A Filha Da Timidez

14 Capítulo 13 – Vai rolar sangue!


POV Jullie

Foi um pouco complicado passar pela recepção para conseguir chegar ao SPA sem me verem, mas nada impossível. Foi como brincar de espiã. Eu fazia isso quando era menor.

O SPA estava escuro, mas não totalmente. Na verdade eram vários SPAs ligados a um corredor bem longo. Parecia um pequeno labirinto. Não havia ninguém ali.

– Wes? Você está aí? – falei, olhando para o nada. Não obtive resposta. Resolvi conferir o número do celular que me mandara a mensagem, mas nada mudou. Era sim o número do Wesley, então ele estava ali em algum lugar.

Confesso que fiquei com medo. Entrar em um corredor escuro no meio da noite não é nada legal. Fiquei ali, parada por alguns minutos, esperando para ver se Wes dava as caras. Quando desisti de esperar, me virei com o intuito de ir embora, mas trombei em alguém que estava parado atrás de mim. Podia ver perfeitamente o formato de seu corpo, mas não podia ver o rosto. Não havia claridade o suficiente para isso. Logo presumi que fosse o Wes.

– Que susto seu idiota! Porque demorou? – dei um tapa de leve em seu braço. Não obtive resposta. Foi algo estranho e um pouco perturbador. Pude sentir suas mãos se entrelaçando nas minhas e me conduzindo até um dos SPAs. Não interrompi.

– O que você queria me dizer? – eu sabia que ele não queria dizer nada, mas eu estava nervosa demais e precisava dizer algo. Novamente não obtive resposta. Senti suas mãos em minha cintura, levando meu corpo de encontro ao dele. Logo mais pude sentir sua respiração em meu rosto. Aproximava-se cada vez mais. Foi questão de segundos até nossos lábios se tocarem. Foi... Bom. Até certo momento. Suas mãos deslizaram pelo meu corpo, entrando por debaixo da minha blusa. Fiquei incomodada e me afastei.

– Eu acho que estamos indo rápido demais... – Não sei explicar, mas não me sentia a vontade. Não era como se realmente fosse ele ali. Wes não faria algo assim a menos que ele estivesse fingindo ser alguém totalmente diferente o tempo todo, o que não era tão provável.

Logo ele voltou a me agarrar, mais forte do que anteriormente. Dessa vez tentou tirar minha blusa, e conseguiu. Tentei afastá-lo, mas era como se ele não se importasse e quisesse continuar mesmo contra a minha vontade. Nesse momento notei que havia algo errado. Esse não era o Wes. Não podia ser!

– PARA WESLEY! – não adiantava pedir. Tentava a todo custo me beijar a força. Provavelmente era para me fazer ficar de bico fechado. Senti suas mãos deslizarem até minha calça. Nesse momento eu entrei em pânico. Acho que nunca me debati tanto na vida.

– Jullie, cadê você?! – uma voz ecoou pelo corredor. Era Wes. Por dois segundos me senti contente por ele estar ali. Só depois me dei conta de que eu havia beijado outra pessoa.

– AQU... – fui impedida de gritar por socorro. As mãos daquela... Daquela pessoa taparam minha boca. Percebia-se nitidamente que ele estava assustado e não esperava “visitantes”. Ouvi passos rápidos pelo corredor. Com certeza haviam me escutado, e é claro que eu não ia ficar ali, quieta. Dei-lhe um chute no meio das pernas e ouvi um gemido. Ele me soltou no mesmo instante. Acho que ele não esperava essa reação repentina de minha parte. Saí correndo pelo corredor até que trombei com a Babi e com o Wes. Babi me abraçou forte enquanto Wes saiu correndo para fora dali.


POV Wesley


Jullie surgiu do nada. Estava aflita. Atrás dela vi um vulto correndo na direção oposta, saindo do local. Era ele! Aquele desgraçado iria pagar por tudo! Corri e o persegui. Provavelmente ele não notou que havia alguém correndo atrás dele e se surpreendeu quando pulei em cima dele. Nós dois caímos no chão. Ele tentou se rastejar para fugir, mas eu não permiti. Subi sobre ele e comecei a dar socos em seu rosto, um atrás do outro. Acho que foi o suficiente para foder com todo o nariz do cara. Não dava pra ver, mas provavelmente minha mão estava cheia de sangue naquele momento. Bati sem dó!

Depois de ser nocauteado, houve a reação. Ele me segurou pela garganta e me jogou pro lado. Levantou-se rapidamente e começou a chutar a minha barriga com força. Depois de apanhar um pouco segurei em uma de suas pernas e puxei, fazendo-o cair novamente.

Começamos a rolar no chão enquanto um tentava subir em cima do outro. Levei vários socos no rosto, o suficiente para rasgar minha boca e fazer meu nariz sangrar. Mas também posso dizer que fiz um belo estrago no rosto daquele idiota. Em um deslize meu, o deixei escapar. Ele se levantou e, sem hesitar, chutou meu rosto com toda a força que conseguira. Fiquei desnorteado. Minha visão ficara embaçada e eu já não enxergava quase nada. Uma dor profunda tomara conta de mim. Acho que aquele filho de uma puta havia conseguido quebrar o meu nariz. Senti-me acabado, derrotado. Pude ver seu vulto indo embora, mas antes ele se virou para mim e jogou meu celular sobre meu corpo. Fez um sinal de adeus com as mãos – que, para mim, foi um tanto quanto irônico – se virou e continuou andando como se nada tivesse acontecido. Tentei me levantar, mas em vão. Apaguei.

Notas finais
Sim, eu sei que esse capítulo demorou bastante para ser postado. Mas não me matem! Minhas aulas começaram na semana passada e, por ser o último ano, as coisas estão um pouco corridas. Tentarei não cometer o mesmo erro mais uma vez, ok? E deixem um review! Bjs