Notas iniciais
Heey, desculpem a demora ;u; Maaas, eu estou aquii o/ e vou postar o cap u.u

— Uno! — Gritou Kitty, animada, mostrando sua última carta na mão.

Ela e Daniil estavam jogando na mesinha da sala de estar. Amora tinha pedido para eles a esperarem lá que ela "já ia". Mas ela tinha demorado tanto que eles resolveram fazer algo para distrair. Já tinham jogado uma partida inteiram e a irmã mais velha da família ainda não havia chegado.

— Mas... Kitty, por que você tacou um três vermelho se a carta de baixo era um dois azul? Você não tem nenhuma carta azul e nenhum dois? — perguntou o garoto de cabelos azuis, encarando a carta, sem entender.

A gata deu de ombros.

— Tenho, mas eu quis colocar essa. Eu gosto de três vermelhos...

— Mas... Kitty... Não é assim que se joga!

— Jogando Uno, em? — perguntou Noah, que havia aparecido repentinamente atrás de Daniil. Este, pulou de susto. Noah estava com uma cara séria, o que não era novidade. Todas as vezes que os dois faziam algo juntos ele ficava daquele jeito. Ou seja, ele sempre estava assim.

— Estávamos esperando a Amora. — Explicou Kitty.

Ele olhou para ela, parecendo compreender, e se afastou um pouco.

— Pois é, ela também me chamou para dar um "recado"...

— Recado? — perguntou Daniil — Ela não falou nada disso para a gente. Só falou para virmos aqui...

— Ah, desculpe, Daniil — disse Amora, também aparecendo atrás do garoto. Ele pulou novamente, fazendo uma cara como se dissesse "de novo?"

— Eu ia falar sobre isso com todos vocês juntos — explicou — Mas alguém não podia esperar...

Ela olhou para Noah, de forma acusadora. Ele revirou os olhos negros, e Daniil e Kitty riram levemente. Amora prosseguiu.

— Era sobre o que nosso pai tinha falado antes de partir.

Depois da palavra "pai", todos se viraram para ela. Até mesmo Daniil, que não era "um Lewen de sangue".

Amora encarou a família. Aquilo doía muito, muito mesmo. Principalmente porque cada um deles lembrava algum dos pais. Ela e Noah eram super parecidos com o pai -Os mesmos cabelos e olhos castanhos, a pele parda e a bondade e amor que haviam acumulado nos longos anos de vida-. A única diferença entre os dois era o estilo do cabelo. O de Noah era mais parecido com o da mãe, levemente mais liso do que o da irmã. E até mesmo Daniil lembrava ele! A personalidade dos dois era quase a mesma.

Já Kitty era a única exceção. Ela era idêntica a mãe, que era o oposto do pai. Longos e lisos cabelos negros chegavam até a sua cintura, realçando os olhos azuis. Amora as vezes ficava com raiva de olhar para ela, exatamente por causa de sua aparência. Ela sabia que a gatinha não tinha culpa, mas ela lembrava a mãe tanto quanto ela lembrava o pai. E aquele era um desses momentos.

— Então... Vai falar ou não vai? — Perguntou Noah, tirando Amora de sua viagem.

— Ah, sim... Certo. Bom, resumindo, ele falou que nossa mãe tinha dado uma missão para ele, de conseguir uma cura para a Maldição, "custe o que custar". E, bem, ele foi...

— ... E não voltou — completou Kitty, olhando para baixo.

Silêncio. Aquilo atingiu a todos, como um soco na garganta. Mas a pior parte disso é que era verdade: Ele tinha partido e nunca tinha voltado ou dado notícias.

— ...Sim, ele não voltou... Então, nisso, chegamos a nossa parte na história — todos levantaram a cabeça — Ele pediu para que, se ele não conseguisse, nós tentassemos achar a cura... Todos nós! Ele disse que juntos conseguiríamos sair vivos, pelo menos. Ele tem razão, juntos nós podemos conseguir, e eu acho que já estamos prontos para isso.

Mais um pequeno silêncio, desta vez para uma reflexão.

— Por que temos que procurar algo que aquela idiota pediu? Não vou fazer nada que ela queira! — disparou Noah, depois de alguns segundos.

— Ela nunca foi legal com a gente... — falou Kitty, pensativa. — ... Mas eu acho que poderíamos tentar...

— Bem, eu acho que... — Daniil começou a falar algo, mas algo atingiu seu rosto. Era uma... almofada?

— Cale a boca, Blueberry, isso é assunto de família!

— Noah! — Falaram as garotas da casa, em olhar ameaçador.

— Ele também faz parte da família! Sempre fez e sempre fará. — Falou Kitty, em um tom que raramente usava. Ela foi até Daniil e o abraçou, tanto para provocar o irmão, quanto para consolar Daniil. Sabia que ele era sensível nesta parte.

Daniil não retribuiu o abraço. Ainda estava processando a informação de uma almofada ter atingido sua cara, na verdade.

Noah encarou os dois com um olhar um tanto quanto severo, mas não disse nada.

— Eu também não quero fazer nada pela nossa mãe, Noah — falou Amora — Mas nosso pai a amava, e ele queria que fizéssemos isso por ele, não por ela.

Mais uns minutos de silêncio.

— Então... nós vamos? — perguntou Kitty. — Todos nós?

— Tudo bem — falou Noah — Mas quero deixar claro que é apenas por nosso pai. E você fique longe da minha irmã — completou, em tom ameaçador para Daniil.

— Acho que nenhum de nós quer fazer isso pela nossa mãe... — comentou Amora.

— Bom... Melhor arrumarmos as coisas que iremos levar, então? — disse Daniil

Amora olhou para ele.

— Sim... Vamos.

E a sala se esvaziou.

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Kitty estava arrumando suas coisas em sua mochila. Não pretendia levar muita coisa, apenas o necessário: algumas mudas de roupas, cookies, alguns livros e uma garrafa de água. Vestia uma roupa não muito confortável, um shorts e uma blusa branca simples, mas achou que seria bom usar a "estratégia" que a mãe usava. Odiava ela, mas era eficiente. Se seus irmãos descobrissem que pretendia usá-la, mesmo apenas em casos de emergência, iriam brigar com ela pela eternidade. Mas achou que valia a pena, afinal, seria só em casos extremos.

Enquanto terminava de colocar suas botas, ela ouviu alguns passos se aproximando. Olhou para a porta e viu Amora, que também já estava pronta.

— Como está se sentindo, gatinha? — perguntou, parecendo preocupada.

Ela olhou para Amora. Ela tinha a mesma expressão que Kitty, sentiam a mesma coisa: Tinham medo. Medo do desconhecido e de um provável perigo.

— Eu não sei... — respondeu Kitty — Não tenho nem ideia de como vai ser nossa pequena "missão"...

— Eu entendo... — ela se aproximou e sentou na cama, ao lado da irmã — Mas não se preocupe, o importante é que estaremos juntos.

Elas se olharam, ambas sorrindo. Kitty olhou para a porta encarando-a sem motivo.

— Pra onde iremos?

Amora pensou um pouco antes de responder.

— Bem, pelo que eu me lembre, ele falou que ia em uma floresta não muito longe daqui. Mas acho que teremos que pegar um taxi...

Kitty balançou a cabeça, concordando.

— Certo... E o Neko Café? Como vai ficar?

Amora se levantou.

— Iremos fechar por uma semana. Se não voltarmos antes disso, pedi para que alguns amigos cuidassem para nós. Não pretendo demorar muito nisso...

— Garotas — Chamou Noah, aparecendo na porta do quarto — Eu e o Blueberry já estamos prontos.

— Tudo bem, vamos — falou Kitty, guardando discretamente a pequena adaga prateada que havia achado nos pertences dos pais há anos.

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Considerando-se que eram 4 horas da manhã, Los Angeles estava movimentada até de mais. Conseguiram chamar um taxi para ir até a misteriosa "Floresta". Daniil foi no banco do passageiro, Noah do lado esquerdo do banco de trás, Kitty no meio e Amora no lado direito. Conversaram um pouco sobre o que fariam, tentando disfarçar a maior parte por causa do taxista, mas Kitty e Daniil acabaram por dormir mais da metade do caminho. Quando chegaram, foi praticamente um sacrifício acordar a gata.

Estavam na beira da estrada, literalmente. Só se viam árvores no caminho. A Floresta parecia ser medonha de noite, mas de dia aparentava ser acolhedora. O Sol já estava amanhecendo, e o clima estava perfeito. Era verão, ou seja, não haveriam problemas como a neve. Pelo menos eles esperavam isso.

— Não acredito que estamos prestes a fazer isso mesmo... — comentou Noah.

— Eu também não — falou Daniil.

— Nenhum de nós acredita — completou Amora.

— Ainda da tempo de desistir... — disse Kitty.

Eles se olharam por um tempo, sem precisar mais de palavras para se expressarem. Não iam desistir. Não sem tentar. Eles deram as mãos um para o outro e entraram na Floresta, esquecendo-se de todos os medos que haviam imaginado que iriam enfrentar.

Notas finais
Espero que tenham gostado :3