Meu nome é Marina, eu levo uma vida normal. Isso é, levava até descobrir que eu não era, bem, uma adolescente comum.

Era uma linda manha de sábado, eu e meu amigo Lucas, passeávamos pelo parque, como de costume. Nos sentamos próximo ao lago, na grama e ficamos por um tempo, observando as nuvens. Quando algo passou rente as nossas cabeças. A principio não distingui bem o do que se tratava. Quando Lucas gritou:

— Corra Marina! Esconda-se.

Corri.

Fui para perto de um arvore que se situava próximo à saída do parque. Não adiantou. Aquela coisa que e parecia com um morcego gigante continuou me perseguir.

— Marina! Pegue! – disse Lucas jogando para mim um anel.

Peguei o pequeno objeto que, logo se transformou em uma lança que eu mal conseguia segurar.

— O que é isso Lucas? O que esta acontecendo aqui?

— É uma longa e perigosa historia. Te explico quando chegarmos.

— Chegarmos aonde?

— Você vera.

E isso foi tudo que ouvi antes de bater minha cabeça e desmaiar.

Lembro-me de ter acordado em algum lugar que me parecia ser de outra época.

Sentei-me ainda meio zonza. E com a visão um pouco embaçada.

— Onde estou? – perguntei

— Bem vinda de volta Marina!

— Lucas! É você! – disse quase o esmagando em meus braços.

— Também estou feliz que esteja bem.

— Mas... Que lugar é esse?

— Se chama Acampamento Meio-Sangue. É um lugar para pessoas como você.

— O que você quer dizer com “pessoas como você”?

— Venha, conheço alguém que poderá te explicar melhor. — disse Lucas me ajudando a levantar.

Olhei para baixo ainda meio zonza.

— Lucas! Suas pernas! O que houve?

— Ah... Bem... Eu não queria lhe contar assim, desse jeito.

— Eu estou em um lugar que você me diz ser para pessoas como eu, com um galo gigante na minha cabeça e um amigo que esta com um par de pernas de BODE! Eu mereço explicações. Não acha?

Lucas me puxou e me levou para fora daquele lugar que distingui como enfermaria.

— Pare com esse mistério todo! Me diga aonde você esta me levando?

Lucas continuou a me puxar sem dizer mais nenhuma palavra.

Chegamos a uma grande casa, entramos em uma sala que, parecia um salão de jogos.

— Sente-se – ofereceu-me um homem que, surgiu não sei de onde.

— Quem é você? O que eu estou fazendo aqui? E... – o homem não me deixou terminar as minhas inúmeras perguntas.

— Acalme-se criança. Lhe darei todas as respostas que deseja.

— Certo! – falei com um tom de desgosto.

— No mundo há mais ‘tipo’ de pessoas do que você imagina. Lembra-se daqueles mitos sobre Deuses e Deusas da Grécia e Roma antiga? – perguntou-me Quiron.

— Vagamente...

— Aqueles Deuses e Deusas ainda vivem e ‘ficam’ com mortais tendo assim proles metade humanas e metade Deuses. – disse Quiron apontando em minha direção.

— Não, não, não pode ser! Eu sou só uma garota do interior de Nova York. De jeito nenhum sou isso que vocês dizem. Definitivamente, eu sou a garota errada.

— Má, lembra-se daquele dia no parque? Aquele morcego que nos perseguia era uma fúria. Ainda não sabemos muito bem o que exatamente ela fazia aqui e nem o que ela queria.

— Nossa então tudo isso, é mesmo real! – disse eu, incrédula – Mas, Lucas, e suas pernas? O que houve com elas?

— A, isso. Eu sou um sátiro. Sou encarregado de trazer os semideuses seguros para cá. Me tornei seu amigo logo que eu soube o que você era.

Eu me sentia mais como algum tipo de mutante do que metade Deusa.

— Seu eu sou mesmo isso que vocês dizem “metade Deusa” , quem é minha mãe olimpiana?

— Ainda não sabemos. Mas esperamos que hoje a noite na fogueira, você seja reclamada. – explicou-me Lucas

— Lucas, leve-a para o chalé de Hermes para que descanse e ponha suas ideias no lugar. – sugeriu Quiron

Saímos da grande casa e nos dirigimos aos chalés. Era algo como um U gigante. Formado por chalés de varias cores, formas, tamanhos e enfeites.

Nossa caminhada até o chalé de Hermes foi bem silenciosa.

Em quanto andávamos, pensei em tudo o que havia acontecido até aquele momento. Pensei no acidente de meu pai e em quem poderia ser minha verdadeira mãe.

— É aqui – disse Lucas abrindo a porta para que eu entrasse.

Ao entrarmos a primeira coisa que pensei foi: Uau! Que bagunça!

— Seja bem vinda – me recebeu um sorridente garoto que se apresentou como Léo, filho de Hermes.

— Léo, essa é Marina, ela é nova aqui. Tem uma cama sobrando para que ela possa descansar?

— Sim, venha por aqui Marina.

Léo me levou a uma cama encostada na parede.

— Obrigada.

— Aqui estão, toalhas e roupas. Espero que fique confortável.

Léo saiu e eu fui tomar um banho e deitar um pouco.

Não consegui dormir. Muito menos descansar.

Levantei com Léo me chamando para jantar.

Lavei o rosto e descemos para o refeitório.

Logo após o jantar fomos para a fogueira quando aconteceu. Eu fui reclamada.

Um pequeno e flamejante caldeirão apareceu sob minha cabeça e, não importava para onde eu me movia, o pequeno e flamejante caldeirão me seguia.

— Seja bem vinda Marina, filha de Hécate.

Eu estava extremamente paralisada e sem reações. Não sabia o que fazer ou dizer.

Desceram dois garotos. Uma menina que aparentava ter uns 16 anos e um garoto com uns 14 anos.

— Seja bem vinda Marina, meu nome é Tamires e esse é meu irmão Thor – apresentou a garota.

— Obrigada – eu disse sendo esmagada por uma Tamires feliz demais.

— Venha, vamos ajudar a seu instalar – disse Thor.

Eu sempre fui sozinha. Criada por meu pai até os 5 anos, filha única e agora eu tinha dois irmãos com quem eu com certeza gostaria de passar um tempo junto. Eu estava tão feliz. Estava a ponto de explodir ou até sair levitando.

Saímos pelo grande campo de atividades até chegarmos a um chalé que, por fora lembrava uma daquelas casas mal-assombradas de filmes de terror antigos.

— Bem, chegamos – disse Thor abrindo a porta.

— Nossa! – foi tudo que consegui dizer.

Logo ao entrar, via-se uma grande televisão de plasma e algumas parafernálias tecnológicas. Havia apenas duas grandes camas e um sofá com formata de um U. A decoração era linda. E parecia em constante mudança.

— Por sermos filhos da Deusa da magia e bruxaria temos alguns privilégios. – gabou-se Tamires

— É lindo. Nunca imaginei que eu Marina uma garota normal, seria filha de uma Deusa.

— Acho que você conseguira se acostumar com isso... Como eu dizia, nós, filhos de Hécate, temos alguns privilégios como conseguir levitar alguns objetos com a mente, mudarmos de roupas com um simples estalar de dedos ou fazer a decoração ficar em constante mudança – concluiu Tamires.

— Acho que não vou demorar a me acostumar com isso...

Depois de arrumarmos mais um cama, jogamos alguns jogos e fomos dormir.

Sonhei que estava caindo.

Não consegui distinguir onde, mas, a cada vez ficava mais quente. Era como se eu estivesse afundando em lavas.

— Marina! Marina! Acorde. Acho que estava tendo um pesadelo. – disse Thor.

Sentei-me assustada na cama e contei o sonho a Thor e Tamires.

— Pela manhã podemos conversar com Quiron, ele poderá interpretar seu sonho – sugeriu Tamires.

Deitei-me e logo adormeci. Dessa vez não sonhei.

Acordei com o despertador, já eram 07h30min.

— Bom-dia! – disse uma espontânea e sorridente Tamires.

Levantei e tomei banho.

Eu estava animada com o meu primeiro dia no acampamento, mas também preocupada com o meu sonho.