A Filha da Minha Melhor Amiga

28 A verdade por trás de uma morte


Notas iniciais
GOMEEEEENNNN! Uau desapareci dessa fic O.o Mas acabei de voltar hehehehe Fiquei ocupada com um novo projeto esses tempos que é uma fic em andamento para o desafio Nyah! Vou deixar o link nas notas finais! Muito obrigada pelos reviews gente! Todos muito lindos! Bem vindo novos acompanhamentos! Muito obrigada aos que favoritaram! Sobre o capítulo de hoje hehehe Teremos mais um flash back! Agora vai ser sobre algo que muitos já me indagaram pelos comentários, mas ninguém acertou em como aconteceu! É isso gente divirtam-se...

– Sakura! – Chamei arfante abrindo em um rompante a porta do quarto de hóspedes, mas paralisei assim que eu vi o corpo da mulher apenas se remexer um pouco para logo voltar a dormir de maneira sossegada.

Praguejei baixo percebendo que ela estava cansada e precisava descansar, mas a curiosidade e preocupação me corroíam por dentro devido àquele estranho bilhete deixado por ela dentro do convite de casamento há oito anos atrás.

Passei as mãos pelo meu rosto antes de bufar irritado por não poder simplesmente agarrá-la e pedir as respostas que eu tanto queria sem botar em risco a vida dela e da criança.

Revirei os olhos caminhando em círculos no pequeno corredor dos quartos.

– Tsc, só tem uma coisa que eu posso fazer – murmurei voltando a encarar Sakura enquanto apoiava minhas mãos nas laterais da entrada do quarto.

Fechei a porta silenciosamente e caminhei para a cozinha a fim de deixar um bilhete de aviso.

"Tive que resolver alguns assuntos no Centro ANBU, volto assim que puder.

Mina, não acorde sua mãe e não ataque todos os dangos, você sabe como ela fica quando eles acabam...

Uchiha Sasuke."

Ri um pouco de canto assim que terminei de escrever o bilhete imaginando a cara de raiva que Sakura faria caso lesse antes de Mina, pois ela negava que virava uma fera quando não tinha doce e ela queria, no entanto, hoje, eu não estava afim de sair novamente tarde da noite para comprar suas vítimas de desejo.

Saí do apartamento e rapidamente me dirigir ao Centro ANBU para colher informações sobre o que eu tanto queria.

Se eu não poderia tê-las com Sakura, arranjaria outra maneira de tê-las!

– Sasuke-sama! – Surpreendeu-se Udon assim que eu entrei apressado na parte subterrânea do prédio ANBU. – O-o que o senhor está fazendo aqui? Pensava que ficaria em casa cuidando de sua mu-... quer dizer – pigarreou limpando a garganta – da Sakura-sama que está grávida.

Olhei de canto o moreno e meu fiel acompanhante, já que assim como Naruto cuidou de Konohamaru e Sakura de Moegi, no tempo em que estávamos todos em Konoha, eu fiquei com Udon.

Por mais que ele fosse confiável, o moreno não sabia da verdade e sempre se confundia pensando que Sakura era minha mulher e que estava grávida de um filho meu.

Suspirei de maneira discreta pensando em como seria complicado para desfazer o mal-entendido depois que a criança nascesse, mas não tínhamos culpa das conclusões precipitadas dos moradores de Konoha, mesmo que isso camuflasse a verdade de Hiroto.

Entrei em meu escritório e me joguei em minha cadeira encarando o moreno de óculos que ainda esperava alguma ordem minha.

– Udon, eu quero que você traga a ficha completa de Yoshito Nagashi e Haruno Sakura – falei sério apoiando meus cotovelos sobre a mesa. Encostei meus lábios em minhas mãos cruzadas estudando minuciosamente o rapaz que ficara pálido com a minha ordem.

– D-da Sa-Sakura-sama ta-também? – Gaguejou de maneira quase inaudível.

– Sim.

Ele fez menção de dizer algo, mas pareceu desistir indo atrás do que eu queria.

Passei as mãos pelo rosto preocupado com tudo o que estava acontecendo.

Se Sakura pediu ajuda, era porque havia algo de errado acontecendo.

E se ela colocou no convite de casamento...

Era porque ela não queria casar ou havia algo de errado com esse casamento!

Tantas perguntas e tão poucas respostas...

– Sasuke-sama! – Entrou afobado Udon despertando-me dos meus devaneios.

Levantei o olhar e vi o jovem com duas grandes pastas. Ele colocou as duas sobre a mesa antes que eu o dispensasse dizendo que eu queria ficar sozinho.

Dedilhei o tom envelhecido da pasta maior a minha esquerda. Abri ela e dei de encontro com a ficha de Sakura sobre a sua vida ninja.

Era realmente completa a ficha e quanto mais percorria as páginas, mais me impressionava com as missões que Sakura fez durante o tempo que ainda vivia em Konoha.

Não era à toa que ela é tão respeitada e conhecida, tanto em Konoha quanto em outros lugares.

Era estranho pensar que aquela garotinha irritante de 12 anos acabaria fazendo tantas coisas impressionantes sozinha.

Passei um bom tempo entretido lendo os relatórios que falavam sobre missões e até atendimentos médicos que só poucos de elite conseguiriam efetuar, mas franzi o cenho quando os relatórios tão detalhados e de pouco espaço de tempo acabaram quando ela tinha 19 anos e pulou para a nossa última missão.

– Cadê o restante? – Resmunguei revirando as folhas procurando as que faltavam e verificando se estavam apenas fora de lugar, mas não as encontrei.

Olhei a data do último relatório de quando ela tinha 19 anos e percebi que datava de três meses antes da data de seu casamento.

"Acredita que ele se machucava de propósito só para ir ao hospital ser atendido por mim e me ver?"

A voz de Sakura em nossa despedida voltou com força, fazendo-me perceber que as constantes consultas do ex dela não estavam registradas em sua ficha, mas se ela o consultou, então...

Por que não está registrado? Ou se registrou, cadê as folhas?

– Tsc! – Resmunguei alto bagunçando meus cabelos em frustração. Quanto mais perto eu chegava da verdade, mais longe eu ficava e mais dúvidas surgiam – Sakura, o que aconteceu realmente com você? – Sussurrei baixo e de olhos fechados, a pergunta que me fazia todas as horas.

Eu já estava ficando louco. As dúvidas cresciam cada vez mais e quanto mais eu descobria, mais preocupado eu ficava por medo de descobrir algo que eu não queira saber.

– Tsc, essas fichas foram tiradas daqui – resmunguei abrindo os meus olhos.

Fechei a ficha de Sakura e abri o de seu falecido marido.

Admito que demorei alguns segundos para tomar coragem para abrir, mas, por fim, meus orbes negros viram a imagem de seu ex-marido.

Sua imagem era séria, porém seus traços pareciam leves. Era um homem alto, quase da minha altura; sua pele era clara, porém bronzeada; seus cabelos eram castanhos muito escuros e rebeldes; mas o que mais me chamou atenção foram os olhos castanhos dourados tão idênticos aos de Mina.

Franzi o cenho confuso ao sentir a mesma sensação forte de dejá vù que eu senti na primeira vez em que eu vi Mina, logo após Sakura retornar à Konoha...

Esses olhos...

Larguei a foto assustado assim que eu percebi de onde conhecia esses olhos, de onde eu conhecia esse homem...

– Não, não, não... – pedia assustado para que minha lembrança estivesse errada, mas uma morte sempre é lembrada por alguém como eu...

Tudo ocorreu poucos dias antes do retorno da Haruno para a Konoha. Eu estava em uma missão no País da Grama. Era uma missão de espionagem, mas acabei encontrando um grupo da ANBU, que pelas suas vestes eram de Iwagakure. Eles me atacaram e eu revidei.

Nosso encontro ocorreu em uma pequena colina com poucas árvores em um dia nublado e com ventanias fortes.

Sorri de canto assim que visualizei os cinco ANBU caídos mortos. Nem ao menos tinham me cansado, mas apenas a imagem do sangue escorrendo pela lâmina afiada de minha katana, já era estonteante e prazeroso para alguém tão corrompido como eu.

– Desgraçado – uma voz masculina chamou a minha atenção, fazendo-me sorri mais abertamente de maneira cruel, assim que eu vi o homem ofegante com as mesmas vestes de ANBU que os outros.

– Tolo – desdenhei. – Você é um tolo por ter vindo atrás de seus "amigos" inúteis.

Mesmo com a máscara, eu sabia que ele estava tremendo de raiva.

– Uchiha Sasuke – cuspiu meu nome com desgosto.

Ergui uma sobrancelha em deboche, enquanto tirava a minha máscara, jogando-a em seguida aos meus pés.

– Pelo visto eu sou bem famoso – debochei sorrindo de canto.

– Claro, como eu não poderia reconhecer a vergonha da família Uchiha e principalmente de Konoha? – Trinquei os dentes e avancei com velocidade, com a intensão de calar a boca daquele infame.

– Vou fazer você aprender a falar direito comigo, lixo! – Murmurei mirando com velocidade a lâmina de minha katana em sua lateral esquerda, mas... – O quê? – Perguntei vendo a lâmina ser parada com facilidade pelo braço esquerdo do homem que estava transformado até os cotovelos em pedra.

Que tipo de jutsu era aquele?

– Como você estava dizendo mesmo? – Debochou tirando lentamente a máscara de cachorro, revelando os olhos de um tipo dourado que eu nunca havia visto igual antes. – Lixo? – Riu descrente. – Só consigo ver um lixo entre nós dois e tenho certeza que não sou eu – disse lentamente.

Meu sorriso se expandiu. Fazia tempo que alguém que não fosse Naruto me desafiava de tal maneira. Ninguém tinha a ousadia de dizer tais palavras para mim e permanecer vivo.

Nós dois saltamos para trás para mantermos distância.

– Em geral as pessoas me imploram para que eu tenha piedade de suas vidas quando me encontram...

– Isso adianta alguma coisa? – Debochou cruzando os braços, agora normais, em frente ao peito.

– Nenhum pouco.

– Então não será eu que você verá fazendo tal coisa.

– Senti uma ponta de raiva direcionada a mim? – Debochei inclinando a minha cabeça para a esquerda. – Qual é o problema? Comi a sua mulher e nem ao menos me lembro? – Vi o maxilar do homem trincar com força. – Ora, ora, ora. Agora entendo a sua raiva por mim. Parece que essa é a verdade. Como você soube? – Ele avançou com um soco de pedra em uma velocidade impressionante em direção ao meu rosto, mas eu desviei assim que ativei meu sharingan. – Ela murmurou meu nome com desejo durante a noite de vocês? – Provoquei sem dó com uma voz fria enquanto eu cortava o ar com a lâmina em direção à sua nuca, mas me desequilibrei assim que começou a abrir imensas fissuras pelo chão.

Pulei para longe, tentando entender o que estava acontecendo e me surpreendi ao ver o homem com o punho ainda encostado no chão, no centro das fissuras.

Franzi o cenho percebendo a força sobre humana que aquele Kekkei Genkai dava ao homem que podia transformar partes do corpo em pedra.

Foi inevitável impedir as lembranças de certa alguém que poderia destruir rochedos como esse homem e a lembrança não me alegrou em nada, apenas me fez ficar ainda mais frio e cruel, desejando o derramamento cada vez maior de sangue, principalmente do homem a minha frente que sorria satisfeito com a minha reação, enquanto se levantava e me encarava.

– Que foi? Se lembrou de algo que não te agradou?

Cerrei meus olhos escarlates para o homem, que riu em desdém com a minha reação.

– Pelo visto estou certo.

– Você não sabe de nada.

– Nenhum homem é invulnerável à mulher que preenche seus pensamentos.

Rir sem humor para a sentença do homem.

– Se você me conhece, deve saber a minha fama com as mulheres, deve saber também que nenhuma delas me interessa, são meros objetos de uso – falei sério fazendo o homem gargalhar alto antes de me encarar com um sorriso de canto e olhos brilhando em expectativa.

– Nem mesmo Haruno Sakura?

Arregalei os meus olhos em surpresa, ainda mais por não escutar aquele nome em voz alta a tantos anos, mas minha surpresa demorou milésimos de segundos, antes de trincar meus dentes e atacar o homem que continuava com o sorriso enquanto trocávamos golpes.

– Pelo visto você não é tão invulnerável assim – murmurou um tempo depois. – Como é não ter seu objeto de desejo? – Provocou.

Não respondi, apenas continuei desferindo golpes, cego pela minha própria fúria, há tanto tempo tão desacordada.

Enquanto eu desferia golpes de espada que ele conseguia bloquear ou escapar, ele desferia seus contínuos chutes e socos que com o sharingan, eu poderia prever e impedir que quebrassem todos os meus ossos caso ele conseguisse encostar em mim.

Fazia tempo que eu não encontrava alguém útil para lutar.

Mesmo que o homem fosse bom e até tenhamos levado algum tempo empatados com a luta – já que eu não desperdiçaria o meu rinnegan com alguém como ele, que eu jurava não ser digno de tal esforço meu – com o tempo, o homem de olhos dourados foi cansando e sua velocidade diminuindo, o que me deu a possibilidade de enfiar a minha espada envolta pelo chidori em seu coração ao mesmo tempo que um trovão retumbava sobre nós, iluminando o topo daquela colina.

O homem arregalou os olhos surpreso ao mesmo tempo em que eu sorria satisfeito sentindo os respingos de sangue acertarem meu rosto com força.

– Quem é o lixo agora? – Falei baixo tirando lentamente a lâmina de maneira torturante de seu corpo.

A dor, a agonia, o desespero... tudo estampado nos olhos do homem a minha frente e tudo aquilo fazia-me sentir cada vez mais prazer.

A maldita satisfação em ver a dor dos outros...

O corpo queimado e perfurado caiu com um baque surdo no chão, mas os olhos dourados, enfim desviaram dos meus, encarando algo sobre nós.

Segui seu olhar e perdi o ar ao encarar a cerejeira florida sobre nós no topo daquela colina.

Impossível, pensei ao perceber que naquela época, cerejeiras não davam flores.

A corrente de ar aumentou, fazendo as pétalas dançarem e caírem sobre nós dois como a chuva que estava se iniciando ao nosso redor.

– Mi-Mina – balbuciou o homem em seus últimos suspiros de vida. – De-Desculpe-me, mas terei que quebrar a minha promessa.

Apertei meu punho ao redor do cabo da minha katana ainda encarando a cascata rosa sobre mim.

A raiva se instaurou no meu ser ao sentir as pétalas cor de rosa acariciando o meu rosto como se falassem o quão patético eu sou.

Desviei meu olhar para a pétala que acariciou a minha bochecha direita – como se fosse uma carícia de tal mulher que tinha o mesmo nome daquelas flores – antes da pétala planar pelo ar em uma dança pura e parar sobre a superfície perfurada do homem em seu peito.

O rosa tingiu-se de vermelho.

O puro virou impuro.

A raiva tornou-se em dor.

A saudade tornou-se a muito tempo em remorso e revolta.

– Diga boa noite para sua querida Mina – minha voz saiu baixa e fria antes de perfurar novamente o homem no local em que aquela pétala estava.

Sem dó.

Sem piedade.

Apenas um assassino satisfazendo a sua vontade e reprimindo cada vez mais os sentimentos patéticos de um passado a muito abandonado.

Apenas um assassino absorto pelas trevas e longe de suas luzes.

Encarei novamente o retrato à minha frente sem acreditar no que eu tinha me recordado.

Meus cotovelos estavam apoiados na mesa, enquanto minhas mãos apoiavam a minha testa.

– Não, não, não – pedi novamente. – Eu não posso ser o assassino do marido da Sakura e ter matado o pai da Mina por puro prazer – tentava me convencer, sentindo o desespero tomar contar do meu ser. – NÃO! – Gritei me levantando e jogando todas as coisas sobre a mesa, no chão, em um golpe só. – Não – murmurei caindo de joelhos no chão.

***

– Já vai! – Ouvi a voz do loiro ressoar de dentro da casa. Passos pesados precederam a abertura abrupta da porta. – Teme! – Saudou-me com um sorriso largo assim que Naruto me viu.

Tentei dizer alguma coisa, mas eu não conseguia pronunciar nenhuma palavra.

Eu não sabia qual era o estado do meu semblante, mas sabia que era preocupante, pois até Naruto notou que tinha acontecido algo muito sério, pois seu sorriso desapareceu transformando a face em uma preocupada.

– Teme, aconteceu alguma coisa com a Sakura-chan? – Perguntou em um fio de voz.

Assim que eu ouvi o nome dela, não aguentei encarar os orbes azuis preocupados. Abaixei o olhar e encarei o chão de terra batida.

– TEME! – Gritou segurando os meus ombros. – O que aconteceu com a Sakura-chan?

Tirei as mãos dele de mim e dei as costas caminhando de cabeça baixa. Ele me entendia o suficiente para saber que deveria me seguir e foi o que ele fez.

Caminhou em silêncio ao meu lado até que nos sentarmos sobre a cabeça de pedra do pai de Naruto.

Ele me olhava com uma mistura de preocupação e ansiedade no olhar.

– Fui eu quem matou o marido da Sakura, Naruto.

O loiro ficou pálido e escancarou a boca em um perfeito "O". Minutos se passaram até que ele conseguisse proferir algo coerente.

– Não. Não foi você quem o matou, Sasuke – disse com uma tentativa falha de sorriso no rosto. – Não foi você não – murmurou como se tentasse se convencer disso. – Ele morreu em uma missão...

– Em uma missão em que ele me encontrou e que nós lutamos até que eu o matasse por capricho meu, porque é isso o que eu faço em todas as minhas missões. Eu mato!

O olhar do loiro caiu no chão. Ele passava as mãos pelos cabelos sem saber o que dizer e tentando entender o que eu dizia.

– Tem certeza? – Sussurrou.

– Sim – admiti.

– EU SEMPRE DISSE PARA VOCÊ PARAR COM A SUA MANIA ASSASSINA! AGORA OLHA A BURRADA QUE VOCÊ FEZ, TEME! – Vociferou entre os dentes afiados me segurando pela gola da camisa.

Os azuis agora estavam vermelhos como os olhos de Kurama.

– Eu sei – murmurei sem reação ao ataque dele.

Naruto se surpreendeu com o que eu disse e folgou mais o aperto na minha gola.

– Ela vai me odiar além do que ela já me odeia se souber. O pior é saber que tudo o que eu fiz foi errado e que a culpa dela ter ido embora e voltado é minha também. Mesmo não querendo, influenciei e manipulei a vida de Sakura.

– Do-Do que você está falando, Teme? – Sussurrou preocupado soltando-me completamente.

Com um suspiro iniciei a narrar tudo o que eu tinha descoberto hoje. Contei sobre o misterioso bilhete dentro do convite de casamento e sobre como eu matei o marido dela.

Naruto, por mais que eu não dissesse em voz alta, era o meu melhor amigo. A pessoa que eu mais confiava no mundo. Por mais que eu mantivesse só para mim muitos fatos da minha vida... ele era a única pessoa para quem eu contava algo se eu não pudesse suportar ela sozinha.

Não contei sobre minha noite com Sakura ou coisa parecida, apenas disse do convite e que eu matei. Fatos como a provocação do marido, eu pulei.

Por mais que confiasse em Naruto, eu não tinha coragem de expor algo do tipo que nem ao menos entendia direito o porquê de explodir tanto quando alguém falava dela.

– Por que você não abriu o convite de casamento naquela época? – Perguntou exasperado. – Poderíamos ter ido atrás e impedido tudo!

– Como eu ia saber que tinha algo de errado acontecendo? – Rebati.

– Ora, e por que então você guardou por tanto tempo um convite intocado e resolveu abrir justamente hoje?

– Eu nem me lembrava que ainda tinha esse convite, achei por acaso e resolvi abrir para ver o que era, foi aí que eu vi o bilhete e resolvi investigar – menti. Não diria essa verdade para ele. Só queria compartilhar o fato de haver algo de errado com essa história toda do passado.

Naruto puxou os fios loiros em frustração.

– Aconteceu algo de muito errado no passado – falou agoniado. – E eu não consigo entender o porquê da Sakura-chan ter deixado esse bilhete para você e não para Ino ou para mim – os azuis me olharam desconfiados.

Dei de ombros.

– Também não entendo.

– Será que ela acha que você leu o bilhete e não fez nada? – Perguntou preocupado, fazendo-me desviar o olhar para a vila.

– É bem possível, Dobe.

– Se ela acha isso, ela deve te odiar horrores por não a ter ajudado naquela época – murmurou.

– E você acha que eu não sei disso? – Fuzilei o Naruto que suspirou.

– Conversei com a Ino esses dias e ela está preocupada com o estado de saúde da Sakura. Disse que não é bom grandes estresses e...

– Eu sei disso Naruto – suspirei. – Temos que tentar descobrir a verdade de outra maneira ao invés de simplesmente perguntar para a Sakura, mas Ino e Kakashi não sabem de nada e os relatórios daquela época sumiram.

– Temos que achar esses relatórios – murmurou pensativo Naruto e eu assenti. – Mas Teme... – recomeçou me encarando com preocupação nos orbes azuis. – É melhor você voltar agora para a sua casa. Já anoiteceu e... por favor, não conte que você matou o marido dela. É melhor não contarmos isso por hora...

Concordei com um assenti.

– Depois nos falamos, Dobe – disse antes de pular em direção da vila.

Pulei sobre as casas sem prestar atenção nas coisas ao redor. Só sair de meus devaneios assim que cheguei em frente a porta do meu apartamento.

Estranhamente ouvi duas risadas femininas altas pela porta e pude reconhecer que eram de Sakura e Mina. Abri lentamente a porta e me deparei com a duas no chão rindo abertamente como se tivessem acabado de contar uma piada.

O que mais me surpreendeu na cena foi o bom humor de Sakura.

Quantos anos fazia que não escutava aquela risada?

– Tio Sasuke! – Gritou a pequena rosada enquanto pulava em meu colo tirando-me dos devaneios. Segurei ela antes que caísse no chão.

– O-oi – murmurei baixo sentindo-me mal ao encarar aqueles olhos castanhos dourados brilhantes de felicidade. – O que está acontecendo aqui? – Tentei disfarçar desviando o olhar para Sakura que estava quase totalmente deitada no chão, mas ela apoiava seu tronco nos cotovelos dobrados atrás de si.

– Ah, eu estava contando para a mamãe sobre meu dia na Academia Ninja e estávamos rindo das peripécias de Boruto – contou animada a menina no meu colo. Olhei de canto e percebi o quanto Sakura sorria gentil e verdadeiramente para a própria filha. Será que elas me perdoariam quando eu contasse que eu fui o assassino do homem que elas... amavam? –, mas isso é o de menos. Hoje aprendemos a usar kunais, mas eu não tenho muito talento para essas coisas – fez bico.

– Sua mãe também não tem muito talento para armas ninjas – comentei.

– Ei – protestou a rosada mais velha me dando um leve chute na canela.

– Eu pedi para a mamãe me ensinar, mas ela disse que não pode – falou emburrada.

– Você sabe que a sua mãe não pode se esforçar muito, Mina.

– Eu sei – disse com bico, mas logo sorriu largo rodeando meu pescoço como alguém que iria aprontar uma – mas aí eu lembrei do Tio Sasuke – me abraçou forte e Sakura bateu na própria testa. – Me ensina a atirar kunais, tio! – Pediu com uma voz manhosa.

Sakura torceu os lábios e me olhou como se pedisse desculpas pela filha. Lembrei-me que aquela era a primeira vez que a via depois do beijo que roubei, mas ela agia como se nada tivesse acontecido.

– Mina, seu tio é muito ocupado com os assuntos da ANBU, não acho uma boa ideia...

– Tudo bem, eu te ensino outro dia quando tiver tempo – interrompi a rosada com uma fala baixa.

Mina ficou eufórica batendo palminhas e me abraçando dizendo que eu era o "melhor tio do mundo", enquanto que Sakura apenas me encarava com o cenho franzido, mas logo seu semblante suavizou quando encarou a filha.

– Mina, você tem aula amanhã. Está na hora de você dormir. Seu tio também deve estar cansado – comentou sentando-se no chão.

– Ah mãe! – Protestou enquanto eu a colocava no chão.

– Nada de "Ah mãe!". Já para o quarto, mocinha – Mina saiu correndo para o quarto, logo depois de me desejar boa noite e depositar um beijo estalado na minha bochecha, fazendo-me sentir péssimo.

– Eu te ajudo – comentei ajudando a grávida a se levantar.

– Obrigada – agradeceu limpando a sujeira do vestido, mas logo voltando a me encarar com o semblante preocupado. – Você está estranho. Aconteceu alguma coisa?

– Não aconteceu nada – respondi tentando agir normalmente, mas como resposta, ela apenas me encarou com o cenho franzido.

Ela fez menção de dizer algo, mas o grito infantil chamando-a para ir para o quarto a impediu de me questionar.

Assim que ela virou de costa e deu dois passos, a rosada parou e olhou-me por cima do ombro.

– Eu sei que nunca disse isso, mas... – vi o perfil de um sorriso verdadeiro e idêntico ao que ela mostrava quando era uma adolescente. Um sorriso gentil – obrigada por tudo o que está fazendo por mim e pela minha filha.

Dizendo isso ela se afastou e entrou no quarto fechando a porta.

Fiquei paralisado, sem saber o que fazer até escutar a voz baixa de Sakura cantando uma cantiga de ninar para Mina.

Caminhei até a porta do quarto de hóspedes, mas não tive coragem de girar a maçaneta e entrar.

Cair de joelhos e encostei minha testa e minha mão direita na porta de madeira me perguntando:

Por que tudo o que eu faço dá errado?

***

O vento soprava contra o meu rosto fazendo meu cabelo rebelde seguir o ritmo que ele ditava.

O som das ondas se quebrando e de risos infantis faziam meus tímpanos retumbarem.

O cheiro floral e de mar duelavam pela minha atenção.

Você não me pega! Você não me pega! – Cantarolava Mina ao longe, fazendo-me abrir os olhos, sendo tomado pela intensidade da claridade da paisagem.

Pisquei três vezes até minha visão focar na praia deserta, que ficava abaixo do pequeno elevado de concreto onde eu estava sentado observando as três crianças que brincavam na areia.

Você não me pega! Você não me pega! – Cantarolou a rosada novamente enquanto corria, vestida com um vestido amarelo de alças, nas proximidades do mar.

Volta aqui! – Gritou Nisuke enquanto perseguia risonho sua amiga em uma brincadeira de pira-pega.

Ele vestia uma bermuda cinza e uma camiseta branca.

Mina gargalhava e olhava por cima do ombro vez ou outra para saber onde o moreno se encontrava.

Isso é um sonho?, perguntava-me encarando a cena tão real à minha frente, mas meus devaneios terminaram assim que encarei uma pequena criança – talvez de no máximo dois anos – sentada na areia observando as outras duas crianças que corriam.

Ele estava de costas para mim, por isso apenas conseguia ver o cabelo rebelde escuro e a blusa azul do garotinho.

Assustei-me assim que senti uma mão suave tocar a minha nuca, fazendo-me virar o rosto rapidamente para a mulher ao meu lado direito.

Que foi, querido? Eu te assustei? – Perguntou risonha a Sakura que vestia apenas um biquíni vermelho e um vestido transparente e curto por cima. – Está de olho nas crianças? – Desviou o olhar para os três e eu os encarei. – Sabe como eu me preocupo por deixá-los brincarem assim soltos na praia, mas você vive me contrariando dizendo que é para eles brincarem e blá blá blá...

Sakura ficou de joelhos ao meu lado e assim que a encarei, ela me beijou. Fiquei surpreso de início, mas logo correspondi sentindo como aquele beijo parecia real.

Segurei ela pela cintura e a sentei no meu colo, deixando suas pernas para o lado direito do meu corpo.

Em nenhum momento deixamos de nos beijar. Apenas quando o ar nos faltou, eu afastei meu rosto do da rosada que sorria gentilmente, ao mesmo tempo que contornava meu pescoço e acariciava minha bochecha com a sua mão esquerda.

Sorri de canto enquanto escutava ela proferir:

Eu te amo.

Eu ia responder, mas as risadas infantis chamaram a nossa atenção.

Nisuke havia conseguido derrubar Mina bem na frente do pequeno que ria da situação dela.

Nii-san! Não ria de mim! – Choramingava a rosada para o garotinho.

Ela se levantou com a ajuda de Nisuke antes de ambos ajudarem o garotinho a se levantar. Cada um pegou um bracinho do menino ajudando-o a andar enquanto vinham na nossa direção.

O ar fugiu dos meus pulmões assim que eu vi os olhos verdes do garotinho me encarando feliz.

Algum problema querido? Perguntou a rosada nos meus braços assim que apertei o abraço. Tentei responder, mas a única coisa que eu pensava era:

Uma criança de cabelos negros e olhos verdes?

Abri a minha boca novamente, mas as palavras não saíam.

Sakura – uma voz masculina chamou o nome dela atrás de mim e foi inevitável não congelar assim que vi o homem de olhos dourados nos encarando.

Voltei a olhar para Sakura e encontrei seu semblante incrédulo, enquanto que lágrimas se formavam em seus orbes.

Nagashi! – Chamou feliz antes de fugir dos meus braços e se jogar nos braços de outro.

Acordei ofegante. Sentei na cama sentindo o meu coração bater acelerado.

Ainda me lembrava de todos os detalhes do sonho estranho.

Diferente das outras noites, o meu sonho havia sido diferente e até de certa maneira mais dolorosa, na forma de dizer, você está sozinho.

Eu estava molhado de suor e resolvi me levantar para tomar uma ducha, mesmo ainda estando um pouco torpe.

Não sei quanto tempo demorei debaixo da água. Apenas as lembranças do sonho dominavam meus pensamentos.

Assim que saí do banheiro enxugando meus cabelos molhados na toalha, vestindo apenas uma calça de moletom, foi que eu notei a presença de outro alguém me observando na porta de saída do quarto.

Foi inevitável se lembrar do garotinho que nunca existiria, assim que via a rosada me encarando com o semblante preocupado.

Ignorei ela e abaixei meu olhar enquanto sentava de costas para ela em minha cama.

Continuei secando meus cabelos até que senti as mãos dela segurando as minhas. Entendendo a sua intenção eu deixei que ela secasse meus cabelos.

Suspirei baixo de olhos fechados enquanto sentia as carícias.

– Teve outro pesadelo? – Perguntou por fim.

– Hn.

Ela suspirou terminando de secá-los.

Jogou a toalha sobre a poltrona, antes de se ajoelhar na minha frente.

– Olhe para mim – não pude deixar de sorrir de canto ao ouvir o pedido que eu sempre fazia ser proferido por ela. Fiz o que ela pedia assim que senti suas mãos segurando meu rosto. – Se não quiser me dizer tudo bem, mas se quiser...

– Eu não quero falar sobre isso – interrompi.

As mãos dela caíram sobre as minhas pernas, assim como seu olhar para o chão.

– Tudo bem, é só que eu ouço os seus berros quase todas as noites e diferente de minha filha eu tenho sono leve. Só acho preocupante isso.

– Não se preocupe. Eu estou bem – sorri um pouco vendo que ela estava voltando a se preocupar comigo como antigamente.

Seu olhar levantou e sustentou o meu antes dela se levantar.

– Tudo bem, vou deixá-lo sozinho...

– Fica comigo – pedi sabendo que meus cabelos impediam sua visão para o meu olhar. – Eu sei que eu já fiz muita coisa errada contigo e que nunca deveria ter passado por cima de seu livre arbítrio como da última vez em que dormimos juntos. Eu me arrependo muito de tudo. Sei que eu não tenho o direito de te pedir nada, mas... – puxei o ar, antes de sussurrar – fica comigo. Só fica aqui comigo. Eu não quero ficar sozinho essa noite.

O silêncio imperou no cômodo, enquanto eu esperava alguma reação de Sakura que permaneceu imóvel na minha frente.

– Tudo bem – sussurrou.

Assenti antes de deitar de lado na minha cama. Sakura contornou a cama e se deitou de frente para mim.

Puxei o seu corpo para mais perto do meu, mas ela não protestou, apenas continuou encarando meus orbes negros enquanto a abraçava.

A mão direita incerta de Sakura percorreu pelo meu braço que a contornava antes de deslizar pela minha bochecha e se entrelaçar aos meus fios parcialmente molhados, em uma massagem contínua na minha nuca.

Soltei o ar em satisfação fazendo os fios rosados bagunçarem devido a nossa grande proximidade.

Assim que o carinho foi me acalmando, eu fechei meus olhos para voltar a dormir.

Apertei mais o meu abraço em torno dela e pedi em um sussurro:

– Sakura... – puxei o ar tomando coragem para admiti o que eu tanto queria – por favor, não me deixe.

As carícias congelaram por um momento e sentia a intensidade do olhar arregalado dos verdes sobre minha face parcialmente adormecida.

O cansaço foi tomando conta da minha consciência que se esvaia aos poucos.

Sem saber se era sonho ou realidade, eu senti os lábios dela encostarem aos meus em um beijo singelo.

– Não tenha medo. Eu não vou te deixar – sussurrou com os lábios roçando os meus. – Eu estarei aqui quando você acordar.

Continua...

Notas finais
Alguém suspeitava que tinha sido o Sasuke? O.o hehehe essa foi difícil hein! Mas me digam a opinião de você aí gente PRÓXIMO CAPÍTULO: O que aconteceu no DIA DO NASCIMENTO DO NISUKE? Sim, sim, sim. Nisuke será a vítima das lembranças de Sasuke no próximo capítulo ^^ Vou tentar postar antes do retorno das minhas aulas que é dia 17! Beijinhos gente até a próxima! NOVA FIC POSTADA [EM ANDAMENTO]: Desafio Nyah Julho/Agosto: Re/Desconfigurado: https://fanfiction.com.br/historia/630447/ReDesconfigurado/ Espero que leiam!