Nos encontramos na base da colina.

— Estão todos aqui? – perguntei – Tami?

— Aqui!

— Lívia e Laís?

— Sim

— Black Jack? Felipe?

— Sim

— E sim. Ma, espera. – disse Felipe – Como vamos passar pela fronteira mágica?

— Com licença. – disse puxando Tamires e abrindo caminho por entre Felipe e Black Jack. Abrimos o livro e recitamos um feitiço, quebrando por apenas alguns segundos as fronteiras mágicas do acampamento.

— Vão, não vai durar muito! – gritou Tamires

Passamos e corremos em direção a rodovia.

— E agora, o que fazemos? – perguntou Lívia

— Isso, eu resolvo! – disse Felipe assoviando.

Em apenas alguns minutos, havia três cavalos alados acima de nossas cabeças, Felipe fez sinal para que aterrizassem suavemente.

Os três pégasos desceram suavemente até o solo e Felipe disse:

— Querem carona?

— Claro! – exclamamos

Montamos nos cavalos alados. Fui com Tamires e Mayara em corcel grande e preto como a noite. Black Jack e Laís montaram em um cavalo branco. E Lívia foi com Felipe em um cavalo marrom.

Levantamos vôo guiados por um medalhão que fora presente de minha mãe, ele sempre mostrava o caminho certo a seguir. Já estava quase amanhecendo quando paramos para comer algo. Aterrizamos em uma mata para que os mortais não vissem os cavalos. Eu sei que eles não conseguem ver através da Nevoa, mas é melhor prevenirmos.

Nossa parada foi bem tranqüila. Resolvemos que seria melhor encontrarmos algum lugar para descansarmos um pouco.

Pousamos em uma caverna que se situava em uma montanha.

— Eu fico de vigia um pouco e depois alguém fica em meu lugar – se ofereceu Black Jack.

— Certo, vigio depois de você, é melhor deixarmos as garotas descansarem. – concluiu Felipe

Fizemos uma fogueira para nos aquecermos e adormeci.

Tive um sonho com Fabrício, o filho de Hades. Eu estava em sua prisão, o lugar não era nada agradável. Era úmido, escuro e cheirava a mofo.

— Marina, pelo que pode ver recuperei minha memória e agora estou acorrentado por meu pai, ele fará de tudo para que não me encontrem e para que eu continue preso aqui. Eu não tenho muito tempo, então vou te contar o que eu sei. Essa maldição vem de um bom tempo atrás e é bem, uma profecia que pode acabar com uma parte do Olimpo. Ou com todo ele. Ela se refere a filha de uma deusa que foi odiada por muito na idade media e, suas discípulas eram queimadas. Essa prole é a única chance de salvar o mundo olimpiano. E ao que tudo leva a você. E, por isso meu pai vai fazer de tudo para que você não permaneça viva. Ele está bravo e quer vingança por ter sido banido do Olimpo quando os Três Grandes tomaram o poder. Ele está mandando os piores monstros do Tártaro e eles viram atrás de vocês. Por isso tome cuidado.

— Mas, Fabrí... – não consegui concluir o que iria dizer. Felipe me acordou aos berros, quando abri meus olhos estávamos cercados por seis empousas que não pareciam nada felizes.

Peguei meu anel que se transformou em uma longa lança que agora eu conseguia manejar com facilidade, Laís estava com sua adaga, Black Jack e Mayara estavam com seu arco-e-flecha, Felipe levava seu clipe de metal que logo se transformou em um lindo e grande tridente, Lívia carregava seu dardo que nunca errava o alvo, Tamires carregava o livro de feitiços e seu colar mágico.

Tamires lançava feitiços protetores e nós atacávamos as empousas com dificuldade. Elas eram muito habilidosas e ágeis.

— Felipe! Cuidado! – gritou Lívia alertando Felipe que tinha uma delas quase grudada em se pescoço – Não deixe-as te morder, são como vampiras.

— Pode deixar – disse Felipe acertando em cheio o coração de uma empousa.

— Menos uma – exclamei.

Tamires já estava enfraquecendo, e nem o feitiço parecia funcionar mais.

— Tamires! – gritei, enquanto via minha irmã cair no chão. Peguei o livro e uma de suas mãos. – Me ajude, juntas somos mais fortes.

Lemos o feitiço em voz baixa, repetidamente.

— Vamos, continuem – gritou Laís – Está funcionando.

Via Lívia e Felipe decapitarem as empousas. Black Jack, não errava um só tiro com suas flechas e Laís acertava os corações com sua adaga.

Perdi minha consciência e quando eu acordei estávamos de volta no céu. Mas, desta vez eram pégasos bem maior do que os outros.

Black Jack era um dos melhores médicos de Apolo, me deu um pouco de Néctar para que eu me recuperasse.

— Como estão todos? – perguntei

— Estamos bem, exceto por Tamires. – disse Laís

— Laís! – disse Lívia cutucando a irmã, como se pedisse por silencio.

— Tamires, onde ela está?

— Está aqui, — disse Felipe – comigo. Mayara esta me ajudando a limpar seus ferimentos.

— Mas, como ela está?

— Vocês desmaiaram enquanto nos protegiam, Tamires bateu um tanto forte com a cabeça e está inconsciente.

Viajamos por mais um longo percurso até chegarmos ao Canadá.