A Filha Da Magia
4 O Enigma da Esfinge
Notas iniciais
Dou um grito enquanto abro a porta do carro freneticamente. Sangue jorrava pelo ferimento do motorista. Estou completamente apavorada, não sei o que fazer.
É aí que o vejo. O monstro. Um ser esquisito com corpo de leão e cabeça de mulher, ele possuía asas e um venenoso rabo de serpente. Era familiar. Obrigo meu cérebro a me lembrar. Que bicho é aquele, Diana? Pense. Pense!
E então o bicho diz:
– Decifra-me, ou devoro-te.
Solto um palavrão. Vou ter que lutar com uma Esfinge? Calma, Diana, calma! Ela só quer te mostrar uma charada, então ela vai embora e te deixa viver! Não é?
– Diga seu enigma — eu digo trêmula, tentando demonstrar coragem.
A Esfinge sorri. Um sorriso sádico e sangrento, mostrando suas presas cheias de carne.
– Tudo ele devora — começa — devora carne, devora sangue, devora rocha, devora florestas e desertos! Tudo ele devora!
Fico um momento em silêncio, e percebo que ela quer que eu diga o que é isso que ela tanto fala. Tudo ele devora. Quem? Começo a pensar na hipótese de sair correndo desesperada.
Aí me lembro. Lembro das doces brincadeiras que papai fazia. E me lembro daquela pergunta em especial. A resposta escapa da minha boca antes que eu perceba:
– É o tempo. — digo simplesmente.
A Esfinge rosna de frustação. Então para um momento, como se ouvisse alguém se aproximar, como se ouvisse... conselhos.
– Mudança de planos, lindinha — ela diz — Aquela que sirvo quer você. Ela quer muito. E tenho que te levar para ela... mesmo que seja um pouco ferida.
Arregalo os olhos. Pelo visto nosso acordo havia descido pelo ralo.
Então num movimento rápido e violento, ela me ataca, desvio com mais rapidez e consigo tirar uma flecha a tempo da mesma atingir seu pescoço. O bicho vira areia, deixando apenas um colar com uma imagem menor da Esfinge como pingente. Pego e o coloco.
Então noto que a areia começa a se mover, como se o bicho estivesse voltando. Pego a flecha que a atingiu, guardo na aljava e corro. Corro muito. Mas eu sabia meu destino, meu sexto sentido sempre foi muito forte!
Tive que subir uma colina. Eu estava cansada demais. Fisicamente e emocionalmente. Me agarro a um pinheiro grande e majestoso. Se não me engano havia um dragão olhando para mim com gigantes olhos amarelos. Mas o cansaço fala mais alta, e desmaio em poucos segundos.
Acordo com um garoto de mais ou menos 18 anos olhando para mim preocupado, segurando uma taça dourada nas mãos. Ele tinha pele negra e cabelo enrolado... e chifres! Franzi o cenho.
– Quem é você? — perguntou com a voz rouca.
– Meu nome é Grover — ele diz devagar — sou um sátiro.
– Um o quê?
– Sá-ti-ro. Um híbrido metade homem, metade bode.
Olho para suas pernas. Ele falava sério.
– Onde eu estou?
– Acampamento Meio-Sangue.
Então eu havia conseguido. Bom! Eu sento, minha cabeça começa a girar.
– Bebe isso aqui — ele diz — vai ajudar.
Pego a taça e bebo um gole. Mas não me contento. Logo, o líquido com gosto do chocolate quente que só minha mãe faz, acaba em alguns segundos.
Mas ele não tinha cor de chocolate quente. Era dourado.
– Que isso? — pergunto.
– Néctar, bebida divina. Ajuda em ferimentos de semideuses, mas é melhor parar por aí...
– Semideuses... Sátiro... Acampamento... Não foi um sonho afinal.
Ele ri.
– Não, não foi. — ele diz.
– O que temos aqui? — diz uma voz em tom sarcástico, se aproximando. A voz pertencia a um homem negro e careca. Ele segurava uma taça de vinho. Seus olhos possuíam um estranho brilho púrpura.
– Oi — digo.
Ele sorri, Grover engole em seco. Não entendo o que tem demais no homem. Então ele diz:
– Olá.
– Quem é você?
– Sou Dionísio, o deus do vinho. Mas pode me chamar de Sr. D.
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