É bom revê-la também – falou abraçando a morena sentando-se ao seu lado, consequentemente ao meu lado.

Sakura deu um leve aceno educado para os outros sentados à mesa inclusive a mim, que respondemos da mesma maneira, antes de sua atenção voltar a morena em uma conversa sobre a gravidez de Hinata.

Aparentemente Sakura estava normal. Não havia sinais de irritabilidade contra mim ou qualquer atenção. Ela estava indiferente a mim, mas isso eu não poderia dizer que era estranho, pois ela desde que chegou à Konoha estava indiferente.

Não vou dizer que não me incomodava, pois estaria mentindo. Tentava a todo custo prender a minha atenção na conversa que Naruto, Kakashi e Hanare travavam, mas era inútil, sem que eu percebesse eu a estava encarando de canto, observando de maneira discreta cada movimento dela, cada mecha rosa que ela colocava atrás da orelha, cada movimento com as mãos, cada sorriso singelo direcionado à morena, cada cruzada de pernas que ela dava ao meu lado...

– TESTA! – exclamou Ino aproximando-se da mesa de mãos dadas com Sai. Chamando a atenção de todos na mesa.

– Oi Ino, Sai – cumprimentou-os sorrindo. Ambos sorriram para a rosada.

– Pensei que você não viria hoje. – disse a loira – Bom, foi o que você havia me dito hoje no hospital.

– É, eu não ia vim. Mas, – ela pausou dando uma fuzilada em Hanare – alguém me convenceu.

– É por isso que eu amo aquela menininha. – disse rindo a morena tentando se defender – Ora Sakura, Mina só me perguntou se iria haver uma festa. Eu só disse a verdade.

– Não entendi – exclamou Hinata.

Sakura explicou o que havia acontecido tirando risadas de todos.

– Preciso me tornar amiga dessa menina para conseguir te convencer à sairmos juntas mais vezes Sakura – comentou Ino tirando uma risada de concordância da de olhos perolados – Aliás, você arrasou no look hoje – falou piscando um olho – Se eu fosse homem, até eu te daria uma chance – brincou rindo a loira fazendo todos da mesa rirem.

– Aposto que foi ideia de Mina – supôs Kakashi.

– Sim – respondeu baixo levemente corada.

– O mesmo gênio do pai – comentou rindo Hanare abraçando o braço do marido – Tal pai, tal filha. Ambos adoravam ver Sakura deslumbrante em todas as festas que eles iam. Todos os homens ficavam babando por ela enquanto as mulheres ficavam morrendo de inveja. Nunca me esqueço do look que você usou no último Baile dos Kages, aquele vestido vermelho longo justo no corpo com uma fenda em sua perna direita enquanto sua costa estava inteiramente nua – tinha que admiti, a visão da minha mente fértil se fez presente e achei bem atraente a imagem que se formou, mas um fato na fala de Hanare fez com que a imagem ficasse amarga e um nó se formasse em minha garganta – e ainda descer de braços dados com o Capitão da ANBU e o Tsuchikage na entrada da festa que eles eram anfitriões.

Por um breve momento Sakura ficou tensa e seu olhar cruzou com o meu que a encarava sem disfarce. A conversa transcorreu normalmente sendo explicado para os que não sabiam que o Baile dos Kages era um evento que acontecia todos os anos em comemoração à Aliança Shinobi que formou devido a última guerra. Uma grande idiotice na minha opinião, pois não havia paz verdadeira entre eles.

Era um baile anual que era frequentada apenas pelos líderes e altos escalões. Esse ano por ser um Capitão seria convidado e a festa ocorreria em Konoha dali a um pouco mais de dois meses, mas eu não estava nada ansioso por ela. Passar horas em um baile de gala tendo a companhia indevida de líderes fúteis e um certo kage psicopata não era o meu programa favorito.

A conversa se encerrou com Ino e Sai, Hinata e Naruto, Kakashi e Hanare, dirigindo-se para a pista de dança para dançarem uma música lenta que tocava no local nos deixando sozinhos. Outras pessoas vieram cumprimentar Sakura que foi cordial com todos até que Juugo apareceu estendendo a mão para a rosada.

– Você me deve uma dança, se lembra? – perguntou sorridente.

– A dança que não terminamos no dia do meu casamento – comentou sorrindo aceitando a mão – é claro que eu me lembro.

Juugo me lançou um olhar do tipo "relaxa" antes de puxar ela para a pista. Fiquei observando o jeito como os dois dançavam juntos, alguns comentários e risos simples eram observáveis.

O que eles tanto conversavam? Porque parecia que eles eram bons amigos? Porque ela parecia ser gentil com ele e um carrasco comigo? Várias perguntas surgiram em minha mente enquanto eu virava sem pudores meu copo de Sakê sem desviar meu olhar deles.

Quando a música terminou foi que eu percebi que a pior parte só estava começando. Assim que Juugo e Sakura começaram a se separar um homem de cabelos negros curtos e olhos castanhos se aproximou de Sakura, não demorou muito para que ela estivesse dançando com ele.

Assim que vi o cara puxar a rosada para mais perto de si e deslizar a mão pela sua costa até parar em seu quadril, enchi meu copo com a garrafa de Sakê que estava sobre a mesa e tomei tudo em um só gole batendo com força o copo na mesa sentindo minha garganta queimar.

– Ei vai com calma aí Sasuke! Não quero ver você bêbado na minha festa hoje. Quando você fica, acaba fazendo coisas de maneira impulsiva, sem pensar – repreendeu-me Naruto puxando a cadeira para que Hinata se acomodasse.

– Só estou me divertindo – resmunguei sem humor ignorando sua presença a tempo de ver o cara cochichando no ouvido dela que estava de costa para mim. Um sorriso malicioso estava estampado em seu rosto. O copo na minha mão ficou em cactos me cortando em alguns locais devido a força que eu o apertei.

– Mas que droga Sasuke! – exclamou ao mesmo tempo bravo e preocupado o loiro. Ele também tinha visto a cena e não gostou – Você está bem? – disse olhando pro vermelho que começava a manchar o pano da mesa – Hinata, cure-o para mim por favor – ela assentiu colocando uma mão com chakra verde sobre a minha me curando – e você Teme espere o término da próxima música – falou se afastando. Quando eu ia perguntar o que aquilo significava, Hinata chamou a minha atenção:

– Apenas espere, vai ficar tudo bem! – comentou concentrada na minha cura.

Voltei a olhar para a Sakura a tempo de ver Naruto conversando com os dois quando a música terminou. Não demorou muito para que o loiro e a rosada estivessem dançando e conversando.

Eu conhecia Naruto o suficiente para saber que suas emoções com a rosada eram semelhantes ao de um irmão com sua irmã mais nova. Sabia que ele não tinha segundas intenções com ela e que ele era completamente apaixonado pela sua mulher. Então simplesmente não me importei, apenas fiquei observando-os, rindo até em alguns momentos quando eu percebia que o Naruto pisava no pé dela sem querer.

– É a sua hora, a música está acabando – informou-me Hinata. Como eu não fiz menção de me levantar, ela acrescentou – se não for você, vai ser outro!

Entendendo o que ela havia me dito me levantei depois de tomar o último gole de Sakê do meu novo copo trazido por um garçom, para tomar coragem. Caminhei entre os corpos que dançavam até chegar nos dois que pareciam conversar amigavelmente.

Naruto olhou por cima do ombro dela e sorriu para mim antes de rodá-la mas soltando-a no meio da volta fazendo com que ela caísse nos meus braços.

– Gomen – pediu ainda com o rosto e mãos espalmadas no meu peitoral.

– Aposto que não seja você que deva se desculpar, mas sim o seu péssimo ex-companheiro de dança – falei segurando seus ombros.

– Sasuke! – exclamou surpresa tentando se afastar de mim.

– Calma! Eu não vou fazer nada. – ela parou de se mexer, mas continuou me olhando desconfiada – Eu só quero... – engoli em seco antes de continuar em um sussurro – dançar.

Ela ergueu uma sobrancelha.

– Eu estou cansada, vou me sentar – disse voltando a se soltar lentamente.

– Se não for eu, será outro. Está vendo aqueles caras naquela mesa? – indiquei uma mesa com vários homens que a olhavam com desejo. Ela assentiu – Eles não vão parar de te perturbar se você ficar sozinha – ela começou a ceder, ela sabia que eu tinha razão e com isso eu comecei a puxá-la de volta para perto de mim.

– O que você está aprontando Sasuke? – perguntou desconfiada.

Suspirei antes de dizer em um sussurro:

– Eu só quero dançar com você Sakura, só isso.

Ela bufou aceitando minha dança. Coloquei minhas mãos em sua cintura, enquanto ela apoiou as mãos sobre os meus ombros, evitando contato visual.

– Ai – ela resmungou quando eu pisei em seu pé.

– Gomen – falei sem graça.

– Pelo visto não é só Naruto que não sabe dançar aqui – comentou tentando segurar um riso.

– Não é isso, é só que...

– Só que? – estimulou.

– Eu nunca dancei – admiti em um sussurro evitando o olhar dela que agora me encava surpresa, tentando fazer com que ela não me visse corando.

– Você está brincando, né? Como assim nunca dançou?

– Eu não sou o tipo de pessoa que fica dançando em festas – resmunguei enquanto tirava outro gemido dela por ter pisado novamente em seu pé.

– Você nunca dançou com uma mulher? – neguei – Com um homem? – entortei meu rosto com desgosto e ela riu levemente com a ideia – Sozinho? – neguei – Nem no chuveiro? – perguntou esperançosa e eu bufei com a ideia. Sério que ela esperava que o grande Uchiha Sasuke ficasse dançando sozinho no chuveiro? – Seu sem graça – suspirou com falsa decepção antes de encarar qualquer ponto que não fosse eu.

Algumas pessoas já estavam nos encarando e isso não agradou a Sakura que resolveu esconder-se olhando para o meu peitoral.

– Sakura... – minha voz sumiu assim que ela encarou meus onixes com suas esmeraldas. Ficamos em silêncio nos encarando, não havia significado algum naquele olhar. Era o mesmo olhar que tínhamos um pouco depois dela se curar naquele lago – sobre o que aconteceu...

Seu olhar obscureceu e ela se afastou um pouco.

– Sasuke não...

– Preciso falar sobre isso com você.

– Aqui não é hora, nem local – me repreendeu sussurrando – a música acabou – disse se soltando completamente de mim, mas eu segurei os seus braços para que ela não fugisse.

– Vamos dançar mais uma música. Eu só quero que você me escute.

Ela suspirou olhando ao redor, procurando uma forma de fugir.

– Depois conversamos sobre isso Sasuke. Hoje não, não aqui! – assenti concordando – Eu estou cansada, vou pegar uma água no bar.

– Tudo bem, eu vou com você – falei sem pensar nas palavras antes de proferir. Ela me olhou confusa por um tempo, mas depois disse:

– Melhor não – falou saindo de perto de mim sem esperar uma resposta minha, me deixando sozinho na pista de dança.

Bufei e voltei para a minha mesa onde só Hinata estava sentada. Servi-me de Sakê antes dela dizer balançando a cabeça em repressão:

– Se você visse o que eu vejo Sasuke, sua vida seria bem mais fácil.

Antes que eu perguntasse sobre o que ela estava falando, Naruto chegou com duas tigelas de ramen servindo a esposa. Decidi ignorar o casal feliz e voltar minha atenção ao meu Sakê enquanto encarava o balcão até meu olhar parar na figura de Sakura sentada em um banco com o cara que tinha dançado com ela ao seu lado, flertando com ela, próximo demais para o meu gosto.

Engasguei-me com o Sakê assim que vi ele passando a mão na pele exposta da perna dela antes de se levantar e se dirigir ao banheiro masculino depois de jogar uma piscadela para a rosada.

– Sasuke, você está bem? – perguntou preocupado o loiro.

– Estou – disse voltando ao normal, mas ainda com uma leve tosse – só preciso ir ao banheiro – falei me levantando.

Assim que entrei no ambiente com uma pia dupla do lado esquerdo e três boxes para os vasos sanitários do lado direito, vi o homem com um sorriso vitorioso no rosto arrumando-se em frente ao espelho.

– Você parece bem feliz – comentei notando que estávamos sozinhos e que ele estava visivelmente bêbado. Tranquei a porta sem que ele visse.

– E como eu não estaria? Vou pegar a mulher mais bonita da festa – sorri sem humor – espero que ela seja boa de cama. Se não for vai ser uma decepção, ainda mais tendo aquelas pernas gost...

Não deixei que ele terminasse a fala podre e imunda, deferi um forte soco de direita fazendo com que ele caísse no chão. Pulei em cima dele e deferi inúmeros socos até que ele ficasse imóvel e seu rosto coberto de sangue. Chutei as costelas dele três vez fazendo-o cuspi sangue, manchando o piso.

Parei assim que vi pelo meu reflexo que o meu sharingan havia sido ativado sem nem eu perceber. Ouvi o homem gemer de dor, mostrando que ainda estava vivo.

– Só não mato você desgraçado, porque o Naruto não merece uma morte no banheiro de seu recém inaugurado estabelecimento – cuspi as palavras com raiva.

Suspirei tentando me acalmar. O álcool já começava a tomar conta do meu corpo. Olhei para as minhas mãos manchadas de sangue. Naruto tinha razão, eu ficava impulsivo quando bebia.

Lavei minhas mãos para tirar o sangue e voltei o meu olhar para o homem inconsciente jogado no chão.

Com o meu rinnegan ativo e com o corpo jogado sobre o meu ombro, nos teletransportei para o beco ao lado do estabelecimento depois que destranquei a porta. Deixei o corpo atrás de uma caçamba de lixo, ele não iria morrer, só estava desacordado. Na manhã seguinte iria acordar e pensaria ter se metido numa briga fora do Ichiraku Ramen.

Bufei voltando pisando pesado para entrar pela porta da frente do estabelecimento.

Olhei ao redor. A bebedeira já tomava conta de vários.

– Ela não está mais aqui – informou-me Suigetsu que estava ao meu lado na entrada observando Karin dançar com Juugo – ela já foi embora. Disse que não queria voltar muito tarde para casa, por causa da filha.

– Não sei de quem você está falando – menti.

– Ok, vou fingir que você não estava procurando ela depois de espancar o cara que a alisou no banheiro – olhei-o surpreso – só espero que o tenha deixado vivo. – comentou tomando mais um gole, antes de voltar a falar – Ela não é mulher para se ter, mas para se conquistar! Para amar e ser amado!

– Tsc – resmunguei voltando para o meu lugar.

***

Sakura caminhava sozinha pelas ruas escuras e desertas de Konoha de volta para a casa. Ela estava com raiva, odiava quando homens bêbados tentavam a alisar, só não havia metido um murro na cara dele em respeito à Teuchi e Naruto. Mas não era só isso que a incomodava, não era isso que a fazia suspirar desolada. Era um certo moreno de olhos onixes que atualmente andava a perseguindo muito. Toda vez que eles estavam próximos parecia que ele tinha a necessidade de estar perto dela todo o segundo que se passava.

As vezes ela via ele a olhando com desejo como quando eles estavam na mesa com os amigos, outras, apenas com cuidado quando ele quis acompanha-la ao bar e outras ela nem sabia dizer o que era como quando dançavam.

Sasuke era capaz de ir de anjo ao diabo de uma hora para outra. Era capaz de ser o homem dos sonhos, o menino medroso e até o seu pior pesadelo, tudo ao mesmo tempo. Ela não sabia dizer quem ele era de verdade. Mas pelo que ela havia visto desde que chegara, ela queria distância dele, mas será que ela queria mesmo?...

Os sentimentos humanos são tão complicados e instáveis. Como ela poderia dizer com certeza o que sentia? Apenas o tempo lhe diria...

Assim que Sakura abriu a porta de seu apartamento o pânico lhe tomou. Estava tudo tomado pelo breu, mas era possível reconhecer o cheiro tão familiar de sangue recém derramado.

Ela caminhou trôpega pelo apartamento de móveis revirados e kunais pelo chão mostrando que ali havia tido uma recente luta.

Ao entrar no quarto da filha ela não pôde evitar levar a mão a boca enquanto uma lágrima rolava sobre o seu rosto como a muito tempo não acontecia.

O corpo do ANBU estava caído inerte no chão frio do quarto, enquanto que as paredes, antes alvas, estavam marcadas com o líquido vermelho que antes pulsava em suas veias no formato de uma frase:

Só vim pegar o que é meu

Continua...

Notas finais
Só tenho uma coisa a dizer:Tenso! Pelo visto vieram pegar Mina e para quem não se lembra Nisuke também está na mira do Kage! Sim, sim, sim gente! Nosso amado príncipe encantado Nisuke aparecerá no próximo capítulo ^^ e digo que ele terá direito a parte de destaque com enfoque nele (parte de destaque é essas partes que eu coloco entre *** que representa mudança de foco de personagem, tirando do Sasuke para falar sobre outro personagem em terceira pessoa), terá momentos kawaii e momentos tensos do Nisuke >.< mas digo que ele terá uma importância em como o capítulo que vem transcorrerá! É isso gente! Boa Noite! Até a próxima! Mereço reviews???