A Família Potter
7 Capítulo 7 - Restaurante
Notas iniciais
Pov. Gina
Por um momento achei que iria ceder ao impulso de seguir meu lado racional e sair correndo dali, mas minhas pernas continuaram presas no mesmo lugar.
Harry continuou me olhando, com uma expressão surpresa no rosto. Ele andou, sem desviar os olhos de mim, até uma mesa próxima ao palco, ao mesmo tempo que os músicos deram início à música, e eu não tive outra saída a não ser começar a cantar.
Eu não me importo
Eu realmente não me importo
É como se você fosse um balanço, e eu sou a criança que cai
É como brigamos, as vezes em que choro, que estouramos
E todas as noites, a paixão está lá, então deve estar certo, certo?
Minha voz começou trêmula mas, aos poucos, fiquei mais confiante.
Não, eu não acredito em você
Quando você diz que não vem mais aqui
Eu não vou lembrar você
Você disse que não iríamos nos separar
Não, eu não acredito em você
Quando você diz que não precisa mais de mim
Então, não finja
Não me amar mais.
Cantei o refrão sem desviar os olhos dos dele, e ele também continuava me olhando, com uma expressão indecifrável no rosto.
Eu não me importo
Eu continuo não me importando
É como um desses sonhos ruins
Quando você não pode acordar
Parece que você desistiu, você teve o suficiente
Mas eu quero mais, eu não quero parar
Porque eu sei que você estará por perto, certo?
Aos poucos, fui ganhando a atenção da pessoas do restaurante. Senti minha bochechas corarem, mas não consegui desviar o olhar do moreno de olhos verdes que continuava me olhando, tão perplexo quanto eu.
Não, eu não acredito em você
Quando você diz que não vem mais aqui
Eu não vou lembrar você
Você disse que não iríamos nos separar
Não, eu não acredito em você
Quando você diz que não precisa mais de mim
Então, não finja
Não me amar mais
Então não me deixe esperando e vendo eu cair
Porque eu, porque eu realmente não me importo com tudo isso
É como brigamos, as vezes em que choro, que estouramos
E todas as noites, a paixão está lá, então deve estar certo, certo?
Percebi que lágrimas grosas agora insistiam em descer pelo meu rosto.
Não, eu não acredito em você
Quando você diz que não vem mais aqui
Eu não vou lembrar você
Você disse que não iríamos nos separar
Não, eu não acredito em você
Quando você diz que não precisa mais de mim
Então, não finja
Não me amar mais
Porque eu não acredito em você.
A música acabou suavemente. As pessoas do restaurante aplaudiram, eu agradeci com um gesto rápido, mas educado.
Comecei a descer as escadas. Minhas pernas agiam por vontade própria, e eu sabia onde elas estavam me levando.
Uma cabeleira preta chamou minha atenção na entrada do restaurante.
Estava vestida com um vestido vermelho colado no corpo e um salto enorme enfeitava seus pés.
Ela caminhava em direção à mesa dele. Cho Chang caminhava em direção à mesa de Harry.
Não tentei conter as lágrimas que nasceram em meus olhos e, sem mais nem menos, corri o máximo que pude em direção à porta dos fundos do restaurante.
Pov. Harry
Vi Gina sair correndo em direção à porta, mas não estava entendendo o porquê até olhar para o lado e ver Cho vindo em minha direção.
Me levantei imediatamente, pronto pra correr atrás dela.
Duas vozes diferentes insistiam em gritar em minha mente. Uma dizia que eu não devia satisfações à Gina e a outra gritava pra que eu fosse rápido, ou poderia perder o amor da minha vida. Pra Sempre.
Preferi dar ouvidos à segunda.
Estava cansado de tudo isso. Tudo que eu queria era voltar pra casa. Voltar pros meus filhos e pra minha esposa.
Passei rapidamente pela porta dos fundos e vi que caía uma chuva grossa, fazendo-me ficar encharcado em segundos.
O fundo do restaurante era repleto de árvores e plantações.
Estava escuro e, devido à chuva, minha visão se tornava cada vez pior. Mas Gina não poderia ter ido longe, sua gravidez não permitia que ela corresse muito.
Estreitei os olhos pra tentar ver melhor. Olhei em volta, mas não conseguia ver nada.
Quando voltei a olhar pra frente, vi um vulto se deslocando pra trás de uma árvore. Sabia que era ela.
Aproximei-me um pouco e vi que ela estava completamente encharcada, assim como eu, e seu coque havia se desfeito, fazendo com que seu cabelo caísse em seus ombros. Mesmo que seu rosto estivesse molhado, dava perceber que certas gostas de água não eram de chuva.
Caminhei, cauteloso, e fiquei de frente pra ela.
Aos poucos, ela levantou o olhar de encontro ao meu. Nos encaramos durante alguns segundo, até que eu resolvi quebrar o silêncio.
- Gina, escute... – comecei, mas fui interrompido por ela.
- Não, Harry, escute você. Estou cansada disso tudo. Nós brigamos, eu tentei me desculpar, você não aceitou. Agora você aparece com a Cho em um restaurante e, não vou mentir, isso me afetou, mas se você não se importa por que você se deu o trabalho de vim aqui atrás de mim?
- Talvez porque na verdade eu me importe. – falei, sinceramente.
- Você não demonstrou se importar quando eu fui me humilhar, pedindo desculpas a você no Ministério! – falou, bruscamente.
- Eu estava com raiva, Gina! Procure entender meu lado também! Escute, eu tenho sentindo falta da nossa família. Eu tenho sentido falta de nós dois.
- Eu fiquei sentindo falta de nós dois durante três semanas! Grávida e com duas crianças pra cuidar sozinha. E você se importou com isso, Harry? Não, você não se importou!
Um silêncio se formou entre nós dois. O único som era na chuva caindo no chão e nas folhas da árvore acima de nós.
No olhar dela, havia uma mistura de mágoa, tristeza e raiva. Eu sabia que ela estava certa. Mas não desistiria.
- Gina, desculpe por tudo isso. Eu sinto sua falta, sinto falta de nossos filhos, da nossa casa, de tudo. Me perdoe, Gina.
Ela não me deu atenção, perguntou o que eu já estava prevendo:
- Se você sente falta de tudo isso, por que veio jantar com a Cho?
- Nós estamos com muitos problemas no Ministério. Dois aurores sofreram um acidente grave e não resistiram. Estamos passando por uma fase complicada. Juntando isso com o fato de eu estar morando sozinho, eu fiquei muito abatido. Na hora de sairmos do trabalho, Cho perguntou se eu não queria dar uma passada rápida aqui pra comer alguma coisa porque, não sei se você percebeu, mas eu não estou me alimentando direito, e tenho estado fraco. Então, eu concordei e disse que viria e esperaria ela aqui.
Gina ficou parada, me fitando. Acho que estava tentando decifrar se havia algum indício de que eu estava mentindo, mas eu não estava.
- Olha, Gina, desculpe por tudo. Eu amo você, vamos parar com isso, está fazendo mal pra nós dois.
- Ok, depois de todas as lágrimas que eu chorei, você só tem isso a me dizer? Por que eu deveria acreditar que você não está tendo nada com a Cho?
Respirei fundo várias vezes.
- Porque, como eu já disse antes, eu amo você,e não ela.
Dizendo isso, não esperei que ela falasse mais nada, colei minha boca na dela.
No início, ela tentou resistir, começou a me bater com os punhos fechados e tentar se afastar, mas não estava muito forte a ponto de conseguir fazer com que eu parasse.
Aos poucos, ela foi cedendo e seus tapas foram ficando cada vez mais fracos, ao mesmo tempo em que ia se entregando ao beijo.
Nos beijávamos com saudade e urgência, esquecendo de tudo que havíamos passado. Estávamos nos beijando tão intensamente, que um raio poderia cair bem próximo à gente, e mesmo assim, não pararíamos.
A chuva caía sobre nossos rostos, mas não nos importávamos.
Nossos corpos imploravam por oxigênio e, aos poucos, nossos lábios se separaram, deixando-nos ofegantes. Permaneci com a testa colada na dela.
- Senti sua falta. – falei.
Ela não falou nada, só me puxou pra mais um beijo, só que dessa vez mais calmo e apaixonado.
Nos beijamos de novo e de novo. Minhas mãos percorriam o tão conhecido caminho pelo seu corpo, enquanto as mãos dela se perdiam em meus cabelos e deslizavam sobre as minhas costas.
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