A Filha da Minha Melhor Amiga
25 Casamento da Sakura - versão Uchiha Sasuke parte I
Notas iniciais
Batia freneticamente o meu dedo indicador direito na mesa de madeira. Já estava ficando impaciente de ter que esperar Sakura no Ichiraku Ramen.
Mil e uma possibilidades do que haveria acontecido para que ela se atrasasse passavam por minha mente e nenhuma das possibilidades me acalmava.
Doze horas e trinta minutos, pensei olhando para o relógio em cima do balcão de atendimento. Ela já está a meia hora sozinha e eu estou aqui sem fazer nada.
Esfreguei o meu rosto para espantar a preocupação e me distrair.
Vi três mulheres em uma mesa afastada conversarem animadamente, vez ou outra uma delas jogava um sorrisinho na minha direção.
Bufei.
Será que pelo menos uma vez na vida eu não posso sair de casa sem ser assediado?
Ok, admito. É legal ser assediado e facilita muito conseguir uma mulher para passar a noite quando eu preciso, mas as vezes eu não estava com cabeça para isso e aquele atrevimento todo me irritava.
Suspirei mais uma vez e arregalei os olhos assim que eu vi a cabeleira rosa curta atravessar a movimentação das ruas chamando a atenção dos olhares ao seu redor, principalmente a atenção masculina, o que me tirou uma bela carranca.
Será que eles não percebiam que ela estava grávida e de acordo com a fofoca local, o filho era meu?
Bufei, vendo ela entrar no estabelecimento com uma mão sobre a barriga agora saliente no vestido vermelho que ia até um pouco acima de seus joelhos.
Sem cerimônias e para o desânimo das mulheres do outro lado do restaurante, Sakura se sentou na cadeira estofada à minha frente, nada feliz.
– Então? – Perguntei querendo saciar logo a minha curiosidade.
Ela suspirou e fez sinal para chamar Ayame.
– Espere só um pouco. Preciso comer antes – murmurou de mal humor.
Suspirei assentindo.
Já fazia mais de um mês que Sakura estava morando comigo. A erva que trouxemos em minha última missão ajudou a melhorar a condição da rosada. Agora ela não estava mais tão dependente, às vezes conseguíamos sair de casa para saídas rápidas, mas na maioria das vezes ela ficava em casa, lendo um livro, dormindo, às vezes se atrevia a fazer alguma atividade doméstica na cozinha que eu logo impedia por precaução ou simplesmente ficava horas sentada no meu sofá encarando o movimento da rua, imersa em seus próprios pensamentos, que nem percebia que meus ônix sempre a analisavam em silêncio, como eu fazia nesse exato momento.
Ter Sakura debaixo do mesmo teto me proporcionava momentos inusitados, às vezes eu a pegava saindo do banheiro só de toalha com os cabelos úmidos, corando após um comentário inusitado meu, outras vezes cozinhávamos juntos, já que ela queria comer algo que eu não sabia cozinhar e eu não deixava ela chegar perto de qualquer coisa que pudesse machucá-la caso ela tivesse algum acesso de fraqueza.
Mas o momento mais inusitado ocorreu em uma madrugada de sexta para sábado, quando eu fiquei enfurnado até tarde no Centro da ANBU resolvendo assuntos que não poderiam ser resolvidos em casa.
Havia chegado cansado e meus músculos doíam pelas horas de trabalho. Assim que entrei no meu apartamento, a escuridão tomou conta de mim como a muitos anos vinha tomando, mas o cheiro de um perfume doce agora impregnado em meu apartamento me dizia que eu não estava sozinho.
Joguei-me no sofá e quando eu menos esperava vi um movimento pelo canto do olho esquerdo.
Mirei rapidamente aquela movimentação e percebi que era Sakura que adentrava a cozinha e abria a geladeira sem nem ao menos perceber que eu estava ali.
De sua boca saia um ruído baixo que deveria ser uma melodia que eu não consegui detectar qual era, mas o que mais me chamou a atenção foi o seu robe preto curto, que ao se virar para mim, pude ver que estava entreaberto na frente, mostrando-me que ela estava usando apenas um conjunto de lingerie preto de renda.
– Você anda assim pela casa dos outros? – Perguntei assustando a mulher que saia da cozinha.
– SASUKE! – Disse exaltada quase derrubando o copo com água no chão. Seu peito se movimentava fortemente me chamando atenção para aquela parte de seu corpo. Assim que ela percebeu o meu olhar, a mulher fechou completamente o seu robe, corada.
Não vou mentir. Gostei da visão e fiquei muito tentado a puxá-la para o meu quarto. Vê-la daquela forma me fez lembrar a quanto tempo estava na seca, mas ao ver seu olhar reprovador eu me lembrei porque não fazia isso.
Por mais que ela se esforçasse para me perdoar e esquecer do ocorrido, eu não ajudava em nada quando a olhava com desejo sempre quando a via seminua, mas por Kami! Ela tinha que entender o meu lado... chegar em casa depois de um dia cansativo no trabalho e encontrá-la vestindo só uma lingerie e um robe era uma tentação quase impossível de se evitar olhar.
Virei meu rosto e apertei meus punhos ao pensar em quantas vezes o ex-marido dela havia a visto daquela forma e a desejado como eu estava desejando.
– Você ainda não respondeu a minha pergunta – falei com um tom baixo, ainda olhando para a estante à minha frente.
Ouvi um suspiro baixo e pelo canto do olho vi Sakura se sentar em uma poltrona à minha esquerda.
– Eu não sabia que você ia voltar hoje. – Olhei-a sem entender e ela desviou o olhar para o chão antes de continuar – Naruto me avisou que às vezes você sai para bares e bordeis e só volta perto do amanhecer, principalmente nas sextas a noite.
Abri a boca incrédulo entendendo o seu raciocínio.
– E-eu não estava em um bordel, nem transando, nem bebendo. Eu fiquei preso no trabalho até agora e... – Comecei falando rápido só que fui interrompido pela mão de Sakura levantada.
– Sasuke – ela me olhou profundamente – você não me deve satisfação – foi tudo o que disse antes de se retirar para o quarto me deixando sozinho na sala perdido nos meus pensamentos e nas suas palavras.
"Você não me deve satisfação".
Então porque aquela sentença me incomodava tanto?
– Sasuke – despertou-me para a realidade a rosada que comia seu ramen com uma feição confusa no rosto – Você está bem?
– Ah sim... estou sim – sussurrei dando atenção ao meu ramen intocado.
– Você estava tão estranho, tão aéreo – murmurou antes de colocar mais uma porção em sua boca.
Suspirei e fixei meu olhar na rosada.
– Então... você não vai me contar?
Sakura fechou os olhos durante alguns segundos antes de suspirar e reabri-los.
– Eu me encontrei com o meu informante de Iwagakure e ele descobriu o que eu queria só que levou tempo já que o Hiroto está completamente fora de si. Ele disse que o Kage fica tentando descobrir coisas sobre mim sem de fato vim aqui já que ele ficou receoso depois do ultimato do Kakashi-sensei, mas...
– Mas... – estimulei.
– Ele me disse que até pessoas o Hiroto já matou porque não deram a informação que ele queria – sussurrou com o semblante preocupado antes de abaixar o olhar para o prato de ramen que segurava com ambas as mãos – isso não deveria ter chegado a tal ponto.
Coloquei as minhas mãos sobre as suas o que a assustou e fez com que ela olhasse para mim surpresa.
Inclinei o meu tronco em sua direção sem me importar com as pessoas que nos olhavam. Aproximei nossos rostos sem quebrar nosso olhar e sorri de canto antes de falar:
– Vai ficar tudo bem. Vamos dar um jeito em tudo.
Sakura ainda piscou duas vezes sem entender aquela mudança repentina antes de afastar suas mãos das minhas virando o rosto para o movimento da rua.
Pigarreei baixo voltando à minha posição inicial.
Sakura tinha a mania de ser escorregadia. Sempre quando me aproximava dela, ela escapava, como se ficar perto de mim fosse perigoso e ela quisesse evitar.
Olhei ao redor e percebi que os poucos clientes do estabelecimento nos encaravam. As mulheres tinham semblantes tristes, pois deveriam ter tomado conclusões que na verdade não eram verdadeiras.
Passei a mão pelo rosto tentando espantar a minha frustração e confusão interna.
Tsc, o que eu estou fazendo afinal!?
– E sobre a Mina? – Perguntei fingindo que nada havia acontecido.
– Há uma forma de livrá-la da família Yoshito...
– E qual é? – Perguntei interessado.
– Um documento legal de transferência de clã – falou com o olhar baixo, estranho para alguém que havia encontrado a solução de seus problemas – mas para isso preciso da assinatura de um membro de cada clã, no entanto, da família Yoshito precisa-se da assinatura do chefe do clã, ou seja... – suspirou desolada antes de continuar me olhando nos olhos – preciso da assinatura de Yoshito Hiroto. Essa é a lei de Iwagakure.
Ri sem humor.
Se tinha uma coisa que eu sabia, é que nunca, em hipótese nenhuma, Yoshito Hiroto assinaria um documento em livre e espontânea vontade que mudaria o nome da Mina, de Yoshito para Haruno.
– Temos um plano B? – Perguntei com um sorriso de canto sem humor no rosto.
Sakura me fuzilou irritada e depois suspirou cansada.
– Não, – admitiu – nem Hiroto, nem um dos meus pais assinaria o documento. Eu nem falo com eles.
Assenti.
Eu não sabia o que dizer naquele momento e não tinha ideia de como poderíamos sair daquela situação e Sakura parecia estar na mesma posição que a minha.
Comemos em silêncio e depois saímos do Ichiraku Ramen.
Incrivelmente Sakura comeu três tigelas de ramen enquanto que eu só comi um, mas parecia que aquela fome não havia acabado nela, pois assim que pisamos na rua, Sakura me arrastou para uma barraca de dangos.
Compramos doces para levar para casa e um dango para que ela comesse no caminho.
Olhei de canto e ela se lambuzava entretida com o dango como uma criança.
Ri de canto.
As notícias não eram boas. Quando a criança nascesse teríamos dois Yoshitos fugindo de um Kage escondidos em Konoha e nossa única chance não era uma opção, mesmo assim, o humor de Sakura mudava completamente quando menos se esperava e doce era sempre seu refúgio de problemas.
– Se continuar assim, vai virar uma bola – comentei provocando.
– Sabe qual é o lado positivo de se estar grávida? – Perguntou e eu neguei com a cabeça. Ela se aproximou com um sorriso zombeteiro e sussurrou perto do meu rosto – Poder comer o quanto quiser, já que estou virando uma bola mesmo – terminou com um sorriso mínimo que eu retribuir.
– Já estamos a muito tempo fora de casa, é melhor irmos, você não pode andar tanto assim, precisa descansar – comentei depois de um tempo andando sem rumo pelo comércio. Ouvi Sakura bufar.
– Se você der uma mordida, vamos embora – falou aproximando o dando do meu rosto para o meu desgosto.
– Odeio doces – entortei o rosto me afastando.
– Ah qual é Sasuke, todo mundo gosta de doces. Que tipo de criança marrenta é essa que você foi que não gostava de doces?
– Sakura para com isso – resmunguei desviando do dango que se aproximava da minha boca.
– Só uma mordidinha Sasu...
– Sakura? – Chamou uma voz feminina. Viramos na sua direção e não acreditamos no que víamos.
– Mamãe? – murmurou a rosada ao meu lado.
– Mebuki, você não vai acreditar no negócio que eu fiz... – aproximou-se um homem sorridente da mulher, mas assim que olhou para onde sua esposa olhava, as palavras fugiram de sua boca.
– Papai?
Ambos olhavam incrédulos para a mulher a sua frente, sem acreditar que era sua filha, mas logo percebi que seus olhares eram de remorso, depois substituído por dúvida ao verem a barriga saliente de Sakura e a mim ao seu lado carregando uma sacola para a rosada.
Antes que qualquer um de nós dissesse alguma coisa, vi pelo canto do olho Sakura sair correndo da maneira que conseguia. Vi ela se afastar, olhei uma última vez para o casal Haruno antes de seguir a rosada.
– Sakura! – Chamei-a assim que a acalcei no banco da praça onde crianças brincavam.
Ela não me olhou, permaneceu com a cabeça baixa olhando para o lado oposto.
Suspirando me sentei ao seu lado e mirei as crianças que corriam e brincavam entre si até ouvir uma fungada vinda da mulher.
– Odeio chorar – ouvi ela murmurando limpando uma lágrima que escorria – faz muitos anos que prometi a mim mesma que nunca mais choraria.
– Porque fugiu? Porque não falou com os seus pais? Eu sei que vocês não se veem desde que você foi embora de Konoha...
– Justamente por isso que eu não falei com eles – interrompeu calando-me – você não sabe o que é olhar no fundo dos olhos de seus pais e ver a decepção estampada neles – contou me encarando – a última coisa que eles disseram antes de partir foi "na hora que você casar com aquele homem, você não será mais a nossa filha". Todos viraram as costas para mim quando eu partir. Todos me olharam como uma traidora. Eu sei, que mesmo que eu tenha voltado, eles ainda se lembram que um dia eu fui embora e eu vejo isso em todos os olhares, até no seu Sasuke. Só que eu cresci, aprendi a lidar com isso, só que... – uma lágrima escorreu no rosto e ela se apressou em limpar com a costa da mão livre desviando o olhar para as crianças – só que dói ver essa decepção nos olhos dos meus pais – murmurou.
Continuei encarando calado a mulher enquanto um vento leve bagunçava os seus cabelos e o sol faziam com que as lágrimas contidas deixassem os verdes mais brilhantes.
Abaixei o olhar sem saber o que fazer ou o que dizer.
Ela tinha razão.
Lá no fundo ela tinha razão.
O que eu sabia sobre pais se os meus morreram quando eu tinha 8 anos?
O que eu sabia sobre decepção? Se eu sempre ignorei aqueles que eu decepcionava mesmo que no fundo aquilo me incomodasse.
Eu não sou a pessoa mais comunicativa e compreendedora dos sentimentos alheios.
Não sei o que dizer sem magoar os outros, principalmente ela. Por isso, às vezes eu prefiro manter-me calado a correr o risco de piorar ainda mais a nossa tênue relação.
Segurei com força o pulso direito dela surpreendendo-a no momento que roubei um dango seu.
Os orbes verdes se tornaram maiores enquanto me encaravam tentar engolir o doce que eu não gostava. A contragosto e com direito a uma cara feia minha, eu engoli aquela bomba de puro açúcar tirando uma risada da mulher na minha frente.
– Ah, meu Kami-sama! Eu não acredito! Uchiha Sasuke comeu doce! – Brincou tentando limpar as lágrimas que repousavam sobre seus cílios antes, mas agora deslizavam por conta das risadas.
Senti meu rosto ficar um pouco quente ao perceber que algumas pessoas nos olhavam curiosos ao ouvirem a risada da mulher e principalmente após notarem quem éramos.
– Sua careta foi hilária! – Disse entre riso que tentava conter inutilmente até que senti o topo de sua cabeça tocar o meu ombro direito.
Abaixei meu olhar e ainda via seu corpo trêmulo pela risada que estava me deixando constrangido.
Segurei seu rosto com as duas mãos e forcei ela a me encarar de perto deixando muito suspeito a cena para nossos telespectadores.
Limpei uma lágrima que escorria com o meu dedão antes de dizer sério:
– Você disse que se eu comesse um, nós iríamos para casa. Então vamos!
– Se você comer mais um eu vou – sussurrou provocando mostrando o resto do doce na frente dos meus olhos.
Fuzilei ela com olhar antes de afastar nossos rostos e me levantar do banco. Vi alguns pais nos olharem de boca aberta e algumas mulheres me encararem com rostos corados e olhos brilhando. Por um segundo fiquei curioso por saber o que exatamente eles estavam pensando.
Só por um segundo.
– Não vou dizer de novo – murmurei e Sakura revirou os olhos me acompanhando.
– Você é chato sabia? Não sabe nem brincar – resmungou parecendo uma criança de cinco anos.
Apenas suspirei e segui em direção à minha casa, agradecendo o momento em que entramos no meu apartamento, já que não existiam mais olhares questionadores.
Deixei os doces sobre a mesa e segui a rosada visivelmente cansada para o quarto de hóspedes.
– Arigato – sussurrou enquanto eu a ajudava a tirar seus sapatos.
– É melhor dormir um pouco Sakura – falei cobrindo-a.
Ela sorriu e assentiu, mas continuou com os olhos abertos e sorridentes focados em mim, enquanto que eu em completo transe continuei encarando-a.
As lembranças dela continuavam a me assombrar, mas por recomendação médica, mesmo que tomando o chá da erva, Sakura não poderia sofrer fortes emoções, ou seja, eu não poderia perguntá-la sobre sua gravidez e ataque no hospital de Iwagakure.
No entanto, a dúvida me corroía por dentro. As peças do quebra cabeça que era o passado de Sakura não se encaixavam.
Eu precisava de mais peças para desvendar o mistério...
E essas peças, deveriam ser a do início de tudo!
– Sakura, se você sabia que tudo isso iria acontecer, então porque você decidiu se casar e ir embora de Konoha? – Perguntei ainda a olhando nos olhos.
Os verdes se abaixaram e percorreram todo o ambiente, antes de se focarem em mim com um pequeno sorriso no rosto.
Sorriso esse que eu sabia que era falso...
– Ora Sasuke, porque eu casaria, afinal?
– Uma vez você me falou algo sobre casamento. Até onde eu me lembre, você se casaria com alguém que amava...
– Acho que você acabou de responder a própria pergunta.
Você não o amava!, queria gritar só que eu não poderia. Então, apenas permaneci calado lembrando-me do que ocorreu quatro dias antes de seu casamento...
Eu tinha 19 anos na época e era convocado para muitas missões de risco.
Depois que eu tive o meu ataque após pesadelo e dormir abraçado com a Sakura em sua residência, eu não conseguia olhá-la nos olhos.
Eu havia fugido antes dela acordar e pedi várias missões sucessivas. Eram poucas vezes, raríssimas vezes que nos víamos, mas em todas eu evitava falar ao máximo com ela, pois não sabia como iniciar uma conversa e discutir sobre o ocorrido.
No início Sakura tentava falar comigo, mas ela compreendeu o meu silêncio e aos poucos foi parando de tentar construir um canal entre nós dois.
Era um entardecer chuvoso. Eu havia chegado poucas horas antes com alguns hematomas e ferimentos. Teria que ir ao hospital e como sempre que precisava ir ao hospital, eu me consultava apenas com a Sakura por não confiar em terceiros.
No entanto, assim que me aproximei das portas de vidro do meu apartamento de mesmo estilo do que tinha quando era criança, vi um guarda-chuva vermelho atravessar a pouca multidão na rua e adentrar o meu prédio.
Eu sabia de quem se tratava, por isso fui direto para a porta.
A abrir na mesma hora que Sakura tinha o punho levantando.
– A-ah, eu ia bater Sasuke-kun – falou desconcertada a moça que usava um vestido vermelho com os cabelos soltos batendo na altura da cintura – desculpe-me se eu estou incomodando e você iria sair.
Ela deu um passo para trás, ameaçando se afastar, mas eu segurei com força o seu punho a puxando para dentro do apartamento.
– Mas o quê? – Perguntou atordoada enquanto eu fechava a porta.
– Eu estava indo no hospital, porque acabei de chegar de uma missão.
Ela assentiu entendendo o que eu não havia dito. Ela entendeu que eu estava indo atrás dela.
– Tire a camisa e sente-se, Sasuke-kun – disse de maneira profissional e assenti fazendo o que ela pedia, ao mesmo tempo que a rosada tirava os sapatos.
Sakura sentou-se atrás de mim na minha cama e começou a trabalhar no ninjutsu médico em silêncio, o que me inquietava já que seu tom de voz estava estranho desde que chegara e seu olhar não focava no meu.
– Você pode se virar, Sasuke-kun? – Pediu com a voz baixa e eu atendi seu pedido ficando de frente para a rosada.
Suas mãos trabalhavam de maneira lenta e minuciosa pelo meu peitoral desnudo e pelos meus braços, mas em nenhum momento Sakura encarou meus olhos que a observavam por cima.
Ela estava tão aérea que simplesmente continuou na mesma posição depois do ninjutsu ter acabado. Ela continuou olhando para as mãos espalmadas sobre o meu peitoral como se visse além daquilo.
Envolvi suas mãos com as minhas sem tirá-las do local.
Sakura se assustou e pela primeira vez encarou os meus ônix.
Os verdes estavam sem brilho, perdidos e com dor impregnada neles. Havia algo de errado com ela. Talvez eu devesse perguntar o que estava acontecendo, se havia algo de errado comigo ou com ela, mas todas as possibilidades sumiram da minha mente assim que senti os lábios de Sakura encostarem nos meus.
Apenas um encostar de lábio. Um demorado e simples selar que não pedia aprofundamento, mas que me pegou tão desprevenido que nem fechar os olhos eu ainda havia fechado.
Assim que comecei a fechar os meus olhos e ceder ao beijo, Sakura afastou-se de mim mais rápido do que havia se aproximado.
– Desculpe-me Sasuke-kun – pediu baixo inquieta em pé ao meu lado esquerdo – e-eu não deveria ter feito isso. Gomen! E-eu sei que não gosta de que invadam seu espaço. E-eu vou fazer um chá com a erva medicinal que eu tenho na minha bolsa, isso vai eliminar totalmente a possibilidade de veneno do seu corpo – falou apressada gaguejando enquanto ia para a cozinha deixando-me sozinho.
Passei as mãos pelo meu cabelo e rosto em frustração. Irritei-me pela situação e muito mais por não saber o que estava acontecendo. Soquei o tecido macio da cama ao meu lado antes de me levantar em direção a cozinha sem me importar de vestir a minha camisa.
Assim que entrei na cozinha visualizei Sakura de costa para mim. Ela estava de frente para o fogão onde a chaleira estava sobre o fogo.
Ouvi ela fungar e enxugar uma lágrima escondida, antes de puxá-la para ficar de frente para mim.
A garota se assustou e arregalou os seus olhos vermelhos cheios de lágrimas para a minha atitude.
Ela entreabriu os lábios para protestar, mas antes que ela proferisse a primeira palavra, eu selei nossos lábios com um beijo profundo que fez com que ela tivesse que se encostar no balcão em um baque surdo que lhe tirou um gemido de dor.
Introduzi a minha língua na boca rosada que estava receosa, mas que não demorou muito a ceder.
Minhas mãos seguraram o alto de seu quadril deslizando lentamente pela sua costa enquanto que alisava sua língua com movimentos lentos a torturando.
Isso é por ter fugido de mim, pensei enquanto mordia o seu lábio inferior tirando-lhe um gemido baixo quando prensei seu corpo ainda mais com o meu. Seus braços estavam envolta do meu pescoço puxando levemente o meu cabelo.
Ergui seu quadril sentando-a sobre o balcão.
Nossos lábios finalmente se afastaram procurando ar. Ela estava ofegante com os lábios inchados entreabertos, olhando confusa para baixo. Suas mãos permaneciam sobre os meus ombros.
Permaneci observando cada traço da menina. Aos meus olhos, ela estava tão...
Bonita.
Quando foi que Sakura mudou? Quando foi que ela pareceu mais mulher do que uma adolescente? Quando foi que eu comecei a notá-la?
Foi aí que meu coração começou a bater acelerado e a adrenalina fazer efeito no meu corpo.
Respirei um pouco mais forte quando nossos olhos se encontraram. Nenhuma palavra era proferida, apenas o som da chaleira dizendo que a água estava no ponto preenchia o ambiente.
– Sasuke-kun, desculpe-me – falou abaixando novamente o rosto, mas minha mão direita foi para a sua nuca forçando-a a me olhar.
– Pare de se desculpar – foi tudo o que eu disse antes de puxá-la novamente ao beijo que ela cedeu prontamente.
Não havia mais volta.
Nós dois havíamos perdido o resto da razão que nos restava.
Buscávamos vorazmente na boca do outro algo que nem ao menos sabíamos o que era, mas sabíamos que precisávamos para nos preencher.
Sakura ofegou assim que abri as suas pernas com a minha mão esquerda e a puxei de encontro a mim, encaixando sua perna direita no meu quadril.
O ar nos faltou novamente e desfizemos nosso beijo, entretanto desci meus lábios para o lado esquerdo de seu pescoço onde distribuir beijos estalados e molhados que a faziam suspirar, ao mesmo tempo que a minha mão esquerda desligava o fogo.
Voltamos a nos beijar, mas dessa vez a puxei para mim tirando-a sobre o balcão carregando-a.
Quando eu menos esperava, deitei Sakura sobre a minha cama, enquanto engatinhava sobre ela.
Assim que ficamos cara-a-cara percebi o quanto ela estava corada e ofegante, olhando incerta para os lados.
Eu sabia que deveria estar do mesmo jeito.
Eu não poderia negar... eu estava nervoso.
Sakura era a primeira e única mulher que eu havia tido qualquer tipo de contato físico na vida.
Ela foi o meu primeiro beijo, a primeira que eu desejei e agora a primeira que estava deitada sobre a minha cama comigo sobre ela.
Eu não tinha experiência, não tinha jeito e naquele momento me amaldiçoei por não ter lido todos os livros que Kakashi havia me dado no meu último aniversário e escondido no fundo da minha gaveta mais inferior.
Poderíamos parar.
Poderíamos simplesmente acordar de nosso desejo e rir do quanto idiota estávamos.
Mas havia algo...
Algo que no fundo me dizia que só tínhamos essa chance.
Um sentimento ruim. Um sentimento que me perturbava mais que seu olhar sem o brilho infantil. Um sentimento que me fez selar seus lábios com um beijo calmo e lento que nos acalmou.
As mãos trêmulas de Sakura tatearam a pele desnuda da minha costa que se arrepiou com seu toque.
Sem desfazer o beijo, deslizei minha mão direita até o topo do zíper frontal do vestido de Sakura. O som baixo, porém, perceptível para a minha audição aguçada, do deslize do metal, fez-se presente.
Assim que o zíper estava totalmente aberto, deslizei minha mão para a sua cintura por dentro do vestido o que a assustou e fez-se encolher constrangida com os braços cruzados, tentando cobrir a nudez da pele exposta.
Grunhi por dentro, perguntando-me se havia feito alguma coisa de errado, mas por fora só conseguia encarar o rosto corado.
Suspirei e fechei os meus olhos.
– Desculpe-me Sasuke-kun – disse constrangida virando o rosto para o lado direito. Apoiei meu rosto na pele exposta de seu pescoço e aspirei o perfume floral não enjoativo – é que... é que eu sou virgem. – Admitiu e depois suspirou – Eu estou sendo uma tonta mesmo – repreendeu-se e eu ri de canto com o rosto ainda escondido. Era incrível como ela própria construía um diálogo onde só ela participava.
– Eu entendo – murmurei – você não é a única.
Aquilo a fez arregalar os olhos e sorrir me abraçando.
Beijei o seu pescoço enquanto a colocava sentada na minha frente com as pernas abertas ao lado das minhas.
Dei um beijo demorado enquanto deslizava minhas mãos sobre os ombros de Sakura derrubando o tecido vermelho que logo arremessei para longe de nós dois.
Desfiz o beijo e afastei o meu rosto para encará-la apenas com uma calcinha e um sutiã simples da cor...
– Preta? – Perguntei surpreso erguendo uma sobrancelha para a garota completamente envergonhada.
– Surpreso? – Murmurou e eu assenti. Esperava uma lingerie infantil nas cores branco e rosa, mas no fundo eu gostei daquela combinação. Sakura ficava bonita e sua pele alva contrastava com o escuro do tecido – Desculpe-me se não é do seu agr...
– Shhh... – botei o meu dedo indicador direito sobre a sua boca para calá-la – já disse para parar de se desculpar – ela apenas assentiu com um pequeno sorriso.
Segurei sua cintura com ambas as mãos que subiram pela costa feminina a medida que meus lábios desciam do pescoço para a carne exposta arfante enquanto Sakura jogava a cabeça para trás e soltava leves gemidos que tentava reprimir por vergonha.
O problema de tudo ocorreu quando eu não consegui abrir o fecho do sutiã...
Kuso!
Ouvi uma leve risada de Sakura ao notar a situação antes de ser deitado na cama com ela de joelhos sobre mim.
Seu rosto estava vermelho da mesma forma que o meu estava.
Seus braços foram torcidos para trás, para logo o tecido negro cair revelando os seios medianos de Sakura que eram iluminados pelas sombras da chuva torrencial que parecia cair longe de onde estávamos.
Minha respiração ficou entrecortada assim que Sakura se inclinou sobre mim e beijou meu peitoral.
Sentia minha ereção começar a ganhar vida, enquanto Sakura abria a minha calça sem parar com os beijos molhados.
O tecido logo foi jogando para o lado e não pude evitar gemer quando a minha parte sensível e excitada roçou a barriga de Sakura.
Ela riu um pouco da situação e como punição a joguei para trás comigo sobre si. Os cabelos rosas caíram espalhados sobre o travesseiro alvo.
Vi ela morder o lábio inferior devido a um gemido baixo causado pelo roçar das nossas intimidades.
Eu tinha que admitir, aquela situação também estava me matando... Eu poderia já ter vivido a experiência de punhetas solitárias, mas nada se equiparava com a excitação que eu estava sentindo.
Meu dedão direito rodeou a auréola entumecida de Sakura que se remexeu antes de arquear o tronco quando abocanhei sua carne macia.
– Ah! Ahhh... Sa-Sasuke-kun – gemeu quando eu chupei com vontade encontrando a maneira certa que a fazia gemer mais.
O gemido foi mais alto quando eu passei para o outro ao mesmo tempo que abaixava a sua calcinha até a altura dos joelhos.
Minhas mãos deslizaram pelo interior das coxas que arrepiaram-se com o toque incerto das minhas mãos.
Rocei a sua intimidade com o meu dedão, enquanto chupava seu pescoço deixando a minha marca. Sakura arfou forte e remexeu o quadril como em prova de que estava gostando daquilo.
Lembrei-me do pouco que eu li de Icha Icha, principalmente sobre anatomia humana.
Sakura poderia ser a médica e saber sobre cada canto do corpo humano, mas o pouco que eu sabia já me ajudava.
Achei o seu ponto de prazer e massageei-o fazendo Sakura arfar forte ao mesmo tempo que arranhava as minhas costas.
Senti o meu membro latejando de desejo com os movimentos de Sakura sob mim.
Não tinha mais tempo, deixaria para conhecer melhor o corpo feminino de Sakura outra hora, porque naquela hora eu só conseguia me focar em tirar o restante das nossas roupas íntimas.
Ri de canto ao ver o rosto escarlate de Sakura ao me encarar de joelhos em frente ao seu corpo nu deitado com as pernas flexionadas.
Lentamente abri mais as suas pernas enquanto traçava beijos desde sua barriga até seu maxilar.
Assim que nossos olhares se encontraram, eu iniciei uma entrada lenta que foi parada por um grito de dor de Sakura que me abraçou escondendo o rosto na curva do meu pescoço.
– Sasuke-kun, isso dói – murmurou sem desfazer o abraço trêmulo.
Assenti e permaneci na mesma posição até que ela se acostumasse com a sensação.
Massageei seu cabelo com o meu braço direito o que a fez relaxar e desfazer o abraço com um sorriso gentil.
– Arigato – murmurou enquanto voltei a penetrá-la.
Seu rosto ainda se contorcia de dor no início, mas com o tempo sua expressão foi substituída por prazer, enquanto que gemidos involuntários saiam de sua boca entreaberta.
Minha mão direita estava entrelaçada com a sua esquerda, enquanto sua outra mão deixava novas marcas na minha costa.
– Olhe para mim – pedi sôfrego durante um gemido ao mesmo tempo que a estocava novamente.
Sakura assentiu e continuou olhando meu ônix lutando com a vontade de fechar os olhos e sucumbi ao prazer que lhe tirava algumas lágrimas.
Mesmo ofegante, eu queria continuar tendo a visão daqueles orbes verdes. Eu queria a olhar nos olhos enquanto fazíamos amor. Será que eu poderia chamar assim? Já que sexo ou meramente transar, não pareciam palavras para simplificar o que eu estava sentindo...
Poderia chamar de amor, se nem ao menos sei o que é isso?
Sakura foi a minha primeira vez, a primeira e única pela qual eu gemi seu nome até mesmo quando estava com outras e foi a única pela qual encarava seus olhos quando a tinha nos meus braços.
Mãos entrelaçadas, pernas me envolvendo, pele macia de encontro ao meu, arfares dolorosos, gemidos de súplica, respirações descompassadas, o suor escorrendo pela minha costa...
Senti o interior de Sakura se contraindo, sabia que logo ela teria o que chamavam de orgasmo.
Dei uma última estocada antes de me retirar já que sabia que também estava chegando ao meu limite.
Eu estava tão duro, tão duro, que ao sair dela ejaculei sobre a cama entre as suas pernas.
Desabei suado sobre o pequeno corpo feminino ofegante.
– Sasuke-kun – chamou-me olhando nos olhos, o rosto brilhava pelo suor. Uma mecha grudava-se nele, enquanto que a boca entreaberta que buscava controlar a respiração descompassada dizia em um sussurro: – eu te amo!
Sorri de canto enquanto caia deitado ao seu lado olhando para o teto branco do quarto escuro.
O som da chuva ainda era audível assim como a respiração de Sakura ao meu lado.
Deitei-me de lado e a puxei pela cintura colando nossos corpos.
Os olhos verdes eram questionadores para a minha atitude, mas se acalmaram ao sentir o tecido que nos envolvia em proteção ao frio.
– Arigato – sussurrou com os olhos brilhando, eu assenti enquanto que ela se aconchegava melhor em mim.
Sorri de canto sentindo o corpo nos meus braços cair em um sono profundo.
Alisei os longos cabelos róseas que se espalhavam pelo travesseiro e inebriavam meus sentidos enquanto caia no mundo dos sonhos...
Continua...
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