A Filha Dos Mundos
30 Preparação para a batalha
As noites que se seguiram à visita de Suresim foram mais escuras do que era habitual e durante o dia o sol mal se atrevia brilhar; o ar era pesado e triste. Omnirion destertara para a guerra. A paz mantinha até então fora quebrada por um terror que se deslocava rapidamente vindo do Leste.
Os Duendes voaram rápidos como o veneno irado em todas direções que se conhecem. Levavam pedidos de ajuda para Elfos, Youkais e Fadas que viviam no interior da floresta e para as sacerdotisas de Névila.
As espadas, os arcos e estranhas armas como a da Kagura foram retiradas dos panos que cuidadosamente as guardavam. Em dois dias o Povo da Luz preparou-se para a guerra. Saya e Kagura seriam as unicas mulheres a partir de Omnirion para a guerra.
A youkai ofereceu a Saya um presente que, segundo ela, mandara fazer para quando acabassem o treino.
- No entanto parece-me que será mais precisa agora.
Era uma espada. Leve como uma pluma, nem demasiado grande nem demasiado pequena. O cabo tinha o tamanho perfeito para as mãos de Saya e a lamina era trabalhada com motivos élficos. Seria a unica arma que Saya levaria consigo. Mas evidamente teria também o Ceptro.
Kagura levava a sua estranha e elegante arma, assim como uma espada de lamina estreita, e Kai o comprido punhal e o seu belo arco.
Saya já estava pronta, mas olhava ainda da varanda (sacada) do quarto para Omnirion. Lá em baixo havia um pequeno mar de Elfos e Youkais montados a cavalo. Já muitos tinham partido rumo num passo necessária e desesperadamente apressado para Ranthlin, os campos verdes.
Perguntava a si própria se voltaria àquela varanda, ou se alguma vez o sol brilharia em Caladmirion sem ameaça de uma qualquer sombra, quando ouviu passos. Passos que se encaminharam para a varanda.
- O que acontecerá daqui para diante depende apenas de ti — disse atrás de si a voz profunda e melodiosa de Tsuki — Nós cumprimos a nossa parte. Agora serão as tuas decisões e os teus actos que determinarão o nosso futuro.
- Tanto depende de mim... E é tanto que eu ignoro.
- Ignoras menos do que julgas — disse Tsuki e tomou nas suas mãos as de saya — E és ainda muito nova. Nova de mais para teres o conhecimento dos anos, como eu e Elianor temos.
- Esta é uma estrada demasiado longa e que eu nunca pensei ter de percorrer — comentou Saya
- É de facto uma longa estrada. Mas não serás ainda tu a ver o seu fim. No entanto, o fim está proximo. Mais proximo do que alguma vez esteve — Tsuki cobriu os cabelos de Saya com o capuz da capa — Agora apressa-te. O tempo urge. Eu faicarei aqui, como me pediste, a tomar conta de Omnirion até que tu ou Raiden regressem. Tem confiança.
Saya gostaria de ter ficado ali a falar com Tsuki e de não ter que ir defrontar Naraku nos campos de Ranthlin, mas sabia que não podia. Por mais medo que estivesse do que poderia acontecer, tinha de fazê-lo. Mesmo que o sonho se tornasse realidade, mesmo que morresse. Por isso, saiu do quarto, atravessou o palácio onde só agora só eram visiveis as fadas e os seus pequenos filhos, montou o corcel castanho e partiu para se confrontar com os seus medos.
Na varanda do quarto, Tsuki, vestida de branco e com os cabelos de ouro soltos ao vento, via-os partir. Dos seus lábios saía uma suave e triste melodia, pois ela há muito que sabia... sabia que o seu tempo naquele Mundo estava quase no seu fim.
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