A Filha Dos Mundos
37 Flashback VII
Notas iniciais
Durante todo o caminho que separava a casa da fada de Omnirion, Sesshoumaru sentiu uma sombra a crescer e o ar a tornar-se pesado. O sol parecia brilhar timidamente e naquele dia toda a brancura de Omnirion era triste e melancólica. O Palácio do Ouro e do Verde não brilhava como habitualmente e até mesmo as verdes trepadeiras que subiam serpenteantes pelas paredes do palácio estavam mais escuras e secas. Nas ruas da cidade não havia risos, apenas caras preocupadas. No ar não ondulava a suave melodia de uma música élfica, só se ouviu o grasnar dos corvos, essas malditas aves que anunciam a morte.
Sesshoumaru parou o cavalo em frente à entrada do palácio e saltou ágil e ligeiro da sela. Raiden, seu grande amigo, esperava-o. Entraram juntos no palácio enquanto Irldar levava os cavalos para os estábulos.
- Naraku chegará aqui em menos de duas horas. Não temos outra solução senão utilizar o Ceptro — disse Raiden — E é claro, serás tu quem o empunhará.
- Claro... — murmurou indistintativamente Sesshoumaru — Raiden, preciso de um lugar sossegado onde passa escrever uma carta para a minha filha.
Raiden olhou-o um pouco espantado, mas apressou-se a arranjar uma pequena e sossegada divisão onde Sesshoumaru pudesse escrever a carta. Era uma carta em que explicava tudo o que achou importante. Enfiou-a num subrescrito e endereçou-a à filha. Depois lacrou o envelope e entregou-o a Raiden.
- Dá-lo a Rin com as seguintes palavras: só deve ser entregue quando a nossa filha souber toda a verdade e estiver decidida a viver neste Mundo, como estou certo que acontecerá — recomendou Sesshoumaru — E, Raiden, onegai não a tragas já para este Mundo. Deixa-a ficar a viver com Rin até que ela tenha a idade e a sabedoria suficientes para saber a verdade.
- Não te preocupes, meu amigo — respondeu Raiden.
E ficou ainda algum tempo calado até que por fim ganhou coragem suficiente para formular a pergunta que invadira toda a sua mente.
- Tiveste algum sinal? Os sonhos avisaram-te?
- Lie. Mas senti-o assim que calquei o chão dourado de Caladmirion. O meu tempo está a chegar ao fim.
Raiden não respondeu. Tinha pena de perder o amigo, mas se a sua hora chegara então não havia nada a fazer. Sesshoumaru, embora fosse ainda muito jovem, era considerado sábio. Se ele sentira o tempo a findar, era porque brevemente a sua alma voaria livre pelo o Mundo. E Raiden sorriu. Um dia as suas almas voariam juntas nessa que é a última grande aventura que espera todos os seres vivos: a morte.
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