A Filha Da Magia
15 Luto Com Minha Irmãzinha
Algo em minha cabeça afirmava que isso não era certo! A garota tão inocente e assustada que encontramos no Acampamento. Seus olhos dourados, na ocasião tão confusos e medrosos, agora eram ameaçadores. Ela esbanjava um meio sorriso cruel, olhando fixamente para mim. Não desviei o olhar dela,
– Oi — ela diz amargamente — irmãzinha.
Um mundo caiu em minhas costas, tudo fazia sentido... Mas ainda não acreditava, jamais acreditaria. Ela pode ver a confusão passar pelo meu rosto, o que a fez sorrir ainda mais.
– Você não é minha irmã — digo — jamais será minha irmã.
Ela levanta a mão, e a fecha rapidamente. Com esse movimento ela conseguiu tirar eu e meus amigos do chão. Ficamos suspendidos, respirando com dificuldade.
– Mamãe nunca me reclamou — ela foi dizendo enquanto voámos até o topo do Monte Otris — nunca. Mas isso jamais foi um problema. Pois eu herdei os poderes dela... E algo mais.
Eu lutava para me soltar da magia de Samantha, mas nada adiantava. Ela era muito mais experiente do que eu, ela tinha poder para me manter presa ali.
– O que quer dizer com isso? — pergunto procurando distraí-la.
Ela ri alto.
– Acha que é a única filha de Hécate que pode controlar os Elementos? De onde acha que veio esse vento?
Fico em silêncio.
– Aqueles com Poder para controlar os Elementos — continua — são os Escolhidos.
– Você trabalha para Gaia, não é?
Ela coloca a mão dentro da bolsa de pano, que foi ignorada por mim todo esse tempo. Quando sua mão volta a ser vísivel, havia uma bola de cristal que ela segurava com firmeza.
– Você... — sussurro.
– Eu!
Chegamos ao topo. Havia um palácio grego gigantesco a nossa frente, sombrio e ao mesmo tempo belo. Samantha fez um movimento e as portas se abriram com violência. Havia uma éspecie de altar no centro, com objetos usados para bruxaria... Um caldeirão negro enorme, uma adaga azul, algumas ervas e um gigantesco espelho de prata.
Samantha parou na frente do espelho, mas o reflexo ali não era o dela... Era de uma mulher. Uma mulher vestida de terra.
– Gaia — sussurro.
A mulher parecia dormir, seus olhos estavam fechados e ela bocejava de vez em quando. Mas sorriu ao me ouvir falar.
– Oi, minha Pequena Caçadora — ela diz. Era assim que meu pai me chamava, Pequena Caçadora, e foram essas suas últimas palavras antes de ter um punhal enterrado no peito.
A raiva tomou conta de mim, causando zumbidos nos meus ouvidos. A barreira de magia onde Samantha me prendera explodiu como cacos de vidro. Percebi ocorreu o mesmo com meus amigos... Mas eles estavam desmaiados.
– O que você fez? — pergunto cuspindo as palavras com ódio.
– Isso aqui é entre família... Não acha? Caçadora?
Agora ela foi longe demais.
Piso forte no chão. Não foi uma coisa muito ameaçadora, mas assim que o fiz, houve um terremoto. Raízes de árvores saíram do piso branco do Palácio, batendo no chão como eu havia feito. Causando o caos.
Umas delas deu uma rasteira em Samantha, fazendo-a escorregar e cair com força no chão.
– Você controla a terra melhor do que pensei — ela rosna — achei que você só lidasse com faíscas...
– Acho que a floresta é cortesia de Ártemis — digo sorrindo.
– Tenho que me lembrar — ela fala começando a se levantar — porque seu lindo apelidinho é Caçadora.
Uma rajada de vento me atingi, me jogando contra a parede de mármore. Ela avança contra mim com muita rapidez. Fico invisível.
Ela grita com raiva. Faço uma bola de luz roxa atingir suas costas, isso faz ela ficar um pouquinho queimada.
Fico visível novamente.
– Gostou? — pergunto.
Ela dá um sorriso sádico.
– É só isso?
Ela começa a girar, e girar, e girar. Ela fica ali rodopiando que nem uma bailarina, e aos poucos o vento a acompanha. Causando um furacão.
Não tenho ideia do que fazer naquele momento, o furacão parece estar prestes a colidir contra mim. Ninguém é páreo com o próprio ar. Nenhum dos Elementos são.
Então nós duas vamos brincar com o mesmo brinquedo!
Ela envia todo o furacão em minha direção, que vem medonho prometendo destruição. Então acontece algo que minha querida Sam não esperava... Começo a absorver a energia do furacão, fazendo todo o ar contido nele se tornar uma bola na palma de minha mão. E ela desaparece.
Por um momento ela está perplexa demais, e penso que essa é a hora. Cerro os punhos e correntes em chamas saem do chão e agarram os seus pulsos e calcanhares. Tornando-a minha prisioneira.
Ela começa a gritar de dor.
– Solte-os — ordeno.
– Não!
– Solte-os... Agora!
Ela pisca os olhos com força. Meus amigos começam a acordar e agira como se tivessem dor de cabeça.
– Di — Rachel diz sonolenta — o que houve?
– Ela roubou.
Percy se aproxima e toca minha bochecha.
– O que ela fez com você? — sussurra.
Fico imaginando que danos em meu rosto a vadia deve ter causado.
– Está tão ruim assim?
– Só uns arranhões...
Leo Valdez se aproxima.
– Arranhões? — diz ele — tá brincando né? Olha só esse corte no pescoço! Olha a cara dela, metade ta roxa e metade ta verde!
– Cale a boca, Valdez — digo.
Ele dá um sorriso travesso.
– Diana — diz Rachel — ela... Está se soltando.
Olho para Samantha e vejo seus olhos fixos em sua bolsa de pano, as correntes começam a virar pó aos poucos. Sei o objetivo dela... E sei o que devo fazer.
Corro em direção a bolsa, pego a bola de cristal... Estou pronta para usá-la a qualquer custo.
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