Notas iniciais
Segundo capitulo da noite ♥

"Que a minha loucura seja perdoada. Pois metade de mim é amor e a outra metade também"
— Oswaldo Montenegro


Winterfell-Norte de Westeros


O dia havia começado cedo para Ned, que quando abriu seus olhos pela manhã ainda podia sentir o frio cortante do fim da madrugada em suas juntas apos afastar as peles sob seu corpo desnudo. Mas Eddard gostava do frio, sempre gostou. Ainda se lembra das noites quentes em ninho da águia, o calor insuportável que o fazia suar por horas, Robert adorava, dizia que o calor deixava as mulher mais desinibidas e os vestidos mais transparentes.
Quando seus pés descalços tocaram o chão frio estremeceu, procurando com os olhos o manto negro que deixara próximo a cama na noite passada. Obviamente ele não estava mais lá, Catelyn deveria te-lo retirado antes de se deitar, Ned sorriu com isso virando a cabeça minimamente para contemplar os cabelos vermelhos da esposa que queimavam sobre a cama, contudo seus grandes olhos azuis ja o encaravam, Catelyn sempre despertava depois dele, parecia sentir sua falta na cama. Com suavidade acariciou a bochecha corada e colou seus lábios nos da esposa que sorriu se sentando. Percebendo que Catelyn demoraria mais alguns segundos ate se levantar, Ned se esgueirou pelo quarto se vestindo com calma, lavando a boca com água de hortelã e saindo do quarto ajeitando o manto sobre os ombros.
O silencio ecoava pelos corredores da fortaleza gelada, abafando os passos pesados do homem. O pronunciamento da noite anterior, feito por Robert, ainda fazia suas têmporas latejarem quando se lembrava dos olhos aguados de Nicéia e da dor que caiu sobre os de Jon. Contudo, Robb parecia mais feliz do que nunca, teria a mão da mulher que inundava seus pensamente e ocupava seus sonhos, sentiria seus lábios e apreciaria o calor de seu corpo, seu herdeiro nada tinha do que reclamar. Mas naquela madrugada antes de se deitar fingiu não escutar os soluços da princesa, que se encolhia contra a porta do quarto de Jon, ela chamava seu nome em uma suplica permitindo que seu rosto mostrasse o quanto sofria. Pelos longos segundos que permaneceu escondido nas sombras, a jovem Baratheon permaneceu com as costas contra a madeira da porta, esperando que o rapaz a abrisse e consolasse seu choro e remendasse seu coração. Entretendo, do outro lado da porta Jon possivelmente tentava o mesmo, lutando contra vontade de ter mais uma vez a mulher por quem seu coração batida, contudo, esta mesma mulher agora não lhe pertencia mais.
Eddard esfregou a têmpora tentando amenizar as marteladas de culpa em sua mente. O sorriso radiante de Robb e a dor nos olhos de Jon, dois lados de uma mesma moeda.
— Eu imploro — um sussurro chegou aos seus ouvidos acompanhado de um soluço. — Não me deixe.
O senhor do norte se esgueirou silenciosamente pelo corredor ate alcançar a silhueta inteiramente de negro que parecia observar a cena que se erguia no fim do corredor. Benjen mantinha os olhos atentos a única parte iluminada do corredor, onde a princesa e o bastardo de seu irmão permaneciam. Sentiu quando a presença só irmão tomou a sua direita e agradeceu por ele estar ali.
— Se afaste — o rapaz pediu a esmurrando pelos ombros, afastando-a de seu corpo de forma delicada.
Lagrimas cristalinas não deixavam os olhos verdes da princesa, que forçava seu corpo para frente tentando cola-lo ao de Jon. A dor que retorcia o rosto do bastardo, fazia o peito de Ned se apertar um pouco mais.
— Não pode ir para A Muralha — exclamou agarrando as vestes do rapaz. — Não pode ir. Não pode me deixar aqui sozinha.
— Não estará sozinha. Você tem a Robb — tais palavras escorreram por entre os lábios de Jon com amargura. — Se afaste, Nicéia. Não torne tudo ainda mais difícil.
— Jon — sussurrou. — Não pode fazer isso, não desejo Robb ao meu lado, mas sim você...
— Não diga isso. Deve amar seu marido, Robb é um bom homem e merece ser feliz ao seu lado...
— Jamais serei feliz sem você, Jon— murmurou angustiada finalmente rompendo o espaço entre seus corpos. — Eu preciso de você, Snow. Sempre irei precisar.
Ned e Benjen observaram os lábios entre abertos da princesa se chocarem com os de Jon com fome. A respiração antes leve da moça, se tornou ruidosa ao se misturar com a do bastardo. Jon não ofereceu qualquer resistência, não impediu ou ao menos a afastou, apenas se entregou ao desejo que parecia incendiou seu peito. O beijo teve inicio quando os dedos do rapaz agarraram-se aos cachos negros da princesa, tomando sua boca com ardor. Os olhos negros de Benjen se focaram por longos segundos nos cinzas de Ned, procurando por respostas. Seus olhos escuros pareciam questionar o irmão, como se tentasse entender a finalidade de suas ultimas decisões, mesmo que no fundo soubesse cada uma dessas respostas. Afinal, Nicéia Baratheon, era uma princesa e Jon, não era nada alem de um bastardo, sem dinheiro, sem terras, sem nome. Robert Baratheon, jamais permitiria que sua tão amada filha tivesse no minimo um casamento com um homem de uma grande casa, para que o luxo de sua vida em Porto Real continuasse, por tanto, mesmo que por mais honrado de Jon fosse, Nicéia pertenceria a Robb e ninguém alem dele.
Quando retornou seus olhos aos dois jovens, o beijo ja havia findado contudo ambos ainda se mantinham unidos em um abraço esmagador. Jon parecia não querer solta-la e Nicéia que os dois continuassem daquela forma pelo resto da vida. Escondidos pelas sombras, os irmãos observaram os últimos toques que os amados trocariam, se separar parecia uma tortura para ambos. Os dedos longos de Nicéia se agarravam as roupas de Jon como os de uma criança, tentando impedir que aquele momento chegasse ao fim.
Um soluço rasgou-lhe a garganta quando o rapaz finalmente conseguiu se libertar de seu aperto e sem olhar para traz deixou-a sozinha em meio ao corredor gelado. Nicéia se encolheu contra o próprio corpo, que balançava por culpa do choro. Sem forças deixou que seus joelhos trémulos se chocassem com o chão de pedra sem se importar com a dor. Um ofegou se fez presente e todo o ar deixou seus pulmões com a dor que comprimia seu peito machucado, com a mão direita apertou onde tanto doía e sem folegou puxou todo o ar que podia, sendo impedida pelo soluço que deixou seus lábios uma segunda vez. Lagrimas não deixavam seus olhos assim como a dor, que lhe rasgava por dentro e queimava sua cabeça. Deixou que seus títulos e posição escorressem junto as lagrimas salgadas. Com uma rápida olhada, Eddard percebeu que seu irmão mais novo parecia se compadecer que a dor da jovem princesa, pois em seus olhos refletia a vontade de ajuda-la a se erguer. Contudo quando seus pés deram o primeiro passo, a armadura reluzente de Sor Jaime Lannister brilhou sobre a luz quente da tocha.
O guarda se abaixou ao lado da sobrinha acariciando seus longos cabelos e em um piscar de olhos ela se atirou sobre o corpo do Lannister, deixando que os soluços se tornassem ainda mais forte agora que possuía consolo. Nicéia não parecia temer que seu segredo fosse revelado.
— Faça a dor ir embora — murmurou entre soluços. — Faça com que ela pare, não posso suporta-la mais.
Os braços do guarda real estreitaram ainda mais o abraço.
— Compreendo sua dor, minha pequena leoa negra — indagou com a voz preenchida em tristeza. — Lamento não poder fazer nada.
— Porque dói tanto? — exclamou apertando os corações dos homens Stark. — Se isso é amor, não desejo senti-lo.
Jaime gostaria de ter todas essas respostas. Gostaria de arrancar-lhes as lagrimas e toma-las para si, que sofresse em seu lugar e que os belos sorrisos e os olhos brilhantes retornassem ao seu rosto pálido e molhado. Por ironia do destino, Nicéia não era sua, mesmo que Jaime tentasse acreditar que sim. Contudo, a amava como se fosse, adorava os longos cabelos negros, os olhos de corsa e o humor tão parecido com o do rei, mesmo que no fundo ele desejasse longos cabelos dourados e o seu sorriso, Nicéia não era sua, mas ele poderia fingir que sim. Com cuidado para não machuca-la, arrastou o pequeno corpo da sobrinha para seus braços não sem antes erguer seus olhos verdes de leão ate os Stark que se mantinham escondidos nas sombras, se misturando aos tons escuros do corredor pouco iluminado. Trocou um longo olhar com Eddard Stark e praguejou aos sete, pedindo que a dor que ele havia causado a sua pequena leoa negra lhe atingisse em dobro.
Com Nicéia ainda aos soluços ele a levou para longe, talvez para o quarto da princesa ou o seu, Ned não sabia responder com exatidão, entretanto sabia que a moça estava em boas mãos. Sentiu a culpa mais uma vez pesar sobre seus ombros e por longos segundos pensou em Robb, o jovem herdeiro ainda não sofria e ele desejava que não o fizesse jamais.

[...]


— Pensei que estivesse feliz. Afinal se casará com um rapaz de uma grande casa — a voz debochada de Tyrion alcançou seus ouvidos.
De fato, ela deveria estar. Quantas donzelas e filhas de grandes lordes não se esbofetariam para estar em seu lugar, quantas jovem moças de Winterfell não haviam lhe olhado de forma torta apos o pronunciamento oficial de seu casamento com o herdeiro daquelas terras. Robb Stark era um bom homem, tão bom e honrada quanto o pai, ele era belo e cavalheiro, deveria estar sorrindo e cantarolando por toda a fortaleza. Mas não conseguia, a dor de ser deixada para trás ainda pulsava em seu peito.
— Sim, eu deveria — murmurou sem olha-lo.
— Pois então, ao menos pareça estar — retrucou o Duende enfiando os dedos entre o gibão e o cinto de couro fervido. — Não é bem visto que uma noiva suba ao altar com a cara tão desgostosa, o menino não merece isso.
De fato não merecia.
— É minha obrigação como princesa, parecer feliz em meu casamento tio — indagou colhendo as cristalinas lagrimas que escorriam por seu rosto, com a ponta dos dedos trémulos e frios. — Não se preocupe com isso, darei a ele tudo o que precisar e me pedir. Darei-lhes filhos saudáveis e...
— Então terá um casamento igual ao de seus pais — zombou revirando os olhos coloridos. — Nicéia, esta não é você, não é a moça por quem Robb Stark se encantou, não se torne mais uma esposa submissa que lotam as casas da campina. Você é uma princesa, aja feito uma.
A moça nada disse apenas assentiu repetidas vezes enquanto encarava a parede de pedras que os separava da Mata dos Lobos. A neve caia fina, cobrindo com pequenos pontos brancos seus imaculados cabelos negros, observou ao seu redor gravando os pequenos detalhes, apreciou o cheiro da liberdade e percebeu que aquele era seu lar agora, pertencia ao norte.
— Não conseguirei ama-lo, tio Tyrion — sussurrou com a voz afetada pelo choro que teimava em lhe engasgar. — Não da forma que ele mereça.
— Então não o faça. Ame Robb Stark da forma que achar melhor, da forma que conseguir — refletiu tentando encontrar o que era tão interessante naquela imensa parede de pedras que Nicéia tanto observava. — Não lhe prometa nada, pois ele fará o mesmo, mas tente é sempre bom tentar.
Pela primeira vez desde que iniciara aquela conversa, Nicéia encarou o tio, percebendo que seus olhos faziam o mesmo. Tyrion Lannister não era conhecido por sua compaixão, mas era exatamente isso que brilhava em seus olhos. No fundo ele sentiria mais falta da sobrinha do que imaginava, das longas conversas sobre os inúmeros livros que ele ja havia lido, das piadas carregadas de sarcasmo e dos sonhos que dividiam. Talvez ele desejasse que sua querida irmã, Cersei, a Rainha levasse Nicéia de volta a Porto Real e a casasse com Willas Tyrell, afinal Jardim de Cima era mais próximo que o Norte, contudo com a simples menção nas terras infestadas de flores sendo o lar de sua sobrinha, lhe fazia sentir calafrios. Pobre coitada, aquela que fosse aturar a velha Olenna, pelos seus últimos e longos anos de vida, talvez dias.
— Robb me fará feliz, tio Tyrion — murmurou fungando. — Sei que fará.
— Tenho certeza disso — refletiu ainda encarando seus belos olhos de leoa. — Mas e você Nicéia, fará Robb Stark feliz?
— Eu... Tentarei, assim como me pediu — gaguejou fechando os olhos com força. — Não... Quero dizer... Sim tio, eu farei Robb Stark feliz.
Nicéia havia exitado. Ela jamais fizera aquilo antes, assim como Twyn dizia tudo com um certeza absoluta, mesmo que contasse uma mentira, jamais gaguejava ou se atrapalhava com as palavras. A excitação também preenchia seus olhos, que teimavam em brilhar por detrás das lagrimas quentes, mesmo que ela não as tenha derramado, Tyrion percebia que a princesa lutava contra isso, mantendo-as presas pelas barreiras que eram seus espessos cílios negros.
— É uma verdade básica, que todos nós mentimos. A única duvida é saber o por quê — refletiu o Duende erguendo ambas as sobrancelhas para o céu cinza sobre eles.
— Eu não minto...
— Não foi isso que disse — retrucou interrompendo a sobrinha. — Nicéia, nunca pensei que fosse um dia concordar com seu pai e me arrisco em dizer que essa foi a melhor escolha que ele ja tenha feito desde o dia em que se sentou naquela trono. Robb Stark lhe fará feliz, apenas se retribuir tal sentimento.
— Eu o farei — afirmou erguendo os olhos mais uma vez impedindo que suas lagrimas caíssem. — Que os Deuses me perdoem por não ama-lo da forma que ele mereça.
— Um dia quem sabe, não o faça — sorriu fazendo com que seu rosto se contorcesse em uma estranha careta.
Nicéia também sorriu, mesmo que não encarasse o tio sabia que ele fazia o mesmo. O peso daqueles olhos e a saudade que os preenchia, deixava Nicéia com vontade de partir para Porto Real, enfrentar o pai e quem sabe viver junto ao avô em Rochedo. Contudo jamais o faria, mesmo que seu destino seja permanecer ao lado de Robb e se tornar Senhora de Winterfell.
— Sentirei sua falta, tio Tyrion — sussurrou baixando os olhos cristalinos. — Promete que vira me visitar sempre que puder?
O anão sorriu quando a sobrinha ajoelhou-se a sua frente, afundando o vestido na neve fofa que ainda insistia em cair, cobrindo as cortinas negras que eram seus cabelos, com pequenos e delicados flocos de brancos. Tyrion contemplou o rosto bonito de Nicéia mais uma vez, gravando todos os pequenos detalhes que a faziam a mais bela entre todas as mulheres de Westeros. De fato o inverno lhe caia bem, as bochechas coradas, assim como os lábios, contrastavam com seus rosto branco e seus cabelos escuros, seus belos olhos verdes de leão aqueceriam Robb durante a noite e afastariam a dor de seu coração. Por breves segundos Tyrion acreditou que sua sobrinha havia nascido para pertencer ao norte, e nenhum lugar alem dele.
— Talvez me perca entre os bordeis de Porto Real a Winterfell — zombou erguendo as sobrancelhas. — Mas prometo que venho.
A gargalhada que se desprendeu dos lábios da jovem ecoou pelo pequeno patio onde estavam, o som era acolhedor e derretia a neve ao seu redor, o abraço apertado veio logo em seguida e Tyrion pode sentir o aroma de flores que Nicéia tanto amava. Apertou a sobrinha entre seus braços curtos e sentiu a textura macia de seus cabelos, assim como as lagrimas que ela permitiu que escorressem por seus rosto. O duende a afastou apenas para que suas mãos calejadas secassem o caminho salgado que elas faziam.
— Mande lembranças a Sor Barristan por mim — murmurou apertando a ponto do nariz vermelho de Tyrion. — Espero que ele sinta minha falta.
— Tenho certeza que sim, afinal você o seguia por todos os lados com aquele martelo de guerra — riu o anão afagando a bochecha corada da princesa. — Tambem sentirei sua falta naquela fortaleza preenchida por cobras peçonhentas, mas fico feliz que se afaste antes de ser mordida.
Nicéia girou os olhos e sorriu voltando a abraçar o tio naquela tarde que carregava o sabor agridoce da despedida.
— Desculpe — murmurou a voz que Nicéia se acostumaria em escutar pelo resto de seus dias, logo apos um pigarro tímido.
— Robb — murmurou a princesa soltando-se do tio e com ajuda se levantou da neve.
O rapaz sorriu tímido e baixou os olhos azuis em respeito. Desta vez quem pigarreou fora Tyrion que voltou a enfiar os dedos entre o gibão e o cinto de couro fervido.
— Bom, realmente preciso ir. Creio que seu noivo precise de alguns momentos a sós com você — resmungou zombeiro iniciando uma caminhada um tanto longa para suas curtas pernas. — Jovem Stark, querida sobrinha.
Quando o Duende se afastou o bastante para que Robb finalmente se sentisse a sós com a noiva, ele se lembrou que não sabia o que dizer. Havia pensado por toda a noite e a manhã que se seguiu nas palavras que usaria, contudo todas elas pareciam evaporar quando os verdes brilhante que preenchiam seus olhos se ergueram em sua direção. As batidas de seu coração aceleraram com a proximidade, sentiu seus dedos inquietos e coçou a nuca tentando formular uma frase que não parecesse desnecessária ou boba.
— Sei que parece estranho — começou a jovem sorrindo sem mostrar os dentes. — Em um dia tudo esta normal e no outro é prometido a alguém.
— Sim — concordou erguendo os olhos. — Não o fato de ter de me casar, mas a forma repentina que tudo aconteceu.
— A maioria das mulheres conhece seu marido apenas no dia de seu casamento — informou avançando um passo mais próximo de Robb. — Eu tive a sorte de poder conhece-lo antes, me sinto feliz por isso.
Robb não deixou de acompanhar o sorriso tímido que se desenhou nos lábios rosados da princesa, assim como os olhos brilhantes e levemente avermelhados por culpa de um choro recente. O rapaz acreditou que fora ocasionado pela despedida entre ela e Lorde Tyrion, pois conseguia sentir a saudade que assolava aquele abraço tão terno.
— Tambem tive muita sorte, Princesa — confessou ignorando sua timidez e quebrou mais um pouco da distancia que separava seus corpos. — Sorte em te-la como minha noiva.
A princesa fechou os olhos erguendo o canto esquerdo dos lábios em um sorriso. Seus dedos ficaram gelados e seu coração falhou uma pequena batida, pensou que talvez não fosse tão ruim ficar na companhia de Robb, que talvez ele fosse um bom marido e pai. Não deixou de compara-lo com Jon, ambos eram tão diferentes, contudo lhe causavam o mesmo efeito. Quando voltou a abrir os olhos deparou-se com os lábios vermelhos e entre abertos de Robb mais próximos do que ela se lembrava. Ergueu os olhos apos breves segundos e se deleitou com os olhos azuis que a encaravam com um brilho que ela jamais havia visto. Este era uma mistura de desejo, satisfação e expectativa. Seus lábios se entre abriram em um ofego baixo quando a mão pesada do Stark fechou-se delicadamente ao redor da sua, trazendo-a para mais próxima de si. A jovem sentiu a textura firme do couro fervido e o cheiro almiscado que ele exalava, o manto de peles sobre seus ombros tocou-lhe a face assim como a mão coberta pela luva também de couro. Nicéia inclinou a cabeça apreciando o carinho e fechou os olhos levemente, assim que sentiu as lufadas quentes sobre seus lábios, acelerando sua respiração em expectativa.
Não soube dizer ao certo quem iniciara o beijo, apenas que sentiu os lábios macios de Robb sobre os seus, era casto, lento e carinhoso, assim como o deveria ser. O encaixe de seus corpos era perfeito, os lábios se moldaram uns aos outros e mesmo que precisasse ficar na ponta dos pés, não deixou de ser perfeito. Os dedos de Robb se entrelaçaram aos da princesa, enquanto a outra se ocupava em traçar um caminho lento ate sua nuca, deixando cada parte do corpo da Princesa arrepiado. O corpo de Robb se espremeu ao dela, buscando um pouco mais do calor que ele sabia que ela possuía, se agarrando a necessidade de te-la um pouco mais perto de si e saboreando a forma como ela estava entregue. As mordidas leves dadas por ela faziam um calafrio subir da ponta de seus dedos e se concentrando em sua pélvis, com isso sua reação foi apressar o beijo engolindo com um pouco mais de força os lábios finos da jovem donzela.
A princesa ofegou em busca de ar quando seus lábios se afastaram por breves segundos a obrigando a engolir uma grande lufada antes de ser beijada uma segunda vez por Robb. Abandonou a mão do rapaz trazendo-a para sua nuca, inclinando o corpo para mais perto do dele sentido-o se arrepiar mais vez com a força moderada que as pesadas mãos de Robb aplicavam em seus quadris. Seus pulmões gritavam e mesmo assim Nicéia não desejava abandonar os lábios quentes de Robb, ela ainda o queria próximo, sentir sua linguá acetinada varrendo cada canto de sua boca. Contudo foram obrigados a se separar, ofegantes em busca do ar fresco que os rodeava. Os lábios da princesa se encontrava vermelhos como sangue, assim como o contorno delicado de sua boca, a mesma permanecia de olhos fechados e respirava com dificuldade, assim como ele. Robb, então, encostou sua testa a dela, fazendo com que suas respirações apressadas se misturação permitindo que o momento se tornasse um pouco mais intimo.
Nicéia não abriu os olhos mais sorriu quando os lábios de Robb distribuíram pequenos e curtos beijos sobre os seus. Um sorriso largo que mostrava as duas fileiras perfeitas de dentes brancos e alinhados. O que em pouco segundos deu inicio a mais um beijo calmo, assim como o primeiro, a timidez havia os deixado e apenas a curiosidade e a sede por mais um pouco tomou seus corpos. Robb não se importou em beija-la mais uma vez, sentia que poderia faze-lo quantas vezes quisesse e jamais se cansaria, muito pelo contrario, tinha certeza de que sempre gostaria de mais um. Para ele os lábios finos da princesa eram como vinho e Robb tinha a intenção de se embriagar neles. Robb não percebera que alguns pares de olhos observavam aquela singela demonstração de afeto, olhos verde de leão que pela primeira vez concordara com a decisão do marido.
Antes de seguir o caminho indicado pelo irmão gêmeo, Cersei pensou que talvez não devesse intervir na decisão de Robert, mesmo que a ideia de deixar sua preciosa filha nas garras de lobos não lhe agradasse. Por fim imaginou que aquele lobo jamais mostraria as garras para sua pequena leoa negra, com um imperceptível sorriso seguiu seu caminho dando privacidade a filha e ao jovem Stark. Contudo olhos negros também os assistiam, este por sua vez sentiam o peso da decisão que havia tomado a pouco, as lagrimas se tornaram sorrisos e assim deveria ser, pois no fim Jon não passaria de uma lembrança a muito perdida enquanto Nicéia estivesse nos braços de Robb.

Notas finais
Vou deixar os comentarios e perguntas por conta de vocês, porque se eu começar aqui, vou soltar tanto Spoiler que nem vai precisar do resto da historia.... E esse final da Cersei? "Antes de seguir o caminho indicado pelo irmão gêmeo" acho que chegamos a um ponto importante da serie :)