Notas iniciais
Apresentando: Tony Stark, Astro de Cinema

⌘ Tony ⌘

Onde você está????”— mandei a mensagem pela terceira vez em 10 minutos. Já não conseguia mais enrolar a minha namorada que me olha com expectativa. Começamos este almoço falando do futuro na nossa relação, então é normal que a linda jovem loira diante de mim me fite com seus olhos verde-esmeralda ansiosos.



—Desculpa por tomar seu tempo, Ashley, tenho sido um péssimo namorado, estou tão preocupado com esse novo filme.— retomo o assunto.

—Ah, Tony, eu entendo, não sou uma namorada carente.— ela responde ao segurar a minha mão. Ela sempre foi carente e nos últimos dias ela tem sido ainda mais grudenta. Olho mais uma vez para o relógio em meu pulso e depois em direção a porta do restaurante. Minha assistente já deveria ter chegado —Eu sei que a gente tá bem.— ela sorri.

—Andei pensando, sabe..?— retomo, ela move a cabeça ansiosa —Onde fica a Ashley nisso tudo, essa mulher maravilhosa, que eu adorei ter conhecido? Por isso, acho que está na hora de darmos um grande passo…

—Posso falar o cardápio especial?— o garçom nos interrompe. Deixo que ele fale e ela suspirou frustrada.

—Nossa, finalmente, estou faminto.— eu digo, agradecendo a intromissão, aproveito para pegar o celular sobre a mesa e ver se há algum sinal de vida da minha assistente. Ainda nada, com certeza ela será ex assistente.

Não ligo se está sangrando ou se tiver que vender um órgão vital, chega logo aqui ou será demitida”— clico em enviar, peço uma salada e um whisky, Ashley pede algo que não me atentei e quando o garçom nos deixa volto a falar —O que temos é especial, certo? Espetacular e você…— estou segurando uma das mãos da minha namorada, quando finalmente vejo minha assistente chegar ao restaurante, a roupa despojada, o cabelo meio desgrenhado, o hostes não a deixa passar e percebo quando ela aponta. Por Deus, dá pra chamar menos atenção? Todos vão perceber. Ela tira a caixa da bolsa, quase deixa cair, mas a pega no ar. Faço sinal e ela corre para próximo da minha mesa —Olha, aquele não é o Bradley Cooper?— disfarço sabendo que Ashley irá olha para a direita, enquanto Zoey vem pela esquerda e me arremessa a caixinha de joia que pego sem muito esforço, graça aos anos de baseball —Não, era só uma pessoa normal.— desconverso para que Ashley volte a prestar atenção em mim, ela é tão deslumbrada com celebridades —Continuando, você e eu…— ela sorri, cubro suas mãos com as minhas —Somos ótimos nessa relação, mas acho que também estamos indo em direção a alguma coisa…

—Ai, meu Deus, sim!— ela diz eufórica sem que eu tivesse perguntando nada.

—Não…— eu respondo —Me deixa explicar?

—Aham.— ela diz confusa.

—Estamos indo em direções opostas, estou mergulhando nesse novo projeto, enquanto você…— sou reticente —O que quero dizer é que devemos desacelerar…

—Espera, o quê?— sua voz soa estridente —Estávamos falando do futuro, você disse algo sobre dar um próximo passo…

—Eu sei.— concordo.

—Você disse um grande passo.— ela recapitula e eu assinto.

—Mas é que esse grande passo é pra me afastar do nosso relacionamento.— tento ser o mais claro possível.

—Você me chamou aqui pra terminar?



—Ashley…— pego a caixa de joia que escondi sob a mesa após o arremesso da Zoey —Eu realmente vejo um futuro pra nós, só que não esse que você imaginou.— abro a caixinha exibindo um par de brincos de brilhante. Ela está claramente desapontada —Ei, eu quero ser seu amigo.

—E você por acaso tem algum amigo?— ele contrapõe e começa a se mover sobre o banco se afastando de mim, por um instante esquece da joia que acaba de ganhar —Mas vou ficar com eles, ok? Porque são lindos.

—Ok.— entrego a caixa em suas mãos —Tchau.— assim que Ashley sai, Zoey levanta do balcão onde comia algumas castanhas e senta ao meu lado.



—Ela agiu como uma campeã, melhor do que a última.— Zoey comenta, ainda sinto o cheiro do gin jogado no meu rosto. A minha sorte, é que da última vez minha assistente não atrasou, então foi tudo muito rápido.



—Onde diabos você estava?!— me lembro de perguntar, ela se levanta e me deixa falando sozinho, simplesmente não me responde. Zoey é tão petulante, com certeza ela puxou isso de alguém. Saio em seu encalço, insistindo, passo pelo hostes que se despede com um sorriso, estou saindo sem pagar e ninguém diz nada, ser famoso tem suas vantagens. Minha assistente passa pelo meu carro, Happy Hogan, meu segurança e motorista está parado diante do veículo, ele a cumprimenta e ela segue até seu Buick cinza-grafite —Vou com ela.— aviso ao Happy.

—Por Deus, Tony, estou tendo uma manhã horrível.— ela resmunga ao me ver sentar no banco do carona, como se minha tivesse sido fácil.

Certa da impunidade ela continua seu caminho sem responder a minha pergunta ou me dar atenção, inclusive liga o rádio quando pergunto novamente onde ela estava. Ela é salva pela Cher, quando Believe ressoa nos altos falantes, eu me envolvo com a letra quando começo a cantar. Como pode uma canção dizer tanto sobre relacionamentos?

—Tá ouvindo essa letra? “Do you believe in life after love? I can feel something inside me say I really don't think you're strong enough, no…” Eu tô tentando, Cher. Juro que estou.— digo enquanto cantarolo.



—Você é patético.— a srta petulante resmunga mal humorada.

—Onde você estava?— pergunto outra vez, ao desligar o rádio batendo sobre o painel, me sinto mal por tê-la assustado, sei que ela vem tendo problemas com a mãe, mas é inadmissível Zoey deixar uma pessoa que está a quilômetros dela estragar seu dia dessa maneira. Da última vez que falamos sobre o assunto ela me disse que sua mãe estava com algumas cobranças sobre sua carreira e sua vida, que a mãe esperava demais dela e coisa e tal. Ao que parece sua mãe é uma senhorinha viúva muito exigente. Ela não me responde —Você tem sorte que eu sou muito bom com improviso, sabe? Fiquei lá improvisando, inventando o que dizer. Essa foi uma das melhores performances da minha vida.— relembro com orgulho, embora a Ashley quase tenha entendido tudo errado —Sabia que fui campeão de improviso no colégio?

—Não sabia.— ela responde —Foi há bastante tempo, não foi?— ela é sarcástica.

Contratar a Zoey foi ideia do meu agente, eles indicaram que eu contratasse alguém mais nova, que estivesse imersa em toda essa coisa de rede social e inteirada dos assuntos dos jovens. Mas, às vezes, ela com seus 24 anos parece muito mais ranzinza do que eu, com o dobro de sua idade. E não esconde que odeia a minha atual franquia. Qual é quando foi que os jovens deixaram de curtir filmes de super-heróis?

—Eu tive que falar mais do que tinha planejado, então a Ashley deve estar muito mais magoada do que eu queria que ela estivesse.— eu digo —Eu realmente gostava dela. A rejeição que ela está sentindo é culpa sua.— acuso.

—Como assim? Você está colocando a culpa em mim?— Zoey se defende —É sério?

—A sua incompetência faz com que eu queira demitir você.

—Então me demite.— ela contrapõe.

—Não.— respondo —Eu gosto de você, embora você não goste dos meus filmes.

—Isso ainda é sobre o filme?

—Claro, Zoey— respondo —Se a bilheteria não for boa, não vão negociar o contrato para a sequência.

—Quem liga?— ela desdenha —Se você deixar essa franquia terá mais tempo pra se dedicar a outros projetos como ator, filmes mais conceituais, mais sérios.

—Quem disse que não tem um conceito?

—Ficar enfiando um super-herói novo a cada filme não é um conceito, a linha do tempo é confusa, é preciso assistir todos os filmes pra entender um. Isso é um saco, Tony.

—Eu gosto de ser ele.— resmungo.

—Eu sei que você gosta de ser o Homem de Ferro, mas você não pode interpretar esse cara pra sempre.— ela replica. Como ela pode falar assim do personagem que alavancou minha carreira quando eu sentia que estava caindo no ostracismo? Sou muito grato ao meu super-herói favorito, é uma realização interpretá-lo.



—E se humanizassem o personagem?— pergunto sem dar muita atenção ao que ela fala —Podíamos contratar um novo roteirista.— decido e ela resmunga —Vou falar com os meus agentes, vamos passar um pente fino e buscar uma nova roteirista. Chega em casa cedo amanhã, mas antes, você precisa resolver essas suas questões.— eu advirto —E passa na casa da Ashley pra pegar as minhas coisas. Não quero nada meu sendo leiloado na internet.

—Ah, não, pelo amor de Deus, Tony.— ela reclama —Toda vez que entro escondido na casa das suas ex me sinto como se estivesse violando túmulos.

—Lá em casa, às 8h, não 8:30h, e me leva um latte.— eu digo —Com leite de verdade, tá?— falo ignorando todo seu protesto e mau humor.



Notas finais
Me digam o que acharam. Não pretendo demorar a postar os primeiros capítulos por serem as "apresentações" dos personagens e porque eles se complementam por estarem em primeira pessoa. Até o próximo