A Feiticeira Amazona
1 Capítulo 1 – O início
Notas iniciais
Se minha vida fosse um livro, eu não saberia dizer em qual gênero ela se encaixaria. A minha história tem um pouco de tudo, então não sei dizer pra você como é o meu estilo de vida ou até mesmo como eu sou. “Tudo é relativo” ouvi uma vez, e é mesmo, se quer ter certeza de alguma coisa você precisa ver tudo de formas diferentes, ir em vários pontos da cidade e observar uma mesma figura de todos os lados possíveis, é assim que se pode ter certeza de algo. Para saber quem eu sou e como vivo, você precisará me conhecer. Prometo tentar ser o mais breve possível e desde já, peço desculpas pela bagunça que é aqui dentro.
Meu nome é Alicia Schimit, acabei de completar 17 anos e estou no meu último ano na Academia Woodhand. Nesses 3 anos andando pelos corredores e ouvindo diversas histórias não sei dizer como me sinto por ser quem eu sou. Talvez seja mais fácil começar a contar tudo a partir do momento que conheci Mila Woodhand.
Quando fui detectada era só mais uma garota de 13 anos que morava em L.A., eu aparentemente não possuía nada demais, sempre tinha sido uma boa aluna, com notas acima da média, sempre pratiquei atividades físicas e sempre fui amante de livros. Quando se apaixona pela leitura você encontra um mundo novo e é inserido em outros (como séries e filmes). Eu sempre me senti muito bem acompanhada por um bom livro nas horas vagas, então, quando não estava gastando a minha energia extra nos esportes ou na dança (sempre fui meio hiperativa), estava absorvendo a magia das palavras. Então eu não era uma pessoa com muitos amigos, na verdade não tinha nenhum, mas eu tinha duas irmãs mais novas, que eram os amores da minha vida, então me sentia realmente suprida.
Eu vivia uma vida normal, até que encontrei uma moça de cabelos brancos e olhos esmeraldas sentada no sofá da sala, tomando café com a minha mãe. Mila Woodhand.
— Alicia meu amor, você chegou tarde hoje, o que aconteceu? – minha mãe perguntou.
— Tivemos uma amostra de artes na academia hoje mãe, amostra na qual você não foi. – falei colocando minha mochila do lado do sofá. – Perdeu a coreografia nova que eu tanto ando falando.
— Desculpe Alicia, acho que eu sou o motivo da sua mãe ter se ausentado da sua apresentação. – a mulher que tinha um sorriso reconfortante e uma linda trança em seus cabelos brancos se levantou e estendeu a mão pra mim. – Prazer, meu nome é Mila Woodhand, sou sua detectora. E peço desculpas por sua mãe não ter ido, creio que devo ter chegado em má hora.
— Imagina senhora Woodhand, aposto que Alicia não vai se importar. – minha mãe respondeu. – Alicia, sente-se aqui conosco, a senhora Woodhand tem uma proposta pra te fazer.
— Mila, por favor, me chame de Mila.
Me sentei ao lado da minha mãe em frente a Mila Woodhand.
— Bem Alicia, como eu disse, sou sua detectora, sou a responsável para recrutar pessoas com os seus dons e convidá-las para estudar na Academia Woodhand.
— Academia Woodhand? Nunca ouvi falar dela, muito menos preenchi algum formulário de bolsa de estudos para nenhum lugar com esse nome. – respondi desconfiada.
— Você não nos procurou senhorita Schimit, nós a encontramos. – Mila sorriu aos dizer essas ultimas palavras. – A academia fica em Ohio, e realmente não é muito conhecida, mas acredite em mim, é o melhor lugar para se estudar.
— Como assim vocês me encontraram? – eu já não estava entendendo mais nada.
— Bem, digamos que você não é uma adolescente normal Alicia, sei que você pode não perceber, mas tem dons incomuns. – quando olhei para ela meio descrente de suas palavras, ela prosseguiu. – Me atrevo a dizer que você sente muita dor de cabeça as vezes e que, mesmo indo a vários médicos nenhum deles soube encontrar um diagnóstico certo. – ela deu uma pausa, e quando percebeu o espanto em que eu e a minha mãe encontrávamos, continuou. – E quando uma pessoa sente algum tipo de dor, ao ficar perto de você ela sente como se a dor aliviasse e você simplesmente não sabe explicar o porque isso acontece.
Quando o silêncio se prolongou e eu e a minha mãe não sabíamos mais o que fazer além de olhar uma para, Mila concluiu.
— Você é uma neutralizadora Alicia, uma Feiticeira Neutralizadora, foi assim que encontramos você. Na academia temos 6 classes distintas:
“Os Humanos, que são extremamente inteligentes e possuem habilidades esplendidas nos esportes e nos estudos; temos também os Metamorfos, eles podem se transmutar, podem ficar invisíveis, mudar a cor do cabelo, dos olhos, ficarem mais altos, qualquer modificação em sua aparência; temos os Noturnos, eles são divididos entre Vampiros e Lobisomens, essa classe é a mais singular, porque afinal, trabalha com 2 espécies diferentes em uma classe só, mas mesmo assim, são altamente poderosos; temos os Caçadores também, eles são estrategistas, peritos em armas, armadilhas e caçada, são legais a maior parte do tempo; os Heróis são semideuses, creio que você deve conhecer algo sobre o tipo, só que em vez de serem filhos de deuses com humanos, eles possuem a benção de algum deus grego e isso os tornam fortes, briguentos, competitivos e rápidos em batalhas; e por último os Feiticeiros, essa classe tem 3 tipo de poderes, os atacantes, que podem dominar um dos 4 elementos básicos, os defensores, que conseguem criar campos de forças e se proteger de qualquer coisa, e os neutralizadores que como você, conseguem neutralizar dores e poderes.”
Não sei dizer exatamente porque, mas quando a Mila terminou de dizer aquelas palavras, eu entrei em êxtase total, era uma alegria imensa me invadindo, parecia que eu estava recebendo um convite para estudar em algum lugar que só é encontrado em livros, um tipo de escola para jovens mutantes, tipo um Instituto Xavier.
— Deixa eu ver se entendi, minha filha é uma Feiticeira? – minha mãe perguntou antes que eu conseguisse dizer qualquer coisa. – Mas essas coisas, na Bíblia diz que esse tipo de coisa não tem parte com Deus, eu não vou aceitar isso.
Entenda, minha família sempre foi cristã e tentei imaginar isso aos olhos da minha mãe, enquanto pra mim era uma maravilha, para ela devia ser um pesadelo.
— Entendo que esteja preocupada senhora Schimit, muitos pais ficam, mas a feitiçaria a qual a bíblia se opõe é aquela que envolve magia das trevas, que invocam espíritos e que mexem com coisas pagãs, sua filha não é assim, ela apenas nasceu com poderes de neutralizar, ela não terá varinhas e nem aprenderá feitiços, além das matérias comuns como matemática, português e história, ela terá aulas que a ajudaram a controlar seus poderes, para que possa usá-los para um bem maior e não venha ferir ninguém acidentalmente. Sua filha nasceu assim, é um dom e aposto que contra isso Deus não se opõe.
Minha mãe não foi convencida facilmente e depois que ela compartilhou isso com o meu pai, foi quase impossível fazê-los aceitar que eu deveria ir estudar lá, que eu precisava aprender a controlar esses meus poderes. Por fim, o que pesou mais na decisão deles foi a minha saúde, eles não sabiam mais o que fazer em relação as minhas dores de cabeça, então, quando a Mila disse que ao trabalhar os meus poderes as dores iriam se extinguir, foi o peso final para a decisão.
Ligar para Mila e dizer que estaria lá no inicio do ano letivo, foi um dos melhores momentos da minha vida. Arrumar as malas e me despedir da minha família não foi fácil, mas eu pensava que aquela era uma nova etapa e que devia aproveitar cada segundo.
Assim que cheguei nos grandes portões de entrada da Academia, um moço perguntou meu nome e classe, assim que lhe dei todas as informações ele ligou para alguém e pediu que eu aguardasse um pouco ali na frente. Achei que tinha dado algum problema na minha matrícula feita às pressas pela internet e que eu tinha saído de L.A. só para conseguir conhecer apenas os portões desse lugar. Mas eu estava enganada, cerca de 5 minutos depois ouvi uma voz chamando o meu nome.
— Alicia, que bom te ver. Está aqui a muito tempo? – era a Mila Woodhand, com seu sorriso reconfortante e seus cabelos brancos ao vento.
— Não, cheguei não faz muito.
Ao lado da Mila se encontrava um menino, ele aparentava ter a mesma idade que eu, era apenas um pouco mais alto, tinha cabelos negros e olhos verdes esmeralda como os da Mila.
— Por favor Alicia, entre, Carter e eu vamos ajudar com as suas malas.
Carter, descobri então, era o único filho da Mila e do diretor Ichabod Woodhand, ele tinha 13 anos e também era Feiticeiro, apesar de ter crescido pelos corredores da academia, aquele era seu primeiro ano como aluno. A maneira rápida como eu e o Carter viramos amigos é algo que você simplesmente não consegue explicar, só se é possível sentir para poder compreender. Parecia ser coisa do destino a nossa amizade.
E por falar em destino, ele é uma moeda de duas faces, cruel e impiedoso. Fazia um pouco mais de seis meses que eu estava na academia quando tudo aconteceu. Um tornado massacrou alguns estados na costa oeste dos Estados Unidos e, para minha infelicidade, L.A. foi um deles. Meus pais e minhas duas irmãs mais novas morreram nesse incidente e parecia que eu simplesmente tinha morrido junto com eles. Todos na academia tentaram me ajudar como podiam, mas nada ajudava com a dor da perda, acredito que essa seja a piada cósmica de ser neutralizadora, você consegue aliviar a dor das pessoas, mas ninguém tem o poder de aliviar a sua.
O diretor Ichabod e a Mila assumiram a minha guarda legalmente, apesar de ter parentes no Brasil, pedi ao juiz que permitisse que eu continuasse meus estudos em Ohio e morasse com eles.
Perdi minha família original, mas ganhei uma família tão boa que eu não poderia ter pedido outra melhor. Carter e eu viramos irmãos de verdade e aquilo, depois de toda a tragédia, foi uma das melhores coisas que poderia ter me acontecido.
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