A Família Potter
14 Capítulo 14 - St. Mungus
Notas iniciais
Pov. Gina
Senti minha cabeça girar e voltar ao lugar de novo e de novo... era como se todas as vezes que eu tentasse focalizar algo, tudo ficasse turvo e girasse.
- Gina! Gina, por Merlin, respire! Olhe pra mim, vai ficar tudo bem! – falava Hermione, enquanto eu tateava em busca de uma cadeira.
Senti ela colocar um copo de água em minha mão e bebi, sem pensar duas vezes. Precisava manter a calma, meus filhos estavam ali e haviam ouvido tudo.
- Gina, temos que deixar as crianças na Toca e ir para o St. Mungus. Por favor, se mantenha calma.
-Tudo bem. – falei, ofegante, sentindo meus sentidos voltarem, lentamente, ao normal.
- Vamos chamá-las.
Levantei e segui Hermione. Vi Tiago me olhando, horrorizado, e Alvo à beira do choro. Isso me desarmou ainda mais. Fui até eles, trêmula.
- Venham aqui, meus amores. – puxei-os para um abraço apertado e senti as lágrimas começando a descer pelo meu rosto. – O papai está doente, como vocês ouviram. Eu ainda não sei o que ele tem, mas tenho certeza que ele ficará bem, certo?
- Mas, mamãe, o Tio Rony disse que ele ia morrer. – falou Tiago, com os olhinhos enchendo de lágrimas.
- Tenho certeza que o Tio Rony se confundiu. O pai de você é muito forte, não vai morrer tão rápido. Agora, prestem atenção: eu vou deixar você com a Vovó Molly e vou visitar o pai de vocês. Não quero que fiquem nervosos ou que chorem, ficará tudo bem, entenderam?
- Sim, mamãe. – responderam em uníssono.
Virei-me para Hermione.
- Vamos. Quero deixá-los logo. Preciso ver o Harry.
- Tudo bem. Vamos.
Passamos pela multidão aglomerada que, a todo tempo, me dizia palavras consoladoras. Eu apenas agradecia educadamente e seguia em frente.
Finalmente chegamos ao local onde havíamos deixado o carro. Acomodei as crianças e dei a partida.
Dirigi tão perdida em pensamentos, que nem vi o tempo passar ao chegar na Toca.
Minha mãe me viu e veio assustada até mim.
- Que cara é essa, Gina? O que aconteceu?
- O Harry está no St. Mungus. Ninguém sabe se conseguirá viver. – falei tristemente, desejando, com todas as minhas forças, que minhas palavras fossem mentira.
- Ah, meu bem, não fique assim. Tenho certeza que ele ficará bem.
- Eu espero, mamãe. Você pode ficar com as crianças enquanto eu e Hermione vamos lá?
- Claro que sim, pode ficar tranqüila.
Ela me abraçou apertado e eu fui para o carro com Hermione.
Ela não me deixou dirigir, sabia que eu não estava bem o suficiente para fazer isso.
- Será que ele vai ficar bem, Hermione? – perguntei, chorosa.
- Claro, Gina. Esqueceu que estamos falando de Harry Potter? Ele é forte e, além disso, o Rony pode ter se enganado ou algo assim.
- Tomara.
O caminho até o St. Mungus foi mais longo do que normalmente seria. Uma onda de pensamentos horríveis simplesmente invadia minha cabeça e custava a sair.
Finalmente pude ver as paredes do St. Mungus e senti meu coração bater mais rápido. Não sabia se era de ansiedade ou medo.
Hermione estacionou o carro próximo ao local e descemos.
Entramos no hospital e paramos numa recepção, onde uma moça de cabelos pretos estava sentada atrás de uma mesa de vidro.
- Boa Noite. Nós gostaríamos de ver Ronald Weasley e Harry Potter, acho que chegaram há pouco tempo. – falou Hermione.
- Certo, aguardem um momento. Vocês são o que deles?
- Eu sou esposa de Rony e ela é esposa do Harry.
A mulher mexeu em alguns papéis e falou com um curandeiro que passava por ali.
- Vocês já podem ver Ronald Weasley, mas Harry Potter está recebendo alguns cuidados e só poderá ser visto daqui à pouco.
- Ele vai sobreviver, não é? – as palavras escapuliram tão rápido da minha boca que foi como se outra pessoa tivesse falado, e não eu.
— Não tenho como saber, Sra. Potter, mas tenha certeza que os nossos curandeiros farão tudo que estiver em seu alcance.
- Tudo bem, obrigada.
Não sei como, mas o que ela falou me deixou pior do que o que eu já estava.
Um curandeiro apareceu e nos guiou até o quarto em que Rony estava.
Nós entramos e vimos que Rony estava repleto de curativos, mas nada muito grave, o que deixou Hermione bastante aliviada.
Ela correu e o abraçou, seguida por mim.
- Que ótimo que você está bem, Roniquinho! – falei, tentando parecer animada.
Rony olhou pra mim, vi que em seu rosto não havia nenhuma sombra de alívio ou tranqüilidade, apenas tristeza.
- Gina, eu sinto muito. Não consegui cuidar do Harry, como você me pediu antes de partirmos. Aconteceu tudo tão rápido... eu não pude evitar, eu juro por Merlin!
- Tudo bem, Rony, não foi culpa sua. Agora me explique o que aconteceu. – pedi.
- Certo. Bem, como você sabe, fomos atrás da pessoa que estava mandando aquelas cartas ameaçadoras pra nós, então descobrimos que essa pessoa vivia em um laboratório. Só que não sabíamos a exata localização. Então fomos atrás de muita gente, até que, finalmente, descobrimos o local e fomos até lá. Quando chegamos, não havia ninguém, então começamos a explorar e vimos que haviam plantas muito estranhas ali. Plantas sinistras, pra ser sincero. E também percebemos que o dono dali provavelmente exportava coisas ilegais. Mas, de repente, chegaram e fizeram com que desmaiássemos para poderem nos amarrar, só que eu consegui mandar um aviso para os aurores de lá a tempo, mas acho que não chegou tão rápido. Vimos que o sujeito que estava por trás daquilo tudo era ninguém menos que: Gregory Goyle. Ficamos pasmos! Mas ele não estava sozinho, havia muitos homens com ele. Começaram a lançar feitiços torturantes e a nos maltratar. Então, de repente, Goyle pegou um frasquinho com um líquido verde e fez com que Harry engolisse. Depois disso, Harry desmaiou e eu não conseguia acordá-lo. No momento em que Goyle ia fazer com que eu também engolisse o líquido, os aurores chegaram, os prenderam e nos trouxeram pra cá.
Ele parou de falar e um silêncio caiu sobre o quarto. Então tinha sido Goyle?
Não dava pra acreditar! Meu marido estava numa cama de hospital por causa de Gregory Goyle?!
- Eu não acredito que esse imbecil fez isso!
- Pois acredite. – falou, Rony – E ele planejava fazer também com você, Hermione e as crianças.
Novamente o silêncio reinou. Nesse instante, um curandeiro apareceu na porta.
- Quem é a Sra. Potter?
- Eu. – respondi.
- A Sra. já pode ver Harry se quiser, mas ele está desacordado e ainda não sabemos quando ou se irá acordar.
Suspirei, triste.
- Tudo bem, eu quero vê-lo.
- Me acompanhe, por favor.
Eu saí da sala, seguindo o curandeiro.
Ao chegar na porta que eu sabia que era a do quarto de Harry, ele se virou pra mim.
- O seu marido foi infectado por um veneno que não conhecemos e não sabemos se existe antídoto. Nós demos algumas porções para que paralisasse temporariamente seu efeito, mas não sabemos quanto tempo irá durar. Sinto muito. Tentaremos achar uma solução.
- Obrigada. – respondi, com os olhos cheios de lágrimas.
- Tudo bem. Pode ficar o tempo que quiser no quarto.
Ele apertou minha mão e saiu.
Abri, lentamente, a porta do quarto.
Agora que eu iria vê-lo, estava com medo de como eu reagiria. Respirei fundo algumas vezes e entrei.
A cena que eu vi me deixou feliz e triste ao menos tempo. Feliz porque, apesar de tudo, eu estava vendo Harry de novo depois de dois meses longe dele; e triste pelo estado em que ele se encontrava.
Seu rosto estava coberto de arranhões e seus braços cheios de curativos.
Seus olhos estavam fechados e ele poderia estar dormindo tranquilamente para qualquer pessoa que o visse. Aproximei-me um pouco e sentei em uma cadeira ao lado de sua cama.
Passei a mão por seu rosto, acariciando-o. Eu sentia tanta falta dele, e vê-lo daquele jeito, depois de tanto tempo longe, era horrível.
- Você não pode me deixar, entendeu? Não pode. – sussurrei, beijando-lhe a testa.
Segurei sua mão e me deixei entregar à dor que estavas sentindo, chorando descontroladamente.
Quando alguém que você ama sai pra algum lugar, você sempre sabe que ele vai voltar pra você, mas, dessa vez, Harry talvez não fosse voltar pra mim. E eu não conseguia suportar essa idéia.
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