Notas iniciais
Obrigada a todas que comentaram no capitulo anterior ♥

"Todos os caminhos estão errados quando não sabe onde quer chegar"
— William Shakespeare

Winterfell — Norte de Westeros


Manhã seguinte
Não havia raios de sol ou um corpo ao seu lado, tão pouco o calor que ele fornecia durante a madrugada. Mesmo que ainda estivesse de olhos fechados, sabia que nada do que acontecera havia sido um sonho, a dormência em suas pernas e a cama mais quente que a sua diziam isso. Ainda sentia a pele de seu pescoço queimar e os quadris doloridos pelos ocasionais apertos que as mãos pesadas de Jon Snow aplicavam com tamanho prazer que incendiava seu corpo. Suspirou ao lembrar dos movimentos e das sensações que eles produziam, os sussurros quentes e os beijos molhados. Os olhos em um tom de negro quase fechados e o suor salgado que molhava seus cabelos, o inconfundível cheiro amadeirado que seu corpo tinha e a intensidade que se fez presente com os incansáveis movimentos.
Nicéia suspirou, novamente, com medo de abrir os olhos e encarar a realidade, tinha medo de ele ao menos estar no quarto e ainda mais de sua presença. Não admitiria, mas temia as palavras frias e os olhos negros de Jon Snow, todavia, ela era a princesa e, muito além disso, uma Baratheon, ela era a fúria e não deveria possuir medo. Com preguiça, deixou que a luz fraca adentrasse suas pálpebras e as cegasse por poucos instantes, de início ela nada viu além do clarão que ofuscou seus olhos mas logo sua visão tomou forma e Nicéia se sentiu feliz ao encontrar os ombros largos de Jon. Sentado sobre a beira da cama, ele parecia submerso em pensamentos, tão distante quanto Porto Real, parecia irracional mas um sorriso leve se desenhou nos lábios da Baratheon e mesmo que seu corpo ainda permanece despido, ela deixou que as peles que a cobriam e aqueciam seu corpo, escorressem por ele enquanto a jovem princesa se movia sobre a cama. Mordeu o lábio inferior, um tanto receosa mesmo assim o fez, com a ponta dos dedos desenhou o contorno dos quadris do nortenho se agarrando ao corpo dele, enquanto repousava a bochecha em suas costas. Jon não se moveu, mas também não a afastou, a princesa pode sentir os músculos salientes do abdômen dele se retraírem com seu toque e sua pele se arrepiar com sua respiração quente.
— Bom dia — murmurou, com um suspiro cansado.
— Bom dia — ele respondeu, sua voz tão rouca quanto o normal.
O silêncio logo retornou, nenhum deles sabia ao certo o que dizer ou até mesmo agir. Jon gostaria de ter coragem de encarar os olhos da princesa, observar seu rosto perfeito e descobrir se ela estava feliz ou satisfeita, desejava encarar seus olhos verdes de leoa e que um sorriso brotasse em seus lábios. Jon não sabia como as coisas aconteceram tão rápido mas não se arrependia, não conseguiria, mas, e ela, possuía os mesmo pensamentos? Sua resposta logo veio, quando sentiu os lábios grossos de Nicéia distribuindo beijos leves por suas costas, fazendo um caminho de fogo até seu ombro direito, Jon sabia que ela continuava nua, pois seus seios se espremiam em suas costas, o fazendo sentir o bater forte de seu coração. Como uma cobra, ela serpenteia seu corpo delicado, conseguindo parar em seus braços, sentada em seu colo, sem se importar com a sua nudez.
— Queria ver seus olhos — sussurrou de forma mansa. — Desde que cheguei, é a primeira vez que os vejo brilhar.
Nicéia aproximou seu rosto mas não o beijou, apenas colou seu nariz gelado à bochecha do rapaz, fechando os olhos enquanto seus braços trabalhavam em mantê-lo perto, o abraçando pelo pescoço. Jon descobriu que Nicéia estava feliz e calma, pois o brilho de seus olhos verdes não eram os de leoa, e sim de corça. Pequenos e brilhantes, com uma inocência pura e cheia de uma paz bem vinda, aquele brilho aquecia o coração de Jon e o deixava ainda mais feliz. Jon não se arrependia de nada e percebeu que Nicéia dividia o mesmo pensamento.

[...]

A jovem aia arregalou os olhos verdes e se encolheu, reprimindo um gemido de dor quando a rainha lhe apertou o braço direito.
— Me perdoe, majestade, fui a seu quarto e ela não estava — murmurou, envergonhada, baixando os olhos inundados por lágrimas cristalinas.
— O seu trabalho é estar onde minha filha estiver — murmurou entre dentes, aplicando ainda mais força sobre o braço fino da jovem, cravando suas unhas compridos na carne da garota. — Faça seu trabalho, Alissa de Lannisporto, ou então...
— Cersei? — a voz de Jaime soou pelo corredor, interrompendo sua fala. — Nicéia deve estar nos Jardins de Vidro, Robb Stark a levou até lá e aparentemente foi um passeio muito agradável.
— Ache Nicéia, ou você é quem tera de ser achada — Cersei não elevou a voz, contudo a ameaça foi explicita.
A dama de companhia cambaleou apressada quando a rainha lhe empurrou na direção oposta, o choro foi inevitável e audível, os soluços estrangulados da jovem Alissa ecoaram pelo corredor, fazendo Cersei revirar os olhos, entediada.
— Não deveria descontar sua frustração em seus empregados. Pobre garota, achei que gostasse dela, afinal, insistiu tanto para que ela ficasse na fortaleza — Jaime debochou com um sorriso de lado, se encostando na parede gelada ao lado da irmã.
— Nunca disse que gostava. Ou era essa inútil ou alguma tola da campina — disse fechando os olhos, com impaciência. — Onde aquela garota se meteu, Jaime?
— Conhece sua filha, irmã — o tom do guarda real era amargo. — Deve estar caminhando por aí, se metendo em encrencas.
Nicéia era tão parecida com Jaime, uma pena não ser sua filha. No fundo, a rainha sabia que o irmão também lamentava por isso, o afeto que nutria pela jovem era tão grande quanto tinha por seus filhos. Nicéia era a cópia fiel de Jaime na infância, curiosa, obstinada, carinhosa, sarcástica, impetuosa e, muitas vezes, rebelde e impulsiva. Sua pequena leoa negra possui a fúria dentro de si e Cersei não esperava menos, afinal, o fruto de um Baratheon e uma Lannister não poderia ser melhor e mais rebelde. Nicéia havia nascido para ditar e não seguir regras, e por muitas vezes a rainha se pegou imaginando sua pequena leoa sentada sobre o trono de ferro, governando com sabedoria e fúria. A primeira mulher a reinar sobre os sete reinos, a enchendo de orgulho.
— Peça a Royce que procure Nicéia — ordenou a rainha, caminhando para longe do irmão gêmeo. — É bom que ele a encontre.
Contudo, Cersei não teve de se afastar muito pois Nicéia surgiu ao fim do corredor com Alissa ao seu lado, a fúria em seus olhos verdes reluzia e a pobre dama parecia prestes a chorar uma segunda vez naquela manhã. Cersei e Nicéia eram mais parecidas do que podiam imaginar.
— Onde estava, Nicéia? — Cersei rugiu, andando apressada ao encontro da filha. — Ao menos se banhou? Alissa, prepare um banho para minha filha, vá, o que está esperando?
— Majestade — a jovem gemeu frustrada, se afastando com os olhos urgentes.
— Caminhando mamãe, mas acabei me perdendo. Alissa me encontrou — contou, desviando os olhos para o tio ainda parado. — Pensei que morreria congelada essa noite.
— Venha, vamos ao meu quarto, lhe ajudarei com o banho como quando era apenas uma menina — Cersei sorriu nostálgica, acariciando os cabelos negros da filha mais velha. — Jaime, peça àquela imprestável que leve a água até meu quarto e depois que suma de minhas vista pelo resto do dia.
— Claro, querida irmã. Mas quem ficará junto à princesa se não Alissa? — Cersei odiava todas as vezes que o irmão tinha razão.
— Mande Eve, ela ficará feliz em ter alguém com quem conversar a não ser Myrcella — com isso, abandonou o corredor com a filha ao lado.
Jaime girou os olhos, acompanhando as duas com eles, deixando brotar um sorriso simples em seus lábios.

[...]

— Espero que não se importe em acompanhá-la durante alguns dias — seu tom era calmo e galante, que fazia os olhos azuis de Eve brilharem.
— Claro, Sor, será um prazer ficar junta à princesa durante um tempo — a jovem se curvou rapidamente, deixando um sorriso caloroso em seus lábios rosados. — Será muito bom ter alguém para conversar, Myrcella é uma excelente companhia mas ainda é muito jovem.
— Mas cuidado, Cersei não parece estar em seus melhores dias — a jovem assentiu, voltando à sua refeição.
Aquele dia estava, particularmente, calmo, Robert não havia aberto a boca desde que se sentara à mesa, assim como os Stark. Apenas o jovem lobo e o bastardo que trocavam poucas palavras durante a refeição, Myrcella comia calmamente e um tanto entediada e com frio enquanto Joffrey estava tão mudo quanto na noite anterior.
— Nos desculpem pelo atraso, minha filha dormiu um pouco mais esta manhã — a voz rude de Cersei soou pelo salão, despertando os demais de seus pensamentos.
Os olhos de Robert Baratheon quase saltaram das órbitas e Jaime não conteve um sorriso. Cersei não deixaria a oportunidade passar e aquela manhã calma estava ficando um tanto mais interessante. Dentro de um vestido digno de uma leoa do Rochedo, Nicéia caminhava a passos confiantes ao lado da mãe. Coberta pelas cores e o ouro dos Lannister, a jovem princesa sorria e Cersei não poderia estar mais satisfeita.
— Bom dia — a princesa desejou com um leve sorriso, se sentando ao lado de Myrcella, recebendo um beijo na face e um sorriso lindo da irmã caçula.
— Está tão bonita, nini — disse Myrcella enquanto sorria radiante. — Gosto quando usa vermelho.
— Tenho que concordar, está mesmo muito bela, querida irmã — Joffrey surpreendeu ao dizer suas primeiras palavras em quase dois dias inteiros.
— Seus olhos estão brilhando, nini. Parece feliz esta manhã — Myrcella rapidamente se empolgou, seu sorriso parecia rasgar a qualquer segundo.
— Tive uma ótima noite de sono, apenas isso — a calma em sua voz era adorável e mesmo que carregasse as cores Lannister, seus olhos possuíam um brilho de corça. — Que tal lermos um pouco esta tarde?
Myrcella conseguiu abrir ainda mais seu sorriso e quando pensou em responder à irmã, foi interrompida pela voz da Rainha.
— Já separei suas atividades para esta manhã. Myrcella e Nicéia, conversei com Septã Mordane e ela permitiu que participem de sua aula de bordado — disse calma, ignorando o rosto abismado da filha mais velha. — Joffrey continua seu treinamento com espada junto aos jovens Stark.
— Bordar a manhã toda, mamãe. Estarei morta ao início da tarde — dramatizou a jovem Baratheon, encarando a mãe com as sobrancelhas franzidas. — Pelos sete, me deixe treinar com Joff, prometo que...
— Não, Nicéia, você irá bordar com sua irmã. Já não basta correr com aquele martelo de guerra atrás de Sor Barristan por toda Porto Real? — o tom da rainha era rude, fazendo a filha desviar os olhos envergonhada. Cersei odiava ser rude com seus filhos, especialmente Nicéia, que se parecia tanto com ela. — Seus bordados são lindos, minha filha, faça algo para mim esta manhã e terá toda a tarde livre para fazer o que desejar.
A princesa sorriu e foi acompanhada pela mãe, que parecia satisfeita com a própria decisão. Cersei poderia dizer o que fosse, mas mimava Nicéia tanto quanto Robert, fazia seus gostos e todos os seus desejos e, mesmo que odiasse, ainda sim admitia que Nicéia era a melhor guerreira que havia visto. A jovem princesa lutava tão bem quanto qualquer cavaleiro da guarda real e sentia orgulho a cada elogio de Sor Barristan, sua filha era a fúria. Mergulhada em seus pensamentos, Cersei não viu a troca de olhares entre o bastardo do norte e sua filha, olhares significativos e que continham certa felicidade contida. Jon lutava contra a vontade de sorrir, mas seus olhos diziam o contrário, os mesmos brilhavam como estrelas, abandonando o frio do norte e se aconchegando no calor do sul, que os de Nicéia traziam.
Mas ao contrário de Cersei, Ned Stark observou a comunicação muda entre os dois. Nunca havia visto Jon daquela forma, afinal, ele não se aproximava muito das moças de Winterfell, parecia mais interessado em manejar aço do que cortejar belas nortenhas, Ned entendia, pois o jovem desejava vestir negro assim como Benjen. Mas um suspiro deixou seus lábios, não acreditava mais que o jovem desejasse com tanta força assim se tornar um patrulheiro. Jon parecia ter conhecido mais do que deveria da jovem princesa, algo que lhe traria mais sofrimento do que imaginava. Todavia, Robb parecia tão encantado com a jovem quanto Jon, e aquilo o fez lembrar de um par de olhos violetas, olhos estes que atraem o amor para si.
Eddard Stark se odiaria em fazer Jon Snow sofrer, mesmo que fosse inevitável, Robert Baratheon já havia tomado sua decisão.

Notas finais
Eve é uma das minhas personagens OC favoritas dessa historia, espero que gostem dela, porque daqui ela não sai mais kkkkkk E temos o inicio do fim para Jon e Nicéia, aparentemente, Robert ja tomou sua decisão ♥