A Face Oculta Da Lua

19 Só Fique Se Puder Encarar O Que Se Perdeu Em Mim


Notas iniciais
Bom dia, caros ninjas! =] Como está indo o feriadão de vocês? Só eu acho que ele deveria ser emendado com o Natal? hahahahaha ;D Bom, seus lindos, cá está mais um capítulo, totalmente patrocinado pela minha vagabundagem incontrolável nesse feriado! Espero que gostem, e sintam-se à vontade para comentar e fazer de mim uma escritora mais feliz! ^^

Um estridente tiro foi disparado no elegante teto cor de mármore do mal afamado Banco que, rezava a lenda, pertencia à máfia de Gotham City. Pedaços de cimento e poeira vieram ao chão, e todos os funcionários encararam, com enorme espanto, a quadrilha de máscaras sorridentes que entravam e travavam a porta. Túnicas negras e largas vestiam-nos, como se eles fossem os próprios comensais da escuridão.

Não havia qualquer sombra de clientes lá dentro, apenas alguns funcionários que já se preparavam para fechar o estabelecimento e retornar às suas casas...

... Mas pelo visto, não hoje. Hoje suas rotinas tomariam um curioso rumo.

_ Boa noite a todos – Alice sentiu sua voz ecoar um pouco abafada pela máscara, porém ainda era perfeitamente audível. Ela abriu os braços, caminhando tranquilamente entre os pares de olhos embasbacados que a fitava – Perdoem o inconveniente, mas terei de assaltar seu Banco! – avisou, fingindo pesar – Então, devo pedir que vocês deitem no chão e levem as mãos à cabeça como os bons cordeirinhos que são! – anunciou, revirando os olhos ao notar que todos ali permaneceram exatamente na mesma posição ereta e relativamente despreocupada. Pareciam até querer sorrir – Que parte de “terei de assaltar seu Banco” e “deitem no chão e levem as mãos à cabeça” ficou complexa demais para vocês entenderem sozinhos?

_ Vocês pretendem mesmo assaltar esse Banco? – um dos funcionários perguntou, incrédulo, gargalhando em seguida – Querem um conselho, baderneiros? Sumam daqui enquanto ainda podem, senão acabarão indo embora aos pedaços.

_ Ah, iremos embora, sim, não se preocupe! – Alice rebateu com a voz perfeitamente tranquila. O medo e a ansiedade a abandonou assim que ela e seus ninjas ultrapassaram a porta de vidro do recinto, sobrando apenas a clareza em sua mente. E a deliciosa sensação de risco que sempre beirava o perigo – Partiremos assim que seus cofres estiverem vazios, e nossos bolsos cheios.

_ Acho que terei que decepcionar a sua estúpida quadrilha então... – o mesmo homem disse, fazendo menção de se abaixar para pegar uma arma, talvez. Antes que pudesse se dar conta, um dos mascarados já o mantinha imobilizado, com uma velocidade e força espantosas.

_ Eu não faria isso se fosse você – um sotaque árabe o avisou num sibilo baixo, munido de tanta ameaça e frieza, que imediatamente o funcionário retrocedeu, estancando no tremor que atingiu até mesmo o tutano de seus ossos com aquela pequena amostra de força.

_ Vocês podem tornar as coisas menos difíceis para ambas as partes, senhores – Alice voltou a falar, dirigindo-se aos olhos vidrados e pasmos, quase hipnotizados pela rapidez com que Sayid impediu o contra ataque, como se tentassem recriar o momento em câmera lenta para entendê-lo – Aliás, está unicamente nas mãos de vocês se haverá feridos aqui ou não.

_ O nosso quadro de funcionários foi escolhido a dedo, seus tolos. – um dos homens, alto e atlético, alertou-os, estreitando os olhos verdes em ameaça – E nossos honorários não incluem apenas a burocracia rotineira de um Banco. Sabemos muito bem como lidar com pseudomoralistas e amadores que acham que podem assaltar justamente este Banco para afrontar-nos. Perderam seus tempos e suas vidas, todos eles. E vocês serão os próximos! – cuspiu suas melhores palavras de afronta, tirando de dentro da calça uma arma prateada que logo teve seu cano apontado na direção de Alice. Ela saltou agilmente para o lado no momento em que a bala foi expulsa, arrancando um olhar surpreso do homem. Ele atirou novamente, mas Alice apenas parecia dançar enquanto evitava as suas investidas tão patéticas e previsíveis. O sorriso que sua máscara esboçava nem de longe era tão largo quanto o que a ninja realmente fazia brotar em seus lábios. O funcionário atirou uma terceira vez, indignado, fazendo mais um de seus projéteis se fincar, inútil, na parede.

_ O que foi? – Alice perguntou, tripudiando suas falhas e frustradas tentativas – Surpreso com o meu amadorismo? – riu, aproximando-se do homem o suficiente para dar uma forte cotovelada na mão que segurava a arma, fazendo-a cair e deslizar para longe do dono pelo piso liso e parcialmente escorregadio – Já basta de tentar resolver as coisas ao modo diplomático. Imobilizem-nos! – Alice ordenou aos seus ninjas, ainda encarando os olhos verdes irritadiços que a fitavam com ódio – Já que nossas amáveis vítimas preferem o jeito difícil, disseminem o nosso pseudomoralismo entre elas – zombou mais uma vez, vendo a fúria no rosto de queixo projetado do funcionário que tentou acertá-la.

Ele fez uma última tentativa com um soco afobado e mal elaborado que lançou sobre Alice, porém a ninja pegou-lhe pelo pulso e torceu-o para trás, e continuou torcendo até que sentiu o estalo de um osso se partindo. O funcionário gritou, e Alice empurrou-o para o chão, obrigando-o a deitar de bruços, mantendo firmemente o pé direito abaixo de seu ombro para mantê-lo naquela posição. O braço quebrado e tensionado depositou-se sobre as costas do homem num ângulo anormal.

_ Quietinho agora, está bem? Se comporte e, quem sabe, eu poupe o seu outro braço.

_ Você não sabe o que a espera – ele avisou, virando o pescoço com certa dificuldade para poder encará-la – Mesmo que vocês consigam levar o dinheiro daqui, vocês serão caçados até que não sobre um único mascarado pra contar essa história – disse, sua voz despontando desesperada por saber que ele mesmo e seus companheiros também arcariam com duras consequências caso não conseguissem proteger cada dólar que a máfia confiou aos seus cuidados.

Alice ajoelhou-se ao lado do homem, aproximando-se de seu ouvido.

_ Pois é exatamente isso que eu quero. Cacem-nos, encontrem-nos, e quem sabe essa fortuna não retorne aos seus amaldiçoados cofres? – ameaçou, levantando os olhos novamente para a cena ao seu redor.

“Fácil demais!”, pensou ao ver cada funcionário detido e sem suas próprias armas, desprovidos de qualquer condição que tornasse favorável um revide, deitados ao chão sob o comando de seus leais ninjas. Suas espadas, mais eficazes do que a mais fina e mortal lâmina.

_ Senhores, devo abusar mais um pouco dessa calorosa hospitalidade e pedir que o gerente se manifeste! – a ninja disse, irônica, esperando conhecer o rosto por trás do comando – A não ser que ainda não queiram colaborar, é claro. Nesse caso, creio que mais alguns ossos serão quebrados até que alguém resolva falar...

_ Eu sou o encarregado – um homem de cabelos parcialmente grisalhos e olhos castanhos em brasa respondeu, com uma expressão perigosa de desgosto. Um dos ninjas de Alice o imobilizava ao chão, e a hippie fez um aceno para que ele trouxesse o gerente até ela. O ninja levantou-o com brusquidão e o fez caminhar até a hippie. Uma pequena trilha de sangue descia pelo seu rosto a partir de um fino corte na sobrancelha esquerda.

_ Finalmente alguém sensato por aqui... – Alice aprovou – Diga-me... – ela parou por um momento para checar o nome do homem identificado no crachá que usava sobre o elegante paletó – ... Cesar, onde, exatamente, fica o cofre?

_ Alguns metros além daquela entrada – apontou com o queixo para uma porta reforçada em aço, sem maçaneta ou trincos comuns, apenas uma tranca magnética.

_ Então vá andando. Estou bem atrás de você – Alice avisou, chamando Sayid para acompanhá-la e ordenando que os outros permanecessem vigiando os funcionários feitos de reféns. Um mascarado, que Alice reconheceu como sendo o árabe apenas pela elevada altura, caminhou prontamente ao seu lado, lançando-lhe um olhar respeitoso no meio do acrílico sem vida que envolvia seu rosto moreno.

O gerente traçou o caminho até a porta, hesitando em prosseguir quando estavam diante dela.

_ Eu não tenho o dia todo, Cesar – Alice avisou, aborrecida e impaciente, empurrando as costas do homem para que ele se apressasse.

O gerente tirou um cartão magnético de dentro do paletó e o atravessou pela pequena fenda da tranca. Uma luz verde acendeu-se, avisando que o acesso estava liberado e permitindo-lhes a passagem.

Um largo corredor era a única coisa que os separava do grosso e exagerado cofre assim que atravessaram a reforçada porta. O cofre jazia ao final daquele caminho, brilhante e imponente, não mais escondido de suas visões. Foram necessárias apenas algumas passadas para ficar diante da única barreira que agora separava Alice do maior montante de dinheiro que ela poderia sonhar em ver, e muito menos possuir.

_ Qual a combinação? – ela questionou, ansiosa, já deslizando o dedo pela redonda porta de aço e imaginando-a aberta.

_ Eu não possuo a combinação – Cesar avisou, encarando os próprios pés. Alice virou o rosto devagar em sua direção, e sua expressão ferina foi vista como um sorriso por conta da máscara. Mas seus olhos ainda eram capazes de transmitir toda a sua impaciência.

_ Se isso fosse verdade – falou calmamente, cansada de ser atrasada em seu plano –, por que você teria acesso a esse corredor, se não para abrir esse maldito cofre?

Cesar permaneceu quieto, talvez sem saber como responder àquela pergunta pertinente, deixando clara a sua mentira.

_ Eu o faço falar, Ra’s Al Ghul! – Sayid segurou firmemente uma das mãos trêmulas e suadas do gerente – Conheço tantas técnicas de torturas quantas são possíveis. Quer um conselho? Poupe-se da dor e abra logo esse cofre. – deu o seu último aviso, como uma cortesia de sua parte.

_ A máfia fará pior do que apenas torturas, Mascarado. Se esse dinheiro sair daqui, eu e minha família estaremos perdidos... – desabafou, sentindo o suor banhar-lhe a testa.

_ Acredite, Cesar, a máfia não fará pior – Alice lançou, assentindo para Sayid, como uma permissão silenciosa e passiva de seus métodos.

O árabe empurrou o mindinho do gerente com uma força estúpida, quebrando-o de um só golpe e arrancando um urro de dor do homem que se recusou a obedecer sua líder. O dedo pendeu numa posição que não era natural, assim como o braço do outro funcionário que Alice quebrara há pouco.

_ A combinação, ou cada recusa resultará num dedo quebrado! – avisou Sayid, pronto para repetir o procedimento ao ver a cabeça do homem balançar freneticamente, em agonia.

_ Eu não posso! – arfou – Eles vão se vingar... Matarão minha esposa e meus filhos e depois a mim... Não, espere! – gritou quando Sayid fez o mesmo em seu anelar, deixando-o pendido ao lado do mindinho, e o homem urrou ainda mais alto.

_ Cara, você nem é casado... – Alice revirou os olhos ao notar que não havia nenhuma aliança dourada de compromisso no dedo do homem – Eu agradeceria se você parasse de insultar a minha inteligência com esse bando de sentimentalismo sem sentido. Além do mais, se você realmente tiver esposa e filhos e se preocupar com a segurança deles, o que eu duvido muito, não deveria ter escolhido trabalhar para a máfia...

_ Não, por favor, chega! Eu faço o que quiserem, mas não me peçam para abrir esse cofre...

_ A combinação! – rosnou Sayid impaciente, colocando tanta força sobre o dedo médio do homem, que foi capaz de gerar uma fratura exposta. Sangue espirrou com força do buraco que o osso fez ao transpassar a pele, ao passo que gritos e soluços arranharam a garganta de Cesar com a dor lancinante. Lágrimas e suor molhavam seu rosto contorcido em igual proporção.

_ 09 – ele finalmente começou a falar, rendendo-se aos efeitos cruéis da dor que lhe tiraram o livre arbítrio. Alice imediatamente dedicou-se a abrir o cofre, repetindo os códigos que Cesar revelava em meio aos soluços – 73-25-99-02-14-60-68-41.

Um clique baixo fez a tranca retroceder, e logo Alice já se via diante de uma enorme montanha de dinheiro. E foi como se as montanhas do Himalaia não fossem tão grandes quanto a hippie pensava... Ela sorriu, incapaz de descrever o tamanho de sua própria ousadia.

Alice retornou ao Banco, encarando com certa ansiedade seus ninjas ainda ociosos.

_ O que estão esperando? Vão buscar o dinheiro logo, temos duas Vans inteiras esperando para serem carregadas! – ordenou, feliz, e imediatamente os ninjas aderiram ao seu comando, parecendo quase tão entusiasmados quanto ela mesma.

Alice sentiu o ar se mover sutilmente atrás de si, e uma sombra terrivelmente familiar fundiu-se à sua própria sombra.

Batman estava parado atrás da hippie, extravasando fúria nas duas bolas negras que a encaravam. Os ninjas vieram em seu auxílio ao notar a presença do Justiceiro Mascarado, mas Alice ergueu uma mão na direção deles, perguntando-se internamente como suprimir aquele frenesi em seu coração.

_ Façam o que eu disse! Essa luta é minha – Alice mandou, perdendo-se naqueles olhos que ela sabia pertencer a Bruce. Engoliu em seco, sentindo-se estúpida e mobilizada pela presença daquele que ela tanto ansiou rever. Mas não naquelas circunstâncias...

_ Um pouco tarde para sacar dinheiro, não? – Batman fez ecoar sua voz rouca, e a ninja precisou de todo o autocontrole de que dispunha para não tirar a máscara de seu rosto e apertá-lo num abraço... Num abraço que certamente seria rejeitado se ele soubesse que Alice estava viva... Antes que ela pudesse se forçar a responder algo coerente, um bipe soou de sua cintura, onde estava preso o Nextel que deveria ser sua comunicação com Tony.

_ Ra’s Al Ghul... – o cozinheiro chamou, com urgência – A máfia está a caminho! Posso vê-la se aproximando, em pouco tempo estarão aí!

“E a hora não podia ser melhor...” – pensou com ironia, ainda incapaz de desviar-se dos olhos de Batman, que agora pareciam realmente interessados.

_ Ra’s Al Ghul? – ele perguntou, encarando-a da melhor maneira que podia – O que a Liga das Sombras faz em Gotham? – perguntou num tom nada amigável.

_ Você saberia se não a tivesse traído! – obrigou-se a responder, tentando disfarçar a voz o melhor que podia. Tentando disfarçar o brilho e temor que agora tingiam seus olhos, tão negros quanto os do homem que a encarava... – Deixe meus ninjas e eu passarmos, e você não terá problemas, Morcego!

_ Acho que não... – ele respondeu crispando os lábios, empurrando Alice contra a parede com mais força do que ela sabia ser possível. Seu corpo ficou próximo demais ao dela, e a hippie sentiu-se uma completa imbecil por cada sensação que acabaria tragando-a para a derrota naquela missão. Não podia deixar-se levar por aqueles sentimentos que estavam em seu passado, enterrados junto ao seu corpo falso – O que a Liga faz em Gotham? – repetiu a pergunta já cerrando os punhos.

Alice tentou golpeá-lo no queixo, onde sabia que sua armadura de titânio cedia, mas a hesitação de saber que era Bruce quem estava ali a fez ser lenta demais, e sem qualquer dificuldade, Batman desviou. Seu segundo golpe foi mais centrado, mais firme e muito menos sentimental. Ela o acertou na lateral de seu corpo, abrindo caminho para sair daquela armadilha. A investida o pegou de surpresa, e por algum milagre, a hippie conseguiu deslizar para longe.

_ Ninjas! – ela gritou, sabendo que tinha pouquíssimo tempo até Batman alcançá-la novamente – A máfia está a caminho, quero que metade de vocês continue descarregando o dinheiro, e a outra metade saia e impeça a máfia de...

Batman a acertou com punhos de ferro, fazendo-a cair. Suas mãos cortaram parte da queda, e Alice rolou para longe dos passos firmes do Cavaleiro das Trevas, esforçando-se para acalmar sua mente daquele turbilhão inoportuno de pensamentos. Assim como Batman, Alice era agora filha da escuridão, e se valeria de seus ensinamentos ninjas assim como ele... Teria de conseguir, pelo bem da conclusão do assalto e pelo seu próprio bem. Vários ninjas saíram de dentro do Banco assim que o característico furgão preto da máfia freou com brusquidão em frente ao próprio estabelecimento. Vários tiros foram disparados, e aquele som do tiroteio apertou ainda mais seu coração, já cheio de preocupação... Mas Alice teria de confiar na competência de seus ninjas. Não poderia ajudá-los agora...

A outra metade dos ninjas mantinha-se transferindo o dinheiro para dentro da Van... E apenas Alice lidava com Batman, sem saber como suportaria aquele viés. Sua carne latejava na porção em que o Morcego a acertara, mas a dor deveria esperar! Durante seu treino com Ducard, Alice aprendeu a ministrar a dor, o cansaço e o incômodo sem permitir que esses fatores prejudicassem de forma relativa o seu desempenho numa batalha. E agora, mais do que nunca, precisava ratificar o valor de seus treinos e dos ensinamentos de seu Mestre. Seu Prisma de Luz.

Batman caminhava compenetrado na direção de Alice, mal sabendo tratar-se da hippie. Estava difícil conter o tremor de ter Bruce ali, tão perto e ao mesmo tempo tão longe sobre a barreira daquela máscara de morcego. Ela queria poder explicar, queria mais do que tudo poder mostrar-lhe a verdade... Aceitar que Bruce não poderia mais fazer parte de sua vida era quase insuportável quando ele estava sob o alcance de seus olhos...

_ O que vocês pretendem agora? – Batman rugiu, segurando Alice pela túnica, de forma ameaçadora, fazendo-a acordar de seu pior e mais cruel conflito interno.

_ Isso não é da sua conta, Morcego... Não se meta em assuntos que não são mais seus!

_ Gotham sempre será um assunto meu – avisou, empurrando-a mais bruscamente contra o concreto.

_ A Liga não está aqui por Gotham. Não desta vez! – garantiu, tendo plena consciência de que ele não acreditaria em nenhuma daquelas palavras, que, ironicamente, eram a mais pura verdade – Então saia do meu caminho, senão terei de machucá-lo – avisou, sem nenhuma convicção de que seria capaz de infligir um arranhão sequer em Batman.

_ Eu corro esse risco! – Batman moldou um soco em seu punho ao cerrar os dedos, mirando na máscara sorridente que estava a pouco mais de dois palmos à sua frente. Alice desviou, mesmo com sua mobilidade reduzida pela pressão que o Morcego exercia para mantê-la rente à parede.

Teve pouco mais do que um segundo para refletir até o próximo golpe. Não seria capaz de superar a força do Cavaleiro das Trevas, mas talvez pudesse ser mais ágil naquela disputa... Tinha a vantagem de roupas leves e de um corpo menor, o que provavelmente seria compensado pela vasta experiência de seu improvável oponente... Mas precisava agarrar-se a esse fraco e propício benefício, ou nada mais a ajudaria naquela situação.

Ela desviou-se do próximo golpe com muito mais firmeza e agilidade, conseguindo também se livrar da pressão que Batman desferia em seu ombro. Deu uma rápida olhada no lado de fora do Banco aonde seus ninjas ainda travavam uma pequena guerra com os mafiosos. Vários já haviam sido desarmados e subjugados, mas alguns ainda tentavam passar por seus ninjas... Ao que parecia, nenhum dos seus havia se ferido.

Alice voltou sua atenção novamente para Batman, perguntando a si mesma quanto mais poderia suportar e aquela situação insustentável e aflitiva.

“Preciso sair daqui... Não posso correr o risco de estragar tudo por causa dos meus próprios desejos e fraquezas! Ducard me mataria se me visse colocar tudo a perder depois de chegar tão longe...”

Alice testemunhou novamente o olhar febril e áspero de Batman, totalmente disposto a tirar a verdade da mulher mascarada. Ele aproximava-se mais uma vez a passos comedidos e letais, e a hippie notou que seus ninjas levavam o último carregamento do dinheiro roubado para dentro da Van. Ela correu na direção do Cavaleiro das Trevas, chocando o seu corpo com força contra a armadura negra do Morcego, que foi pego de surpresa pelo inesperado movimento e tombou. Alice levantou-se com rapidez e travou uma rápida e desesperada corrida rumo à saída.

Batman apoiou-se pelos cotovelos, levantando parcialmente o corpo. Levou um dos braços até seu cinto de utilidades e retirou de lá um afiado morcego de bordas cortantes, atirando-o em Alice antes que ela pudesse sair de dentro do Banco. O ápice extremamente amolado da asa cravou-se no ombro esquerdo da ninja, arrancando um urro de dor.

_ Merda... – xingou ao ver que o pequeno morcego havia se enterrado pela metade em sua carne. Ela arfou enquanto via Batman refazer o caminho em sua direção. Quatro dos ninjas que saíam com gordas sacolas de dinheiro pararam para ajudá-la, mas Alice balançou a cabeça em negativa – Vão para as Vans e ajudem os outros com a máfia! – ordenou – Rápido! Eu não demoro! – avisou, ficando novamente sozinha com o Homem Morcego, que parecia pouco amigável naquele ódio irrefreável.

Grossos pingos de suor escorriam de sua testa, deixando-a pegajosa e úmida. A transpiração, Alice sabia, era proveniente não apenas do medo que sentia de ser descoberta por Batman, mas também pelo esforço sobre-humano que necessitava fazer para não se deixar ser descoberta. Sua farsa parecia querer lhe abandonar a cada vez que o Justiceiro Mascarado diminuía a distância entre eles com passadas firmes, a cada vez que chegava mais perto de seu corpo trêmulo e sedento por uma distância segura que a permitisse manter sua identidade em segredo.

Seu ombro ardia sob o comando do objeto cortante e personalizado que o perfurou. Alice removeu-o dali de uma única puxada, arfando com a dor aguda. Encarou o lugar em que Batman fora derrubado por ela, sentindo seu coração pular ao ver que ele não estava mais ali. Ao não conseguir achá-lo...

Virou-se a tempo de percebê-lo bem atrás de si, mas já era tarde demais. Batman empurrou-a contra o chão, prensando-a firmemente ali, disposto a não cometer o mesmo erro de deixá-la fugir de suas perguntas. Ele ajoelhou-se sobre ela, tornando árduo até mesmo o simples movimento de respirar. Suas mãos envoltas na luva negra prenderam os braços de Alice ao chão, enquanto que as pernas do Justiceiro Mascarado criaram uma forte contenção ao esmagar a lateral das coxas da hippie sobre os seus próprios joelhos, deixando-as tão comprimidas uma contra a outra quanto permitia as leis da física.

_ Quem é você, e o que faz aqui? – questionou-a com sua voz rouca e determinada.

_ Tire a sua máscara, senhor das trevas, e quem sabe eu não tire a minha! – desafiou, buscando por alguma brecha que a permitisse sair daquela posição desfavorável em que Batman se mantinha contra si. Seu coração parecia trai-la com as múltiplas tentativas em denunciá-la, mas Alice o ignorou, forçando-se a recordar tudo o que Ducard lhe ensinou.

_ A Liga das Sombras não se esconde atrás de máscaras – rosnou – E também não deveria ter retornado a Gotham.

_ A Liga das Sombras faz o que a sua Ra’s Al Ghul manda! – rebateu, ainda lutando para se esgueirar por entre o aperto irrefreável do Homem Morcego.

_ E por que ordenar um assalto a este Banco? Por que regressar a Gotham? – repetiu as mesmas perguntas que ficaram sem respostas antes, e que, da mesma forma, ficariam sem respostas agora. Alice permaneceu quieta, encarando a fundo os olhos que sabia pertencer a Bruce, querendo mais do que tudo poder dar uma satisfação... Poder mostrar-se...

Batman empertigou-se sobre a quietude de sua oponente, que nem ao menos dignou-se a responder. Ele levou uma de suas mãos até a máscara que lhe sorria, imparcial e zombeteira, passando os dedos pela sua base rente ao pescoço de Alice, ameaçando tirá-la.

_ Se minhas perguntas ficam sem respostas, terei que encontrá-las sozinho – avisou, impaciente – A começar por seu rosto!

Alice rangeu os dentes, farta daquilo. Deixar que o Guardião da Noite a descobrisse ali não era uma opção, e muito menos se permitiria falhar naquele momento. Ela chocou sua própria cabeça contra a de Batman com toda a força que foi capaz de reunir, fazendo-o ser jogado para trás, o que limitou o aperto forte que a impedia de se mover em uma leve pressão, dando mais mobilidade à ninja. Suas pernas conseguiram deslizar para longe da constrição exercida pelo Morcego, e ela aproveitou a oportunidade para chutá-lo no peito. Viu o Cavaleiro das Trevas deslizar para mais longe com o seu golpe, e só então foi capaz de correr até a saída.

_ Vamos! – Alice gritou para os ninjas, fazendo sinal para que eles entrassem nas Vans – Rápido, rápido! – ela ordenou, caminhando até os vários mafiosos caídos no chão e jogando sobre eles um pequeno papel retangular. Os homens totalmente vestidos de preto olharam-na embasbacados ao ver que naquele cartão havia um endereço – Se quiserem seu dinheiro de volta, me procurem – avisou, sendo a última a entrar no veículo já com o motor ligado, finalmente levando seus ninjas e ela mesma para longe daquele maldito Banco! Para longe de Batman e de seus próprios desejos destrutivos.

_ Está ferida, Ra’s Al Ghul! – Tony constatou, fitando preocupado o furo embebido de sangue em sua túnica negra, enquanto Alice arrancava com pressa a máscara sorridente de seu rosto, deixando-o livre para arejar-se com o ar fresco.

_ Não foi nada – disse, mesmo que a dor persistisse em seu ombro – São os ócios do ofício – riu, infeliz, dando a partida na Van como se fosse seguida por todos os demônios da terra.

Sentia a comemoração de seus ninjas enquanto dirigia rápido em direção ao albergue que os abrigava, mas estava totalmente alheia à alegria de seus leais guerreiros. Apenas o olhar frio de Batman lhe vinha à mente, torturando-a mais um pouco pelo encontro inesperado, deixando bem claro que ela ainda era fraca quando o assunto era superar algumas fases, algumas lembranças...

... Algumas pessoas!

Cada ninja descarregava uma gorda porção do dinheiro roubado, e as sacolas pareciam não ter fim dentro da Van, lotando os enormes porta-malas. Alice também tirava as sacolas com avidez, mesmo com o ombro protestando e queimando no lugar em que Batman a acertara.

Max encarava a cena a contragosto, porém sem ousar opor-se àquela visão que lhe indicava o roubo. Estava acostumado aos trambiques de seus hóspedes, porém aquela quantidade de dinheiro o assustou. Temia que aquilo pudesse lhe gerar alguma consequência, mas apenas saiu do caminho daqueles estranhos homens, passivo a tudo, cego ao seu redor.

Levaram as dezenas de sacolas para um dos aposentos da feiosa estalagem, todos exaustos pelo serviço, porém satisfeitos na mesma proporção. Alice sorriu ao encarar o resultado de sua primeira investida como Ra’s Al Ghul, orgulhosa de si mesma e dos seus guerreiros pelo modo impecável com que eles agiram, sem nem ao menos precisar disparar um único tiro contra ninguém!

Apenas munidos de sua própria destreza e exímio desempenho.

A ninja segurou seu ombro lesado com pesar, sentindo maior dor pelo autor daquele ferimento do que pela ferida em si. O sangue seco havia grudado a túnica no corte, provocando uma pontada extra na hora em que Alice decidiu limpá-lo.

Deixou que alguns de seus ninjas se revessassem para cuidar do dinheiro, enquanto ela dirigia-se até o próprio quarto, visando tratar de seu ombro dorido ao notar a profundidade do corte. Nada que alguns pontos, um curativo e alguns cuidados para impedir que infeccionasse não resolvessem aquele pequeno infortúnio...

Escancarou a porta de seu quarto com o braço bom, sedenta por algumas boas horas de sono para compensar o cansaço dos últimos dias. Porém, até que a máfia a honrasse com sua visita, a hippie sabia que seu descanso seria superficial e preocupado. Não podia deixar que eles o pegassem de surpresa...

Alice estancou no meio do cômodo, calando seus pensamentos e prestando uma minuciosa atenção ao quarto. Havia algo errado, podia sentir... Não sabia explicar, apenas era alertada por seus mais profundos instintos com a certeza irrevogável de que era observada...

Uma mancha negra saltou do teto e pulou no chão, encarando-a com os olhos mais perplexos que Alice já vira em alguém. Ela sentiu-se empalidecer e seu queixo caiu de desespero quando notou o olhar de Batman sobre ela, analisando cada traço de seu rosto como se não pudesse acreditar no que via.

Bruce retirou a máscara de morcego, deixando à mostra cada traço indignado de sua complexa expressão.

_ Alice...? – Bruce perguntou, emanando dor daqueles olhos negros totalmente direcionados a ela.

_ Bruce... – respondeu, com a voz fraca, como um pequeno fiapo de sua verdadeira potência – Alô! – acenou timidamente, sentindo como se várias borboletas, com asas tão afiadas quanto o morcego que a acertou, perfurassem o seu estômago sem a menor cortesia.

_ Você... você está... viva... – piscou, confuso, unindo as sobrancelhas no mais puro desentendimento.

_ Bruce, eu... eu posso explicar! – abaixou a cabeça, como se de repente o piso fosse algo extremamente interessante de se observar, e passou a mão pelos cabelos, não fazendo a menor ideia de por onde começar a falar... Querendo apenas abraçá-lo, nada mais.

_ Explicar o quê? – seu tom despontou repleto de asco, assim como seus olhos enojados, que pareciam incapazes de desviar-se de Alice. Ela esperava por aquele tom, só não estava preparada para isso. – Que num dia você está morta, e no outro, retorna como uma marionete da Liga das Sombras? – exaltou-se, parecendo sentir um enorme peso no peito. Um peso que era compartilhado por Alice.

_ Ra’s Al Ghul... – ela o corrigiu, baixinho.

_ Como? – Bruce inquiriu, cada vez mais estático com o que ouvia e via.

_ Eu não sou a marionete, sou o ventríloquo dessa vez... – explicou, mexendo compulsivamente numa mecha do próprio cabelo – Sou a nova Ra’s Al Ghul deles – concluiu, encarando-o com receio.

Bruce soltou um bufar alto enquanto caminhava indignado pelo quarto, parecendo incapaz de digerir as insanidades que chegavam aos seus olhos e ouvidos, de repente mais cansado do que a hippie jamais o vira.

_ Bruce, me escute – aproximou-se do Bilionário, obrigando-se a encontrar coragem de algum lugar dentro de si. Ele estava de costas pra ela, e por vários segundos a hippie hesitou, querendo tocá-lo, mas o gesto foi impelido por sua própria coerência de que aquele não fosse o melhor momento – Eu não tive escolha! Precisei fingir minha morte, essa foi a única maneira de me livrar de Coringa... De proteger você...

_ Proteger a mim? – perguntou, cético, virando-se para Alice e sentindo os próprios olhos arderem – Do quê, exatamente, o Batman precisa ser protegido, Alice? – perguntou com desdém.

_ Do próprio Batman – lançou, sem vacilar naquela resposta – Você se acha muito indestrutível quando coloca essa máscara de morcego, Bruce, e você estava disposto a não medir consequências por uma causa que seria perdida. A minha causa – avisou, prevendo que sua voz logo se embargaria.

_ Então você achou que me faria um favor me fazendo acreditar que você... – ele não terminou a frase, aparentemente inconformado demais para fazê-lo. Lançou outro olhar para Alice como se não a reconhecesse... Como se nunca a tivesse conhecido de fato.

_ Eu sei que parece cruel – defendeu-se, umedecendo os lábios invariavelmente secos e tensos –, mas por mais contraditório que pareça, foi a escolha mais sensata para impedir que algo acabasse acontecendo àqueles que eu amo. Você, Will, Logan... Depois de perder meu filho, eu simplesmente não podia deixar que a história se repetisse com um de vocês! – explicou-se, finalmente sentindo-se sucumbir a algumas lágrimas discretas.

_ Um tanto nobre de sua parte... – atacou-a com aquela dose de sarcasmo frio, que simplesmente não combinava com a doçura ao qual Alice estava acostumada a ver em Bruce.

_ Não se atreva a insinuar que essa foi uma decisão fácil pra mim – perdeu levemente o controle, olhando-o com firmeza pela primeira vez enquanto algo parecia fazer questão de ferver em seu estômago – Não se atreva a insinuar que me afastar de todo o meu passado não me corroeu por dentro, que eu não me odiei por isso a cada minuto.

_ Se afastar de qual passado, Alice? Do passado que você compartilhou com aqueles que fizeram de tudo para ajudá-la, ou do passado que viveu com Coringa?

Ela encarou-o, ferida. Não ferida por reconhecer verdade em seu comentário, mas profundamente ferida por Bruce parecer realmente acreditar que ela nunca se importou. Como se Alice tivesse resolvido partir sem sequer se importar com a dor que isso poderia trazer-lhe, insinuando que ela nem mesmo havia considerado todos os envolvidos em sua vida...

_ Você é um hipócrita! – acusou, agora com raiva – Você fez exatamente a mesma coisa, Bruce! Você, assim como eu, abandonou Gotham quando tornou-se adulto o suficiente pra partir, sem ao menos olhar pra trás! O que nos torna diferentes então, senhor Wayne? Só porque você usa uma máscara de morcego e uma... uma... pochete – apontou de forma pejorativa para o cinto de utilidades preso ao quadril do Justiceiro –, acha que isso o torna melhor? Acha que pode julgar os meus motivos? Acha que minhas dores foram menores do que as suas?

_ Em momento algum eu fingi-me de morto! Apenas parti em uma viagem longa, mas nunca fiz ninguém chorar pela minha própria morte! Ninguém zelou por um corpo que não era meu!

_ Grande merda! – ouviu-se gritar, sentindo sua pele ficar rubra pela quentura que a invadiu – No final das contas, foi exatamente a mesma coisa, seu tonto! Você foi dado como desaparecido, acha que isso não foi um tormento aos que ficaram aqui sem saber notícias suas? Será que quando, posteriormente, você foi considerado morto pelos anos em que nunca mais se manifestou, ninguém chorou levianamente por você? É essa a consideração que esperava de mim?

_ Você teve algo que eu não tive, Alice.

_ O quê? Uma conta bancária no vermelho? – retaliou, bufando.

_ Você teve alguém que te estendeu a mão. Que ofereceu meios para mantê-la segura, e que podia te dar algum aporte psicológico para lidar com sua perda. Eu queria ajudá-la. Eu podia ajudá-la! – ressaltou, com pesar, franzindo o cenho, como se ainda não conseguisse crer que estivesse tendo aquela conversa com a mulher pela qual ainda estava em luto.

_ Ninguém podia me ajudar. Nem eu mesma.

Bruce a encarou por um momento que pareceu interminável para a hippie. Era como sentir-se sufocar aos poucos, como definhar diante daquele olhar ácido. Se ela pudesse ao menos fazê-lo entender...

_ Quem é você, Alice? – perguntou, cansado, com aqueles mesmos olhos abatidos e acusadores ainda fitando-a – Algum dia eu cheguei a conhecê-la?

_ Pelo visto não... – desviou-se da direção daquele nauseado olhar ao ficar de costas para o Bilionário, escondendo de Bruce sua expressão machucada.

_ Sim, pelo visto não! – concordou, aproximando-se da minúscula janela pela qual entrara, preparando-se para partir dali. Hesitou por um momento, redirecionando seu olhar para Alice, que ainda estava de costas para ele – Você disse que não teve escolha... – comentou, e a hippie virou-se lentamente para encará-lo – Sempre há uma escolha! Sempre! E eu fiz a escolha mais difícil da minha vida por você... – desabafou, referindo-se à morte de Rachel. Bruce recolocou a máscara de morcego e, no instante seguinte, já havia desaparecido na escuridão que envolvia Gotham.

Alice foi até a janela, tentando vê-lo uma última vez, mas incapaz. Permaneceu ali por vários minutos a fio, observando nada nem ninguém específicos, apenas permitindo que a brisa noturna lhe trouxesse um ar mais respirável. Uma esperança inútil...

Afastou-se, amparando o ombro ainda ensanguentado e dirigindo-se à cama num pulo sôfrego, ainda com a mesma sensação do sufocar que parecia travar sua garganta.

_ Um dia eu ainda vou acordar e perceber que estou num episódio do Supernatural... – pensou alto, sem qualquer humor – Onde estão os Winchester quando se precisa destruir as assombrações do passado? – bufou, ainda segurando seu ombro, que já não doía mais tanto quanto o próprio aperto em seu peito.

Notas finais
E aí, o que acharam do nosso primeiro reencontro Alice x Bruce/Batman? Mexicanesco demais? JulllyanKath, eu sei que te disse que esse capítulo seria o encontro entre a Alice e o Coringa, my bad! Prometo que vou parar de dar previsões, porque nem eu sei dividir essa fic direito! hehehehe Mas como uma garantia de desculpas, posso dizer com certeza que esse encontro está reservado para o próximo capítulo! ^^ Reviews? Reviews? (Eu podia tá 'robanu', podia tá 'matanu'...) =D