Notas iniciais
Oi gente linda ^^ Dei uma parada na resposta dos comentários para me dedicar na postagem do novo capítulo. Estou a quase duas horas revisando-o hehehe mas agora fiquei satisfeita com o resultado. Queria agradecer aos muitos comentários recebidos (que ainda estou respondendo). Vocês são lindos e uns amores. Estimulam-me muito com seus comentários!!! Quero agradecer as favoritações e à linda recomendação que a Juh-chan (Julliana Heartfilia) enviou à fic (capítulo que vem voltarei a falar mais sobre a recomendação)! INFORMAÇÕES IMPORTANTES! Gente! Leiam com muito cuidado e calma esse capítulo. Vocês verão um pouco do psicológico do Sasuke, de maneira bem diferente do que vem sendo apresentado. Esse capítulo (do meio para o final) mistura o plano presente, passado (SIM, TEMOS FLASH BACK HOJE!) e o inconsciente (vocês entenderam ao lerem e é uma parte que está em itálico e separado do resto com ***) Eu li e reli milhares de vezes esse capítulo para colocá-lo de uma forma que vocês entendam. As lembranças vão e voltam. LEIAM COM CUIDADO POR FAVOR! Prestando atenção nos tempos verbais e aí vocês entenderão o que está acontecendo. Hoje quero destacar uma leitora muito querida, a D.H. (Miss Fuck You). Ela é uma pessoa incrível que eu tenho o privilégio de receber sempre comentários dela. Obrigada D.H. pela atenção ^^ Hoje o capítulo será dedicado a ela como um presente de aniversário atrasado heheh Feliz Aniversário! É isso gente! Se divirtam com Minha Amada Heroína...

Leiam as notas iniciais para entender o capítulo de hoje, please!

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Meus olhos estavam pesados, meu corpo estava dolorido, mas era suportável. A superfície macia sobre mim me convidava a continuar deitado enquanto sentia os raios fracos do sol acertarem o meu rosto.

Abri lentamente os olhos focando o olhar no ventilador de teto que girava de maneira monótona sobre mim. Suspirei ouvindo alguns gritos infantis ecoarem da rua.

Onde eu estou?, perguntei-me em pensamento.

Minha cabeça latejava tentando encontrar alguma lógica no que estava acontecendo quando a última lembrança que eu tinha voltou violentamente à minha mente. Sakura com o rosto manchado pelo vermelho do meu sangue.

Sentei-me desesperado na cama olhando ao redor em busca de algum sinal dela.

– Sakura – chamei me levantando cambaleando da cama. Senti o frio ao tocar meus pés no chão, olhei para baixo e vi que estava apenas de calça.

Olhei ao redor e vi minhas roupas antes ensanguentadas, dobradas e limpas em uma escrivaninha a minha direita perto da porta. Olhei mais atentamente ao redor e nenhum sinal da rosada.

Sai correndo do quarto do jeito que eu estava. Algumas mulheres passavam por mim olhando-me jogando charme mas eu não prestei atenção. O ar quente me dizia que eu estava em um hotel de fontes termais.

– Sakura – chamava enquanto percorria os corredores até chegar na recepção e ver uma senhora e uma jovem adolescente prostradas na bancada olhando algumas folhas – Preciso de uma informação – falei chamando a atenção delas. As mulheres coraram ao me verem – Haruno Sakura está hospedada aqui?

A mulher me olhou confusa, mas ao ver o meu desespero tratou de verificar a papelada, quando ia começar a falar...

– Sasuke, o que você está fazendo fora da cama? – perguntou Sakura atrás de mim. Virei-me para ela instantaneamente e toda a tensão dissipou-se das minhas costas. Suspirei aliviado ao vê-la entrar no estabelecimento segurando uma sacola de ervas.

– Eu não sabia onde você estava. Então eu vim te procurar – defendi-me.

Sakura sorriu amigavelmente para as mulheres que me olhavam com uma mistura de medo e fascinação em seus olhares, puxando-me pelo braço de volta para o quarto onde eu acordei sem dizer nada.

Assim que entramos, rompi o silêncio:

– O que aconteceu? Onde estamos?

Ela suspirou sentando-se na cama depois de deixar a sacola de ervas e sua bolsa na escrivaninha.

– Antes de tudo senta aqui – disse batendo na cama ao seu lado – preciso te examinar.

Resolvi seguir a sua ordem. Ainda não me sentia 100%. Tinha alguma coisa errada com o meu corpo.

Assim que sentei ao seu lado, Sakura ficou de joelhos atrás de mim e começou a percorrer com as mãos cobertas de chakra a extensão da minha costa fazendo com que meus pelos se arrepiassem a medida que suas pequenas e macias mãos alisavam minha pele desnuda.

– Está sentindo alguma coisa?

– Apenas cansaço – respondi tentando ignorar o nosso contato físico.

– Efeito do veneno que estava nas senbons. Havia uma grande quantidade nelas, por isso o efeito persiste. Mesmo sendo um veneno simples, em grande quantidade é letal – comentou esticando-se até o criado mudo pegando uma seringa que estava sobre ela. Com grande tranquilidade injetou o líquido no meu braço – essa última dose deve neutralizar totalmente o efeito.

– O que aconteceu? – perguntei sem prestar atenção ao que ela falava anteriormente.

– Você desmaiou – comentou se levantando da cama indiferente a minha pergunta.

Com raiva segurei o pulso dela e a puxei. Tão forte que a fez cair de joelhos entre as minhas pernas. Segurei seu rosto com as duas mãos e a encarei:

– O que aconteceu depois que eu desmaiei? Como viemos parar aqui?

– Não é óbvio Sasuke? – eu não respondi e ela continuou depois de um suspiro cansado – Eu te carreguei até aqui – minhas mãos caíram ao seu lado incrédulo com o que ela havia me dito – estamos em um vilarejo dentro do País da Terra, não muito longe de Iwagakure no Sato. Esse é o local mais próximo de onde estávamos. Achei melhor parar – comentou se levantando e virando de costas mexendo nas sacolas – para eu poder cuidar do veneno que as senbons injetaram em você.

Olhei para o sol que estava se pondo.

– Eu passei o dia dormindo?

– Sim – respondeu olhando para mim com as mãos encostadas na escrivaninha atrás de si.

Olhei para o corpo com curvas porém magro de Sakura. Seus olhos denunciavam cansaço. Ainda não conseguia acreditar que ela havia conseguido me carregar até ali mesmo estando naquele estado pós-luta.

– Está com fome? – perguntou-me mudando de assunto – Encontrei um restaurante aqui próximo. Estou indo lá comer.

Apenas assenti concordando vestindo minhas roupas.

– Ah! Tem mais uma coisa que preciso te contar – virei-me em sua direção esperando – esse vilarejo está em época de comemoração cultural. Só tinha esse apartamento disponível nos hotéis. Passei o dia procurando outro, mas não encontrei.

Ela se calou e eu olhei ao redor entendendo o que ela queria me dizer. Olhei para a cama de casal bagunçada do lado esquerdo, onde havia dormido durante a tarde inteira. Só havia aquele lugar e eu e Sakura teríamos que dormir juntos essa noite.

– Tudo bem – murmurei.

Ela assentiu e saímos em silêncio.

Caminhamos juntos pelas ruas cheias de barracas que começavam a encher de gente por causa do festival de logo mais tarde. Entramos em um restaurante simples e sentamos em uma mesa encostada na janela com as cadeiras estofadas.

Sentei-me de frente para a porta de saída e Sakura de frente para mim. Notei que várias pessoas nos observavam. Muitas mulheres olhavam para mim vez ou outra, algumas inexperientes na arte da sedução olhavam constantemente, outras mais velhas me olhavam poucas vezes, piscando lentamente seus olhos, cruzando as pernas ou mostrando o colo a mostra em seus kimonos, mas claramente tentando chamar a minha atenção.

Uma bela morena de olhos negros estava sentada no banco do bar próximo a mim. Seu kimono justo e curto exaltava seus atributos avantajados. Ela sorriu para mim assim que olhei para ela. Retribui rapidamente voltando o meu olhar para a única mulher que não me encarava ou tentava chamar a minha atenção de alguma forma...

Sakura.

Ela estava absorta em pensamentos observando o trânsito de pessoas através do vidro. Olheiras estavam levemente sobressaltadas abaixo de seus olhos e juntamente com os suspiros constantes simbolizavam o quanto ela estava cansada.

– O que aconteceu com os shinobis?

– Eu não sei – respondeu ainda com o olhar preso no movimento do vai-e-vem de pessoas – apenas saí de lá. Tentando manter a maior distância possível deles, mas sei que alguns sobreviveram. Eu dei algumas voltas pelo vilarejo durante o dia, mas não vi nenhum sinal deles.

O silêncio se impôs sobre nós de maneira incomoda até Sakura reiniciar a conversa ainda sem me olhar:

– Você não precisava ter se jogado daquela forma para me salvar – falou indiferente.

– Eu..

– Vocês vão querer alguma coisa? – interrompeu-me uma garçonete que sorria para mim descaradamente.

Fizemos os nossos pedidos. Enquanto ela anotava o meu pedido ela sorria amigavelmente, mas ao anotar o de Sakura, revirou os olhos.

Sakura ergueu uma sobrancelha para a atitude nada amistosa da mulher assim que se afastou de nós e só então ela percebeu os olhares que recebíamos.

– É assim toda vez que você sai? – perguntou franzindo o cenho em desgosto ao ver duas mulheres rindo envergonhadas e piscando para mim atrás dela.

– Algum incomodo? – provoquei sussurrando me apoiando na mesa entre nós.

– Não – falou revirando os olhos enquanto balançava uma mão em indiferença no ar – só acho idiotice dessas mulheres – voltou a olhar as pessoas na rua apoiando o queixo na mão como se o que ela falasse fosse entediante – tipo, elas te olham como se dissessem "me coma". É deprimente ver uma pessoa se submeter a isso por tão pouco.

Eu tinha que admitir. Concordava com a Sakura. Achava ridículo aquele teatro todo, mesmo que elas soubessem que eu as usaria só por uma noite, mais ridículo ainda na manhã seguinte quando eu as dispensava e elas se ofendiam como se não soubessem que aquilo aconteceria.

– Eu sei que não sou a pessoa mais adequada para falar dessas coisas – falou indiferente fazendo movimentos circulares com o dedo na mesa entre nós com o olhar fixo em seu movimento – eu era como elas e não me orgulho disso. Na verdade, – ela levantou o olhar e me encarou com um olhar sem nenhum sentimento – sinto vergonha de quem eu era, – deu de ombros – mas isso ficou no passado e eu não me importo mais.

Seu olhar divagou para a nossa comida que foi colocada na mesa pela mesma garçonete que nos atendeu, essa me direcionava olhares maliciosos, mas meu olhar não se desprendeu de Sakura. A mulher ao perceber que era ignorada por mim se afastou decepcionada.

– Não vai comer? – perguntou Sakura comendo.

– Eu precisei te salvar porque essa é a minha missão – falei sem desviar o olhar dela e ela me retribuiu sustentando o meu olhar – eu tenho que te levar de volta ilesa para Konoha.

– Não foi sobre isso que eu quis dizer com não se jogar na minha frente – comentou fria com a voz baixa – você poderia muito bem ter usado um Susano’o incompleto e ter nos protegidos. Ao invés disso foi imprudente e se usou como escudo humano.

Franzi o cenho. Ela estava certa, não poderia negar. Mas eu não pensei nessa possibilidade na hora. Apenas agi por impulso, o que é um grande erro para um ninja e pode lhe custar a vida. Esse pensamento em nada me agradava.

O silêncio se perpetuou entre nós e Sakura foi a primeira a desviar o olhar e comer indiferente a sua comida.

Assim que terminamos de comer pedimos a conta e pagamos. Sakura se levantou e parou me olhando ainda sentado.

– Vou voltar para o hotel – comentou – estou cansada e quero dormir. Você vem?

– Não. Vai na frente. Dormi o dia inteiro. Mas tarde eu vou para lá. Quero resolver umas coisas antes – comentei ainda sentado. Ela me olhou confusa, mas ao olhar a morena no bar que se levantava olhando para mim só esperando a hora de Sakura se afastar para se aproximar, ela abriu o pequeno sorriso zombeteiro.

– Ah, sim. Entendi. – piscou um olho para mim – Divirta-se.

Fiz menção de segurá-la para contrariá-la. Não era sobre a morena que eu me referia. Não estava afim de ficar com nenhuma mulher naquela noite e eu não me envolvia durante missões, mas era tarde, Sakura já se afastava saindo pela porta do estabelecimento sob o olhar de alguns homens que a olharam de cima a baixo.

A morena sentou na minha frente apoiando os braços na mesa de forma que seu decote ficava exposto aos meus olhos, mas não liguei, fiquei seguindo a Sakura com o olhar a medida que ela passava pelas ruas através das janelas.

A mulher a minha frente passou o dedo indicador sobre as minhas mãos com um sorriso sedutor nos lábios no momento que Sakura olhou na minha direção e através do vidro ela viu a cena. Um pequeno sorriso debochado apareceu em seu rosto antes de voltar o olhar novamente para o caminho que ela traçava.

– Tenho que ir – comentei me levantando.

– Poderíamos nos divertir – falou cruzando as pernas de forma a chamar minha atenção – acho que a sua namoradinha não iria se importar, já que deixou um homem desses – olhou-me de cima a baixo mordendo o lábio inferior – sozinho em um bar. Que desperdício – falou com falsa decepção.

– Ela não é a minha namoradinha... – comecei revirando os olhos.

– Melhor assim – interrompeu-me levantando-se da cadeira passando os dedos no decote da minha camisa. Estava sem capa – minha casa é aqui perto. Moro sozinha. Podemos nos conhecer melhor – falou depositando um beijo em meu pescoço com os seus lábios carnudos cobertos de batom vermelho.

– Não estou afim – falei afastando-a e saindo de cara amarrada do estabelecimento misturando-me a imensa multidão do festival.

Não liguei se ela ficou se sentindo mal. Apenas saí sem me importar. Minha cabeça estava cheia, não queria distrações. Tinha coisas para fazer e pensar.

Pulei entre as casas de estilo japonesa observando ao redor para ver se eu encontrava algum sinal dos shinobis que nos atacaram enquanto revisava todos os acontecimentos desde que saímos de Konoha.

Enquanto olhava para o horizonte, em direção a floresta que fazia limite entre o País do Fogo e o da Terra, onde havíamos sido atacados, as ideias clarearam em minha mente.

Um vento frio acertou o meu rosto balançando o meu cabelo enquanto observava a mata sob a luz da lua, chegando à conclusão de que os shinobis não estavam atrás de mim por causa de uma possível vingança como supus anteriormente, mas na verdade eles estavam atrás de Sakura.

Eles estavam tentando matá-la.

Tudo se referia a ela quando se tratava dos shinobis.

Se eles estivessem atrás de mim não a observariam em silêncio na noite anterior, não a observariam tão intensamente e seu golpe mortal e tarjas explosivas não seriam nela, mas sim em mim. Eu era apenas o espectador de uma tentativa de assassinato por shinobis não pertencentes a uma grande Nação.

Trinquei os dentes enquanto pulava entre as casas em direção ao nosso hotel.

O que a Sakura aprontou para 40 ninjas tentarem matá-la?, perguntei-me.

Invadi o nosso quarto pronto para enchê-la de perguntas mas a visão de Sakura dormindo sentada no encosto estofado da janela de frente para a cama me paralisou.

Ela estava com as costas encostadas no lado esquerdo usando um robe azul claro que o hotel oferecia. Aproximei-me lentamente dela observando seus traços iluminados à luz da lua. O robe sobre o seu ombro direito estava caído sobre o seu braço, deixando a mostra seu ombro desnudo e seu colo com princípio de seus seios. Sua perna direita estava dobrada, ficando descoberta pelo robe, deixando a mostra sua perna alva e torneada até um pouco abaixo de seu quadril.

Sua cabeça estava inclinada em direção a janela que revelava no andar inferior o movimento intenso de pessoas.

Possivelmente ela observava o fluxo quando pegou no sono.

Suspirei colocando seu braço direito sobre meus ombros enquanto pegava-a no colo para levá-la para a cama. Ela se aninhou em meus braços inconscientemente pressionando levemente seu rosto e mão esquerda contra o meu peitoral inspirando profundamente.

Tomei cuidado para não acordá-la enquanto a movia. Assim que a coloquei na cama do lado esquerdo ela se aninhou ficando de costas para mim, voltada para o outro lado da cama. Puxei o lençol e a cobri até a cintura. Assim que ela sentiu o tecido, puxou-o instintivamente até a altura de seu busto deixando o seu braço do lado de fora. Ajeitei o robe que persistia em cair antes de ir para o banho.

Encarei-me com desgosto ao ver a marca de batom no meu pescoço no meu reflexo do espelho sobre a pia.

– Oferecida – murmurei.

Tomei meu banho rapidamente e sai para o quarto usando apenas minha calça que estava com o botão e zíper abertos, deixando-a frouxa nos meus quadris o que fazia parte da minha box ficar a mostra. Tirei minha camisa que estava jogada sobre os meus ombros e joguei sobre a escrivaninha do outro lado da cama.

Suspirei ao olhar Sakura dormindo na cama tranquilamente.

Quando foi a última vez que eu me deitei em uma cama com uma mulher sem segundas intensões mesmo?, indaguei em pensamentos.

Ah sim! Eu me lembro e de forma engraçada e contraditória tinha sido com Sakura quando tínhamos 18 anos.

Eu odiava a forma como os moradores de Konoha me encaravam naquela época e muitas vezes tentava ir embora da vila de madrugada, mas Sakura com o seu “sexto sentido” como ela dizia, sempre me encontrava e acabava me convencendo a ficar após dizer todas as suas baboseiras de amor eterno a mim.

Certa noite ao chegar na estrada para a saída da vila notei que Sakura não estava lá como de costume. Sentei no banco onde a havia deixado quando tínhamos 12 anos. Estava intrigado pela sua falta.

Será que seu sexto sentido não funcionou dessa vez?

Depois de meia hora esperando desistir de esperá-la e fui verificar se ela estava bem. Várias justificativas surgiram em minha cabeça para justificar a sua falta, entre elas um sequestro.

Mas assim que cheguei na janela do seu quarto e a vi dormindo, minha preocupação virou uma bela cara amarrada.

Invadi o seu quarto e cutuquei bruscamente o seu braço.

– Sakura, acorde.

– Mmmm – resmungou – mais cinco minutos, oka-san.

– Tenho certeza que eu não sou a sua mãe – resmunguei cruzando os braços.

– Sasuke-kun? – murmurou abrindo os olhos piscando-os para tentar conseguir focá-los em mim, em meio a escuridão.

Bufei.

– Não, um shinigami. Tsc, Sakura. É claro que sou eu.

– O que você está fazendo no meu quarto a essa hora da noite? – perguntou inocentemente sem entender o que estava acontecendo.

Corei um pouco e pigarreei olhando para a porta do quarto dela.

O que eu estava fazendo ali mesmo?

– Você me deixou meia hora esperando na saída da vila e não apareceu – resmunguei sem conseguir encará-la.

Ela sorriu amigavelmente sentando-se na cama tentando se cobrir com o lençol, escondendo as partes que seu baby doll curto e transparente não escondia enquanto que suas madeixas rosas caiam rebeldes sobre seus corpo até um palmo abaixo de seu ombro.

– E você veio até aqui porque eu não apareci para te impedir de sair da vila? – perguntou rindo erguendo uma sobrancelha – Não era para você ter fugido já que não tinha nada te impedindo?

Suspirei e a encarei com as mãos na cintura emburrado.

– A graça é ver você se humilhar e não fugir de Konoha.

Ela arregalou os olhos surpresa.

– Hn. – murmurou – Bom, – recomeçou sorrindo voltando a se deitar – se está tudo certo é melhor eu voltar a dormir e...

– Porque não apareceu?

– Tive muito trabalho hoje no hospital, Sasuke-kun – comentou resmungando – fiquei tão cansada que nem o meu sexto sentido me acordou – riu de si mesma.

Ela fechou os olhos e se aninhou ao ver que eu me preparava para ir embora.

– Eu te amo Sasuke-kun – murmurou baixo enquanto voltava a dormir.

Ergui uma sobrancelha e fiquei encarando calado o rosto alvo e angelical iluminado pela luz prateada da lua que adentrava pelas janelas abertas juntamente com uma leve corrente de ar que balançavam as mexas rosas ao lado de seu rosto.

– O que foi? – perguntou abrindo o olho esquerdo – Você não estava indo embora?

– Você é uma idiota por dizer isso.

Ela apoiou a cabeça no braço dobrado com o cotovelo apoiado no travesseiro.

– Pensei que você tinha vindo até aqui para me ouvir me humilhando – falou sorrindo.

Suspirei e andei até ela levantando o lençol.

– Ei, o que você está fazendo? – sentou-se rapidamente na cama com as costas na parede cobrindo-se com o lençol completamente corada.

– Vou dormir aqui com você – disse me deitando na cama de solteiro depois que tirei meus sapatos.

– Você ficou louco? Meus pais estão dormindo no quarto ao lado – ela estava vermelha como um tomate olhando alternado para a porta e para mim.

– Eu combinei de treinar com o Naruto amanhã de manhã – falei sorrindo encostando minha cabeça nos meus braços cruzados sobre o travesseiro, fechando os olhos – vai ser engraçada a reação dele quando não me encontrar em casa. Vamos ver como ele vai reagir! – ouvi ela suspirando e depois de um tempo se deitando ao meu lado apoiando a cabeça no meu ombro esquerdo – O que você está fazendo? Está invadindo o meu espaço – indaguei abrindo os olhos a encarando.

– Você ocupou mais da metade da minha cama. Desculpe-me, mas ela é de solteiro e não de casal igual a sua – resmungou de olhos fechados – O único que está invadindo espaço aqui é você. Não sei se você sabe, mas tudo o que está em cima da minha cama, me pertence.

– Está dizendo que eu te pertenço? – falei rindo da ambiguidade na sua frase que nem ela havia percebido.

Ela abriu os olhos rapidamente ficando corada ao notar o seu erro.

– Ai que vergonha – murmurou tentando iniciar o movimento de se levantar, mas ela parou assim que joguei minha mão esquerda sobre o ombro dela descendo lentamente pela sua pele exposta até parar em sua cintura de forma que seu corpo ficasse contornado pelo meu braço impedindo-a de sair do lugar.

Ela ficou tensa e paralisada no lugar com o toque e me encarou confusa. Um pequeno brilho esperançoso surgiu em seus olhos para a minha atitude.

– Tsc. Não conte isso para ninguém – resmunguei virando o rosto para ela não me ver ficando corado. Nunca havia me deitado com uma mulher antes e estava sendo bem estranho me deitar próximo de Sakura.

– Tudo bem – riu baixinho fechando os olhos – eu não irei contar o seu segredo.

– Que segredo?

– Que o grande e frio Uchiha Sasuke tem coração.

– Tsc. Se você falar mais uma besteira, te faço dormir no chão.

Ela riu mais uma vez e logo caiu no sono. Ao sentir sua respiração ficando controlada e ritmada, prova que estava dormindo profundamente, senti Sakura deslizar lentamente seu braço esquerdo em diagonal desde o lado inferior esquerdo do meu abdome até meu ombro direito.

Fiquei tenso com os movimentos inconscientes de Sakura. Ela se moveu novamente, sua perna esquerda acabou entre as minhas e sua respiração roçando meu pescoço.

Respirei fundo antes de apertar sua cintura mais contra mim e inclinar minha cabeça em sua direção e encará-la, tão próximo que será se haviam centímetros nos separando?

Fechei os olhos tendo a certeza que seria o primeiro a acordar e não a deixaria nos ver naquela situação tão entrelaçados e próximos com nossas respirações se misturando.

Suspirei mais uma vez ao encarar Sakura deitada na cama do hotel.

Pelo menos dessa vez era uma cama de casal!

Deitei-me na cama me obrigando a ficar com os olhos atentos no movimento do ventilador de teto. Sakura estava com o corpo voltado para mim e mesmo a distância sentia o hálito fresco de sua respiração roçar o meu pescoço.

Depois de um tempo eu apaguei, mas o pesadelo voltou.

***

Eu corria desesperado em meio aos corpos ensanguentados e inertes de meus familiares.

Tinha apenas 8 anos. O medo e o frio invadiam minha alma, não deixando resquícios ou espaço para qualquer sentimento bom que eu pudesse sentir além daqueles mórbidos e destruidores de sonhos.

As lágrimas escorriam pelo meu rosto em forma de grossas lágrimas amargas que perfuravam o chão de terra batida e reverberavam nos meus tímpanos.

A imagem da antiga vila do clã Uchiha passou de sombria iluminada pela luz da lua prateada para avermelhada. O sangue derramado de meus amados parentes era sugado pela paisagem sanguinária.

Tudo era vermelho, tudo era sangue, tudo era morte.

SOLIDÃO!

Essa palavra retumbava em meus ouvidos enquanto apressava meus passos curtos e infantis em direção à casa principal na qual eu morava.

Com a mãos trêmulas abri lentamente a porta de correr que dava para uma das salas da mansão. Eu sabia o que eu veria lá dentro, já havia tido aquele sonho tantas vezes. Mas meu corpo me traía, meu pesadelo me levava a ver o que eu menos queria ver.

Eu caí para a frente ao ver os três corpos caídos uns sobre os outros.

– Otou-san, Oka-san, Onii-san – chamei-os com a minha voz embargada e infantil.

As lágrimas caíram mais pesadamente sobre o vermelho sanguinário de minha família abaixo de mim.

– Fraco – falou a voz mórbida de Itachi.

Levantei o olhar e meu irmão levantava-se. Com a pernas trêmulas ele se pôs de pé me encarando com um sorriso demoníaco e um olhar assassino estampado em seu rosto coberto de sangue.

– Inútil – falou o meu pai se levantando. Sangue escorria do furo em seu peito – uma vergonha para a nossa família.

– Solitário – falou a minha mãe levantando-se e estendendo seus dedos frios até meu rosto levantando-o para que eu olhasse em seus olhos que antes eram gentis, mas agora eram frios e amargos – Fadado a viver sozinho. Ninguém pode amá-lo, porque você não é amável.

– As pessoas podem dizer que o amam, mas é tudo mentira. Ninguém o ama – vociferou Itachi em um gargalhada doentia.

– Você morrerá como veio ao mundo – iniciou o meu pai – sozinho. Sem conhecer o amor, apenas a solidão e a dor.

– Para – implorei me encolhendo no chão – Para.

– A realidade é o seu verdadeiro pesadelo – falou mamãe arranhando meu rosto com suas unhas quebradiças.

Eles avançaram em minha direção e um medo enorme me invadiu. Saí correndo pela casa em direção à rua, mas todos os exemplares mortos do clã me aguardavam.

– Sozinho, sozinho, sozinho – cantavam em coro enquanto avançavam lentamente sobre mim.

Olhei para a lua sanguinária com o símbolo do sharingan. Esse não era o meu sonho eterno. Era o meu pesadelo eterno.

Gritei. Soltei o grito de horror, medo e desespero que meu peito guardava dentro dele.

***

Sentei gritando e ofegante na cama agarrando-me a minha katana que estava no criado mudo.

O suor percorria por toda a minha pele desnuda que tremia.

Senti uma pequena mão aveludada tocando meu ombro direito, mas virei, em um golpe rápido, minha mão do mesmo braço em direção ao inquilino acertando com a costa da mão o rosto pequeno e alvo em um forte tapa.

Pulei ficando de joelhos com a cintura da mulher entre eles.

– NÃO TOQUE EM MIM – vociferei completamente alterado enquanto atacava com um corte horizontal o pescoço dela com a minha katana, mas o som metálico de duas armas se chocando parou o movimento. A mulher com uma kunai interceptou o corte mortal de minha katana próximo ao seu pescoço.

Meus olhos sanguinários e descontrolados focaram-se nos orbes verdes que me encaravam com uma mistura de medo e determinação.

Verdes. Verdes. Verdes.

Os mesmos olhos daquele dia...

Na mesma noite que eu dormir com Sakura quando tínhamos 18 anos, eu tive o pesadelo. Levantei-me ofegante derrubando a garota dos meus braços de encontro com a parede. Eu estava com a respiração descontrolada enquanto segurava uma kunai que tinha tirado inconscientemente do meu equipamento ninja.

– Sa-sasuke-kun? – perguntou com a voz trêmula.

Virei rapidamente em direção a voz que me chamava com um olhar sanguinário pronto para enfiar a kunai em seu pescoço, mas parei centímetros antes de acertá-la quando meus onixes encontraram os verdes.

Minha kunai caiu da minha mão trêmula.

– Sa-Sakura!? – olhei descrente para a minha mão que empunhava a kunai que tentei matá-la. Voltei meu olhar para os orbes verdes preocupados.

– Está tudo bem com você, Sasuke-kun? – perguntou em um sussurro.

Impulsivamente envolvi a sua cintura com os meus dois braços e afundei meu rosto que escorria lágrimas em seu peito.

– Fale – implorei entre lágrimas – apenas fale as suas idiotices Sakura.

Senti suas mãos acariciarem meus cabelos rebeldes de maneira monótona e viciante tentando me acalmar enquanto sorria e sussurrava apenas para eu ouvir, como se o que ela dissesse fosse um segredo, o nosso segredo.

– Eu te amo tanto Sasuke-kun que chega a doer – apertei-a mais contra o meu corpo – Shh... – chiou quando os soluços romperam da minha garganta – Está tudo bem. Eu estou aqui e sempre estarei com você Sasuke-kun. Você não está sozinho e esse é o nosso segredo.

Aquela foi a primeira vez que eu dormir em seus braços ouvindo as suas palavras enquanto sentia suas carícias pedindo que o amanhã nunca chegasse.

Verdes. Verdes. Verdes.

Os mesmos verdes me encaravam no presente...

– Sakura – balbuciei notando que eu havia tentado matá-la de novo. A minha katana deslizou pelas minhas mãos e caiu com um baque surdo contra o chão de madeira. A mulher suspirou e deixou a mãos caírem ao lado do rosto aliviada.

Curvei-me sobre ela aproximando nossos rostos enquanto apoiava minhas mãos ao lado de seu rosto. Encostei nossas testas e a olhei-a nos olhos, mas não encontrei o que eu procurava em seus orbes.

Sozinho. Sozinho. Sem amor. Sem amor.

Nem ela que me prometeu amor eterno me amava mais. O amor doentio e viciante que virou minha droga silenciosa quando eu tinha 18 anos e era o meu conforto quando eu acordava dos pesadelos, até que meses depois ela se casou e eu descobri que as vozes, os meus medos, os meus demônios internos estavam certos.

Fraco. Inútil. Solitário. Sem Amor.

Essas palavras definiam o meu ser e meus medos.

As lágrimas começaram a escorrer silenciosamente pelas minhas bochechas e caíam na forma de grossas lágrimas sobre o rosto feminino e machucado que me encarava.

Deslizei minha testa pelo seu rosto até repousar minha cabeça no lado direito da curva de seu pescoço, onde deixei as lágrimas caírem e os soluços saírem sem permissão da minha garganta.

Meu corpo fraquejou e caiu trêmulo sobre o corpo da rosada que não reclamou, apenas ficou paralisada por um tempo.

Sem esperar nada continuei jorrando para fora os meus sentimentos em forma de um líquido que eu prendia durante o dia e jorrava a noite sozinho no meu quarto após acordar do pesadelo todas as madrugadas.

O meu corpo ficou tenso ao senti a mão direita de Sakura entrelaçar nos fios bagunçados do meu cabelo, enquanto que a sua esquerda percorria a linha da minha coluna molhada pelo suor do medo.

– Shh... – chiou baixou com os lábios encostados na minha orelha como se contasse um segredo – Vai ficar tudo bem. Seja lá o que tenha acontecido, está tudo bem agora. Eu estou aqui e vai ficar tudo bem. Você não está sozinho.

Arregalei os olhos ao ouvir aquilo e sem pensar em mais nada envolvi meu braço esquerdo em sua cintura e posicionei o direito sob o seu pescoço, apertando-a firmemente contra o meu corpo, sem nenhuma intenção de larga-la, como um viciado dependente de sua heroína.

Como eu dependente de um amor que não existia mais para preencher minhas veias e continuar a seguir em frente. Em direção ao fim solitário que me aguardava no último dia da minha vida...

Continua...

Notas finais
Explicação de título: Heroína é referente à droga chamada heroína, não à herói (como muitos devem ter pensado). Ele relacionou o amor que Sakura sentia por ele como uma droga, como se fosse a heroína dele! Sasukinho, meu amor, se a Sakura não te dar amor, vem em mim que eu te dou kkkkkk Assim como muitas leitoras, eu tenho certeza! Acho que vocês ficaram um pouco surpresas com o Sasuke nesse capítulo. Mas explicando melhor, eu poderia dizer que ele é uma pessoa sofrida! Que por trás de toda aquela pose, ele tem seus medos e pesadelos! Aliás vocês notaram alguma semelhança dele com algum outro personagem da fic hein? Beijos gente. Espero que tenham gostado! Qualquer dúvida, caso não tenham entendido esse capítulo, podem me perguntar pelos comentários. Tem problema não ^^