A Família Potter
15 Capítulo 15 - Abra os Olhos
Notas iniciais
Pov. Gina
Passei a noite toda acordada ao lado de Harry.
A esperança de que ele acordasse tomava conta de mim, mas ele não acordou.
- Gina, já são 4 da manhã, vá pra casa descansar um pouco. Eu fico aqui no quarto de Harry se você quiser. – falou Hermione.
- Eu não consigo, Hermione. Tenho medo de deixá-lo aqui.
- Gina, não vai adiantar nada você ficar aqui assim. Descanse um pouco e depois você volta. Além disso, acho que você deve uma explicação a seus filhos. A Sra. Weasley ligou agora dizendo que eles ainda não dormiram.
Me deu um aperto no coração. O que eu diria aos meus filhos? Eu não poderia dizer simplesmente que o pai deles podia morrer a qualquer momento. Diria apenas que ele estava doente, só isso.
- Tudo bem, Hermione, você venceu. Por favor, se ele acordar ou acontecer alguma coisa me chame imediatamente, certo?
- Pode deixar, Gina.
Virei-me pra Harry e beijei sua testa.
Levantei-me da cadeira em que estava sentada e fui até a porta.
- Tchau, Hermione.
- Tchau, Gi.
Andei até o estacionamento do hospital e entrei no carro.
O vazio que estava ali fez com que o medo me invadisse por completo. E se Harry não acordasse? E se ele realmente morresse?
Se isso acontecesse ele levaria a maior parte de mim com ele, mas eu precisava ser otimista nesse momento, precisar rezar pra que ficasse tudo bem.
Liguei o motor do carro e comecei a dirigir para a toca.
O caminho até lá foi frio e silencioso. As ruas de Londres pareciam ter sido esvaziadas, e imaginei que estivesse assim devido ao horário.
Cheguei ao jardim da Toca e desci do carro, entrando em casa.
Encontrei minha mãe sentada no sofá com Alvo e Tiago ao seu lado. Os dois se levantaram rapidamente quando viram que eu havia chegado.
- Mamãe, cadê o papai? – perguntou Alvo.
- Ele vai ficar bem? Quando ele vai voltar pra casa? – perguntou Tiago, e logo aquilo se tornou um alvoroço, com os dois falando ao mesmo tempo.
- Meninos, por favor, deixem eu explicar a vocês. Se vocês continuarem assim, não irão me ouvir. – falei.
Os dois fizeram silêncio e me puxaram para que eu sentasse no sofá.
- O papai de você ficou muito doente durante a viagem, então o tio Rony o trouxe pra cá. Ele está lá no Hospital St. Mungus, ainda não sabemos quando ele poderá voltar pra casa. – expliquei, da forma mais convincente possível.
Os dois ficaram em silêncio, então Tiago perguntou:
- Nós podemos visitar ele?
- Não, meu amor. O papai está fraco e os médicos disseram que é melhor ele ficar sozinho pra se recuperá melhor, ok?
- Tudo bem, mamãe.
- Ele vai ficar bem, não é? – perguntou Alvo.
- Claro que sim, meu bem. Papai forte, ele vai melhorar. Agora, eu quero os dois na cama, isso não é hora de estarem acordados, se o pai de vocês visse isso, daria a maior bronca.
Os dois me deram um beijo na bochecha e subiram para dormir no quarto das crianças.
Olhei para a minha mãe.
- Eu sei que devo notícias à senhora, mas não sei se consigo falar disso agora. – ela assentiu – Posso dormir no meu quarto hoje? – perguntei, não estava disposta a ir pra casa.
- Claro que sim, Gina.
- Tudo bem, boa noite.
Abracei-a rapidamente e subi para o quarto, que estava igual a quando eu era uma adolescente.
Deitei na cama agarrada ao travesseiro, e não demorei muito a dormir.
Acordei de repente, com uma vontade súbita de ver Harry. Levantei-me, coloquei a primeira roupa que vi pela frente e aparatei no St. Mungus.
Vi o curandeiro saindo do quarto de Harry e, logo em seguida, entrei.
Ele continuava idêntico ao dia anterior. Novamente, acariciei seu cabelo.
- Abra os olhos. – pedi, sussurrando, mas nada aconteceu – Por favor, abra os olhos.
De novo, nada aconteceu. As lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto descontroladamente.
- Harry, por favor, amor, abra os olhos.
Dessa vez, vi enormes olhos verdes serem abertos. Sorri, sem acreditar.
Estiquei o braço para abraçá-lo, mas, de repente, eu comecei a cair em uma escuridão sem fim. Mais fundo e mais fundo, sempre caindo...
Acordei completamente suada no meu quarto da Toca. Havia sido apenas um sonho, mas eu sabia que precisava vê-lo.
Fui até o banheiro e tomei um banho rápido, vestindo algumas roupas minhas que estavam no quarto.
Desci e vi que os meninos ainda estavam dormindo, então fui falar com minha mãe.
- Bom dia, mãe. Vou para o hospital, a Sra. pode cuidar das crianças pra mim?
- Sim, Gina, pode ir.
- Se Lílian acordar chorando é porque ela está com fome. A Sra. sabe preparar a mamadeira dela?
- Claro, Gina, já fui mãe de sete filhos!
- Tudo bem. Obrigada, mamãe.
Dei um beijo em sua bochecha e aparatei no St. Mungus.
Fui falar com o curandeiro.
- Bom dia, Dr., meu marido teve alguma melhora?
- Nós conseguimos encontrar um antídoto para o veneno, e conseguimos aplicá-lo. Mas o organismo de seu marido está péssimo e as conseqüências da retirada do veneno pode ser fatal. Ele ainda está em estado de risco, mas faremos tudo que for possível.
- Ele está acordado?
- Não. No estado em que ele se encontra não é impossível que ele acorde, mas é muito improvável.
- Tudo bem, obrigada, vou vê-lo.
Apertei sua mão e fui em direção ao quarto.
Ele ainda estava dormindo, como antes, mas os seus ferimentos estavam um pouco mais cicatrizados.
Novamente coloquei a cadeira ao lado de sua cama.
Desejei, com todas as minhas forças, que ele acordasse, assim como no sonho.
Aproximei meu rosto do seu, e sussurrei em seu ouvido:
- Amor, abra os olhos, por favor. – mas ele continuou com os olhos fechados – Harry, abra os olhos, eu preciso de você.
Ele continuou com os olhos fechados de novo e de novo. Comecei a chorar.
- Por favor, Harry, eu te amo tanto. Você não pode me deixar, nem os nossos filhos. A Lílian ainda é tão pequena... Eu preciso tanto de você, meu amor. Só abra os olhos, por mim, por seus filhos, abra seus olhos.
Mas ele não abriu. Apoiei meus braços em sua cama e apoiei minha cabeça entre eles, chorando.
Por que ele não abria os olhos como em meu sonho? Por que tudo em nossa vida tinha que ser tão difícil?
Por que ele tinha que ter ido pra Escócia, onde tudo isso aconteceu?
Eu sempre tive receio de perdê-lo, desde quando ele lutava contra Voldemort, mas nunca como agora, nunca.
Senti algo tocar minha cabeça levemente, mas continuei onde estava.
Aos poucos percebi que era uma mão, e que esta tentava acariciar meu cabelo.
- Eu nunca deixaria você. – ouvi a voz mais linda que alguém poderia ter sussurrando fracamente.
Uma onda de felicidade me invadiu, mas eu continuei parada, com medo de que, se eu me mexesse, ele voltasse a dormir de novo.
Mas sua mão continuou em minha cabeça, e eu pude senti lágrimas de felicidade descerem pelo meu rosto. Respirei fundo duas vezes, e comecei a levantar a cabeça devagar, com os olhos fechados.
Respirei fundo mais uma vez, e abri os olhos e, para a minha felicidade e alívio, dois olhos verdes me olhavam.
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