A Filha Da Timidez
13 Capítulo 12 – A emboscada
Escondi o bilhete em baixo do travesseiro e me deitei. Não dormi, mas fingi. Não consegui parar de pensar naquele bilhete. Porque eu? O que queriam de mim? Se tiver alguém obcecado é pela Jullie e não por mim! Então por quê? Não dormi e fiquei com as dúvidas na cabeça.
Na manhã seguinte me levantei disposto a mostrá-lo para a Jullie. Já havia guardado segredo sobre o garoto, mas não podia fazer o mesmo com aquele bilhete. Ela tinha o direito de saber! Troquei-me e saí do quarto, já batendo na porta do quarto das garotas. Babi abriu.
– Babi, cadê a Jullie?
– Não sei, acordei agora pouco e ela já não estava mais aqui.
– Tem idéia de onde ela pode estar?
– Não, mas sei que ela gosta de andar por aí quando não tem nada pra fazer.
– Ok, eu vou procurar ela. – já fui saindo.
POV Jullie
Eu tinha ficado estressada por estarmos voltando mais cedo do que deveríamos. Por mais que eu detestasse praia, estava amando aquela ilha. Era linda! Mas talvez fosse melhor assim. Decidi voltar para o quarto pra ver se Babi já tinha acordado. No meio do caminho encontrei o Wes. Quando ele me viu, saiu correndo ao meu encontro.
– O que foi? – notei que ele estava querendo dizer algo.
– Eu preciso conversar com você, mas não aqui. Venha comigo. – ele pegou em minha mão e começou a me puxar.
Ele me levou até uma lanchonete. Só funcionava durante a tarde, mas ficava aberto o dia inteiro para quem quisesse entrar. Era um lugar muito bonito e simples. O teto era espelhado e havia janelas gigantes, com vista para o mar. Nos sentamos em uma das poltronas vermelhas e Wes não esperou nem mais um minuto para começar a falar.
– Eu te trouxe pra cá porque eu sabia que não tinha ninguém aqui, e eu preciso te contar uma coisa.
– Que coisa? Não faça essa cara, está me assustando. – sua expressão era de preocupação.
– Ontem, antes de dormir, eu encontrei isso grudado na cabeceira da minha cama. – e me estendeu um pedaço de papel. O encarei. Wesley tinha recebido um bilhete? Não, não poderia ser! Logo ele começou a balançar a mão, insistindo para que eu pegasse. Cedi. “Não se preocupe Wes, eu prometo que você não sairá ferido desta brincadeirinha. Basta fazer o que é necessário.”, era o que estava escrito.
– Como assim “Basta fazer o que é necessário”? – pensei alto – O que é necessário fazer? – direcionei meu olhar para ele. Seus olhos me indicavam que ele estava tão confuso quanto eu.
– Eu não faço a menor ideia.
– Mas porque você? Quem está por trás disso está obcecado por mim, não por você.
– Eu já pensei nisso, mas acho que estamos pensando da maneira errada. – voltei a encarar o bilhete e o silêncio prevaleceu. Notei algo um tanto quanto diferente.
– A letra... Não é a mesma letra dos bilhetes que eu ando recebendo.
– Será que...
– Ou é isso ou alguém está tentando nos confundir mais ainda. – o interrompi, já sabendo o que ele iria dizer. Antes que ele pudesse responder, um barulho ecoou pelo lugar. Nos levantamos, assustados. Wesley não pensou duas vezes e começou a correr ali dentro. O segui. Paramos alguns segundos depois, quando encontramos um vidrinho de sal no chão, do lado de uma das mesinhas redondas. Estava quebrado e havia sal por todo lado.
– Isso não caiu sozinho. Tinha alguém aqui. – ele me olhou mais assustado do que antes.
– Vamos sair daqui. – sugeri. Wesley concordou e saímos de lá em um piscar de olhos.
Fomos para a parte externa do navio. Ficamos sentados em cadeiras de madeira que estavam ao redor da grande piscina que havia lá fora. Resolvemos esquecer o assunto dos bilhetes e conversar sobre isso em outra hora. Passamos boa parte da tarde conversando, rindo e observando as pessoas que nadavam ali. Sem percebermos o tempo fechou e começou a chover. Saímos correndo para dentro do navio, mas foi inevitável não ficarmos ensopados. Wes até levou um tombo enquanto corria na chuva. E confesso que deslizei algumas vezes, mas não cheguei a cair. Fomos direto para nossos respectivos quartos para tomar um banho.
– Ei, você quer jogar boliche mais tarde? – Wes falou antes que eu entrasse no quarto.
– Tem boliche aqui?
– Tem sim. E então, topa?
– Topo sim.
– Chame a Babi, eu vou chamar o Rapha também.
– Ok, até daqui a pouco. – e entrei no quarto.
Babi estava ali, vendo TV, e logo topou o meu convite, então eu finalmente fui tomar um banho bem quente antes que a gripe me pegasse de jeito. Não quis me arrumar muito, afinal, era apenas pra jogar boliche. Não fiz nada no cabelo, apenas sequei e deixei-o bem ondulado. Como estava friozinho coloquei uma blusinha simples cinza com uma jaqueta por cima, uma calça preta e um tênis, também simples. Nem maquiagem eu fiz, mesmo Babi insistindo muito. Depois que Babi terminou de se arrumar fomos encontrar os garotos.
Wes estava tão lindo. Quer dizer, ele sempre estava, mas nesse dia estava estonteante. Aquele cabelo bagunçado tirara o meu fôlego. Era difícil ver ele sem boné. Usava uma calça bem frouxa – dava pra ver uma parte de sua cueca – um tênis preto, da Vans, bem simples, e uma camisa com um desenho muito bacana de caveiras misturado com algo ligado a skate.
– Você está linda. – ele me elogiou.
– Você também está. – não sabia mais o que dizer. Acho que fiquei corada.
Trocamos mais algumas palavras até que chegamos ao local do boliche. Não era um lugar muito pequeno, mas também não era grande. Só havia duas pistas para jogar boliche ali, e uma delas estava ocupada. Tivemos sorte em chegar e conseguir pegar a outra pista. Seria a minha primeira vez jogando boliche. Não demoramos muito pra começar a jogar. Wes e Rapha eram muito bons, mas eu e Babi... Muito pelo contrário. Todos riram quando eu, acidentalmente, joguei a bola na pista ao lado. Tudo bem, eu sempre cometia uma gafe mesmo. Ficamos jogando durante umas 2 horas e só depois voltamos para nossos quartos. Havia sido uma noite fabulosa, uma das mais divertidas. Só perdia para o dia do show de rock, é claro. Nos despedimos e cada um foi para o seu respectivo quarto.
Poucos minutos depois de voltarmos para o quarto eu recebi uma mensagem no meu celular. Era do Wes. “Será que você pode me encontrar aqui no SPA? Tenho algo que quero dizer já faz um tempo, mas queria ter essa conversa a sós com você. Estou te esperando.”
– Até parece. – pensei alto enquanto olhava para a tela do celular.
– O quê? – Babi escutou.
– Wes me mandou uma mensagem e quer que eu vá até o SPA. Disse que tem algo para me falar.
– Vai logo então sua idiota!
– Tá loca?! No SPA? Ele deve estar com segundas intenções e simplesmente não vai rolar.
– Como assim não vai rolar?! Larga de ser idiota! Você mesma disse que gosta dele.
– Eu sei Babi, mas eu nunca... Você sabe. É complicado.
– Sempre tem uma primeira vez pra tudo. Anda logo. – ela já estava me enxotando do quarto.
– Mas eu... – ela bateu a porta na minha cara antes que eu pudesse terminar de falar. “Ok, eu não tenho escolha.”, pensei, e fui para o SPA.
POV Babi
Expulsar a Jullie do quarto foi o plano perfeito. Mais perfeito ainda era saber que ela iria se encontrar com o Wes e que o Rapha estaria sozinho. “Porque não fazer uma surpresinha para ele?!”, pensei. E foi isso mesmo que eu fiz. Não me troquei e nem nada, fui do jeito que voltara do boliche. Abri a porta do quarto dos garotos esperando ver apenas uma única pessoa ali, mas fui surpreendida.
– Wes? O que você ta fazendo aqui?! – eles me olharam confusos.
– Como assim?! Esse é meu quarto ué...
– Eu sei, mas você não tinha mandado uma mensagem pra Jullie te encontrar no SPA?
– O quê? Não. Além disso, meu celular está bem aqui... – apalpou os bolsos da calça, mas se assustou quando percebeu que estavam vazias. Começou a procurar pelo quarto, mas também não encontrou. Rapha só olhava sem entender nada. – Ah não...
– O quê foi?
– Eu não tenho certeza, mas eu acho que deixei o celular cair quando eu levei um tombo hoje, mais cedo.
– Espera, então não foi você que mandou a mensagem pra Jullie?! – Wes não respondeu, apenas arregalou os olhos e saiu correndo do quarto feito um louco.
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