A Família Potter
6 Capítulo 6 - O Convite de Luna
Notas iniciais
Pov Gina
Acordei e contemplei os dois anjinhos dormindo ao meu lado.
Depois que Harry foi embora, eu passei a chamá-los pra dormir comigo, assim eu não me sentiria tão solitária.
Já haviam se passado três semanas do dia em que eu e o Harry brigamos, e não tínhamos nos falado desde o dia em que fui ao Ministério tentar convencê-lo a mudar de idéia.
Ele vinha ver os filhos duas vezes por semana, sempre quando eu não estava em casa, mas mesmo assim meus filhos reclamavam da ausência do pai.
Eu passei a trabalhar como comentarista no Profeta Diário, na seção “Quadribol”. Trabalhava apenas dois dias por semana, que eram os dias em que Harry ia ver os nossos filhos.
Já estava com nove meses de gestação, mas Lílian, ao contrário de Alvo e Tiago, estava demorando a nascer, mas o curandeiro disse que poderia ser a qualquer hora.
Apesar de já terem se passado três semanas, eu não conseguia me acostumar com a ausência de meu marido. Sentia falta de absolutamente tudo, e continuaria assim por um longo tempo.
Levantei e lembrei que deveria ir ao Beco Diagonal encontrar com Luna, não nos víamos há muito tempo e, quando eu contei, através de uma carta, que minha filha iria se chamar “Lílian Luna Potter”, ela ficou super feliz.
Fui até o quarto dos meninos e arrumei uma bolsa pra cada uma, pois tinha combinado com a minha mãe de deixá-los na Toca hoje.
Voltei ao meu quarto e vi que eles ainda dormiam. Devagar, me aproximei e acariciei os cabelos de Tiago.
- Tiago, acorde, bebê da mamãe. – falei baixinho e ele começou a se mexer, abrindo os olhinhos lentamente.
- Eu ainda estou com sono, mamãe. – falou, resmungando.
- Mas eu combinei com a sua avó de você e o seu irmão irem passar o dia lá. O Ted e a Rosa irão também, tem certeza de que não vai querer ir?
- Eu vou, mamãe!
Isso o animou, então ele levantou e me ajudou a acordar Alvo.
Depois de dar banho nos dois, eu os alimentei e fui até a Toca.
Mamãe e Papai estavam no jardim brincando com Rosa, provavelmente Ted ainda não havia chegado.
- Olha quem chegou! – exclamou meu pai, indo pegar Alvo no colo e, mamãe, Tiago.
- Eles estão se alimentando direito, Gina? – perguntou minha mãe.
Revirei os olhos.
- Claro que sim, mãe. Você acha que eu não alimentaria meus filhos direito?
- Claro que não, Gina! Só que fico preocupada, você ainda é tão nova...
- Entendo, mãe. Bem, eu tenho que ir, combinei com a Luna de nos encontrarmos no Beco Diagonal.
- Certo.
Eu me despedi de todos que estavam na Toca e fui de carro até o Caldeirão Furado.
Estava lotado, mas eu não vi nenhum rosto conhecido, então andei até a parede de pedras e dei três toques com a varinha.
Um grande arco se abriu em minha frente e eu pude ver o lindo Beco Diagonal.
Estava lotado de lojas com cores vivas e alegres, e por todo lado se via crianças brincando e correndo.
Andei até a sorveteria que havia combinado de me encontrar com Luna, e sorri ao ver uma cabeleira loira em um canto.
Luna, como todos os outros, havia envelhecido, mas não aparentava muito. Seu cabelo e rosto ainda eram os mesmos, a única coisa que havia mudado era o seu modo de se vestir e estava um pouco mais alta.
Andei até ela e a abracei.
- Luna! Quanto tempo que não a vejo!
- Pois é, Gina! Você devia aparecer lá em casa de vez em quando! E o Harry, como está?
Ela tocou no ponto exato que eu queria tanto evitar.
- Na verdade, eu não sei Luna. Nós tivemos uma briga há três semanas atrás e ele acabou indo embora de casa.
- Nossa, Gina, eu não sabia, me desculpe. Sinto muito por isso ter acontecido. – disse ela, sinceramente.
Nós conversamos durante uma hora, colocamos as novidades em dia e falamos sobre o seu casamento com Neville.
- Gina, foi ótimo nosso encontro, mas eu tenho que ir. – falou ela.
- Tudo bem, Luna.
- Sabe, eu estive pesando, você está muito abatida, Gina. O que acha de irmos a um restaurante que fica perto da sua casa, hoje à noite? – perguntou ela, tentando me animar.
Hesitei. Não tinha vontade de ir, mas sabia que seria bom pra mim. Precisava ao menos tentar seguir em frente.
- Acho ótimo. Nos vemos mais tarde, então.
Nos abraçamos e eu a observei indo embora.
Observei minha imagem no espelho. Havia vestido um vestido branco, solto a partir da barriga, e uma sapatilha de veludo vermelha. Queria ter colocado sandálias de salto, mas como minha barriga já estava bem crescida, achei melhor pôr a sapatilha.
Passei uma maquiagem leve, e prendi o cabelo num coque folgado, mas elegante.
Não sabia o motivo de ter aceitado o convite de Luna, pois não estava com nenhuma vontade de ir, mas, no fundo, sabia que poderia me fazer bem.
Ouvi a campainha tocando e desci as escadas pra abrir a porta. Me deparei com Hermione.
- Oi, Mione, entre.
- Oi, Gina. Vai sair?
- Sim. A Luna me chamou pra jantar em um restaurante aqui perto, quer ir?
Nesse instante ouvi um barulho de uma coruja na janela. Fui até ela e peguei a carta.
Gina,
Acho que vou ter que desmarcar o nosso jantar. Não estou me sentindo muito bem.
Fica pra próxima.
Desculpe.
Afetuosamente,
Luna.
- A Luna está doente. Não vou mais.
- Claro que vai, Gina! Você já está toda arrumada! – falou Mione.
- Eu vou sozinha, Hermione? Não quer ir comigo?
- Eu até iria, Gi, mas prometi ao Rony que ficaria em casa esta noite.
- Tudo bem. Acho que eu realmente não vou mais. – falei.
- Gina, você está nesse estado há dias! Você precisa sair um pouco de casa, isso não está te fazendo bem. Vá pra esse restaurante, quem sabe você não encontra alguém conhecido? Você precisa se divertir, Gina. Isso vai fazer bem tanto pra você quanto para os seus filhos.
Realmente, isso não estava fazendo bem pra mim. Mas eu não via graça nenhuma em sair de casa.
Resolvi tentar.
- Certo, Hermione, eu vou. Mas não vou voltar muito tarde, ok?
- Ok. – respondeu — Bem, Gina, só passei aqui pra ver como você estava. Tenho que ir. Tchau, divirta-se!
- Pode deixar! Tchau.
****
Olhei para o restaurante quase vazio à minha frente. Dei graças a Deus por não estar lotado, isso só faria minha dor de cabeça piorar.
Sentei em uma mesa próxima a um pequeno palco onde os cantores estavam chamando clientes pra cantar.
A que cantava no momento era extremamente desafinada. Todos estava resmungando.
Olhei o cardápio, mas só de imaginar comida, meu estômago revirou.
Esse foi o restaurante em que eu disse a Harry que estava grávida do Tiago. Nunca me esqueceria daquele dia. Mas só de pensar nisso, lembranças de Harry voltaram à minha mente.
Mas eu precisava afastá-las, nem que fosse apenas por hoje. Apenas por uma noite.
A cliente que estava no palco, acabou de cantar, e todos deram falsos aplausos, mas ela não percebeu. Desceu do palco e foi até a sua mesa, onde um homem sorria bobamente pra ela. Ela o abraçou, e eu senti uma pontada de inveja.
Olhei de volta pro palco. A cantora se virou pra mim.
- A Sra. não gostaria de cantar uma música?
Senti minhas bochechas corarem.
- Acho melhor não. – respondi, tentando ser educada.
- Não precisa ficar com vergonha! Você está sozinha, e tem poucas pessoas esta noite.
Pensei um pouco. Não teria nada a perder, e tinha ido ali pra me divertir.
- Tudo bem. – respondi, levantando-me e indo em direção ao palco.
Subi as escada com a ajuda da cantora, já que minha barriga atrapalhava um pouco minha locomoção.
Senti minhas pernas tremerem ao ficar de frente para uma coisa que os trouxas chamam de microfone.
Sussurrei a música que eu queria para os músicos e, antes de virar e começar a cantar, olhei para a entrada do restaurante, e vi que lindos olhos verdes me encaravam.
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