A Filha da Minha Melhor Amiga
32 Jogos de Kages
Notas iniciais
— Posso ajudar, okaa-san?
Karin se sobressaltou ao escutar a voz infantil de Nisuke.
Ela, que antes estava perdida em devaneios, olhando a lua através da janela da cozinha, voltou o olhar para o moreno.
Nisuke mordia o interior de sua bochecha em apreensão pela resposta que sua mãe lhe daria com aquele pedido tão inocente.
Desde muito novo, Nisuke aprendeu que não era a criança mais desejada ou esperada que conhecia, pelo contrário, ele sentia toda a repulsa que seus progenitores tinham em relação a ele e muitas vezes se perguntava porquê eles pareciam se manter distantes, tentando não ter nenhum contato mais próximo de si.
Aprendendo a lidar com toda aquela situação, por mais que doesse em si, Nisuke também mantinha distância deles, sentindo a tranquilidade que essa ação provocava em seus pais.
A interação era restrita, até mesmo com sua mãe, limitando-se a conversas vagas, sem longa duração, chegando ao ponto do adulto mais próximo de si ser seu padrinho Naruto.
Mesmo que seu padrasto Suigetsu fosse alguém próximo e atencioso quando podia, Nisuke não conseguia se identificar tanto como com seu amigo Boruto ou seu padrinho.
E toda essa situação, complicada demais para uma criança ter, fazia com que ele se perguntasse se ele teria uma grande ligação com o seu pai se ele pudesse ao menos se aproximar, mas esse pensamento caia em silêncio quando o mesmo se recordava de sua atual situação.
No entanto, algo nos últimos tempos fez seus pensamentos oscilarem e uma nova esperança, há muito reprimida, se instaurar no coração infantil de Nisuke, algo que o fez acreditar que ele poderia ter uma relação com os pais como ele via outras crianças terem...
Tudo começou com as visitas que agora fazia na casa de seu pai devido ao seu tratamento.
Não eram constantes as visitas, mas sim periódicas. Mesmo assim, ele não se importava e se fascinava com o fato de adentrar na casa de seu pai e poder vê-lo em sua vida privada.
Na maior parte das vezes ficava na sala ou no quarto de visitas que pertencia às rosadas, mesmo assim, esporadicamente conseguia ver seu pai transitando pelo local.
Ele tentava disfarçar, mas até mesmo a doutora Sakura percebia os olhares furtivos do pequeno Uchiha tentando ver seu pai no escritório pela porta entreaberta.
Ele corava e abaixava o olhar quando aquela bela e doce mulher ria extasiada com a curiosidade e anseio por ver seu pai e ele sabia que era por isso que eventualmente ela chamava pelo Uchiha mais velho para pegar algo para si, mentindo com a ideia de que se sentia cansada para caminhar até o objeto.
Nisuke sabia que aquelas mentiras, que ele identificava vendo o chakra de Sakura, era para que seu pai fosse até a sala e ele pudesse finalmente ver aquele quem ele queria ver desde o princípio, no entanto, era rápida a troca de olhares que Sasuke lhe dava antes de trocar um par de palavras com Sakura e revirar os olhos indo pegar o que ela queria.
Mesmo sendo rápido os encontros com ele, Nisuke agradecia mentalmente àquela médica por lhe proporcionar algo que ele nunca havia tido ou chegado perto de receber de alguém...
Foi nesse instante que Nisuke começou a prestar mais atenção na relação que seu pai tinha com a mulher que o mais novo achava ter um belo sorriso. Foi nesse momento que ele viu a atenção redobrada do outro moreno, as eventuais brincadeiras ou as oscilações de chakra.
Ele ainda era iniciante naquela técnica herdada de sua mãe, mas ele já era capaz de sentir – já que o chakra era poderoso – que ele se alterava em certos momentos.
Certa vez, com a ajuda de seu amigo loiro, seguiu seu pai que andava solitário pelo comércio com uma carranca fixa em seu rosto. Concentrando profundamente, ele sentiu o frio acertá-lhe a espinha, algo que não ocorria quando ele ia às consultas na casa do Uchiha.
Duas certezas ele teve naquele dia. Uma, era que ele não era odiado pelo pai a ponto de ser a causa de sua escuridão e a outra, era que quando estava em casa, seu chakra se tornava menos espesso.
Inteligente como era elogiado pelos professores, logo Nisuke percebeu que algo ou alguém o acalmava em casa e esse alguém era Sakura ou Mina, no entanto, o garotinho apostava mais na mulher pela carga histórica que ele tinha com ela desde quando eram apenas crianças.
Tais devaneios o fez pensar que talvez pudesse tentar se aproximar de seus pais, pensamentos esses que foram instantaneamente encorajados por Mina quando teve coragem de compartilhar o que ele andava pensando.
Nisuke ficava envergonhado ao lado da menina e às vezes imaginava seu pai ralhando por sua falta de jeito com alguém do sexo oposto, já que ele, mesmo criança, sabia do talento galante de seu pai, o qual tinha a atenção de qualquer mulher que passasse ao seu lado.
As maçãs de Nisuke se avermelhavam com tais ideias, enquanto encarava a menina de largo sorriso e grandes olhos claros, mas, por meio dessa mesma menina, sua coragem foi redobrada, chegando ao ponto de tentar se aproximar de sua mãe naquela noite com a desculpa de uma ajuda inocente.
Nisuke encarava a mulher de expressão confusa para aquela aproximação inocente, mas viu, com satisfação, que sua mãe assentira de acordo.
Sem dizer nada, Karin estendeu o pano para que ele enxugasse a louça que ela lavava.
Nisuke sorriu minimamente, algo que não passou despercebido pelo olhar atento de Karin.
A mulher ainda estava surpresa com a atitude do filho mais velho, que por mais que fosse um bom garoto que obedecia aos pais, nunca ousava tomar alguma atitude, esperando apenas pelas ordens que seus responsáveis lhe dariam.
Ela voltou a olhar para além da janela. Aquela noite não era como as outras noites calmas de Konoha.
A grande concentração de poderosos e tão diferentes chakras nunca passaria despercebido para aquela nascida entre Uzumaki's, com um poder tão estimado e singular.
— O ar está denso e pesado – desviou o olhar para o pequeno que murmurara ao seu lado. As bochechas daquele Uchiha estavam vermelhas, enquanto o seu olhar estava abaixado para o prato de porcelana que ele enxugava com cuidado.
— Como? Vo-você consegue sentir? – Perguntou surpresa com aquele relato. Tudo o que recebeu foi um olhar contraditório e um assenti tímido, fazendo-a arregalar mais os olhos por descobrir que seu filho havia herdado seu talento.
A seriedade voltou ao rosto de Karin, desviando o olhar para a louça enquanto ela se lembrava de seu próprio maldito passado devido aquele poder.
Ali estava, a criança perfeita com a mistura dos clãs Uzumaki e Uchiha, porém, fora renegado pelo pai e tinha como destino, a incerteza.
Karin não pode deixar de se frustrar, mas ao mesmo tempo pensar em como aqueles poderes poderiam ser uma maldição ainda maior para uma criança que nunca seria shinobi, mas sempre estaria sob a mira de Nações querendo descobrir seus segredos e usar seus poderes.
— Por que você não contou? – A voz saiu baixa em um sussurro, quase inaudível para os delicados tímpanos de Nisuke.
— E-eu não sabia como contar – murmurou cada vez mais constrangido, tanto pelo fato de estar conversando com sua mãe quanto por não saber o que dizer. – Demorei para perceber que eu sentia e distinguia chakras de forma diferente das outras pessoas...
— Não conte para ninguém que não seja confiável sobre isso – o peso da seriedade assustou o menino que levantou o olhar para observar o perfil da mãe, mas ela não o olhou. – Às vezes, na vida, você pode desejar não ter os poderes com as quais você nasceu. Poderes herdados do clã de seus pais. Acredite Nisuke, no mundo há pessoas más que não nos entendem... que nos veem como meras ferramentas...
— Você conheceu pessoas más, mamãe? – Perguntou tímido, tendo aquela má ideia.
Com o cenho franzido de preocupação, o menino viu sua mãe assenti minimamente em confirmação.
— Você precisa aprender a dominar seus poderes e mantê-los em segredo. Eles podem ser sua salvação ou sua desgraça, tudo depende do que eu te falei.
— Vejo que há pessoas que ambicionam o poder do sharingan...
— Sim. Isso você também tem que guardar em segredo. Sente essas forças no ar? – Não esperou uma resposta. – Há pessoas boas e más entre elas, consigo distinguir só pelos seus chakras, um dia você poderá chegar nesse nível para sua proteção, só depende do seu esforço.
— Você... – começou de repente, mas sua voz falhou continuando com um sussurro incerto – você pode me dar algumas dicas? Eu não sei muito bem como lidar com tudo isso e os chakras me perturbam às vezes.
Karin desviou o olhar surpresa para o seu filho que estava acanhado, pedindo aquilo. Era-lhe estranho ouvir alguém pedindo por um treinamento seu, mas ela resolveu ceder com um aceno, mesmo não sabendo que havia tantas outras intenções por trás daquele pedido simples de seu filho.
Nisuke arregalou os olhos, pois não esperava aquela resposta positiva vinda de sua mãe, mas nem a surpresa impediu que um largo e brilhante sorriso se alastrasse pela face infantil.
Karin ficou surpresa com aquela expressão, mas limitou-se apenas a sorrir minimamente, voltando ao ofício em silêncio...
***
— Posso fazer isso para você – assim que ouvi a voz feminina se voluntariar, atrás de mim, desviei o meu olhar no espelho para o seu reflexo em meio a penumbra da entrada do meu quarto.
Apenas assenti, observando cada detalhe da mulher que vinha a passos lentos e sutis, em minha direção.
Com um leve suspiro, a mulher se pôs entre mim e o espelho, mantendo sempre o olhar baixo, fechando o meu kimono com maestria e habilidade.
Suas mãos eram como plumas, tão leves que mal sentia as carícias de seus toques eventuais em minha pele desnuda.
Como se me conhecesse como a palma de sua mão – o que eu não duvidava – Sakura arrumou meu kimono da forma como eu gostava, nada muito apertado e nem tão folgado, deixando uma pequena fresta do meu tronco à mostra.
Em nenhum momento ela levantou o olhar para mim e era assim que ela vinha agindo nos últimos tempos, piorando e se isolando cada vez mais em seu recanto particular dos pensamentos, deixando-me na escuridão sobre o que pensar sobre ela e esse evento que inevitavelmente chegara.
Por mais que eu gostasse do silêncio dos outros, o silêncio dela, era-me um incomodo, fazendo-me odiá-lo e desejar que ela proferisse qualquer coisa que me desse qualquer pista de seus pensamentos mais secretos.
Então era isso o que tanto irritava os outros? O fato de não expressar o que eu penso e manter em anonimato, assim como Sakura fazia comigo? Pobres tolos, não me importo com o que pensam ou esperam de mim, a única coisa que me importa é desvendar o enigma que Sakura, aquele antigo livro aberto, havia se tornado para mim.
Sem ao menos que eu percebesse, minhas mãos já seguravam as laterais do rosto feminino, para que ela olhasse para mim mesmo que não quisesse. Sakura cedeu ao meu toque sem protestos, como se já prevê-se as minhas atitudes.
Dei um passo para aproximar mais nossos corpos, mas sem tocá-los. Meu rosto pairava sobre o dela, analisando cada traço sem expressão, tentando sugar qualquer essência de verdade pelos olhos verdes que pareciam mais opacos do que o normal, tendo como único toque de peles entre nós dois, minhas grandes mãos de shinobi, mãos banhadas de um passado sangrento, segurando suas delicadas e sedosas bochechas quentes.
No entanto, o nada era a minha resposta como sempre...
— Vai dar tudo certo. Vamos a esse maldito baile por causa dos apelos de Kakashi e voltaremos para casa o mais cedo possível – não havia otimismo ou consolo em meu tom de voz.
O poder das palavras e por meio delas influenciar os outros, sempre foi uma habilidade de Naruto, não minha.
Minhas resoluções partiam por meio das minhas mãos, dos meus olhos e da minha katana.
Nunca me fora ensinado como dominar aquela arte. Os Uchiha por mais que amem demais, demonstram seus sentimentos e pensamentos por ações, não por palavras, mesmo assim, Sakura assentiu minimamente, entendendo todas as minhas limitações, por mais que eu odiasse esse termo inferido contra mim.
Com um leve suspiro, deslizei minhas mãos pelos cabelos bem arrumados em um coque elegante, antes de me afastar, dando-lhe as costas, seguindo o caminho para a saída do apartamento, com Sakura logo atrás de mim.
O caminho foi silencioso. Não trocamos palavras enquanto caminhávamos para onde seria o evento destinado apenas para líderes e alguns convidados próximos dos Kages que também representassem poder.
Nada mais importante para Konoha do que demonstrar sua força com a presença dos seus pilares.
Por um momento pensei em não ir, mas Naruto teve que abdicar do evento, pois sua esposa estava com a gravidez avançada, tendo que permanecer em sua casa para cuidar dela e das crianças, além de Mina que deixamos sob seus cuidados para poder ir ao evento e não corrermos o risco de algum subordinado do Tsuchikage invadir meu apartamento para tentar sequestrá-la.
Sakura dava passos curtos e demonstrava alguns sinais de cansaço, já que a caminhada em conjunto a gravidez que já passava dos cinco meses não a ajudava a se sentir melhor, já prevendo o estresse que teria quando chegasse lá.
Por respeito à Kakashi e a possibilidade de encarar Hiroto de frente, mostrando que eu não tinha medo dele, estávamos os dois ali. Caminhando lado a lado como dois completos estranhos, voltando ao outro, apenas olhares de canto e assentimentos para comprovar ao outro, ou a si mesmo, que estava tudo bem.
— Boa noite senhores. Convites? – Perguntou uma sorridente recepcionista assim que nos aproximamos do local decorado por luminárias orientais e enfeites vermelhos.
Limitei-me a entregar o meu convite, sem corresponder a sua cordialidade.
Por mais que nós dois houvéssemos recebido convites, cada um poderia levar um acompanhante, por meio de uma rápida lógica, disse que usaríamos o meu e que ela seria a minha acompanhante.
Não houve um convite ou algo sentimental, apenas um aceno de acordo.
Naquele momento, pensei que se fosse nós dois de dezoito anos, talvez eu demorasse e até tivesse receio de chamá-la para ser a minha companhia.
Naquela época, dificultávamos coisas simples. Nossos problemas, por mais que parecessem grandes na época, eram ínfimos em comparação aos nossos atuais.
Diferente de como reagiria antigamente – com um largo sorriso no rosto corado por imaginar que seria um convite para sair ao invés de uma simples lógica – Sakura apenas me disse um "tudo bem" antes de se retirar da sala.
Despertei-me dos meus pensamentos, assim que senti a mão esquerda de Sakura buscar a minha.
Sei que não deveria demonstrar em público que aquele leve toque me era estranho, mas não pude deixar de abaixar, furtivamente, meu olhar para as nossas mãos que quase não se tocavam.
— Sejam bem-vindos senhor e... – olhou receosa para Sakura, com o sorriso incerto – senhora Uchiha? – Sua afirmação saiu como uma pergunta para si própria.
Sakura franziu o cenho para a sentença e olhou para mim que ria minimamente de canto para aquela situação.
Ela apertou a minha mão de forma um pouco dolorosa para me repreender, enquanto corrigia a moça constrangida:
— Haruno, não Uchiha.
A moça permitiu nossa entrada com grande constrangimento.
O corredor era pouco iluminado por algumas lanternas vermelhas.
— Qualquer mulher teria se sentido lisonjeada por ter sido chamada de senhora Uchiha – comentei ao pé do seu ouvido apenas para que ela me escutasse. Por mais que eu tentasse, o pequeno sorriso ainda brincava em meus lábios, observando os traços femininos sob a luz carmim.
— Você tem razão, sorte que não faço mais parte desse tolo grupo que se sentiria no céu caso me dissessem algo do gênero – deu de ombros com confiança, antes de me lançar um olhar desafiador.
— Tsc – virei meu rosto para a grande passagem com fitas vermelhas dando para o grande e espaçoso salão, onde ocorria a festa.
Uma leve risada ao meu lado escapou pelos lábios de Sakura antes dela contemplar a grande decoração do lugar.
O centro estava livre para o trânsito de pessoas em seus mais belos e requintados kimonos, rindo e bebendo ao som de uma leve melodia cultural advinda de uma banda ao fundo.
Nas laterais elevadas, haviam as mesas dos convidados ao estilo tradicional.
Toda a decoração exalava pelo vermelho, desde as cortinas adornando as laterais das grandes saídas para a sacada, até as tantas fitas que se uniam no centro do teto e caiam com múltiplas lanternas entre elas.
Sakura se aproximou um pouco de mim, claramente receosa com os olhares que começávamos a receber.
Não a afastei, apenas entrelacei mais nos braços e mãos, guiando a mulher de elegante kimono vinho com pétalas de diversos tons pasteis, enquanto eu vestia um azul marinho com alguns traçados de cores quentes.
— Sasuke! Sakura! – Saudou-nos com o tom de voz de sempre, o Hokage, vestindo um kimono negro e uma faixa vermelha que o identificava como líder, assim como era costume dos Kages naqueles eventos. – Que bom que vocês vieram!
— Demos a nossa palavra, Kakashi-sensei – sorriu um pouco minha companheira, enquanto limitei-me apenas a observar o grande salão, querendo encontrar aqueles a quem tanto nos perturbavam, antes de ser pego de surpresa.
Vi alguns ANBU's disfarçados em seus postos como eu planejara a segurança do evento, mas nenhum sinal da presença de Hiroto chegava a mim ou me era informado.
— Sakura! – Saudou Hanare se aproximando animada e elegante em seu kimono pastel. – Você está linda – admirou a mais nova.
— Obrigada Hanare-san! Você também está belíssima e a decoração está impecável.
— Ora Sakura, você me ajudou bastante com as dicas sempre que eu a visitava, mas agora o que eu quero saber é como está o nosso pequeno – sorriu docemente acariciando a elevação protuberante na roupa da Sakura.
Percebi que aquele ato atraiu olhares das pessoas ao nosso redor. Alguns olhavam furtivamente, antes de voltarem a cochichar, provavelmente sobre a comprovação dos rumores que chegaram nas redondezas daqueles senhores de fora de Konoha.
Suspirei pesadamente percebendo os olhares para mim, até que um toque no ombro, feito por Kakashi, me fez olhar para o homem que um dia foi o meu sensei, só que hoje, era o Hokage e carregava as marcas do ofício e do tempo em suas grandes bolsas negras sob seus olhos amigáveis que tentavam me transmitir conforto.
— Vamos dar um jeito em tudo – falou baixo e eu assenti, voltando a olhar para a conversa animada entre as mulheres sobre o bebê.
Meu olhar caiu sobre aquela elevação, sentindo a presença chamativa e quente da mão dela na minha, vez ou outra ela apertava, mas a conversa com uma amiga a acalmava e relaxava o aperto que era a sua busca por apoio.
Toda a leve sensação de conforto, regado a conversas leves com os amigos próximos começou a decair quando o primeiro Senhor Feudal se aproximou de nós.
Acompanhado de sua mulher, duas filhas e seu filho mais novo, o homem – que nada fazia além de ficar sentado em sua poltrona, comendo como um porco, se divertindo com Oiran contratadas, que dançavam e cantavam ao seu deleite, mesmo sob o ouvido atento de sua esposa que sabia de seus casos – sorriu para nós, antes de seu olhar de fascínio e malícia recair sobre Sakura.
Aquele olhar em conjunto ao sorriso zombeteiro não me agradou e em um ímpeto soltei a mão de Sakura antes de envolver a sua cintura, trazendo-a para mais perto de mim em clara declaração de posse.
Senti o olhar rápido e sem graça de Sakura para mim, mas não a olhei, fixei meu olhar na família de fachada e de próprios interesses.
Minha expressão não deveria ser das melhores porque Sakura apoiou a mão esquerda na minha costa, enquanto a direita tocou levemente em meu obi.
Assim que vi seu olhar, relaxei o meu maxilar trincado, mas não deixei de sair da minha posição de alerta.
Minha katana escondida nas minhas roupas parecia tentadora demais...
— Kakashi-sama! Como é bom vê-lo, meu velho amigo – começou o falso Senhor Feudal. – Devo dizer que o baile está encantador, sabia que Konoha não nos decepcionaria com sua boa recepção – Kakashi agradeceu trazendo sua mulher para perto de si. – Hanare-sama, como sempre encantadora – beijou uma mão da mulher, lançando seu olhar seboso e cheio de segundas intenções. Até mesmo Kakashi me lançou um olhar entediado.
— Querido, você não se controla mesmo – reprendeu com uma risada escandalosa e falsa, sua própria mulher, batendo levemente em seu ombro com o leque que carregava.Os dois riram falsamente, não sendo acompanhados por ninguém. – No entanto, meu marido tem total razão. Estão muito encantadores meus bravos anfitriões! Hanare, você como sempre está estonteante. Só falta um filho para abrilhantar ainda mais esse belo casal – comentou maldosamente a sentença que atingiu a todos, principalmente Hanare que era uma mulher estéril e Sakura que apertou o tecido nas minhas costas. Minha antipatia por aqueles seres só aumentava a cada segundo. No entanto, a hipócrita mulher, não se importou com os olhares, continuando logo em seguida, desviando os olhos de rapina, exageradamente marcados, para nós dois. Deu um grande sorriso cheio de dentes e segundas intenções, aproximando de nós dois com um rebolado exagerado, movimentando o leque para mostrar ainda mais suas joias que tilintavam. – Veja só querido, se não é nossa adorável Yoshito Sakura! – Disparou.
Fiz menção de dar um passo a frente, mas Sakura me segurou disfarçadamente enquanto dava o sorriso mais convincente que podia para a mulher à sua frente, que tinha como única ambição aparecer e menosprezar os outros, dizendo ser melhor.
— É muito bom vê-los novamente também – sorriu tanto que por um segundo até eu achei que era verdadeiro. – Infelizmente, devo consertá-la de um erro. Eu nunca fui Yoshito no papel, apenas meu falecido marido tinha esse sobrenome. Meu nome sempre foi Haruno Sakura – falou com tanta cortesia que nem parecia está repreendendo uma pessoa, no entanto, a cólera foi visível no rosto cheio de maquiagem da outra, que tentava manter a pose e se sair superior à Sakura.
— Claro querida, peço perdão por esse meu erro horrendo – riu falsamente, olhando para o marido que voltara a analisar Sakura.
O olhar negro da mulher logo se voltou para mim, sua próxima vítima. Seus olhos brilharam em uma mistura de desejo e irritação.
Se fosse outra pessoa, eu riria de canto em claro deboche, mas nem do meu deboche ela era digna.
Mesmo com o marido traidor, a mulher pouco se importava com as aventuras do mesmo, na verdade, apenas se importava com seu luxo e com a possibilidade de se manter longe do homem seboso, facilitando-o o acesso às prostitutas.
Em meu último serviço em nome do Hokage para entregar um documento ao Senhor Feudal, tive o desprazer de ver aquela "família" de perto e presenciar durante a noite em que eu passei em sua residência, a mulher se aproveitar da bebedeira de seu marido para invadir o meu quarto e retirar o fino robe que cobria sua nudez.
Nada naquela família me agradava e mesmo com meu passado promíscuo, eu não me envolvia com mulheres casadas. Tudo o que eu queria era distância e, principalmente, seu pescoço cortado ao meio enquanto a arrastava para fora do quarto em meio às suas ameaças dizendo que ela era mulher do Senhor Feudal e eu lhe devia respeito.
Hipócritas, pensei vendo aquele "casal" tão deplorável.
— Ora, ora, ora – começou em um sussurro se aproximando de mim, antes de repousar a mão magra de unhas longa e bem pintadas sobre o meu ombro esquerdo – veja marido se não é nosso belo e raro espécime Uchiha – riu deliciada alisando meu ombro para o meu desagrado.
— Vejo, meu bem!
— Como sempre muito bem apessoado, Uchiha-sama – falou para mim com um toque de malícia em seu tom de voz. Por mais que seu orgulho estivesse ferido devido a última vez, a sua criação de ter tudo quando quisesse, não a fazia desistir de mim tão facilmente.
Para ela, só ela poderia dizer "chega".
— Presumo que ainda esteja fazendo todas aquelas missões perigosíssimas e excitantes – falou com um leve gritinho, deslizando furtivamente sua mão para a minha costa, fazendo sua unha se fincar um pouco em minha pele coberta, enquanto sua mão se deliciava em sentir toda a minha musculatura resultante de tantos treinos e tantas cicatrizes de batalhas. – Até onde eu me lembre, você ainda não nos deu a oportunidade de escutar sobre suas valorosas aventuras – falou estalando a língua, deslizando cada vez mais para baixo da minha costa, no entanto, algo que nem ela percebeu a surpreendeu.
Sakura capturou com força a mão daquela mulher casada.
Os olhos da senhora se arregalaram, olhando para a expressão serena de Sakura como se nada demais estivesse acontecendo, no entanto, eu me segurava para não gargalhar do aperto que Sakura fazia na mão delicada e, muito provavelmente, intocada, da mulher.
Sakura, por outro lado, mostrava a sua força de tantos anos de treinos. Tanta força que eu sentia a áurea de chakra roçando em mim.
— Realmente são muito excitantes – riu levemente Sakura enquanto quebrava lentamente e curava com seu chakra os dedos da mulher que mordia o lábio inferior, para impedir que gritasse e chorasse, mostrando sua vulnerabilidade perante uma mulher grávida. – Sabe querido, – usou o mesmo adjetivo que a outra usava para o marido, só que direcionando com certo deboche para mim – você deveria ser mais sociável com esses senhores e lhes dar a oportunidade de poder ouvir sobre suas "valorosas aventuras" – terminou soltando rispidamente a mão da mulher com nojo.
A mais velha deu passos para trás alisando sua mão recém curada pela médica-nin, lançando um olhar de raiva e inveja para Sakura que apenas continuava a rir falsamente, voltando a me abraçar.
— Você tem razão, querida – entrei no jogo dela, sorrindo de canto. – Quem sabe algum dia eu não fale sobre as missões perigosíssimas que shinobis de verdade enfrentam todos os dias para proteger o sistema – alfinetei sem olhá-los, trazendo Sakura para mais perto de mim, fitando os olhos verdes divertidos, mas com leve teor de raiva contida.
— Que belo casal de enamorados – comentou sarcástica a mulher se recompondo. – Realmente Sakura, você é uma mulher de muita sorte, mal ficou viúva daquele bom homem e já está nos braços de outro. Grávida de outro – frisou. – Tão rápido que Nagashi deve está muito feliz com a sua superação no outro mundo – riu com o estreitar do olhar da rosada.
— Realmente. Você tem razão – comecei a falar dando de ombros. – Somos muito rápidos – sorri de canto. – Não tenho culpa se não resisti a ela – ataquei na ferida, sorrindo com gosto da expressão chocada da mulher – aliás, Nagashi pode descansar em paz, pois eu estou cuidando muito bem dela – sorri de canto – e sobre ela ter engravidado tão rápido, isso não é de se surpreender quando são tantas tentativas em tão pouco tempo sem a devida prevenção – voltei meu olhar para Sakura que me olhava com uma expressão de diversão e agradecimento, mesmo que suas bochechas delatassem seu constrangimento. – Sakura, você está muito tempo em pé, deve está cansada de carregar o peso do bebê. Vamos nos sentar – dei a desculpa aceita de prontidão pela mulher para fugir dos convidados indesejados.
Acenei em despedida para Kakashi que nos olhava com diversão durante toda a pequena discussão, antes de me dirigi para uma mesa reservada.
Sakura respirou com alívio ao se sentar sobre o travesseiro em frente a nossa mesa cheia de aperitivos e bebidas que os garçons traziam.
— Finalmente livres – resmunguei pegando os hashis.
— Que mulherzinha insuportável – deixou sua indignação e sua máscara cair ao meu lado, fazendo-me rir de canto. – Sério Sasuke, eu não sei como você teve a ousadia de ir para a cama com aquele serzinho e não vomitou!?
— Eu não fui – prontifiquei-me a explicar assim que eu percebi que Sakura havia compreendido errado. – Ela tentou, mas eu disse que não queria. Não me meto com mulher casada. Isso só é sinônimo de problema e mesmo se ela fosse solteira, nem passaria perto de ser uma possibilidade para mim.
— Menos mal – resmungou enchendo sua boca com um sushi.
Acabei sorrindo com o bico raivoso e o olhar fixo na comida dela.
— Não precisa ficar com ciúmes, Sakura – sussurrei ao pé de seu ouvido, circundando sua cintura protuberante pela gravidez, aproximando mais o corpo feminino de mim.
— Sasuke! – Ralhou tentando se afastar de mim, mas eu apenas a abraçava com o outro braço aproximando-a cada vez mais.
— Se você me quer tanto assim é só pedir – provoquei risonho, afundando meu rosto em seu pescoço vermelho.
— Sasuke, ficou louco!? Estamos em público!
— Podemos ir para um lugar mais particular se você quiser – ronronei mordendo levemente a pele macia, fazendo-a arfar de surpresa.
— Pa-para! – Empurrou meu tronco com força, encarando meu rosto divertido com raiva. – Alguém poderia ter visto!
— E viram – falei dando de ombros, vendo seus olhos se arregalarem procurando ao redor até que viu os olhos castanhos e frios, parados na entrada do lugar.
Era Hiroto, nos olhando de maneira impassível antes de desviar o olhar e caminhar calmamente entre os outros seres do salão com um leve sorriso disfarçado, sendo acompanhado por um grande homem de pele morena e uma mulher de cabelos negros ricamente adornados de jade com um braço cruzado com o Tsuchikage.
— Horen não veio – balbuciou a rosada com um olhar pensativo.
— A irmã dele é doente, ela não viria – falei o óbvio, não entendendo do porquê daquela observação.
— É... você tem razão – disse com um pequeno sorriso, desviando o olhar.
— Quem são os outros?
— O homem está na posição de Capitão da ANBU atualmente...
— Ele assumiu a posição que era do seu marido – falei pensativo, sentindo o olhar do moreno sobre as minhas costas. – Mas e a outra?
Os olhos verdes cerraram-se momentaneamente, olhando disfarçadamente sobre o meu ombro, mostrando em sua face a dúvida.
— Eu não sei. Nunca a vi. Deve ser uma prostituta de Iwagakure que ele deve ter trazido para ser sua acompanhante, já que não estou mais lá e Horen não veio para fazer esse papel.
— Hn.
— Preocupado?
— Apenas quero me manter preparado – disse olhando para um ANBU disfarçado que assentiu levemente, entendendo minha ordem de manter todos de olho nos convidados de Iwagakure.
Sakura assentiu se sentindo um pouco mais calma percebendo o que eu estava planejando.
O baile caminhou-se calmamente por grande parte de seu tempo.
Sakura esbaldou-se na comida, dando como justificativa a sua gravidez. Várias pessoas vieram conversar com nós dois, alguns interessados na gravidez de Sakura, outros, para nos felicitar pela união.
Alguns conhecidos de Konoha e até mesmo os anfitriões voltaram a se sentar e conversar em nossa mesa, mas os tão esperados convidados de Iwagakure não se aproximaram em nenhum momento de nós dois, o que fazia minhas suspeitas aumentarem.
— Eu já volto – sussurrei para Sakura, antes de deixá-la com Kakashi e Hanare para que eu pudesse ir ao toalete.
Vi pelo canto dos olhos, Hiroto entretido com uma convesa com Senhores Feudais, ouvindo em um sussurro rápido de um ANBU, que tudo estava tranquilo.
Aquilo não me tranquilizava. Tudo parecia estranho e suspeito, fazendo com que eu andasse em círculos pelo lavatório depois de jogar água em meu rosto.
O que você está planejando Hiroto? Perguntei-me em pensamentos, antes de um ruído na entrada chamar a minha atenção.
Pequenos passos apressados e sons dos movimentos de caros tecidos estancaram-se ao me ver.
— Perdão – começou confusa a mulher que acompanhava o Tsuchikage. Suas bochechas coraram analisando o olhar questionador que eu lhe lançava. – Aqui não é o toalete feminino? – Olhou confusa ao redor.
— É a entrada do lado – fui sucinto, vendo seu rosto corar, mas momentaneamente seu olhar negro recair sobre mim, como se me analisasse furtivamente.
— Desculpe-me, Sasuke-sama – fez uma pequena reverência dando passos para trás, para se retirar do local, mas antes que ela saísse, tive uma ideia.
— Você está acompanhando o Hiroto? – Disparei, fazendo a mulher estancar com a mão sobre a porta.
Ela me olhou intrigada com a repentina pergunta, mas ao me estudar mais uma vez, vi um leve brilho de malícia transpassar seu olhar, dando-me a certeza que ela ficaria.
— Sim. Estou acompanhando o Tsuchikage-sama.
— Pretendente?
— Oh, não! – Riu levemente, balançando as mãos no ar, fazendo alguns enfeites tilintarem. – Pretendente de um Kage, creio que não sou uma mulher tão digna dessa grande atenção – sorriu torto, dando um passo em minha direção.
Sorri de canto para aumentar o efeito de minhas próximas palavras sobre ela.
— Até parece que uma mulher bela como você não chamaria a atenção de qualquer homem que quisesse, até mesmo de um Kage – disse em um tom baixo, aproximando-me um passo da mulher de surpresa disfarçada. Com certeza era uma mulher vivida de muitos cortejos.
Um sorriso malicioso logo se expandiu pelos seus lábios carmim, entrando em meu jogo.
— Creio que eu não posso chamar a atenção de um homem, quando esse posto já pertence à outra – deu de ombros, mas no fundo eu podia ver a raiva sobre aquela verdade.
Eu sabia que ela se referia à Sakura.
— Está dizendo que já desistiu de uma batalha, antes mesmo de lutar? Com certeza não é apropriada para ser uma shinobi.
— Creio que não seria uma boa shinobi, mas tenho a ideia de que quando a batalha é antiga, devemos apenas aceitar nossa derrota e tentar achar outros meios para não perder o pouco do que nos resta – sussurrou com malícia apoiando a mão direita sobre o meu obi.
— Com certeza uma civil – mantive meu sorriso e minha voz rouca.
— Quer dizer que shinobis nunca desistem de uma luta, mesmo que essa luta envolva o coração? – Disparou de maneira inteligente, deslizando com delicadeza as pequenas falanges por um desenho do meu kimono.
Cerrei meus olhos para aquela indagação, percebendo a ambiguidade que minha resposta poderia ter.
— Essa é a ideia.
— Quer dizer que até mesmo o senhor lutaria por um amor, mesmo que já fosse uma causa perdida? – Perguntou surpresa, aproximando o rosto do meu, dando-me a visão privilegiada de seus olhos quase tão negros quanto de um típico Uchiha.
A demora em minha resposta fez uma sobrancelha se erguer.
— Tsc – desviei o olhar, trincando meu maxilar, mas assim que ouvi a risada baixa da mulher, sabia que não estava fazendo o meu melhor para seduzi-la e descobrir algo sobre o Kage que ela acompanhava.
— Pelo visto você é mais um lutador por uma causa perdida – seu sorriso foi breve e desafiador. – Alguém que corre, mas não se ver em lugar nenhum, que se perde porque aquela quem ama não lhe dar um sinal de que sua hora chegou, de que há um espaço em seu coração para você se estabelecer. Pelo visto nós civis e vocês shinobis, não somos tão diferentes – seu olhar vacilou, dedilhando meu obi nas laterais.
— O que você está querendo insinuar?
— Que você ama alguém que não te corresponde – disse séria, erguendo o queixo para que eu visse que não havia nenhum pingo de brincadeira em suas palavras, apenas sinceridade. – Você ama ela e não suporta imaginá-la com outro. Não suporta saber que outro já a tocou. Que outro já a teve. Que outro a terá...
A mulher parou de falar quando segurei seus ombros com força, mostrando o perigo pelos meus olhos vermelhos ativados.
— Se eu fosse você, pararia de falar agora mesmo – ameacei em um tom baixo, sorrindo de canto com o olhar medroso da mulher, mas uma picada em meu flanco esquerdo chamou a minha atenção.
Surpreso, vi que uma pequena seringa, antes escondida sob as longas mangas, estava sendo aplicada em mim.
Empurrei a mulher com força, fazendo com que ela caísse no chão rindo da minha situação.
Aquela região formigava e eu não sabia que tipo de veneno ela havia aplicado em mim, mas a tontura que me atingiu, provou que era uma toxina de efeito rápido, fazendo com que eu ficasse desorientado e que meu sharingan fosse desativado.
Dei passos trôpegos para trás, até senti a superfície fria do espelho atrás de mim.
Grunhi de raiva para a mulher que se erguia rindo, mostrando o olhar debochado para mim.
— Homens são tão tolos – andou lentamente até mim. – Minha atuação de mera civil deve ter sido incrível para enganar até você.
— Você é uma shinobi especialista – falei com desgosto, sentindo o suor escorrer pelo meu rosto, enquanto minha respiração parecia dificultada.
— Uma ANBU de Iwagakure – fez uma debochada reverência. – Especialista em venenos e infiltrações. Conseguir informações é fácil para mim, principalmente quando há homens envolvidos – debochou.
— Tsc.
— Mas não fique com tanta raiva – riu baixo, enquanto se olhava no espelho e bagunçava levemente as madeixas – você não foi tão fácil assim. Tive que estudar bem o grande Uchiha Sasuke antes de chegar nessa festa – revirou os olhos. – No entanto, apenas com um olhar, descobri que você era diferente dos outros. Para te distrair eu não teria que usar a beleza exterior, mas simplesmente, dizer a verdade – deu um olhar significativo em minha direção, quando muitas madeixas já estavam desprendidas de suas joias. – Aposto que o intuito de quem eu seria da Sakura-sama ajudou-me bastante, não é? Seu cuidado apenas para o outro ANBU e para o Tsuchikage-sama foi sua maior falha – foi direta, aproximando-me de mim com a expressão séria de uma ANBU.
— Se a missão de vocês é me matar, então por quê você está demorando tanto?
— Quem disse que eu quero matá-lo? – Ergueu uma sobrancelha em deboche. – Entre os grandes, as resoluções não vêm apenas com sangue derramado.
— Então, o que vocês querem? – Grunhi com dificuldade. Eu já não sentia meus braços. O mundo girava e tudo o que eu queria era matar aquela mulher. – Quando isso acabar, eu vou matar todos vocês.
— Creio que as grandes Nações não veriam com bons olhos um homem matar a companhia de outro sem justificativa.
— Sem justificativa? – Ri daquela sentença.
— Afinal, ela é apenas uma civil que foi seduzida por você em um banheiro masculino. Isso poderia ser uma afronta – sorriu debochada afrouxando o obi, antes de derrubar as mangas enfeitadas de seu kimono, deixando a mostra todo o seu tronco nu e seus grandes seios que balançavam levemente enquanto ela se aproximava.
A náusea me acertou com força e por um momento quase perdi a força nas minhas pernas.
A mulher cantarolava baixinho, enquanto derrubava o meu kimono, fazendo com que o meu peitoral ficasse nu.
Senti as unhas bem feitas, arranharem a minha pele, de forma tão rude que as vezes sentia a ardência denunciar que um pouco do meu sangue escapava por aquelas novas escoriações.
Ela fazia sons baixos de gemido, quando marcava minha pele com a sua boca, deixando alguns roxos eventuais.
Eu tentava afastá-la, mas meus movimentos eram lentos e descoordenados. Quando tentei empurrá-la, a mulher, com facilidade, levou minha grande mão para um de seus seios, apertando-o com força, para deixar a marca dos meus dedos em si.
Fez o mesmo procedimento em sua cintura, antes de me empurrar e me puxar para um sedento e descoordenado beijo, lambendo e sujando meu rosto com seu batom.
Lentamente eu sentia minha força voltar, mostrando que aquele veneno não tinha efeito prolongado, no entanto, ainda permanecia imobilizado.
Fugi de seu beijo, mas a força dela, ainda me fez permanecer preso contra o espelho.
Minha cabeça caiu sobre o seu ombro, enquanto sentia ela se movimentar eroticamente e com força contra o meu corpo, deixando minhas duas mãos em seus seios, apertando-os enquanto gemia coisas incompreensíveis e sugava eventualmente meu pescoço.
Um barulho no ambiente não a intimidou, apenas a fez gemer mais.
Não me importei na hora, apenas concentrei a minha atenção para o retorno da minha força gradual.
Assim que pude, ergui minha cabeça para empurrá-la, mas assim que fiz o primeiro movimento, pedi para que nunca tivesse feito, pois, na parede exposta, Sakura me olhava com uma mistura de nojo e decepção, enquanto seus olhos derramavam grossas lágrimas.
A morena olhou por cima do ombro fazendo uma expressão surpresa, afastando-se de mim de imediato para se vestir, mas não antes que a rosada direcionasse o olhar para as marcas no corpo da mulher e depois para as minhas próprias marcas.
Sakura não disse mais nada, apenas deu as costas e saiu proferindo uma última frase:
— Desculpem por ter interrompido. Já podem continuar.
A raiva me consumiu assim que olhei para a morena que mirava a porta com a sensação de dever cumprido.
Não precisei caminhar para socá-la, pois assim que ela olhou para mim, foi acertada pelo meu sharingan, ficando presa em um genjutsu que a torturaria.
O corpo feminino acertou com força o chão de lajotas caras, dando pequenos espasmos.
Grunhia querendo correr para fora daquele lugar e alcançar Sakura.
Eu precisava explicar.
Eu necessitava que ela acreditasse em mim!
Mas, minha impulsividade, me levou ao chão.
A raiva me dominava e eu praguejava por eu ter subjugado uma mulher, mas assim que ouvi passos em minha direção, tive a pequena esperança de que ela havia retornado.
— Sabe... é doloroso ver a pessoa que amamos nos braços de outra – a voz apática do Tsuchikage chegou aos meus ouvidos, acabando com qualquer esperança que eu havia tido. – Sakura deve estar sofrendo, ainda mais por ver o pai do novo filho dela nos braços de outra, mas, o que é mais engraçado, é que o tempo aparente da gravidez não bate com o tempo que ela está aqui em Konoha.
— Você não era o único que fazia visitas noturnas para a Sakura em Iwagakure – falei com um sorriso cínico nos lábios assim que levantei parcialmente meu rosto em sua direção.
O leve franzir de cenho do homem e o chute forte contra as minhas costelas, foi a prova de que eu o havia atingido.
Cuspi sangue e arfei pela dor de ser acertado por um pé transformado em pedra.
— Que foi? Com raiva de saber que não era o único? – Ironizei, erguendo-me com dificuldades daquele chão frio, mas a pisada na minha costa, levou-me novamente ao chão.
— Permaneça no chão, pois esse é o lugar de meros nukenin como você. Nukenin que bebe e fode prostitutas, enquanto mancha suas mãos com sangue. Sua família tem sorte de não está viva para ver a pessoa patética que seu único legado se tornou. Até mesmo Sakura tem sorte de ter se livrado de você quando percebeu a verdadeira pessoa que você era e seu filho, o mal exemplo de progenitor que tem. Você não merece amor e só está vivo e livre porque ainda tem um Kage passando a mão em sua cabeça e uma população esperando que um Uchiha saudável nasça, para manter a linhagem desse sangue sob o comando de Konoha. Se não fosse por isso, você não existiria. Estaria morto e ninguém sentiria falta.
Olhei com ódio para o homem de feições raivosas sobre mim.
Sorri de canto, sentindo todo o meu ódio resplandecer de maneira irônica pelas minhas feições:
— Você tem sorte por eu estar imobilizado. Se eu fosse você, fugiria, pois, assim que eu tiver a oportunidade, te caçarei e o torturarei. Mesmo que você grite e clame pelo fim, eu rirei de cada dor que você sinta, afinal, eu sou um monstro e dor é o que os monstros fazem as pessoas sentirem.
Outro chute acertou o meu rosto, mas eu apenas ri, sentindo o líquido quente encher a minha boca.
— Interessante – começou com uma voz baixa. – Você vai me matar e depois? Vai voltar para Konoha pelo quê? Se acha que vai me matar e voltar para os braços de Sakura... bom, sinto em lhe dizer, mas não é isso o que você terá – permaneci olhando para o chão manchado pelo meu próprio sangue. – Acorde! Sakura nunca será sua e por mais que você destrua o mundo, você não pode ter algo que já perdeu tantas vezes. Quantas vezes mais a machucará até perceber que você merece terminar sozinho? – Gritou a última frase e toda a ironia fugiu da minha face, olhando para o nada, enquanto eu escutava de uma pessoa viva, frases que as vozes já haviam proferido. – ELA NÃO TE AMA!
— ELA ME AMA! – Gritei virando meu rosto com ódio para ele.
O homem crispou os lábios antes de rir debochadamente de mim.
— Tolo. Ama uma mulher que só o ver como uma peça no tabuleiro – minhas sobrancelhas se uniram com aquela sentença. – Você é um mero shinobi, não sabe jogar esse jogo e, talvez, nunca saiba. Os Kages comandam as jogadas e seus shinobis são meras ferramentas – olhou com descaso para a mulher que tremia ainda sob o efeito do meu genjutsu. – Você só serve para ser usado – sorriu para mim. – Sakura aprendeu a deixar de ser peça para virar a senhora do jogo, mas tudo tem seu preço e a manipulação sem limites é uma delas. Afinal, por que você acha que ela foi para Iwagakure? – Riu debochado. – Pela sua cara, você não tem nenhum pingo de confiança vindo dela. Ela nunca te disse a verdade, mas tudo bem... eu te digo. Foi apenas uma jogada e hoje, quem manda nesse jogo é a Sakura, não os antigos mestres do jogo. Hoje, Sakura te utiliza como peça, enquanto você ainda se ilude com a ideia de que no fundo ela possa amá-lo, de que no fundo, ela possa te dar algo que até mesmo você acha que não merece. Entretanto, a única coisa que ela ver em você é um escudo para proteger sua filha. Algo útil momentaneamente, mas ao ver sua deslealdade nesse banheiro – apontou para a mulher inconsciente – a prova de que ela não te influencia tanto assim, Sakura te abandonará! Procurará outros meios. Ela vai embora daqui sem olhar para trás. Se arriscar, ela deve estar nos braços de outro homem, influenciando-o, ASSIM COMO ELA FEZ COMIGO, COM O MEU PRIMO E COM VOCÊ! – Gritou.
— Ela não é assim – balbuciei, sentindo-me exausto.
Por mais que eu continuasse a defendê-la, a dúvida permanecia...
Por que ela havia ido embora?
Por que havia voltado só agora?
Por que havia aceitado permanecer ao meu lado?
Eu era apenas um objeto no jogo dela?
— Permaneça na sua idiotice. Afunde-se na sua lama, mas haverá um dia, a qual todas as pedras em que Sakura se apoia, roerão. Ela vai voltar para mim com a ideia de que só eu posso ser o que ela quiser que eu seja...
— ELA NÃO É ASSIM! – Gritei, lembrando-me das lágrimas ao me ver naquele banheiro.
— Vá para sua casa e veja com seus próprios olhos – disse com um pequeno sorriso. – Não diga que eu não avisei quando ver outro homem a acompanhando.
Terminando de dizer aquilo, o Kage apenas deu as costas, saindo do local, sem ao menos se importar com a sua subordinada.
Meu ódio era tanto que o suor e o sangue no meu rosto começaram a tomar outro gosto...
Começaram a se misturar com as minhas lágrimas de raiva...
Eu não sabia o que pensar, mas tudo se misturava. Eu tentava acreditar que tudo aquilo que ele havia dito era mentira! Mas como eu poderia chamar de mentira se eu já havia pensado naquelas possibilidades? Se eu já havia a escutado dizer que me odiava?
Os soluços saíram mais altos e com muito esforço, dava socos com a lateral do meu punho direito contra o chão, querendo sentir dor, odiando a todos e, principalmente, odiando ela.
— Você está muito machucado – ouvi uma voz envelhecida ao meu lado.
— O que você está fazendo aqui Senhora Tsuchi? Kakashi convidou uma chefe de um bordel para esse baile? – Falei sem humor, olhando para o meu punho machucado que ardia.
Um suspiro alto chegou aos meus ouvidos, enquanto a mulher apoiava minha cabeça dolorida sobre suas pernas dobradas.
Com cuidado, ela começou a acariciar meu cabelo.
— Sei que você prefere quando ela faz isso, mas...
— Não fale dela – cortei em um tom baixo.
— Você não quer me dizer o que você está sentindo? Devo dizer que ver você chorar é assustador.
Ri um pouco daquela sentença, ainda sentindo meus olhos arderem e minha vista embaçar.
— Eu não sei o que eu estou sentindo.
— Posso tentar exprimir para fora o que eu acho que você está sentindo? – Perguntou continuando com as carícias. Como eu nada disse, ela continuou. – Acho que você está em dúvida. Sasuke, sua vida é cheia de dúvidas e em muitos casos, é você mesmo quem as cria. Sua maior dúvida atual é a Sakura e você não sabe o que fazer, mas o ponto de partida para fazer qualquer coisa agora, é primeiro você saber o que você sente por essa moça...
— O que você quer dizer com isso?
— Você a ama?
— Tsc. É claro que não – apressei-me a falar e senti um tapa no topo da minha cabeça.
— Teimoso! – Falou raivosa, suspirando logo em seguida. – Só me diga uma coisa... você quer que ela te ame?
Demorei alguns segundos para responder, até que as palavras saíram sem comando:
— Sim... eu quero.
— Não acha egoísmo querer o amor de alguém e não querer dar em troca?
Permaneci em silêncio.
— Amar dói – disse depois de algum tempo, sentindo minha força retornar em conjunto as dores causados pelos chutes do Kage.
— Sim... amar dói. Nem por isso podemos controlar se vamos amar alguém.
— Todos dizem que eu a amo, que eu a escuto...
— Estão errados?
— Eu não sei – admiti. Não conseguia encontrar uma resposta para aquelas perguntas. – Eu não sei como saber quando se ama e, sinceramente, eu não sei se quero amar.
— Você tem medo do futuro – suspirou. – No entanto, se você quer saber se a ama... na próxima vez em que se encontrar com a Sakura, olhe no fundo dos olhos dela e você saberá a resposta.
Nada mais foi dito, apenas permanecemos em silêncio até que o efeito completo do veneno se dissipasse da minha corrente sanguínea e eu me erguesse sentindo dores.
Olhei com nojo para a minha aparência e limpei o sangue e as marcas de batom em meu rosto, antes de acenar em despedida para a senhora que permaneceu com a shinobi desacordada.
Saí por uma saída alternativa daquele prédio sem me despedi de ninguém.
Caminhando sozinho por Konoha, acabei rindo ao notar que a minha deplorável situação era tão semelhante ao espaço-tempo em que Sakura não estivera em Konoha.
Eu não me orgulhava daquilo, mas ao mesmo tempo, necessitava...
Necessitava mostrar externamente, para o meu reflexo, o quão destruído e sem salvação eu era por dentro.
Com aquele pensamento, cheguei ao meu prédio, sentindo a dor latejante de uma possível costela quebrada, mas toda a dor fugiu dos meus pensamentos assim que visualizei o homem sentado em meu sofá, esfregando as mãos em nervosismo.
Os olhos masculinos se arregalaram ao ver a minha situação, mas antes que o filho do Capitão do corpo médico dissesse algo, o pus em um genjutsu.
O ódio me cegou entendendo as possibilidades de justificativa, por isso, com raiva, ignorando todas as minhas dores e costela quebrada, arrastei aquele corpo desacordado para fora daquele prédio, jogando seu corpo sem cuidados na rua de terra batida.
Voltei para o apartamento à passos duros, ouvindo assim que eu passei pela porta:
— Estou pronta Noyoto. Já podemos ir – falou com uma voz baixa a mulher que aparecia na sala com uma mala feita aos seus pés, mas assim que viu a minha expressão raivosa e meu sharingan ativo direcionado para ela, Sakura parou e olhou com assombro ao redor. – O QUE VOCÊ FEZ?
"Não diga que eu não avisei quando ver outro homem a acompanhando"
— Nada do que eu estou planejando ainda fazer – minha voz saiu fria e cortante, enquanto dava passos raivosos em sua direção, sentindo minha unha perfurar a minha carne ao perceber que ela estava se arrumando para ir embora. – Você não vai a lugar nenhum Sakura.
Ao perceber que eu não pararia, a mulher me olhou horrorizada dando passos para trás, buscando uma fuga de mim.
— Fica longe de mim! – Gritou, estendendo os braços, tentando me manter longe. – Me deixe em paz!
— Acha que manda em mim? – Gritei, segurando rispidamente seu pulso direito assim que a porta do meu quarto impediu que ela fugisse.
Com força prendi suas duas mãos acima da sua cabeça e aproximei perigosamente meu rosto do feminino que fugia do meu olhar para não cair em qualquer genjutsu que eu pudesse colocá-la.
— Olha para mim – sussurrei de maneira perigosa, fazendo a mulher de olhar humilhado e cheio de lágrimas, mirar meus olhos com raiva.
— Me larga! – Falou baixo, mas com ameaça palpável. – Eu vou embora e você não pode me impedir – disse quando as primeiras lágrimas cederam.
Endireitei meu corpo, mostrando meu tamanho superior ao feminino, sendo a barreira que impediria ela de fugir.
— E se eu não quiser? – Falei com deboche, surpreendendo-a.
— Pra quê me manter aqui? Eu quero ir embora! Te deixarei para trás, livre para você ter sua vidinha patética de volta, pois o que eu vi naquele banheiro foi exatamente isso! Um homem sem caráter que só pensa em satisfazer suas vontades – gritou. – Quer saber! As pessoas têm razão ao dizer que você merece ficar sozinho, eu que fui tola ao achar que você não fosse o que elas diziam, mas nesse momento, eu só sinto uma coisa em relação a você... nojo e pena – cuspiu as palavras com ódio.
Apertei seu pulso de forma dolorosa, sentindo a raiva nublar meus sentidos. Nem a expressão de dor da mulher me intimidou a diminuir o aperto.
— Antes ser esse monstro do que ser a mulher que abandona todos aqueles que a amavam para ir para os braços de outros...
O cuspi dela acertou meu rosto e a raiva tornou as feições delicadas em perigosas.
— Você não tem ideia do que está falando – grunhiu.
— Ótimo, estou muito a fim de escutar sua narrativa, pois o que me dizem e o que eu vejo, em nada me agradam e eu simplesmente estou cansado de esperar – grunhi limpando meu rosto.
Sakura mordeu seu lábio inferior com força, tentando reprimir suas lágrimas e a raiva transparecida nos verdes.
Em outra situação, a soltaria. Mais o cansaço, as dores e as palavras do Tsuchikage nublavam minha sanidade.
— Você não é capaz de entender...
— ENTÃO ME FAÇA ENTENDER! – Vociferei, socando a madeira fria da porta ao lado do seu rosto.
A raiva só aumentou nos olhos verdes que derrubaram mais líquido cristalino e quente sobre as maçãs avermelhadas.
— TUDO BEM, SE VOCÊ QUER TANTO SABER, ENTÃO EU DIGO! Só não me culpe se não gostar da verdade – cuspiu arfando pelo esforço. Mirando meus olhos com força antes de começar sua narrativa...
***
O sorriso doentio se espalhou pelo rosto do homem ao ouvir a discussão com sua audição ninja, ao mesmo tempo que mirava o corpo desacordado do outro homem que sofria espasmos devido ao genjutsu em que estava inserido.
Hiroto levantou o olhar para a sacada do apartamento de luzes apagadas de onde vinham as vozes.
Ele não precisava ficar e escutar, sabia que seu plano estava dando certo.
Como um bom jogador, ele estava fazendo suas jogadas sem sujar as mãos, da mesma forma que havia feito ao por de frente seu primo e o homem que agora tentava destruir.
Uma jogada de mestre. Era assim que ele intitulava...
Pois, não há estratégia mais bem elaborada do que a usada pelo poder da palavra.
Pra quê lutar quando você pode fazer seus inimigos se autodestruírem pela desconfiança, atingindo seus pontos fracos?
Um último sorriso foi lançado para a janela antes do homem dar as costas para o local e se direcionar de volta ao Hotel em que estava hospedado.
Continua...
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