Notas iniciais
Yoooooo!!!! GENTE! Quase tive um surto ao perceber que faz quase dois meses que eu não atualizo A Filha da Minha Melhor Amiga! Céus! Como assim? Isso é um absurdo! Quando estou estudando, perco a noção de tempo de postagem e só quando eu entro na página inicial da fic que eu vejo esse tipo de absurdo! Céus! Perdão pela demora e mesmo sem net, estou hackeando a net do vizinho para atualizar essa fic (Atire a primeira pedra quem nunca tentou fazer algo do tipo, quando ficou sem net hahahaha)! De qualquer forma, esse capítulo estava pronto e eu ia postá-la no sábado, quando eu irei atualizar Procura-se uma Uchiha (provavelmente postarei no sábado o capítulo 13, porque o capítulo está quase concluído!). Preciso contar para vocês que eu tive um surto de inspiração há muito adormecido com essa fic e levei oito horas seguidas, sem pausa, escrevendo esse capítulo gigante. Nossaaa, meus dedos ficaram adormecidos e doloridos depois que concluí ele, mas não podia deixar de escrevê-lo, pois perderia a minha inspiração, mas tudo deu certo e aqui estou com mais um capítulo dessa fic que sou muito ameaçada caso eu pare hehehe Podem ficar tranquilo seus lindos... sei que demoro e eu me martirizo por tal coisa. Sinto-me culpada e podem ter certeza que não abandonarei A Filha da Minha Melhor Amiga! Hoje, no entanto, gostaria de ressaltar uma leitora linda que chegou com tudo em A Filha da Minha Melhor Amiga e em minhas outras fics! Uau! JStark sua linda, sou sua fã ainda mais se esse nome ter surgido devido a GoT hahahaha Essa pessoa linda e maravilhosa que sempre deixa a sua opinião sincera em tudo que ler, deixou uma recomendação linda em A Filha da Minha Melhor Amiga. Uma recomendação que permeou os meus pensamentos nesse meio tempo, pensando em como eu faria um capítulo digno para agradecê-la e homenageá-la! JStark-san, pensei muito em sua recomendação enquanto escrevia esse capítulo e as NI! Muito obrigada pelos seus elogios. Fico muito feliz que tenha gostado do enredo e gostado do fundo do poço que coloquei o Sasuke, denominando tudo como "Inesperadamente cruel!". Uau, gamei nessa frase! hahahaha Fico feliz por gostar dessa Sakura fria que não se desmancha com um olhar de Sasuke (creio que tenho certa dificuldade de escrever uma Sakura mais bobinha --' sempre gosto de vê-la como uma mulher forte e acho que percebeu isso nas minhas fics hahahah)... Obrigada por tudo sua linda e espero continuar a agradando! Por isso, esse capítulo é dedicado inteiramente à você! Obrigada pelos inúmeros comentários, aos que favoritaram e bem-vindos a mais um novo capítulo de A Filha da Minha Melhor Amiga, novos e antigos acompanhamentos ^^ Divirtam-se!

Os cinco meses chegaram depressa.

Naquele meio tempo, Sakura agira como se nada tivesse ocorrido entre nós. Assim como ela dissera para que eu esquecesse dos beijos, a rosada o fez também.

Sakura estava eufórica com mais uma consulta, dessa vez não ocorreria em casa, estávamos no hospital de Konoha.

Ino vez ou outra lançava um olhar de suspeita para mim, mas logo retornava sua atenção para a rosada deitada na cama, expondo sua barriga protuberante, pronta para que refletisse na pequena tela o ser que ali continha.

– Pronta para ver o seu bebê, Sakura? – Perguntou risonha a loira, passando um gel na pele da gestante.

Revirei os olhos para aquela conversa, poderia ter permanecido na sala de espera, mas acabei entrando no consultório junto com a rosada logo depois da loira ter disparado a indireta com tom de deboche:

"O papai pode vim junto se quiser"

Ino sabia muito bem a quem aquela criança pertencia, mesmo assim, ela usou daquele artifício para me atingir, mas como ela bem sabe, não gosto que debochem de mim, se fosse em outra ocasião, teria grande prazer em provocar um "acidental" corte com a minha katana, mas até de minha arma eu estava sentindo falta, pois estava sem ela.

Por isso, entrei no jogo e a desafiei:

"Seria um grande prazer"

Respondi seguindo uma Sakura entediada com nosso diálogo.

Sakura não reclamou da minha presença, na verdade, parecia alheia a ela, mostrando-se espontânea e animada com toda a consulta, até o momento do ultrassom.

Ela parecia uma criança nervosa e ansiosa pelo doce que receberia, mas o brilho que seu olhar tomava em expectativa não passava despercebido nem por mim, nem pela outra médica.

– Estou esperando por isso há meses, Ino – respondeu sem conseguir disfarçar a ansiedade, fazendo a loira rir, enquanto permanecia quieto, na cadeira ao lado da maca, estudando cada reação de Sakura.

– E o papai? – Provocou a loira com um sorriso de canto, mas sem olhar para mim. No entanto, eu sabia que a Yamanaka sabia do olhar assassino que eu lhe lançava e que só não estrangulava seu pescoço devido as circunstâncias.

– Ino – repreendeu a rosada em minha defesa, sabendo do clima tenso que pairava naquela sala. – Vamos nos focar no que importa, ok?

A loira assentiu pressionando o pequeno aparelho de encontro à barriga, formando na tela, imagens desconexas que eu não compreendia.

O aparelho se movimentava como se procurasse algo e eu sabia o que Ino queria ver.

Senti-me incomodado por está ali, até aquele momento estava inerte ao mundo, mas agora, ali, na minha frente, apareceria o filho de Sakura. O filho de Nagashi. Um filho que não me pertencia, mas parecia ser a razão da felicidade daquela mulher.

Senti-me um intruso.

Não é seu.

A voz voltou a me atormentar, mas, no fim, ela tinha razão e por isso eu odiava cada vez mais estar ali.

Odiei as risadas. Odiei as conversas. Odiei os sorrisos. Odiei as lágrimas. Odiei... os batimentos cardíacos.

Batimentos cardíacos? Perguntei-me confuso, como se despertasse para a realidade.

Olhei ao redor e só então vi o rosto coberto de lágrimas da rosada. Seu peito arfava pelos soluços que saiam sem permissão, mas não era por tristeza e seu grande sorriso denunciava isso.

Ela estava feliz. Verdadeiramente feliz e exibia o sorriso mais largo que já havia visto.

Era ao mesmo tempo inocente e infantil, da mesma forma que ela mostrava quando era mais nova.

Desviei o meu olhar rapidamente para a tela que mostrava algo humanoide, mas disforme devido à qualidade de resolução, só que, o que mais chamava atenção, eram os batimentos cardíacos que ressoavam pelo ambiente.

Trinquei meus dentes, sentindo o incomodo aumentar e tudo ficou pior ao ver o olhar celeste fixar em mim como um desafio.

Eu estava a ponto de sair daquela sala sem aviso e Ino sabia disso.

Não! Eu não queria mostrar fraqueza. Não queria mostrar que aquilo me incomodava e eu não demonstraria.

Respirei fundo e permaneci na cadeira, segurando as bordas como uma forma de impedir a vontade do meu corpo de correr.

No fim, eu permaneci.

Fixando meu olhar no rosto de Sakura, evitando olhar para a barriga, para a tela ou para a médica que me analisava a cada segundo como se tivesse procurando uma resposta para a pergunta que eu desconhecia.

– A mamãe quer saber o sexo do bebê? – Perguntou em expectativa a loira e eu bufei com aquilo.

– É lógico que ela quer – peguei-me falando para a loira como se fosse óbvio.

– Não – soou uma voz baixa e chorosa.

– Como é que é? – Levantei um pouco a voz pela surpresa. Não conseguia acreditar no que ela havia acabado de dizer, mas ao fixar o olhar na mulher que enxugava as lágrimas que haviam parado de escorrer, eu sabia que ela não estava brincando. – Por que não?

– Curioso pelo sexo papai? – Ouvi Ino provocar risonha, apenas a calei com o olhar duro, antes de voltar a encarar a rosada que se mantinha firme em sua escolha.

– Porque eu não quero saber, Sasuke. Só descobrirei no parto e para mim, tanto faz se é menino ou se é menina.

– Sakura, – inspirei profundamente procurando a calma – você sabe quantas pessoas me pararam na rua só para perguntar qual era o sexo dessa criança? – Ela sabia de todas as vezes que chegava irritado em casa por ter ido comprar ou buscar algo e as pessoas sempre cochicharem ou me perguntarem qual era o sexo da criança, até membros da ANBU me indagavam sobre qual seria o sexo do novo Uchiha, o que eles não sabiam é que não haveria novo Uchiha e nunca existiria.

– Eu já me decidi sobre isso há tempos Sasuke. Não soube do sexo de Mina até o seu nascimento e ficarei na ignorância dessa vez também.

Grunhi em frustração, apertando a borda da maca tentando controlar a minha raiva.

– Que seja – olhei para a loira que tinha uma sobrancelha levantada para mim – Ino, eu sei que você pode entender essa imagem, me diz qual é o sexo.

Os celestes se estreitaram antes do veneno sair da sua boca:

– Primeiro, eu nem estou na parte que dá para ver o sexo e segundo... – apontou o dedo magro para mim.

As pessoas ficam muito corajosas quando estão perto da Sakura, pensei trincando os dentes, pronto para pular no pescoço esnobe.

– Você não é nem o pai da criança para exigir algo – aquilo foi a gota d’água. Levantei-me rispidamente, sem me importar com a cadeira metálica derrubada, mas a loira continuou. – Aliás, por que ficou tão interessado no sexo de uma criança de repente? Até onde eu lembro, você não ficou nem um pouco preocupado em saber qual era o sexo do seu próprio filho. Se quer tanto saber o sexo de uma criança, vá perguntar qual é o sexo do filho das mulheres que você vive levando para a sua cama, aposto que você deve ter vários filhos renegados.

– Ora, sua... – agarrei o pescoço alvo e trouxe para perto do meu rosto.

– SASUKE, PARE! – Estanquei ao escutar o grito.

Desviei lentamente o olhar para a rosada ofegante e preocupada. Seu peito arfava com força vendo o agarre que eu provocava na loira que se contorcia procurando ar.

– Para – fez o pedido baixo, apertando os lençóis sob seus punhos em completo nervosismo.

Voltei meu olhar para a loira desesperada, sentia meu sharingan fervendo e pronto para matar.

– Da próxima vez pense bem antes de falar algo sobre mim – falei frio, soltando a mulher rispidamente.

Ino se desequilibrou e caiu sentada em sua cadeira, massageando a região vermelha em seu pescoço, mas o olhar ainda era de raiva.

– Não gosta de ouvir o que todos pensam... – começou ofegante.

– Ino, para! – Cortou a rosada. – Para de provocar!

A loira baixou o olhar perante o repreendedor da amiga.

– Tudo bem, Sakura – murmurou limpando a barriga da amiga.

Sakura suspirou cansada ajeitando a camisa de botões branca que havia pego de mim, já que nenhuma de suas roupas cabiam nela.

Foi com resistência que ela aceitou a única camisa com o símbolo Uchiha mais discreto na parte posterior da gola da camisa, mesmo assim, ficou incomodada por andar pelas ruas com a camisa, já que seus cabelos curtos não o escondiam.

Cochichos eram escutados por nós dois enquanto andávamos lado a lado e isso era constrangedor para a grávida, enquanto eu me divertia com a situação, mas agora...

Toda a diversão foi extinta.

– Se você já fez tudo o que tinha para fazer, vamos embora. Estou cansado – falei ríspido dando as costas para as duas mulheres.

Sakura suspirou pesadamente.

– Tudo bem, Sasuke – murmurou se levantando.

Ela agradeceu e trocou poucas palavras com a loira sobre a gravidez e cuidados a serem tomados, mas o que me incomodava é que se durante aquela primeira consulta que eu acompanhei a Sakura, a Ino falou aquilo sobre mim...

O que a loira falava quando as duas estavam sozinhas no quarto de visitas?

Estreitei o olhar para a loira em um tom silencioso de aviso, mas Sakura, notando a situação, tocou o meu braço para que fossemos logo embora, antes que iniciássemos outra discussão.

Cedi ao leve empurrão da rosada, caminhando em direção a saída da sala, mas assim que atravessei a porta percebi que Ino deteve Sakura.

Antes que eu pudesse falar algo, a loira fechou a porta sem se importar com a minha presença.

Senti a raiva inflar em mim.

Eu sabia que todos me queriam longe da rosada.

Havia recebido ameaça de todos assim que a Haruno foi para o meu apartamento com a filha.

Eu sabia que não era o melhor exemplo de pessoa, mas será que eles não se cansavam de me ver como ameaça e provavelmente enxerem a cabeça de Sakura com ideias contra mim?

***

Sakura se surpreendeu por ter sido puxada com delicadeza pela amiga para não continuar a seguir o Uchiha.

Antes mesmo que o moreno, confuso com a ação, pudesse falar algo, a Haruno já via o tom branco da porta à sua frente e a única coisa que ela pensava era:

Ino, você é tão discreta.

O suspiro cansado saiu pelos seus lábios antes de focalizar o olhar na amiga com o semblante com uma mistura de medo e preocupação.

A mão que antes segurava seu braço direito, logo juntou-se a outra tateando o pescoço machucado.

– Você viu o que ele fez? – O sussurro medroso chegou aos seus ouvidos fazendo a grávida revirar os olhos.

– Você provocou – falou simplesmente antes de levar a mão direita, recoberta de chakra, ao pescoço, para curar os hematomas.

– Sakura, você precisa sair daquele apartamento – pediu o que ela sempre dizia, mas a rosada suspirou sem erguer o olhar. – Você pode ficar na minha casa. Damos um jeito, arranjamos um espaço. Eu, Sai e Inojin vamos cuidar de você e da sua filha. Você vai ficar segura lá.

– Segura de quê, Ino? – Ergueu o olhar reprovador para a amiga. – Sasuke nunca me fez mal.

– Nunca? – Riu desacreditada a loira e Sakura entendeu a que ela se referia.

Sasuke já havia feito muito mal ao coração da Haruno e Ino se preocupava com a amiga.

– Eu quero que você esteja segura da possibilidade de se apaixonar novamente por esse monstro, Sakura – falou gentil a loira, segurando ambos os ombros da amiga de longa data, enquanto Sakura abaixava a mão após terminar o procedimento. – Esse não é o Sasuke que conhecemos quando criança, ele... ele – respirou fundo antes de voltar a falar – ele não é bom, ele mata e não gosta de ser contrariado. Ele se afastou de tudo e todos e até mesmo Naruto e Kakashi têm problemas para se relacionar com ele.

– Ele sempre foi antissocial – arriscou a rosada.

– E parece escutar você – ignorou a fala da amiga, continuando a sua.

Sakura se calou, baixando o olhar, sabia que aquilo era verdade. Toda vez que Sasuke parecia pronto para fazer algo, se ela dissesse o contrário, o moreno fazia o que ela queria.

Parecia que ela tinha controle sobre algo indomável e aquilo a assustava às vezes.

Sakura abraçou o próprio corpo como se fosse uma forma de proteção, mas Ino, com um toque gentil, ergueu o seu queixo.

– O problema é que não sabemos qual é o limite dele – a loira confidenciou algo que Sakura concordava, mas...

Aquele olhar.

– Sakura, me responda sinceramente – pediu a amiga. – Você, – os celestes percorreram incertos o ambiente, com medo da sua resposta – por acaso, está voltando a se apaixonar pelo Uchiha?

Como acordada para a realidade, Sakura se desfez do toque da amiga dando um passo para trás.

– Ficou louca? – Disse ríspida.

Ino suspirou.

– Só estou preocupada com a possibilidade de você voltar a se apaixonar por aquele monstro. Eu não quero ver a minha melhor amiga sofrendo mais uma vez por ele.

– Pode ficar tranquila, Ino. Eu jurei por mim e pela minha filha que eu ia esquecê-lo. Eu cresci e amadureci! Não sou mais aquela garotinha ingênua de 18 anos! Eu não vou me apaixonar de novo por ele – terminou a frase abrindo a porta, dando de cara com o Uchiha que não havia se movido do lugar.

Sakura percebeu o olhar confuso do homem, já que sentia o seu próprio rosto fervendo de raiva.

Decidiu ignorá-lo, contornando-o a passos rápidos para longe daquele consultório.

Sentia o chakra poderoso perseguindo-a em silêncio, mas tudo o que ela queria era ficar sozinha e chorar.

Malditos hormônios.

Praguejou mentalmente enxugando uma lágrima antes que a mesma pudesse rolar pelo seu rosto.

Os passos eram rápidos e ela sentia sua respiração dificultada se acentuar.

– Droga – praguejou depois de um fungo, apertando o abraço em seu entorno.

Ela não queria chorar e nem iria.

Queria correr para longe do homem e era o que iria fazer se Sasuke não tivesse segurado seu braço esquerdo.

Ela tentou puxar o braço sem encará-lo, mas se sentia fraca.

Fraca de tudo e de todos.

– O que a Ino te disse? – A voz saiu baixa, fria e cortante como o vento gélido de um inverno sem piedade.

Lentamente o olhar esmeraldino desistente encontrou os firmes negros que pareciam prontos para matar e que não desistiriam até ter sua resposta.

– Cuidados que eu devo ter durante a gestação – arriscou com um sorriso fraco em deboche, antes de abaixar o olhar para o chão alvo do hospital.

Sakura ouvia o trânsito distante de médicos e pacientes, mas tudo o que sentia era a aproximação do grande corpo do seu e o aperto em seu braço.

– O que a Ino te disse? – Repetiu impassível.

Sakura suspirou em desistência, levantando o olhar cansado para os negros.

– O mesmo que todo mundo. Que você não é bom e que a melhor escolha que eu posso fazer é ficar longe de você – a voz saiu cansada, mas Sakura pode ver a reação ao que havia dito.

O maxilar trincou e um brilho de raiva apareceu no olhar fixo no seu.

Sakura conseguia ver o que dava medo nos outros. Conseguia sentir o manto espesso e negro que rondava o Uchiha em associação ao olhar sanguinário, que quando ativo, tinha a mesma coloração carmim do sangue de seus inimigos.

Aquilo poderia dar medo nela e em certos momentos tinha receio como havia tido quando ele agarrou o pescoço de Ino, mas no fundo, lá no fundo existia algo que ela sabia que era o motivo dela não partir daquele apartamento, existia...

Aquele olhar.

O olhar inocente e perdido. O olhar que ela sempre via quando ele acordava de um pesadelo e visualizava a mulher à sua frente.

Sakura sentia compaixão toda vez que o via daquela forma, uma forma que ela havia conhecido há tantos anos.

Quando ela via os negros fixos em si, perdidos e encontrando conforto só quando ela o acolhia em seus braços, ela não conseguia visualizar o shinobe sanguinário e sem causa que todos temiam...

Ela só via o Sasuke.

Mas naquele momento, naquele corredor de hospital, não havia um olhar perdido, só havia raiva e daquele Sasuke, ela poderia temer, mas sabia que ele era necessário para proteger sua filha se alguém viesse machucá-la ou tirá-la de si.

– Ela disse mais alguma coisa? – A raiva era palpável pelo arrastar das palavras.

– Que a casa dela está a minha disposição.

A mulher viu a surpresa tomar conta do homem.

– Ah, Sasuke, não faça essa cara – falou entediada, sentindo suas forças retornarem. – Você sabe muito bem que eles desejam que eu saia da sua casa, nada mais justo que me ofereçam uma nova oportunidade de abrigo – deu de ombros, desvencilhando do aperto em seu braço.

– Você vai?

– Não é a primeira vez que me oferecem algo do tipo – ergueu a cabeça, encarando o rosto perigoso sobre o seu.

– Não foi isso que eu perguntei.

– Não foi a primeira vez que eu neguei – falou simplesmente antes de dar as costas para Sasuke sabendo que o deixaria confuso.

No início, ela se obrigava a acreditar que permanecia naquele apartamento apenas pela segurança de sua filha. Gritava dia após dia que aquele era o único motivo, mas os meses se passaram e ela finalmente se deu conta de que não era só pela filha...

Era por ele também.

Era por Sasuke. Pelos seus medos. Pelo seu filho. Pelo seu passado.

No fundo, ela queria saber quem ele era de verdade e se martirizava todos os dias por tal ideia.

Não se apaixone por ele.

Esse era seu eterno mantra, dito sempre e agora enquanto caminhava para a saída do hospital sendo seguida pelo homem de olhar profundo cravado em sua costa.

Era tentador olhar para trás, mas ela evitava olhando para frente, parando e voltando-se para trás, só quando o sol ameno e matinal os recobria.

– Você estragou a minha consulta e vai pagar por isso – cruzou os braços firmes, deixando um Uchiha confuso.

– Não tenho culpa se aquela loira precisa de uma lição e ela vai ter – o olhar perigoso retornou.

– Você não vai machucar a Ino – apontou um dedo para o homem prevendo suas ideias sanguinárias.

– E por que não?

– Porque eu estou dizendo para não a machucar – voltou a cruzar os braços.

O sorriso de canto brotou nos lábios do moreno e Sakura sabia o que vinha a seguir.

Sasuke acabou com a distância entre ambos antes de apoiar sua mão esquerda sobre o ombro se Sakura e sussurrar ao pé de seu ouvido esquerdo:

– Você não manda em mim, Sakura.

Na verdade, é o que todos dizem que eu faço, sua língua coçou para dizer, mas se havia algo que tinha aprendido, é que não era batendo de frente que se domava o Uchiha, mas sim, usando a inteligência.

– Nunca disse isso – empurrou o peitoral do homem para que ele se afastasse de si. A proximidade era incômoda para a mulher.

– É o que deu a entender – falou com leve irritação na voz e ela sabia que era por causa dos constantes afastamentos que ela fazia quando ele se aproximava.

– Suposição sua, mas... – um sorriso zombeteiro brilhou nos lábios da mulher antes de soltar seu veneno – se é isso o que diz, devo supor que lá no fundo penses isso já que não citei nada do tipo. Então, caro Sasuke, eu mando em você? – Desafiou voltando a cruzar os braços em petulância.

Sasuke contorceu o rosto percebendo a inteligência da mulher, afinal, ele não poderia negar que era aquilo, uma das coisas que mais chamava sua atenção nela, mas nunca admitiria em voz alta.

– Ninguém manda em mim, muito menos uma coisinha como você.

– Ótimo – deu de ombros, sem se abalar com as ofensas. Ela sabia que ele dizia aquele tipo de coisa para intimidar seu oponente, mas Sakura conhecia muito bem aquele jogo. – Então devo supor que você não se importe comigo e logo não deve se importar com que Ino disse sobre ir para a casa dela. Logo, você não tem que dar lição nenhuma nela – finalizou a fala, dando as costas, voltando a andar em direção ao comércio que ficava a uma distância considerável do hospital.

– Não foi só sobre isso que ela falou. Ela me insultou também – Sasuke bradou seguindo-a, mas Sakura já esperava aquela reação.

O que o moreno não sabia é que ela tinha a resposta pronta na ponta da língua.

Um sorriso de canto apareceu no rosto angelical que encarou o homem raivoso por cima do ombro.

– Isso quer dizer que você se importa com o seu filho.

A surpresa foi instantânea e Sakura riu por dentro com as feições de Sasuke duelando para manter a seriedade e controle da conversa, mas antes que ele falasse algo, ela continuou:

– Afinal, ela falou sobre mim e sobre o seu filho – batucou pensativa o lábio inferior antes de provocar com um dar de ombros – ou filhos, vá saber se existem outros.

– Eu não me importo com nenhum de vocês dois – falou raivoso, completamente alterado por aquela conversa – e eu não tenho filhos! Só tive um!

O moreno contornou a mulher a passos firmes, deixando-a para trás.

Sakura apenas riu levemente, encarando a costa larga coberta pelo tecido negro que esbanjava o símbolo Uchiha, tendo como complemento os braços fortes e definidos que terminavam nos punhos raivosos e cerrados.

Ela sabia que havia ganho aquela discussão e por isso ele fugira de si. O moreno não sabia como rebater e a deixara para trás, mas o que ele não sabia é que aquela saída matinal só havia acabado de começar e se ele achava que os dois iriam para casa como ele queria, Sasuke estava muito enganado, pois a rosada faria compras e se ele gostava tanto de persegui-la, atrapalhando sua consulta, ela iria se vingar.

Sakura dobrou para a direita, sabendo que o homem que seguira reto iria voltar.

Despreocupadamente ela admirava as árvores frondosas sobre si, até ouvir um grito vindo da entrada do caminho:

– Ei, para onde pensa que você está indo?

Sakura fingiu desinteresse, olhando-o por cima do ombro, sem parar com os passos.

Sua Inner ria com a imagem do homem confuso e furioso consigo.

– Estou indo fazer compras ou acha que vou passar o resto da minha gravidez usando suas roupas? – Fingiu indignação por uma constatação tão óbvia. – Nos encontramos mais tarde em casa – voltou o olhar para o caminho, antes de rir baixo pelo praguejo do homem que correu em sua direção para alcança-la.

– Irritante!

***

A ruiva encarava o reflexo no espelho de corpo inteiro. Havia acordado há poucas horas e como sempre encarava a mulher que havia se tornado.

Suas roupas não eram belas ou caras. Era um vestido simples de usar em casa, mesmo assim, ela suspirava em pensar no caminho que sua vida havia tomado.

Desde o dia que o pequeno Uchiha chegara sorridente depois da aula dando a justificativa de seu sumiço na noite anterior, por ter dormido na casa do pai, Karin ficara pensativa sobre o assunto.

– A Haruno – a resposta de toda aquela mudança repentina era fácil de ser notada.

Afinal, todos em Konoha sabiam sobre a recente convivência dos dois e o filho que ambos esperavam.

Karin suspirou vendo a pequena lágrima rolar em seus olhos lembrando-se do fato de que agora o Uchiha tinha o que queria, ele tinha a mulher que sempre quis e um digno Uchiha de atenção.

Essa mulher não era ela e ninguém poderia ser, apenas a Haruno de cabelos rosas era dona daquele posto que ninguém era capaz de tirar.

A ruiva, detetora do talento de sentir o chakra das pessoas, conhecia muito bem como o Uchiha funcionava.

Desde que se instalaram em Konoha após a Guerra Ninja, Karin notava com interesse as oscilações que o chakra do moreno sofria.

De início ela não sabia o porquê, mas assim que certa vez, o antigo time Taka foi interrompido pela chegada de uma rosada sorridente e ofegante para dizer que a Godaime queria falar com os quatro, Karin percebeu o olhar negro, antes fixo em seu chá, prender-se na menina, ao mesmo tempo que seu chakra oscilava com força, sem ao menos o dono perceber o que ocorria em si.

O chakra de Sasuke ficava mais leve, a escuridão parecia ser banida do Uchiha quando o chakra brilhante e bondoso da Haruno se aproximava, mas voltava à escuridão quando esse se afastava e foi assim naquele dia, quando ela deu um adeus simplório e pôs-se a correr para longe do moreno que mirava com atenção aquela médica-nin.

Aquele chakra escuro parecia clarear à medida que o tempo passava, Karin não sabia o que ocorria entre eles naquela época, mas sabia que perderia fácil para a rosada se assim ela quisesse. Sasuke não admitia, mas sua existência dependia da Haruno. Ele tinha medo de se machucar, mas no fim, era aquela mulher que iluminava seus dias frios.

No entanto, toda a claridade que um dia tomou conta do chakra de Sasuke foi embora instantaneamente assim que a rosada partiu de Konoha.

O leve lilás que era seu chakra, tornou-se negro, mas frio e perigoso do que já estivera.

Não apenas ela, mas todos conseguiam sentir o poder e perigo que emanava de cada poro, de cada passo daquele homem, mas mesmo temerosa, Karin arriscou se aproximar dele, era sua única chance de ter aquele homem finalmente para si, já que a única que poderia tê-lo com um estalar de dedos, não se encontrava mais entre eles.

No entanto, ela foi humilhada de todas as formas possíveis quando ela foi até aquele bordel para dizer que estava grávida.

Ele disse que era para ela abortar, não queria nenhuma ligação com ela e aquilo não significava nada para si.

Desesperada e humilhada, ela quis fazer ele sofrer e por fim cuspiu a verdade que ele negaria:

"Aposto que se fosse filho daquelazinha de cabelo rosa, você não a trataria assim".

O tapa e o berro para nunca mais citar aquela mulher em conjunto ao manto negro, foram a prova para Karin do quanto Sakura significava para ele e nem a sua intenção de ajuda-lo e assim poder dar a restauração do clã que ele tanto almejava no passado, poderia alcança-lo, pois nem suas ambições o alcançavam.

Não era uma questão de restaurar ou formar uma família, mas sim de quem seria a Senhora Uchiha.

Não era pelos filhos que poderia ter, mas os filhos que ele queria ter com a única mulher que em sua mente seria a mãe de seus filhos, dona de seu coração sofrido e sua amante de todas as noites.

A única era Sakura.

E com essa constatação, Karin saiu correndo daquele bar ao som das risadas de bêbados e prostitutas.

O que ela faria com uma criança renegada pelo próprio pai? O que ela faria com uma criança que a lembrasse dia após dia o ser que a humilhara?

Ela se perguntava continuamente durante as doses de Sakê em um bar qualquer.

Ela odiou Sasuke. Odiou Sakura. E passou a odiar aquele ser que crescia dentro de si.

Não queria nada de Sasuke, não queria nenhuma parte de si, não queria aquela criança e por isso, durante uma noite chuvosa em seu pequeno apartamento no centro de Konoha, Karin engoliu os abortivos misturados a medicamentos e álcool.

No fim, a escuridão a abraçou e tudo o que ela se lembrava era de braços a envolvendo, um chamado desconexo e distante e o som de um BIP.

Dias depois ela reabriu os olhos, era tudo branco e a agulha em seu braço, era a certeza de que estava no hospital.

Ao explorar o ambiente, encontrou o azulado empoleirado em uma poltrona próxima de sua cama.

O Hozuki dormia um sono profundo. Seu corpo estava ajustado em uma posição desconfortável.

Karin praguejou por aquela presença que a irritava, mas seus olhos avermelhados desviaram para o loiro de olhos azuis que adentrava silenciosamente pela porta.

Ela sabia que aquele era o famoso Uzumaki Naruto, mas nunca havia sequer trocado um par de palavras com ele, tendo em comum, apenas o sobrenome.

O loiro esbanjava um sorriso gentil enquanto se aproximava pelo lado oposto de Suigetsu, mesmo assim, Karin percebia a preocupação e cansaço do mesmo.

– Oi – falou baixo para não acordar o azulado, o que Karin achou estranho, pois sempre via o loiro conversar aos gritos com os amigos.

A ruiva apenas assentiu, pois sentia a boca seca.

– Você deu um grande susto – riu constrangido, coçando a nuca – mas agora está tudo bem – sorriu confiante.

– O que aconteceu? – Perguntou com dificuldades e Naruto entendeu a sensação de sede.

Pegou um copo plástico que estava no criado mudo e deu para ela beber antes de explicar.

– Suigetsu foi visita-la, ele e Juugo estavam preocupados com o seu afastamento repentino e por isso ele foi verificar se estava tudo bem – Karin franziu o cenho com a ideia de Suigetsu preocupado com ela, ideia bem aplicada a Juugo, mas não ao outro. – Ele a encontrou desmaiada com várias garrafas de Sakê e pílulas ao redor. Ficou desesperado e a trouxe para Tsunade-obaachan. Ela conseguiu salvá-la da eminente overdose. Desde então, ele não saiu do seu lado – sorriu feliz e Karin estranhou alguém ter ficado feliz com o fato dela ter sobrevivido. Durante toda a sua vida, apenas a mandavam servir, sem esperar mais nada ou dar algo em troca. – E... – a ruiva percebeu o nervosismo do homem – você pode ficar tranquila que o bebê também está bem – aquela constatação foi um nocaute na mulher que começou a derramar lágrimas.

– Essa coisa ainda está viva dentro de mim? – Perguntou com desgosto o que pegou Naruto de surpresa. O loiro não esperava aquela reação de uma mulher grávida.

– Coisa? – Murmurou debilmente sem saber o que dizer. – É... é só uma criança inocente, Karin.

– Uma criança que eu não quero – cuspiu com raiva, só então Naruto sentiu nas palavras proferidas por ela, toda a raiva e dor contida na ruiva que era do seu sangue.

O Uzumaki sentiu o sangue ferver imaginando o porquê dela está daquela forma.

– Esse filho – começou em um sussurro, controlando a raiva em seus punhos fechados. A unha penetrava a carne como uma maneira de se acalmar – é do Sasuke?

Karin ficou surpresa com a pergunta repentina, mas não podia visualizar os olhos azuis recobertos pelas sombras do olhar baixo.

A dor logo voltou a assolar devido às humilhações sofridas e tudo o que o moreno havia lhe dito.

Nenhum apoio havia chegado à mulher tão acostumada com a dor e solidão, mesmo assim, a dor não era diminuída, apenas aumentada em conjunto a raiva e nojo pelo que ela carregava.

– É – respondeu apertando o lençol contra si.

– Eu sabia – ouviu uma voz masculina e baixa atrás de si.

Karin voltou-se rapidamente para o Hozuki, mas não encontrou o olhar sobre si, na verdade, ele não olhava para ninguém.

Os roxos estavam voltados para a paisagem além da janela, mas assim que eles caíram sobre si, a seriedade a assustou. Uma expressão tão atípica daquele homem em conjunto a profundidade do olhar, era uma incógnita para a Uzumaki.

– Vamos dar um jeito em tudo – disse simplesmente, antes de deixar pela primeira vez aquele quarto desde que ela foi posta ali.

A gravidez era de risco. Os descuidos no início resultaram em problemas durante todo andamento.

No fundo, Karin pedia que a cada nova ameaça de aborto a criança não aguentasse, mas como um carma e um milagre que até mesmo a Hokage se surpreendia, a criança sobrevivia.

Suigetsu e Naruto se tornaram presenças constantes nos dias da grávida, principalmente o primeiro, pois o segundo estava casado com uma mulher grávida.

O Hozuki estava lá o tempo todo sem Karin entender o porquê daquilo. Ele não dizia nada, mantinha a expressão séria e a ajudava em tudo sem nunca reclamar, mas Karin reclamava e brigava com ele mandando-o embora, mas o azulado continuava ao seu lado.

No entanto, apesar de todos os cuidados, o parto foi prematuro. Nisuke nasceu aos sete meses de gravidez. Karin não teve nem coragem de olhar para o filho ou pegá-lo no colo, enquanto ainda estava na sala de parto, onde uma cesária foi feita de emergência.

Ela não queria se aproximar da criança e o único ser que permanecia ao seu lado e em silêncio, sem criticá-la, era o azulado que ela se acostumou com a presença próxima a si.

Ele lhe dava atenção e permanecia ali mesmo em suas crises e gritos dizendo que não ia ficar com a criança.

Nem o próprio pai havia ido ver o filho, mas Suigetsu estava ali por ela.

Quando a Hokage a obrigou a ficar com a criança que ela não queria com a ameaça de prendê-la por abandono de incapaz, foi o Hozuki que deu a palavra final dizendo que ela ficaria com ele.

A criança que misteriosamente foi denominada como Nisuke pela Hokage – nome aceito sem resistência da mãe, já que ela não enxergava significado nenhum nele e era assim que ela via aquele ser – foi levado pelo azulado para a casa da Uzumaki, meses depois com o diagnóstico que seria uma criança doente.

Karin não foi capaz de produzir leite ou amor, pois toda vez que olhava para a criança se lembrava da raiva pelo pai e tudo que havia passado.

O azulado com a ajuda de Naruto, por outro lado, ajudou no crescimento da criança, mas não era como um pai e uma mãe fariam pelo filho.

Assim que Nisuke pode andar com as próprias pernas e a mãe finalmente aceitou ser cuidada pelo Hozuki, ele foi deixado de lado e novas crianças chegaram a residência dos Hozuki.

Suigetsu e Naruto davam atenção quando dava para o moreno solitário, o azulado era como um tio para o menino, mas as responsabilidades na ANBU, com a mulher e com seus filhos, o impediam de dar mais atenção ao garoto.

A mãe, por outro lado, permaneceu da mesma forma em relação a ele...

Agora ela estava ali, parada no espelho, relembrando do chakra alterando-se novamente com o retorno da mulher de cabelos rosas.

Karin sentiu inveja ao ver a bela mulher que ela se tornara e como esperava, o moreno, que ela aprendeu a ignorar e manter a distância, reagiu como a ruiva esperava.

Como um cachorrinho reencontrando o seu dono, ele a perseguiu e seu chakra oscilava com força ao vê-la.

Durante a inauguração do novo Ichiraku Ramen, ela presenciou de camarote toda a confusão que aquele chakra se tornou. A raiva, o ciúme, a incerteza e o fora, faziam de seu chakra uma aquarela instável, mas que se iluminava.

Karin não negava, se sentiu vingada ao ver o desespero interno daquele homem que se dizia superior.

Agradeceu internamente à Sakura por fazer aquilo com ele e esperava que ela fizesse mais.

– Karin – uma voz chamou a sua atenção para a porta do quarto. Era seu marido a olhando de forma curiosa. Estava em seu dia de folga e por isso usava roupas civis – vai demorar muito? Não era você que queria ir comprar ervas no comércio?

– Ah sim – sorriu para o marido, olhando ao seu redor. – Ficarei pronta em cinco segundos – frisou pegando suas roupas sobre a cama.

O marido assentiu antes de deixar sua esposa sozinha para que assim ficasse mais confortável para se arrumar, enquanto ele brincava com os dois filhos menores.

Rapidamente, Karin ficou pronta usando uma calça escura e uma camisa branca de botões, pegou a mão do mais velho das duas crianças, enquanto o marido segurava em seus braços, o caçula da família.

As crianças eram travessas e não paravam de falar com os pais, principalmente com o pai, enquanto a mãe ria extasiada com aquele momento em família.

Pararam em algumas mercearias, antes de perceberem uma agitação incomum entre as mulheres de várias idades, em uma das ruas de terra batida.

– Okaa-san, o que está acontecendo? – Perguntou sua menina, puxando sua mão.

– Eu não sei, princesa – respondeu encarando confusa o marido que compartilhava do mesmo sentimento.

Andaram alguns passos, até o Hozuki estancar no lugar exclamando surpreso:

– Sasuke!?

Karin parou de andar, encontrando o moreno emburrado de braços cruzados sob a cobertura de uma loja de crianças.

– Hn – respondeu apático tentando ignorar aquelas presenças.

A ruiva sentia a raiva emanar do chakra daquele homem e riu internamente ao compreender sua raiva devido às inúmeras sacolas aos seus pés.

Olhou ao redor vendo o rosto corado das mulheres. Elas estavam encantadas por aquele homem belo e possivelmente acompanhando a mulher grávida às compras.

Karin bufou com a hipocrisia de se esquecerem de que há poucos meses, esse mesmo homem estava se engraçando com pelo menos uma mulher por noite sem se dar ao trabalho de se lembrar do nome delas depois de se satisfazer.

– O que você está fazendo aqui? – Perguntou o marido se aproximando e Karin amaldiçoou Suigetsu por obriga-la a se aproximar dele em silêncio.

– Nada de interessante – virou o rosto, apertando os braços nus e expostos.

Karin daria por encerrada a discussão, mas notou o rosto do moreno voltando-se rapidamente para a porta do estabelecimento quando o sino tocou.

De lá saia uma rosada satisfeita e grávida com uma pequena sacola em mãos.

Karin sentiu a áurea oscilando mais uma vez com força e a única coisa que ela pensava era o quanto ele era cego para não perceber o poder que a Haruno tinha sobre si.

Ela cantarolava algo, tentando inutilmente prender o cabelo em um coque baixo, mas a sacola dificultava o processo. No entanto, o que surpreendeu aos Hozuki, foi a mão estendida do Uchiha para a mulher. O rosto era sério e sem emoções, mas a rosada pareceu entender entregando a sacola com um sorriso gentil e sem graça, voltando a finalizar a tarefa de prender as madeixas rosadas, só então notando a presença dos quatro que olhavam para si.

– Suigetsu! Karin! Que bom ver vocês aqui – sorriu largamente, mesmo ouvindo o resmungo entediado do homem atrás de si.

– Ah, só estamos de passagem – falou a ruiva.

– Entendo.

– Otou-san – chamou o pequeno no colo do azulado – ela tem cabelo rosa.

Sakura riu com o encantamento da criança com o seu cabelo, sem perceber que um olhar negro observava cada um de seus movimentos, enquanto interagia com as crianças, mas Karin notou o olhar como se estivesse perdido em pensamentos desconhecidos pelos demais, mas que ela apostava ter relação com a rosada e a palavra crianças.

– O seu ruivo também é muito bonito – elogiou a mulher para a criança que parecia tentada a puxar os fios róseos.

– Ah! – Exclamou o azulado se lembrando de algo. – Ficamos sabendo sobre a criança – o rosto de Sakura corou com a mudança abrupta e pelo passado dos seres ao seu redor, mesmo sabendo das boas intenções deles. – Parabéns pelo filho Sasuke e Sakura!

– Obrigada – agradeceu sem graça.

Karin se sentia incomodada, assim como Sasuke, mas não demonstraria em público.

– Já sabem o sexo da criança? – Perguntou casualmente a ruiva.

– Heh – o riso baixo chamou atenção de todos. – Adoraria ver a Sakura responder isso para vocês – direcionou o olhar negro para mulher que lhe devolvia um raivoso.

– Não liguem para ele – balançou a mão casualmente – está com raiva porque hoje, durante o ultrassom, eu disse que não queria saber o sexo da criança. Ele quase teve um surto e está com raiva até agora porque descobriremos só na hora do parto – sorriu satisfeita e Karin ficou surpresa com a revelação, mas ao mesmo tempo satisfeita por vê-lo sofrendo com mínimas coisas.

Suigetsu riu alto, o que fez Sasuke pegar as sacolas e começar a andar.

– Vamos Sakura, estou cansado e por hoje chega de compras! Você já tem roupa o suficiente para a gravidez sendo que nem era necessário isso.

– Eu já disse que eu não quero ter que ficar usando suas roupas – reclamou a rosada, acenando em despedida para a família, para alcançar o moreno já distante.

– Tsc.

– Aliás, eu comprei um sapatinho lindo para o bebê – falou animada, enquanto os dois Hozuki assistiam a cena divertida.

– Como conseguiu comprar se não sabe nem o sexo?

– Ah! De novo esse assunto, Sasuke?

As vozes ficaram baixas e inaudíveis para a ruiva e o azulado, mas eles sabiam que aquela discussão seria longa.

Logo os quatro voltaram aos seus afazeres, mas enquanto o patriarca da família se ocupava com as crianças em uma loja, Karin caminhou até um beco onde avistou a loira Yamanaka acenando para si.

Elas não eram amigas próximas, por isso Karin estranhara aquele chamado repentino.

– Algum problema?

– Karin, eu sei que você não gosta de falar sobre o assunto, mas eu preciso perguntar porque estou preocupada com uma amiga.

Karin estreitou os olhos sentindo a verdade e os leves tremores no chakra da loira.

– Sakura? – Supôs, não se surpreendendo com o assenti positivo. Ela sabia que todos estavam preocupados com a estranha aproximação dos dois. – O que você quer saber?

– Duas coisas. Primeiro, eu sei que você tem a capacidade de sentir o chakra das pessoas... o que você sentiu quando estava perto do Sasuke?

– Escuridão, trevas, morte, pensamentos ruins...

A loira suspirou desolada.

– Mas quando ele está perto da Sakura – continuou chamando a atenção de Ino – tudo vira uma bagunça e o chakra fica mais leve e bom, mesmo assim, ele ainda está preso às trevas. Isso já é algo inerente a ele.

– Isso significa perigo, não é? – Perguntou desejando que a resposta fosse negativa, porém, Karin assentiu de maneira afirmativa.

– Já posso ir?

– Eu queria saber mais uma coisa, só se você quiser responde é claro – frisou e Karin sentia que seria algo pessoal. – No passado, quando você se deitou com o Uchiha, ele por acaso sussurrou o nome dela? – Arriscou e a incredulidade assolou o rosto da ruiva.

– Por que você está me perguntando isso?

Ino inspirou procurando as palavras certas para falar sobre aquilo.

– Não é nenhum segredo que eu já fui uma das tolas encantadas por ele que só conseguiram uma transa – Karin assentiu. – Ele gemeu o nome dela diversas vezes durante o ato e bom... depois que ele voltou e começou a se aproximar da Sakura, fiquei preocupada com as intenções dele e resolvi investigar. Todas as mulheres que eu perguntei disseram a mesma coisa, que ele quase não reage, mas quando ele fecha os olhos, ele geme chamando a Sakura, mas isso ocorre mais quando ele está alterado pelo álcool.

Karin arregalou os olhos vendo o quão fundo era aquela devoção do moreno pela rosada.

O tolo homem não admitia, mas era completamente submisso e dependente dela. Em tudo e em todas, ele procurava por ela. Pela rosada.

– Então... – incentivou a loira.

– Não. A resposta é não – admitiu a ruiva surpreendendo a loira que esperava uma resposta semelhante à das outras mulheres, mas a continuidade foi uma surpresa sem volta. – Ele não gemeu o nome dela, ele gritou diversas vezes que a amava. Ele estava completamente fora de si. Era o dia do casamento dela e ele estava verdadeiramente bêbado, chegando ao ponto de não se lembrar de nada do que ocorrera naquela noite.

Ino se assustou com a revelação, mesmo já suspeitando dos sentimentos do moreno pela amiga, tendo a plena certeza que as mudanças ao longo dos anos ocorreram por causa da partida dela.

– Foi por isso que ele se descuidou na prevenção – continuou a ruiva em um sussurro, deixando Ino confusa.

– Desculpa, não entendi.

Os vermelhos de Karin ergueram-se duro para a loira, antes de admitir parte de seu passado:

– Ele achava que eu era a Sakura.

– Pensava que estava restaurando o clã e se declarando para a mulher que no fundo ele amava e nunca esqueceu, para a mulher que estava indo embora no mesmo dia – completou debilmente a loira, em choque com a situação, entendendo o que havia ocorrido naquele dia.

– Exatamente – concordou a ruiva.

– Se ele descobri o que você foi capaz de fazer no passado Karin...

– Eu sei – suspirou pondo as mãos no bolso – se ele souber a história toda do que aconteceu naquele dia, eu estou morta...

***

– Nunca mais faça isso – vociferei, jogando-me sobre o sofá assim que atravessamos a porta.

Deixei as sacolas de qualquer jeito, sentindo a humilhação se instaurar em mim devido às horas de passeio sem fim pelo comércio, enquanto tolas mulheres olhavam-me com expectativa e desejo, com a falsa ideia de que estava sendo um “noivo” atencioso com a mulher grávida do meu filho.

– Eu não pedi para me seguir – cantarolou olhando a correspondência que havia chegado, sentando-se, no processo, na poltrona.

Virei meu rosto o suficiente para ver o semblante confiante e atento da mulher para a correspondência.

Quando foi que eu comecei a deixar ela mexer na minha correspondência sem a minha permissão?

Suspirei.

Quer saber? Que seja. Voltei a afundar meu rosto no estofado.

– Aliás, deveria me agradecer. Estou melhorando sua reputação entre as mulheres de Konoha – riu pelo meu desgosto, assim que levantei meu tronco para encará-la. – Ah... qual é!? Quem sabe assim você não consegue um casamento decente depois que tudo isso acabar – voltou a encarar a correspondência com interesse.

– Não quero me casar – frisei. – Não ligo para essas futilidades que o Naruto sempre tentou me convencer de fazer.

– Tem seu lado bom e ruim no final das contas – deu de ombros sem me encarar.

– Prefiro evitar o ruim – joguei-me novamente no sofá, encarando o teto. – Prefiro evitar uma esposa fútil, crianças choronas e saídas desnecessárias para compras no comércio.

Sakura riu espontaneamente.

– Que imaginação fértil e pessimista.

– É apenas uma análise criteriosa do que eu vejo ocorrer.

– Você literalmente não sabe qual o lado bom.

– Diga-me então – voltei meu olhar para ela – já que você sabe tanto sobre o "lado bom" do casamento – debochei sabendo que o dela não foi o casamento perfeito.

– Apesar de tudo, o casamento é bom devido ao companheirismo entre o homem e a mulher, a confiança e os momentos de intimidade familiar regadas a coisas simples. O café da manhã com todos reunidos ou as brincadeiras com as crianças travessas. Pode parecer nada aos olhos externos, mas quando se vive, pode ser a melhor coisa do mundo – seus olhos brilhavam enquanto retratava um casamento.

– Você pretende se casar novamente? – Peguei-me perguntando.

Sakura ponderou por um momento, aconchegando-se no encosto da poltrona.

– Por enquanto não... quero me dedicar aos meus filhos, mas quem sabe no futuro eu finalmente possa contrair um matrimônio calmo até o fim da minha vida – sorriu esperançosa. – Claro que será bem mais complicado de arranjar alguém que aceite uma mulher vivida e com dois filhos nas costas, mas a esperança é a última que morre, não é Sasuke!?

– Hn.

Voltei a olhar novamente para o teto, pensando no que ela havia acabado de relatar.

Era claro que Sakura conseguiria fácil um novo casamento. Bons partidos estariam a postos para cortejá-la quando a verdade fosse à tona, mesmo assim...

Era estranho vê-la novamente casada e distante, principalmente, depois de tudo!

Minhas divagações morreram, assim que um suspiro desolado da mulher chegou em meus ouvidos.

Voltei meu olhar para a mulher e sabia que as notícias não eram boas.

Os verdes se encontraram com os meus antes dela dizer:

– O convite para o Baile dos Kages chegou e nós dois fomos convidados – suspirou balançando os convites. – Prepare-se, vamos nos reencontrar com o Hiroto aqui em Konoha...

***

O homem encarava o convite com certo interesse.

Quanto tempo fazia que não via sua adorável Haruno?

Tanto tempo que ele não aguentava mais.

As notícias de que estava grávida e vivendo com o Uchiha atormentavam o Tsuchikage que não via a hora de arranjar uma desculpa para ir para Konoha e ver tudo com seus próprios olhos.

Contratempos em Iwagakure o distraíram naquele meio tempo, mas nada tirava a rosada de sua mente.

Ele estava ansioso e sabia que ela estaria no Baile da mesma forma que frequentara naqueles últimos anos como a mulher de seu primo.

Agora ela estaria mais uma vez como uma das anfitriãs, só que agora, representando Konoha e ele seria o convidado.

Os planos e a mente inconstante trabalhava com as possibilidades, mas apenas uma certeza permeava pela mente daquele homem:

– Nos veremos em breve minha doce e amada flor de cerejeira.

Continua...

Notas finais
Alguém aí já havia notado a semelhança entre os casais SasuSaku e SuiKa nessa fic? hehehehe Buguei a cabecinha de vocês de novo com essas novas revelações sobre Karin, Sakura, Ino e Sasuke hehehe Podem ficar tranquilos que retornarei a falar sobre o que Karin fez de tão errado no passado, pois essa parte não ficou totalmente explícita, mas que dá para vocês começarem a divagarem sobre o assunto! Ino realmente está preocupada com a amiga e não confia no Sasuke (frisando, caso alguém imagine que ela está tentando pegar o Sasuke para si ou algo do tipo. Não! Ela ama o Sai e não quer ver Sakura sofrer pelo Sasuke como ocorria no passado!). Outra coisa... comecei a mostrar os sentimentos da Sakura né hahaha relaxem, vou voltar para eles no futuro! O próximo capítulo é sobre o Baile e teremos o reencontro desses três seres hehehe O que será que vai acontecer nessa noite? (Carinha de quem vai aprontar!) Beijos gente! Até a próxima lindos! Espero ter a oportunidade de ler a opinião de vocês ^^ Nova one SasuSaku postada! Entre Páginas: https://fanfiction.com.br/historia/657479/EntrePaginas/