A Família Lewen
1 A Maldição
Notas iniciais
Quando falamos em maldição, no que pensamos? Geralmente, alguma punição horrível para a pessoa amaldiçoada, certo?
Bom, com a família Lewen, foi mais ou menos isso que aconteceu.
Mais ou menos.
Começou quando a mamãe Lewen desrespeitou uma senhora feiticeira, uma gentil e calorosa feiticeira. Acho que a partir dai vocês já podem deduzir o que aconteceu.
Mas, agora a pergunta: se ela era tão boa assim, por que ela fez isso?
Bem, acho que essa é outra coisa que vocês podem adivinhar.
Por incrível que pareça, aquilo era normal. E a feiticeira sabia disso. A sr.Lewen não era uma boa pessoa, com ninguém, sem exceção. Até com o próprio marido, que a amava incontrolavelmente (e milagrosamente). Essa pequena família que estava prestes a crescer nunca tinha acreditado em magia. Ninguém naquela cidade acreditava, na verdade.
Mas ai veio à punição, para ela aprender a ser uma pessoa melhor. De início, nada aconteceu, mas depois que a primeira filha Lewen, Amora, nasceu, ela mostrou-se presente. E muito presente. A garota chorava de dor, uma dor não muito forte, mas o suficiente para alguém que não esteja acostumado gritar. Podia-se perceber “pequenos” detalhes lupinos em sua aparência. A mãe, é claro que não gostou. Com raiva, resolveu... Tentar mais uma vez, digamos. Ela acabou por ignorar Amora 24h por dia, apenas a chamando quando queria algo.
Esperou dois anos para ver se a maldição tinha acabado. E, assim, Noah nasceu. A mãe estava esperançosa de que esse não nascesse “anormal”. Contudo, perdeu suas esperanças ao notar as mesmas características lupinas da irmã. Resolveu tentar uma última vez.
Mais dois anos se passaram. Dessa vez, outra garota nasceu. A mãe esperava que dessa vez desse certo, de que a maldição finalmente tivesse acabado. Entretanto, ainda permanecia, mais forte do que nunca. Só que dessa vez aconteceu algo diferente, em vez de uma garota com traços lupinos, ela teve traços felinos. Isso surpreendeu todos da família. Essa garota foi quase tacada para o alto pela mãe, que nem a nomeou. Era alérgica a gatos, e, por mais que odiasse seus filhos, ainda era preferível ficar com ele a ficar espirrando infinitamente.
Mas ela não sabia que a maldição ainda tinha um pequeno detalhe a mais.
A cada anos que os filhos dela completavam, a chance dela morrer aumentava, cada vez mais. Claro, que um dia, ela acabou por morrer. Afinal, ela tinha três filhos amaldiçoados em seu lugar.
O pai foi o único que presenciou a morte da mulher. Ele disse que ela havia deixado uma missão para ele, para a família. Contou apenas para Amora, que tinha 13 anos na época. Para os outros, disse apenas três coisas:
“1. Irei partir na missão que sua mãe deixou. Amora ficará no comando, por favor, sejam felizes, não liguem para o que os outros disserem, não liguem para a dor e nem para a aparência de vocês, sejam felizes, juntos;
Tentem achar uma maneira de continuarem com o restaurante da família. Ele está aqui desde 1476, tem um significado importante. Podem fazer o que quiser, mas não o abandonem.
Amo vocês, não ligo se vocês são metades animais. Ainda amo vocês, do jeitinho que são”
Foi uma cena dramática, admito. As crianças choraram muito. A gatinha, nomeada tardiamente de Kitty, quase o fez prometer que ia voltar. Mas Amora a fez parar. Ela não queria que a pequena tivesse alguma ilusão de que isso aconteceria.
E ele se foi, em busca da mais inimaginável aventura. Mas Amora estava certa. Ele nunca mais voltou.
Anos depois, um novo membro se juntou a família.
Daniil, melhor amigo de Kitty. Ele também morava sem os pais, e como ele era filho único, era muito mais difícil do que os Lewen. E por estar sempre lá, juntaram suas forças para conseguirem sobreviver sem nenhum adulto, oficialmente falando, por perto.
Noah o fiscalizava rigidamente, já que suspeitava que ele gostava de Kitty mais do que apenas uma amiga, que, por sinal, acabou por se tornar a queridinha da família.
Juntos, os quatros cuidaram do restaurante por mais três anos. Transformaram este em algo temático. O Neko Café, de manhã servindo o café, de tarde o almoço, e de noite, se transformava em uma linda pizzaria temática.
Ah, desculpe, não falei alguns detalhes da maldição. Lembra que eu falei que eles sentem dores? Pois é, eles continuam sentindo elas, mas não são tão fortes quando estão na forma híbrida. E, se vocês forem bons em dedução, com certeza deve estar se perguntando: “‘forma’ híbrida? Então, eles podem ficar de outras maneiras? Em outras formas” Sim, eles podem! Eles podem ficar na forma animal, onde não sentem nenhuma dor, na forma híbrida, que é a qual eles mais ficam, sendo que eles sentem dores, mas suportável, e a forma humana. Esta última é a qual eles só usam em emergências. Por mais que seja a mais confortável das formas, é a mais dolorosa, chegando até a desmaiar se ficarem tempos de mais. É aquela tortura que você sabe que não consegue morrer, sabe?
Agora, imagino que outra pergunta esteja ecoando em suas mentes. “Neko, em japonês, significa ‘Gato’. Kitty é uma gata, mas Noah, Amora e Daniil, não. Como assim?”
A resposta é mais simples do que parece.
Pense bem, é um restaurante, certo? Quais são as duas profissões mais famosas em um restaurante?
O cozinheiro, e o garçon.
Noah e Amora são os cozinheiros do local, então, não entram em contato com o público. Apenas os garçons podem ver como eles são.
E quem são os garçons? Isso ai, Daniil e Kitty.
Kitty nem precisa medir esforços, tanto na habilidade com os patins, quanto no fato de interpretar a temática do Café.
Daniil ,de início, teve muita vergonha de usar a fantasia de gatinho, mas Kitty estava tão animada que iriam trabalhar juntos que meio que se forçou a usar o uniforme, sempre 100% correto. Sofreu um pouco nos primeiros dias, e ainda tem um pouco de vergonha de usar, contudo, já se acostumou. Uma solução bem simples, não?
Mas essa família, a ultima versão da Família Lewen, resolve fazer a pior escolha de sua vida. Uma escolha muito perigosa, para todos...
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