A Família Potter
5 Capítulo 5 - Realidade
Notas iniciais
Pov. Gina
Abri os olhos lentamente. Vi que o dia já havia amanhecido, mas fechei os olhos de novo.
Desejei, com cada fibra do meu corpo, que o que aconteceu na noite passada tivesse sido apenas um pesadelo. Um sonho ruim, mas só isso: um sonho.
Senti meu corpo dolorido, e minha cabeça ameaçando explodir.
Meu desejo de que tivesse sido apenas um sonho foi por água abaixo quando eu percebi que estava deitada no chão, segurando um tecido em minhas mãos.
Abri os olhos e me controlei pra não cair no choro quando vi a camisa que Harry havia deixado.
Ouvi ruídos vindos do andar de baixo, provavelmente meus filhos haviam acordado.
Meus filhos.
Como vou contar que o pai deles foi embora?
Amaldiçoei a mim mesma por ter aceitado aquela proposta.
Mas eu não iria àquele jogo. Se eu fosse eu sabia que tudo estaria realmente acabado, não teria mais jeito.
Levantei devagar e caminhei até o banheiro.
Tomei um banho de banheira, esperando que ajudasse a me acalmar, mas não adiantou em nada.
Vesti uma roupa confortável e desci, implorando a Merlin que me desse forças para contar pros meus filhos o que havia acontecido.
Encontrei os dois na cozinha tomando o café da manhã.
- Bom dia! – falei, tentando sorrir, sem sucesso.
- Oi, mamãe! Cadê o papai? Posso acordar ele? – perguntou Alvo já correndo e subindo as escadas.
Tentei correr atrás dele, mas minha barriga não ajudou muito.
Ele saiu do quarto com uma expressão de quem não estava entendendo no rosto.
- Cadê ele?
- Alvo, o papai foi embora. – falou Tiago, atrás de mim.
Imaginei que Tiago já soubesse. Harry tinha passado mais tempo do que o necessário no quarto dele, na noite anterior.
- “Mentila” Tiago! – gritou Alvo – Não é “mentila” mamãe?
- Vem aqui, Alvo, precisamos conversar, certo? – Peguei meu pequeno no colo e sentei no sofá. Fiz um gesto pra Tiago sentar do meu lado.
- Eu e o papai nos desentendemos um pouco ontem. – comecei – Ele achou melhor passar alguns dias fora de casa, mas prometeu que vem aqui visitar vocês.
- E quando ele vai voltar? – perguntou Tiago.
Meu olhos se encheram de lágrimas, mas eu me controlei, não podia chorar na frente dos meus filhos.
- Eu não sei, filho. Espero que logo.
Alvo começou a chorar, e Tiago subiu para seu quarto.
- Não chore, meu amor. – falei, tentando acalmar tanto eu quanto ele.
- E-eu “quelo” o pa-a-pai. – falou, soluçando.
- Eu também, Alvo. Vamos fazer um acordo: pare de chorar e eu vou ver se consigo saber onde o papai está para levar você e o seu irmão pra vê-lo. Certo?
- Certo. – respondeu ele, parando de chorar.
Limpei seu rostinho molhado e deixei que ele fosse até o quarto do irmão.
Imediatamente mandei um patrono pra Hermione pedindo que ela viesse até aqui.
Enquanto esperava ela chegar, pensei em como eu iria convencer Harry a voltar pra casa.
Não bastava apenas dizer que eu não iria jogar mais. Eu tinha que realmente ter argumentos.
Hermione chegou, dirigindo seu carro, e entrou em casa.
Pela sua expressão ela já sabia o que havia acontecido. Ela também estava grávida, só que de um menino, que se chamaria Hugo.
- Oi, Gina. Sinto muito pelo que aconteceu.
- Tudo bem, Mione. Obrigada por vim. – falei, lhe dando um abraço.
Não conseguir conter as lágrimas e fiquei chorando em seu ombro durante um longo minuto.
- Por favor, acalme-se Gina. Pode fazer mal à Lílian. E, além disso, o Harry vai acabar voltando. Ele te ama, não vai conseguir passar muito tempo longe de você.
- Será mesmo, Mione? – falei, entre soluços.
- Eu tenho certeza. Mas, me diga, você me chamou aqui por alguma coisa em especial?
- Sim. Eu quero saber se você sabe onde o Harry está ficando e se ele foi para o Ministério hoje.
- Eu acho que ouvi o Rony comentando que ele iria ficar no Largo Grimmald. E, sim, ele foi pro Ministério.
- Eu estou pensando em levar os meninos para vê-lo. Eles estão super tristes, principalmente Alvo. Acho que vou agora mesmo até o Ministério.
- Acho que você deve ir, sim. – respondeu Mione – Mas antes, lave seu rosto e se acalme. Acho que é uma oportunidade de você convencê-lo a voltar.
- Também estou contando com isso, Hermione. Mas não tenho tanta certeza se irá funcionar.
- Você tem que tentar, Gina, ou então nunca vai saber.
- Certo, Mione, obrigada pela ajuda. Pode ficar aqui se quiser, enquanto eu vou no Ministério.
- Desculpe, Gina, mas tenho que ir. Deixei a Rosa na casa dos meu pais, preciso ir buscá-la.
- Ok. Tchau, Mione. Obrigada.
- Tchau, Gina.
Nos abraçamos e Hermione foi embora.
Fui até o andar de cima e coloquei uma roupa melhor.
Em seguida, andei até o quarto de Tiago.
Ele e Alvo brincavam silenciosamente, o que era bem incomum.
- Meninos, vamos até o Ministério ver o papai?
- Vamos! – responderam os dois juntos, levantando-se abruptamente do chão.
Coloquei uma roupa nos dois e entramos no carro, rumo ao Ministério, onde eu esperava conseguir reconquistar meu marido.
O Ministério estava lotado.
Eu andava segurando as mãos dos meus filhos, um de cada lado. Os olhinhos dos dois percorriam o lugar, mas, dessa vez, não era para olhar as coisas, e sim para procurar o pai.
Passei pela recepção, e vi que Cho estava ali.
Não olhei pra ela, simplesmente abri a porta e dei de cara com Rony.
- Gina, o que você está fazendo aqui? – perguntou ele.
- Eu vim ver o Harry.
- Ele está em uma reunião, já deve está voltando. Como você está? – ele perguntou, me conduzindo a um sofá no canto da sala.
- Você ainda pergunta?! Eu estou péssima! Preciso que o Harry me escute.
- Calma! Sem querer tirar suas esperanças, Gina, mas eu acho difícil ele te escutar. Ele chegou muito estressado no trabalho.
- É, mas eu trouxe os filhos dele, então eu acho que ele terá de se acalmar, porque eu não quero ver os meninos aterrorizados.
- Ele não fará nada na frente dos meninos. Conheço ele muito bem pra saber disso. – falou Rony.
Nesse instante, o dono de lindos olhos verdes entrou na sala.
Ele parou, pasmo, no instante em que bateu os olhos em mim e nos meninos.
- Bom, acho melhor deixar vocês sozinhos. – falou Rony, saindo da sala.
As crianças, que ainda não haviam visto o pai, correram e o abraçaram.
Quando o tumulto cessou, Harry voltou a me olhar nos olhos.
- O que faz aqui, Gina?
- Os meninos queriam te ver, então eu decidi trazê-los. – respondi, tentando me manter calma.
- Certo. Eu posso levá-los pra casa depois do trabalho. Não precisa se preocupar em esperar.
Ele estava praticamente me expulsando!
CALMA, GINA! Repeti isso várias vezes, mentalmente.
- Harry, por favor, pare com isso. Não precisamos continuar desse jeito. Essa foi a pior noite que já tive. Por favor, volte pra casa! – meus olhos começaram a lacrimejar.
- Gina, não quero brigar com você na frente dos nossos filhos.
- Não precisamos brigar. Desculpe, por ontem, eu fui uma completa idiota. Não vou mais participar desse jogo. Me desculpe!
- A questão não é mais essa, Gina. – falou ele, me encarando com intensidade.
- E qual é, então?
- Eu acho que devemos passar um tempo separados, talvez seja melhor assim.
Senti minhas pernas tremerem, e minha cabeça começou a girar.
- Você quer dizer que não me ama mais? – perguntei, forçando minhas lágrimas a continuarem onde estavam.
Fiquei da medo da resposta.
- Não sei. Mas eu sei que não sentimos mais como se precisássemos um do outro como antes. – percebi que ele mesmo não acreditava nas próprias palavras.
Sabia que ele não estava sendo completamente sincero, mais ouvir aquilo da sua boca havia sido como milhões de agulhas sendo enfiadas no meu corpo.
Eu não estava mais em condições de insistir. Sabia disso, então levantei do sofá, preparando-me pra olhar em seus olhos uma última vez antes que tudo se acabasse.
- Acho melhor eu ir. Tchau, Harry.
Estava na metade do caminho até a porta, quando fiquei tonta e cambaleei um pouco pra trás.
Senti os braços de Harry me segurando para que eu não caísse.
- Tudo bem, Gina? Será que a Lília está bem?
Por um breve instante achei que ele estivesse preocupado comigo, mas vi que sua única preocupação era a nossa filha.
Talvez o que ele tinha dito alguns segundos atrás, fosse a mais pura verdade.
- Está tudo bem. – falei, me desvencilhando dos seus braços – Tchau.
Dizendo isso, saí do seu escritório.
Assim que bati a porta atrás de mim, deixei que as lágrimas que eu havia lutado tanto pra manter escondidas, caíssem dos meus olhos.
Fale com o autor