A Filha da Minha Melhor Amiga

23 A Filha da Minha Melhor Amiga


Notas iniciais
Eu tenho quase certeza que vocês devem estar imaginando os piores tipos de tortura para aplicar em mim e eu digo... Vocês tem razão! Gente, eu quase tive um infarto ontem ao verificar que vai fazer quase 2 meses que não há postagem de A Filha da Minha Melhor Amiga 'o' Um absurdo isso! Estou desde domingo escrevendo essa história (marginalizando os meus estudos da faculdade, tenho que admitir!), mas o capítulo ficou tão longo que vou quebrá-lo em dois! Ou seja, hoje teremos 2 capítulos de A Filha da Minha Melhor Amiga ^^ Perdão pelo sumiço, muitos problemas aconteceram e foram se sucedendo que eu perdi completamente a noção do tempo e também das postagens das fics que estão andando a passo de tartaruga! Minha vida está uma loucura gente, mas relaxem que eu não vou abandonar a fic não hein! Para quem me acompanha em Procura-se uma Uchiha, sabe do problema grave que passei esses dias com a minha família em questão de saúde. Graças a Deus a cirurgia foi feita essa semana e conseguiram salvar um ovário, o que a fará não depender de hormônios, no entanto a esterilidade não pode ser evitada, para piorar a apreensão, estamos esperando o resultado dos exames histopatológicos no qual saberemos se foi benigno ou maligno, o que decidirá o andamento do tratamento da minha prima --' Sobre o capítulo... Nesse vocês verão um pouco mais sobre a nova relação entre Sasuke e Mina e tenho a leve impressão que vocês vão gostar dessa menina que é uma verdadeira SasuSaku hehehe... Divirtam-se com A Filha da Minha Melhor Amiga...

Leiam as Notas Finais...

.

Caminhamos calados lado a lado pelas ruas movimentadas de Konoha. O sol já estava se pondo mostrando que já era hora do comércio fechar enquanto que as tabernas abriam as portas para mais uma noite de alegrias entre amigos.

No entanto, diferente das outras noites eu não estava com espírito, nem vontade, de rumar em direção ao mundo das perdições das noites recheadas de álcool e sexo sem compromisso.

Não, eu não queria isso!

Mas será que algum dia eu realmente quis isso? Ou era só um meio de fuga da realidade?

Uma tentativa frustrada de convencer aos outros e a mim mesmo que a minha vida não era tão sem sentido assim. Convencer-me que eu era feliz...

Belas mulheres apoiavam-se aos parapeitos de lojas e entradas, muitas jogavam charme ou olhares maliciosos na minha direção, mas eu as ignorava por completo.

A única coisa que preenchia os meus pensamentos e repetia-se continuamente era a missão que logo iniciaria ao amanhecer.

– Tio Sasuke! – chamou-me puxando o tecido da minha calça.

Abaixei o olhar surpreso dando de cara com os imensos olhos dourados que me olhavam com raiva.

– Mina – sussurrei o nome da pequena voltando a realidade. Já estávamos na entrada do prédio que eu morava – Algum problema?

– Precisamos decidir o que vamos falar para a mamãe – disse ajeitando o grande livro nos braços.

– Como assim?

A rosada bufou indignada com a minha falta de entendimento.

– Você espera mesmo que a minha mãe vá permitir que eu saia de Konoha, mesmo em sua companhia, para buscar uma erva em outra Vila, enquanto que uma Grande Nação está atrás de mim? – perguntou com um semblante incrédulo como se fosse óbvia a constatação dela.

Pigarreei tentando disfarçar o meu constrangimento já que eu ainda não havia pensado nesse fato. Fiquei tão absorto com os fins que me esqueci dos meios.

– Bom, eu não havia pensando muito sobre isso... – comecei.

– Percebi – interrompeu-me erguendo uma sobrancelha enquanto tentava reprimir um sorriso de canto em deboche.

Cerrei os meus olhos para a pequena criatura, mas isso não a abalou, apenas a fez cair na gargalhada como a muito tempo não fazia por causa da situação de sua mãe.

Algumas pessoas olharam em nossa direção, algumas olharam-nos com surpresa, outros com preocupação, já que se preocupavam com qualquer criança que ficava perto de alguém tão ranzinza como eu e, por último, algumas jovens que olhavam para mim com olhares sonhadores.

Tsc, elas por acaso estão achando que eu sou babá da Mina? Que eu gosto de crianças? Tsc. Bando de iludidas!

– Ok, ok, já pode parar Mina – murmurei raivoso para a pequena.

– Desculpe, tio Sasuke – falou tentando se controlar enquanto enxugava princípios de lágrimas do canto de seus olhos que surgiram através de seu riso – É que é engraçado ver você tentando bancar o lobo mal – esboçou um grande sorriso – Eu não tenho medo de você, tio Sasuke!

Arregalei minimamente os olhos surpreso pela última fala da menina que soou tão sincera e inocente, ao mesmo tempo verdadeira.

Agradeci o anoitecer e a escuridão que tomava conta da rua, pois ela escondeu o mínimo sorriso de canto que eu dei.

Mas você deveria ter!, pensei desfazendo o sorriso.

– Hn. – murmurei disfarçando.

– Você é uma pessoa de muitas palavras – zombou baixo com um leve sorriso no rosto que logo desapareceu voltando a seriedade – mas sobre o que estávamos falando antes, eu achei melhor não contarmos a verdade para a mamãe.

– E você espera o quê? Que eu simplesmente te leve sem a permissão da sua mãe para fora da Vila? Sakura já me odeia, sequestrando a filha dela, aí sim que ela vai querer arrancar a minha cabeça sem piedade.

– Minha mãe não te odeia – admitiu com um olhar confuso – porque você diz isso?

O silêncio se pôs com peso sobre nós. Suspirei tomando coragem para reiniciar a conversa:

– É só modo de falar – falei baixo.

Os olhos dourados desviaram para um ponto qualquer da rua que começava a se iluminar e encher de pessoas.

– Ela não moraria por livre e espontânea vontade de baixo do mesmo teto com alguém que odiasse. Eu vejo tudo menos ódio entre vocês, tio Sasuke – sussurrou antes de focar os olhos brilhantes em mim.

Franzi o cenho surpreso com as palavras dela.

Será que... Não, Sakura me odeia, ela mesmo disse isso!

Suspirei e apoiei-me em um joelho para ficar da altura da criança.

– Eu já disse que é só jeito de falar – tentei soar calmo e indiferente, por mais que aquele assunto me perturbasse por dentro – mas voltando ao que interessa, qual é o seu plano afinal?

Ela me lançou um breve sorriso reconfortante antes de me explicar o seu plano.

***

– Mina, é você? – escutamos a voz fraca de Sakura ressoar do quarto.

Troquei olhares cumplices com a criança entendendo que aquela era hora de começar com a mentira.

– Sim mamãe, sou eu – anunciou alegre entrando no quarto.

Essa puxou o lado atriz da mãe, pensei rindo de canto indo preparar o jantar na cozinha.

Depois de algum tempo terminei de colocar sobre a bandeja o prato com a sopa da Sakura.

Respirei fundo tomando coragem para encontrar a rosada mãe depois da nossa última péssima conversa.

Assim que cheguei na porta visualizei as duas em uma conversa entretida falando de trivialidades do dia-a-dia da pequena, como a Academia Ninja. Um pequeno sorriso estampava-se no rosto de Sakura que olhava a filha com os olhos brilhantes.

– Mina, – chamei-a tomando a atenção de ambas para mim – o jantar está na mesa.

A menina assentiu, beijou a bochecha da mãe saindo em seguida do quarto.

Fechei com a perna a porta do quarto, ficando envolvido por um silêncio constrangedor.

Caminhei até o criado-mudo onde repousei a bandeja.

– Ainda está quente é melhor deixar esfriar – comentei sentando na cama me sentindo a pessoa mais idiota do mundo com aquela tentativa frustrada de início de conversa.

Vi ela assentir levemente e sem opção desviei o meu olhar para as minhas mãos.

– Você quer me dizer alguma coisa, Sasuke? – Nunca agradeci tanto por Sakura me compreender sem precisar que eu verbalizasse uma única palavra.

– Desculpa por hoje de manhã – murmurei olhando-a de canto – eu não deveria ter dito aquilo.

Droga! Porque eu era tão ruim com as palavras? Esse foi o pior pedido de desculpas da face da Terra.

– Tudo bem, eu entendo o seu lado – sorriu levemente e eu me peguei observando aquele sorriso por mais tempo que deveria. Desviei o olhar tentando disfarçar.

– Eu vou ter que sair em uma missão, por dois dias no máximo – disse olhando-a nos olhos. A rosada apenas assentiu – por isso você terá que ficar esses dias na casa da Ino, para que ela cuide de você e da sua saúde.

– Mas e a Mina?

– Ela ficará na casa do Naruto. Ele e Hinata já têm duas crianças, acho que Mina não ficará entediada tendo a companhia do Boruto – sorri de canto sendo retribuído por outro verdadeiro dela.

– Tudo bem – assentiu concordando.

Dei um último sorriso mínimo levantando-me para que ela comesse sozinha, mas quando estava saindo do quarto, escutei ela falando:

– Tome cuidado na missão, Sasuke.

Sorri por cima do ombro, a preocupação dela era verdadeira e até estampava-se um pouco em seu rosto cansado.

Mesmo sentindo culpa por estar mentindo para ela, já que ela estava tentando confiar em mim novamente, eu sabia que não havia outra alternativa a seguir.

***

O sol ainda não havia aparecido, mesmo que o céu já estivesse claro.

O frio matinal envolvia e provocava leves tremores no corpo da rosada enquanto caminhávamos em direção aos portões de Konoha.

Levei Sakura para a casa de Ino, antes de sair em missão com a menina que não usava seus vestidos habituais, mas sim uma blusa sem mangas verde-musgo estilo chinês, short folgado azul escuro, sandálias negras e um rabo de cavalo alto que emoldurava o rosto infantil que era coberto parcialmente pela franja.

Vou viajar com uma criança, pensei revirando os olhos.

Nunca pensei que chegaria a tal ponto, mas ao observar a mochila e o livro grande que ela insistia em carregar juntamente com o olhar determinado mesmo estando com frio, fez-me pensar que talvez não fosse tão ruim assim a companhia da pequena.

De certa maneira, ela me lembrava de sua mãe. Da rosada com quem passei tantos anos sendo companheiro de time, mas que no fim abandonou tudo sem se justificar, abandonando sua família, amigos, Vila e... eu.

Aquele olhar determinado, era o mesmo olhar que Sakura exibia de frente para as batalhas que teria que enfrentar.

Uma mistura de calma e perspicácia. O olhar que eu aprendi a admirar discretamente sempre que tínhamos missões juntos alguns meses depois de voltarmos da guerra.

– Tio Sasuke? – Tirou-me dos meus devaneios a pequena parando de andar porque havíamos chegado ao ponto de encontro – Porque o senhor sempre fica me encarando desse jeito? – Perguntou inocentemente.

Troquei de peso discretamente, olhando os dois chunnins que fiscalizavam a entrada de Konoha, tentando pensar em alguma desculpa pelo meu excesso de olhares que lancei à pequena enquanto caminhávamos até ali.

Mordi a minha bochecha interna reprimindo um grunhido de insatisfação por estar sendo tão indiscreto e desatento nos últimos tempos.

Um suspiro baixo fez-me forcar meu olhar novamente na pequena.

– Eu lembro a minha mãe para o senhor – murmurou concluindo a verdade, antes de desviar o olhar para a Vila.

Um silêncio constrangedor se instaurou entre nós.

Nunca agradeci tanto o fato de Naruto ser espalhafatoso e chegar correndo em nosso ponto de encontro com um Kakashi a passos lentos muitos metros atrás de si.

– Ei Teme! – Cumprimentou-me com um sorriso antes de pegar animadamente a pequena no colo – Oi Mina!

– Oi tio Naruto! – Disse sorrindo amigavelmente fazendo o loiro se derreter de felicidade como sempre quando era chamado de tio.

Depois de breves saudações vindas do Kage, recebemos nossas últimas instruções antes de partir.

Assim que começamos a caminhar, o kage segurou o meu braço e sussurrou de maneira ameaçadora no pé do meu ouvido:

– Se alguma coisa acontecer com a Mina, não me responsabilizo pelas ações da Sakura. Cuide bem de minha afilhada, Sasuke! Confio em você!

Assenti para ele soltando o meu braço.

Eu vou, Kakashi!

Visualizei os dois parados nos portões de Konoha até não poder mais enxerga-los.

Eu e Mina seguimos o caminho em silêncio rumo ao nosso destino na fronteira com o País da Grama, onde a erva crescia selvagemente.

Mesmo que o país de destino fosse pacífico, aquilo me deixava apreensivo, pois o País da Grama era um pequeno país entre o País do Fogo e o País da Terra, logo, uma região que com certeza se encontrariam ninjas de ambas as Nações.

Passamos o dia caminhando, paramos algumas vezes, já que Mina não era acostumada a caminhadas ninjas, porém pude notar que ela tinha grande resistência e persistência, conseguia caminhar muito mais do que uma criança de sua idade. Com certeza poderia se tornar uma grande ninja no futuro...

Não esperaria outra coisa da filha da Sakura, pensei esboçando um mínimo sorriso de canto enquanto caminhava dois passos atrás da menina coberta por um capuz branco que vestiu assim que saímos de Konoha para não ser reconhecida pelo cabelo no meio do caminho.

Depois de poucas horas após anoitecer chegamos ao nosso destino. Um pequeno vilarejo onde ficaríamos hospedados.

– Com fome? – Perguntei.

Nem precisei receber uma resposta, pois a barriga da pequena roncou audivelmente fazendo-a corar violentamente.

Suspirei e indiquei para me seguisse com a cabeça em direção à um restaurante.

– Preciso ir ao banheiro – comunicou-me já desesperada assim que cruzamos a porta dupla.

– Tudo bem, mas não... – ela já se afastava deixando-me sozinho – demore – sussurrei fechando a cara por ter sido ignorado.

Suspirei e decidi sentar em uma mesa de quatro lugares ao lado da janela da parede esquerda.

O lugar era simples, mas aconchegante. Muitas famílias e grupos de amigos transitavam por ali.

Mantive-me calado, perdido em pensamentos esperando que a rosada mirim voltar para que pudéssemos fazer os pedidos.

Por mais que eu não demonstrasse nada no exterior, por dentro eu já estava explodindo de raiva, não gostava de esperar pelos outros, muito menos depender dos outros, mas Mina já estava demorando demais.

Quando decidi ir perturbar a garota para sair do banheiro, uma bela mulher, talvez com vinte e cinco anos, cabelos negros e olhos castanhos escuros brilhantes sentou-se na cadeira à minha frente.

Ergui uma sobrancelha surpreso e a mulher corou.

– Oi – disse firme, porém o rosto corado e as mãos levemente inquietas demonstravam que estava constrangida comigo.

– Hn.

Dei uma olhada discreta no corpo da mulher coberto por um kimono longo simples, tendo a certeza de que não era uma prostituta.

Ela corou mais ao perceber meu olhar analisando seu corpo chamativo cheio de curvas, porém bem coberto.

– Desculpe-me perturba-lo, mas é que eu o vi sentado aqui sozinho e... – Falou desviando o olhar para o piso. Por mais que fosse bonita, era perceptível que não era tão experiente na arte da conquista. Talvez ela até fosse experiente, já que teve coragem de tentar uma abordagem, mas ficou desconcertada na minha frente.

– E então resolveu sentar-se comigo – completei esboçando um mínimo sorriso de canto sedutor – Seus pais nunca lhe ensinaram que não se deve falar com estranhos? – Sussurrei sedutoramente inclinando o meu corpo sobre a mesa – Que menina má! – Debochei sem deixar de ser sedutor.

– Você não imagina o quanto – sussurrou entrando no jogo, controlando um pouco o nervosismo, deixando transparecer a experiente sedutora que havia dentro dela. A morena inclinou o corpo sobre a mesa apoiando-se no braço esquerdo dobrado, enquanto que o braço direito sumiu discretamente sob a mesa para que ninguém no estabelecimento visse seu próximo movimento – Não sabe o quanto! – Balbuciou enquanto sentia sua mão deslizar sedutoramente sobre a minha perna esquerda, chegando perigosamente próximo do espaço entre as minhas pernas roçando com o dedão o local.

Meu sorriso de canto cresceu um pouco. Aquela mulher seria fácil de mais como tantas outras, estava louca para me agarrar, talvez sem saber quem eu era.

Qualquer homem se excitaria com os toques suaves ao mesmo tempo persistentes da mulher em toda extensão da minha perna, principalmente na porção superior do membro. O que ela não sabia era que eu não sou qualquer homem.

Precisaria bem mais do que aquilo para me excitar, se bem que... pensando bem, aquela mulher poderia me divertir bastante e já fazia um bom tempo que eu não me "aliviava".

– Vamos? – Sussurrou deslizando a pequena e ágil mão pela parte interna da minha coxa – Juro que não vai se arrepender.

– PAPAI? – Chamou alto uma voz infantil a minha direita, uma voz extremamente conhecida que me fez olhar incrédulo para Mina que permanecia em pé com os braços cruzados. Seu olhar raivoso focava-se em mim, enquanto que seu pé direito batia impacientemente no chão.

Ela me chamou de PAPAI???, perguntei-me incrédulo ainda encarando a menina de longos cabelos rosas que segurava o capuz nos braços.

– PAPAI? – Perguntou exasperada e completamente corada a morena que se afastou rapidamente surpresa de mim quando ouviu a voz da menina – E-Ela é a su-sua fi-filha?

Eu simplesmente permaneci no lugar encarando Mina com um cenho franzido sem entender nada. Se tinha uma coisa que eu tinha certeza e a pequena também, é que eu não era o seu pai.

Então porque ela inventou aquela mentira?

Percebendo que eu não responderia tão cedo a pergunta da morena por estar em choque com a situação inesperada, Mina suspirou resolvendo tomar a dianteira da situação.

A rosada colocou sobre a mesa o livro e o capuz como se fizesse uma barreira entre mim e a morena, corroborando que aquela mesa era dela e que a morena era uma intrusa naquele local.

– Você é surda por acaso? – Perguntou baixo mais ainda assim séria, focando os olhos castanhos claros nos castanhos escuros da outra fazendo-a engolir em seco, antes de voltar a olhar para mim ignorando a outra, recomeçando a fala com uma voz extremamente gentil e dengosa enquanto sorria – Papai, você já fez o nosso pedido? Por favorzinho, diz que sim! – Deu três pulinhos como se fingisse fazer pirraça – Eu estou morrendo de cansaço e fome, a única coisa que eu quero agora é comer o mais rápido possível para ir dormir. Não se esqueça que amanhã ainda temos que colher a erva da mamãe, papai!

– Eu estava te esperando para poder fazer o pedido, não sabia o que você queria comer – respondi baixo.

– Mamãe? – Perguntou desesperada a morena alternando o olhar entre mim e Mina – Você é casado?

– Você esperava o quê? Que um homem como o meu pai não tivesse dona? – Retrucou Mina fingindo está chocada com a insolência da mulher. Virei cachorro para ter dona agora!? Indaguei indignado em pensamentos – Não se iluda querida! Esse aqui é casado! E muito bem casado! – Enfatizou a última frase – Casado com a melhor e mais bela Kunoichi da nossa Vila! – Deu uma leve risadinha antes de continuar jogando seu inocente veneno – Papai morre de ciúmes da mamãe! Super protetor, acreditas? Só foi descobrir que ela está grávida que resolveu vim atrás de uma erva rara para a melhor adaptação à gravidez, como se ela não já tivesse tido dois outros filhos, eu e o Nisuke!

Mina merece ganhar um prêmio de melhor atriz melodramática nesse exato momento!

– Por Kami! Que vergonha! – Desesperou-se a mulher se levantando tropegamente – Você é casado, tem dois filhos e está esperando outro! E-eu... E-eu... – gaguejou sem saber o que dizer – Gomen! – Saiu em disparada para fora do estabelecimento.

Vi Mina sorrir vitoriosa enquanto se sentava no local onde segundos antes a morena estava sentada.

– Papai? – Indaguei levantando uma sobrancelha para a criança.

– Esperava que eu dissesse o quê, tio Sasuke? "Ei tia, dá para sair do meu lugar e parar de babar pelo meu tio, porque eu quero comer e depois ir dormir. E ah! Caso você esteja confusa, ele não é meu tio de sangue, mas eu e minha mãe estamos morando temporariamente com ele. Acredite, eles são só amigos e ela não fica babando por ele igual você, e ele não fica iludindo ela como estava fazendo com você nesse exato momento!". E aí tio Sasuke, foi convincente?

Suspirei derrotado. No fundo ela tinha razão.

– Você tem que admitir, tio Sasuke – voltou a falar com um olhar baixo – Essa situação toda é estranha até mesmo para a gente, imagine para as pessoas que nos olham por fora. Essa semana já até me perguntaram na academia quando você e a mamãe iam casar e qual nome vocês dariam para o filho de vocês, mas o mais absurdo é que agora tão até desconfiando que eu sou a sua filha!

– O quê!? Que absurdo!

– Eu que o diga! Nunca morei em Konoha antes e agora estão achando que eu sou filha de vocês! Sério, eles não sabem fazer conta para perceberem que não tem como eu ser filha de vocês?

– Inacreditável! – Resmunguei.

– E eu compreendo que essa ilusão também nos protege em certa parte, por isso não podemos sair falando a verdade por aí! – Murmurou olhando para as próprias mãos.

Suspirei.

– Tem razão! Enquanto estivermos fora nessa missão caso alguém pergunte vamos contar a história que você inventou, ok?

– Ok – disse convicta dando um leve sorriso.

Não demorou muito para que Mina caísse na gargalhada do nada chamando atenção desnecessária para nós dois.

– Você é louca por acaso? – Perguntei repreendendo a atitude dela.

– É que... é que... – começou corando, mas ainda com um leve sorriso no rosto – foi tão engraçada a cara daquela mulher quando soube que estava dando em cima de um homem casado – assim que terminou de falar começou a rir de novo tentando inutilmente reprimir o riso tampando a boca.

– Foi mesmo – murmurei concordando dando um pequeno sorriso de canto para a menina que teimava não me temer como os outros.

Fizemos os nossos pedidos e comemos em silêncio, vez ou outra Mina fazia algum comentário trivial que eu respondia à minha maneira.

Percebi que enquanto caminhávamos pelo pequeno vilarejo, os olhos castanhos vagavam brilhantes pela arquitetura e cultura local do seu comércio noturno.

Nem parecia a garota depressiva de dois dias atrás...

Seus olhos eram tão brilhantes. Brilhantes como os da...

Sakura.

Suspirei.

Como ela deve estar nesse exato momento?, indaguei-me olhando para o céu estrelado sem sinais de nuvens. Com certeza, não está pensando em mim, concluí abaixando o olhar para os meus pés sentindo-me... triste?

Balancei a minha cabeça tentando focar no presente ao invés de ficar com devaneios.

– Em que posso lhe ajudar, senhor? – Perguntou a mulher de aparentes quarenta anos assim que chegamos na recepção do hotel.

– Gostaria de um quarto com duas camas.

– Duas camas?

– Sim, uma para mim e outra para... – olhei para Mina que me olhou intrigada pela minha falta de palavras, mas não era culpa minha se pronunciar aquilo era estranho – a minha filha.

– Sim, senhor.

Logo fomos acomodados em um quarto simples com duas camas de casais. Não deixaria Mina dormir em outro quarto longe da minha segurança, enquanto estivéssemos fora de Konoha, aquela rosada não sairia do meu campo de visão.

Mina foi a primeira a tomar banho e se arrumar. Trocou as roupas de viagem por uma simples calça e blusa de manga comprida negra, não demorou muito para que ela apagasse em sua cama.

Tomei meu banho, mas permaneci com a minha roupa para dormir, menos a minha capa negra. Diferente com Sakura, eu não ficaria sem roupa na frente de uma criança.

Adormeci instantaneamente, mas meu sono como sempre não foi tranquilo.

Acordei gritando levantando-me ofegante na cama. Suor e tremores percorriam o meu corpo.

Segurei fortemente a minha katana que sempre pegava inconscientemente como se aquilo me acalmasse, como se aquilo fosse a minha segurança.

As cenas tão reais ainda preencheram os meus pensamentos por longos minutos até finalmente me sentir com a completa consciência e controle sobre o meu corpo.

Suspirei pesadamente, mas assim que me virei para deixar a katana de volta sobre o criado mudo, congelei ao ver os olhinhos claros surpresos olhando para mim na cama do lado direito da minha.

Ela tinha visto tudo...

Trinquei os dentes colocando a katana em seu lugar, voltando a olhar para a janela a minha frente, na qual podia-se ver a forte tempestade que açoitava o pacato vilarejo do País da Grama.

Longos segundos de silêncio se fizeram presente até Mina quebra-lo:

– Você teve um pesadelo, não foi?

– Hn. – Olhei de relance para a pequena antes de focar o meu olhar novamente nas gotas de que percorriam o vidro embaçado.

Ouvi um farfalhar na cama ao lado que me chamou a atenção, surpreendendo-me ao ver Mina sair de sua cama e ir para a minha, cobrindo-se com o lençol até o pescoço.

Franzi o cenho para a atitude dela sem compreender nada.

– Posso dormir essa noite com você, tio Sasuke? Está trovejando e chovendo muito. A última vez que eu vi o céu assim, eu fui sequestrada e vi meu amigo ser espancado na minha frente – murmurou virando uma pequena bola trêmula sob os lençóis.

Suspirei e assenti deitando-me ao seu lado olhando para o teto.

– Eu também tenho pesadelos – murmurou a menina fazendo-me olhá-la. Só agora com a proximidade pude ver mesmo no escuro os olhos marejados e vermelhos, com certeza ela havia chorado antes que eu acordasse do pesadelo – Eu o tenho todas as noites. Eu vejo o meu pai vivo, voltando de uma missão sorrindo pronto para me abraçar como ele sempre fazia.

– Isso não parece um pesadelo, mas sim um sonho – observei. Esse sonho dela era bem tranquilo em comparação ao meu.

– Meu pesadelo começa assim que meu sonho acaba. Minha realidade é o meu verdadeiro pesadelo. Meu pesadelo é acordar todas as noites e descobrir que nada daquilo foi real, que ele não estar vivo e que nunca mais o verei. Meu pesadelo é acordar e viver na inconstância da incerteza. Acordar e não saber que quando eu retornar a abrir os meus olhos ainda terei alguém que amo vivo. Meu pesadelo é a possibilidade de perder tudo, minha mãe e meu irmão que ainda nem nasceu, quando eu menos esperar.

Fiquei em choque ouvindo as palavras daquela criança.

Eu havia perdido tudo quase na mesma idade que a dela, mas eu perdi tudo ao mesmo tempo. A dor e o luto foram o mesmo para todos aqueles que eu amava. Mina, no entanto...

Estava perdendo tudo aos poucos, sofrendo a tortura psicológica da incerteza do que poderá ocorrer.

– Sinto muito – murmurei e vi ela sorrir minimamente.

– Obrigada e sinto muito pelo seu pesadelo, deve ser algo terrível.

Mantive-me calado e voltei a olhar para o teto.

– É sim.

O silêncio se fez presente, mas nenhum de nós conseguiu voltar a dormir, pois estávamos envoltos com nossos próprios pensamentos, até que eu me lembrei de algo.

Levantei-me apressado e caminhei até a minha bolsa roxa pegando o objeto que eu queria antes de voltar para a cama.

– Qual o problema tio Sas... – mas Mina não conseguiu terminar a frase assim que viu a bonequinha de pano na minha mão que eu estendia para que ela pegasse.

– É sua, creio.

Ela balançou a cabeça em afirmação completamente incrédula pegando lentamente a bonequinha.

– Como você...?

– Eu e Sakura fomos na antiga casa de vocês durante a nossa missão para que ela pegasse o livro. Eu achei essa boneca no quarto que supus ser seu. Vi um porta-retratos na qual você ainda era um bebê, mas que já tinha essa bonequinha ao seu lado.

– E você pegou ela para mim? – Perguntou arregalando os olhos surpresa, mas logo sua expressão foi alterada por um grande sorriso agradecido enquanto ela apertava a boneca em um forte abraço, algumas lágrimas de agradecimento escorreram pelas bochechas rosadas – Obrigada, tio Sasuke. A cerejinha é muito importante para mim. Meu pai mandou confeccioná-la logo após que eu nasci. Pensei que havia a perdido para sempre!

– Hn. – Deitei-me olhando novamente para o teto.

– Não sei nem como agradecê-lo – murmurou.

– Que tal, calando a boca e indo dormir? – tentei soar ameaçador enquanto fechava os olhos, mas aquilo só tirou uma risada baixa da menina que tremeu assim que ouviu um trovão encolhendo-se ainda mais perto de mim, chegando ao ponto de abraçar o meu braço – Você está bem? – Perguntei preocupado voltando a observar aquela bola cor de rosa que agarrava o meu braço.

Lentamente a menina levantou o olhar marejado e medroso para mim.

Ela está com medo da chuva.

– Tudo bem, não precisa se preocupar, eu estou aqui – tentei confortá-la.

– Promete?

– O quê?

– Promete que sempre vai estar aqui, que sempre vou poder contar com você...

Desviei o meu olhar para o teto me lembrando de como foi difícil não ter ninguém ao meu lado logo depois de perder tudo.

Não havia ninguém lá. Ninguém para me proteger.

E agora Mina estava passando pela mesma coisa.

– Eu prometo – murmurei baixo ainda encarando o ventilador de teto. Senti a garota relaxar e conseguir dormir ao meu lado sem largar o meu braço por estar ainda com medo da chuva – Eu prometo que vou sempre estar aqui, que vou sempre te proteger – murmurei fechando os olhos conseguindo voltar a dormir.

Eu prometo...

Continua...

Notas finais
Mereço reviews? hehehehe Cara, eu rir muito escrevendo a parte do restaurante imaginando a cara do Sasuke e da mulher quando a Mina chegou chamando ele de papai hahaha Espero que tenham gostado! Até mais tarde gente! O capítulo 24 está em fase de término! Logo, logo irei postar! *IMPORTANTE: Se lembram do que eu falei para vocês no capítulo passado (sobre o blog)? Pois é, eu já recebi as respostas nas três fics e terminamos com três alternativas para vocês votarem nas que vocês querem! a- Página ou grupo no face! (se votar nesse, especifique por favor qual ^^) b- Grupo no WhatsApp (por mais que seja legal, eu acho que algumas pessoas não gostariam por poder ser perigoso, já que estamos lidando com dados. Bem, opinião minha, mas o que vai valer é a opinião de vocês!) c- Blog. É isso gente, por favor votem! Para que tenhamos a noção do que é o melhor para a maioria ^^ Ja ne! **NOVA FIC POSTADA: Amor de Guerra (Pernico) para o desafio Nyah de Abril! O mês do Yaoi! http://fanfiction.com.br/historia/607641/Amor_de_Guerra/