A Filha Da Magia

14 Minha Conversa Com Hécate


Notas iniciais
Lamento ter demorado tanto a postar, gente! Estava de viagem. Mas voltei com tu-do!! rsrs Um feliz ano novo para vocês.

Logo, éramos 4 semideuses em 3 pégasos perdidos e agitados em meio ao furacão. Eu podia ver as penas brancas de meu pégaso se soltando, e não havia nada que podíamos fazer a respeito.

Eu estava em pânico, mas também estava longe dali. Como se estivesse sendo arrastada para algum lugar. Ouvi o semideus chamado Leo Valdez me balançar e gritar meu nome, Percy se aproximou com dificuldade. Mas depois de poucos segundos, tudo se apagou.

Quando abri meus olhos de novo estava num jardim. Um cenário muito diferente do anterior. Mas esse jardim não era colorido, cheio de margaridas, rosas e um lindo pôr-do-sol.

Era seco, iluminado por uma luz negra e azulada. Estava de noite. Uma lua cheia brilhava intensamente acima de mim. Haviam árvores ao meu redor, árvores sem folha alguma. Sem vida algum. Secas e nebulosas.

Mas nada disso chamou minha atenção tanto quanto a bela mulher, vestida de preto, que se sentada num banco de mármore.

– Olá, Diana — ela disse com uma voz angelical.

– Quem é você? Onde estou? É um sonho? Que jardim é esse?

– Tecnicamente é, sim, um sonho. Está numa floresta, na verdade. A mesma floresta na qual acabou de fugir.

Fiquei em silêncio, esperando que a estranha respondesse minhas outras perguntas. Ela tirou uma mecha dos cabelos negros do rosto e disse de forma inocente:

– Meu nome é Hécate.

Demorei muito tempo para responder. E o que eu disse não foi nada do que eu esperava, ou queria.

– Mãe?

Ela sorriu.

– Por que me trouxe aqui? — pergunto de forma fria.

– Diana, eu preciso de avisar... Do imenso perigo que está correndo.

– Eu já sei! Gaia está acordando e juntando um exército...

– Não. É muito mais que um exército. São os irmãos dela!

– Que irmãos são esses afinal? — a esse ponto eu parecia uma criança teimosa e confusa, exigindo uma explicação... Ou atenção.

– Os deuses primórdios: Pontos, Urano e Tártaro.

Gelei de medo. Eu precisava de ajuda, alguma luz, alguma proteção. Demorei muito, muito tempo para poder dar algum sinal de que ouvia. Por fim, eu apenas disse:

– Tártaro não é um abismo?

– O abismo tem um espírito. Uma alma. E Gaia quer despertá-la. Minha bola de cristal oferece o futuro, mas só os Escolhidos podem decifrá-la. Ela contém o espírito de antigos profetas e oráculos.

– Gaia não tem um Escolhido... Ou tem?

– Grande parte dos Escolhidos são meus filhos...

Espero.

– Sim, ela tem — diz Hécate por fim — e você terá de impedir que ela encontre um meio de trazer Pontos, Uranos e Tártaro de volta a vida.

– Como faço isso?

Hécate sorri para mim, como um adeus. Ela se levanta e acaricia minha bochecha e dá sua última sentença:

– Usando a bola primeiro.

Estou de volta a meu pégaso. Girando e girando. Rachel continuava gritando algo para mim. Ela queria que eu parasse o furacão.

– DIANA! — esse era Percy gritando — POR FAVOR, ACORDE!

A voz desesperada dele me trouxe de volta. Tentei ver as possibilidades. Eu voltei ao pânico.

E fechei os olhos de novo. Ignorando todo o ventaval. Todos os ventos inquietos. E lembrando da leve brisa que passava da janela do carro de meu pai, quando passávamos pelas ruas do Rio... Cantando. Lembro da risada dele. Focando na brisa. Sempre na brisa.

Os pégasos pararam de relinchar. O vento parou de ser violento. Nós pousamos. Desci do pégaso, com os olhos ainda fechados, ainda presa às lembranças de meu pai, da brisa...

Uma mão pousou em meu rosto. Minha consciência continuava voando. Quase sussurrei "papai". Quando senti lábios contra os meus.

Abri os olhos, exasperada, ao perceber que eram de Percy.

– Percy!

Rachel ainda pousava o pégaso, e Leo Valdez parecia muito ocupado observando seu machado. Notei que ninguém prestava atenção.

– Desculpe — disse Percy enrubescendo — mas, eu... Não havia, como... Eu acho que...

– Percy — eu sabia o que aquele beijo significava para mim, por isso as lágrimas estavam sendo contraídas — você tem uma namorada. Que ama. Eu não posso com isso.

Ele se pôs muito próximo de mim, nossas testas quase coladas uma na outra. Seus olhos cor de oceano encaravam os meus.

– Eu acho que te amo, Diana.

Suspiro.

– E ela, Percy?

– Eu vou dar um jeito. Eu te disse. Eu não sei de mais nada agora. Não quero passar minha vida brigando com alguém...

– Mas, você não a ama?

– Sinto que não.

Naquele momento o único pensamento que passava pela minha cabeça era de como eu era uma vagabunda destruídora de lares. Me afastei devagar de Percy, sentido uma pontada no coração ao fazê-lo.

Rachel se aproximou, os cabelos parecendo um ninho de ratos.

– Você... foi... incrível!

– Verdade — disse Leo Valdez empolgado — mas o furacão até que estava divertido...

– Obrigada a vocês dois... — digo rindo.

Rachel sorriu, um pouco tonta. Ao olhar para cima percebo uma nuvem cinza escura cobrindo o Monte Otris. Pelo visto, havíamos chegado a nosso obejetivo. Estávamos prontos para subir o monte, quando nos viramos ao ouvir uma voz.

– Então chegaram! Os salvadores do Olimpo... Já não era sem tempo.

Quando me viro, me deparo de frente para a garota inocente que gritava no meu primeiro dia no Acampamento. A que estava banhada no próprio sangue, que tinha olhos tão dourados quanto os meus.

Samantha Clarke.