A Filha Dos Mundos
38 Morte do Jovem Rei ( flashback final)
Notas iniciais
O céu escureceu, a luz diminuiu, o vento parou, a noite caiu, e só o rouco grasnar dos corvos era audível.
O povo de Ominirion concentrara-se na entrada do castelo, com Sesshoumaru à frente. Ele tinha o Ceptro nas mãos. Olhou para trás, para Raiden.
- Raiden! Até a minha filha se tornar rainha confio-te o cargo de regente — disse Sesshoumaru, e não voltou a falar.
Todos eles esperavam. Até que por fim avistaram um vulto vestido com um manto vermelho sangue que se aproximava lentamente da entrada do palácio. Era Naraku e vinha só. Suresim não se atrevera a entrar na sua antiga cidade. A traição era recente e, embora o seu coração de elfo estivesse corrompido, ainda podia ouvir as pedra da cidade onde crescera a murmurarem «Suresim, porque nos traíste? Filho da Luz, porque te entregaste às trevas?». E ele não suportava esse lamento.
Naraku avançou com o bastão na mão, um sorriso malévolo e trocista no rosto. Olhou à volta como quem aprecia um lugar que muito bem conhece e do qual esteve durante muito tempo afastado. Os olhos retiveram-se durante algum tempo na fachada do palácio, naquele dia tão triste e sombria. Uma expressão de posse iliminou-lhe o rosto.
- Aerzis não me matou — disse numa voz gélida e triunfante — E durante todos estes longos milhares de anos fui-me fortelecendo. Recuperei as minhas forças, tornei-me tão poderoso quanto eu fui outrora. E agora... regressei. Ranthlin e Caladmirion, bem como Omnirion, pertencem-me e estão agora sobre o domínio de Morniran. Por isso, tu a quem chamam rei, entrega-me o Ceptro — disse olhando para Sesshoumaru com desdém.
Mas Sesshoumaru não lhe respondeu e muito menos lhe entregou o Ceptro. Limitou-se a segurá-lo à sua frente com ambas as mãos. Naraku riu alto.
- Baka — disse. — São todos uns bakas. Mas não é de admirar. Youkais, Elfos e Fadas sempre foram fracos. Preferem os cânticos e as árvores ao poder. E Suresim afirma que são perigosos. É mais tonto do que eu julgava. Se pensas que me podes vencer, youkai, estás enganado. A tua ousadia custar-te-á a vida — Sesshoumaru sorriu -, e o Povo da Luz cessará os cânticos. Todos vocês tornar-se-ão meus escravos e como castigo abaterão metade das árvores desta floresta.
Os Elfos, os Youkais e as Fadas ficaram mais sérios. As palavras cruéis não tinham neles, sábios e de espírito forte, o mesmo efeito que tinham nas horríveis criaturas que Naraku criara e comandava. As palavras não os tinham assustado, mas eles sabiam que se Naraku conseguisse o que queria cumpriria a palavra.
Furioso, Naraku apontou o bastão a Sesshoumaru.
O youkai concentrou a vontade de fazer com que tudo acabasse rapidamente, mas o seu pensamento estava fixo na simples ideia de que seria Naraku responsável pela sua morte, seria ele que para sempre o afastaria de Rin e da Saya, a sua filha amada. A pedra do Ceptro brilhou e uma luz branca jorrou dela; a cidade ficou durante alguns minutos coberta por aquela luz.
No entanto Sesshoumaru não voltou a ver Omnirion. Os seus olhos fecharam-se para sempre e a sua alma fugiu do corpo para muito longe, finalmente livre de todas as dúvidas e de todos os medos. Levava ainda consigo a memória de Rin no vestido de noiva, naquele dia em que pareceu a Sesshoumaru uma deusa mulher. A sua deusa mulher.
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