A Exterminadora De Youkais
11 Capítulo 11 - O amor é fundamental.
Notas iniciais
“Dizem que quando estamos para morrer um filme de nossa vida se passa diante de nossos olhos. Engraçado, não consegui ver um filme completo, mas algumas cenas recortadas de minha vida. Ouvi o apelo de minha mãe:
– Rin, fuja! Por favor! – um abraço forte – Não vamos nos separar. Nunca! – uma lágrima que teimava em cair. Um último olhar. E depois só sobrou o cheiro da morte.
Senti um aperto tão grande em meu coração naquele dia que desejei nunca mais falar com ninguém. Tinha tanto medo dos homens. Tanto medo deles. Outra situação engraçada: não tive medo do youkai que placidamente repousava à sombra de uma árvore. Ele parecia cansado, machucado. Ah, que inocência minha... Cuidar de um dai-youkai? Ele poderia me matar ali se quisesse. Isso mesmo, ele PODERIA, mas não o fez. Mesmo no meu pequeno coração infantil, soube no momento que nossos olhares se cruzaram pela primeira vez que estaríamos ligados para sempre. Depois veio a morte. O desespero e a corrida inútil contra uma matilha. Na minha frente via a imagem daquele youkai. Mesmo sem falar, ou saber seu nome, implorava no fundo do meu ser sua presença ali. Seu socorro. Cai, finalmente, numa escuridão profunda. Porém, quando novamente pude abrir os olhos vi seu rosto e sua beleza angelical. Ah, tão lindo e majestoso! Decidi que a partir daquele momento iria seguir aquele youkai frio e distante, pois a ele pertencia a minha vida. Isso é claro, literalmente. Outra coisa que passou pelos meus pensamentos foi quando cai numa escuridão profunda pela segunda vez. A única coisa que consigo lembrar é de que todos estavam no castelo, acima das nuvens, e que a mãe do lord era bem semelhante a ele. Depois disso, um cão infernal e a escuridão. Porém, novamente acordei vendo aquele belo semblante. Tamanha delicadeza ao colocar sua mão no meu rosto. Senti minhas bochechas queimarem de vergonha. Por fim, lembrei-me do dia em que eu e ele nos encontramos novamente e finalmente! Ah, que reencontro tão esperado. Fiz uma prece silenciosa para que nunca mais ficasse longe do meu Sessshoumaru-sama. Tudo isso passou ligeiramente pela minha cabeça e entregando os pontos vi que Noboru estava pronto para o ataque final. Seria fatal. Fechei os olhos com força, mas pude sentir outro youki no local. Abri levemente os olhos e lá estava o poderoso Sesshoumaru com sua Bakusaiga empunhada. Não resisti, acabei desmaiando.”
O lord havia gritado propositalmente para chamar a atenção de Noboru. Ele poderia silenciosamente e impiedosamente ter matado o vilão. Mas, ele estava cheio de ira. Iria torturar Noboru por tudo o que ele havia feito a Rin. Não deixaria que o sofrimento da jovem e bela humana fosse em vão.
– Ah, finalmente Sesshoumaru! Acho que a brincadeira ficará mais interessante agora. – Noboru riu irônico.
– Não estou aqui para brincadeira, youkai. – proferiu friamente o youkai de cabelos prateados.
Sesshoumaru olhou para a jovem exterminadora desmaiada. “Rin, Rin... Deveria tê-la deixado no vilarejo desde o momento em que te conheci. Sofreste muito por minha causa.”
– Ah, o que houve Sesshoumaru? Está sofrendo por uma humana? Onde está seu lado frio? Já vi o quão fraco você pode ser. Sua fama não faz jus ao que você é! Está de coração mole por... – Noboru não conseguiu terminar. O príncipe acertou seu rosto com um soco. Com as mãos limpas. – Ousa me enfrentar somente com os punhos? Acha que pode me vencer sem suas armas? Não seja ridículo. – ele tentou rebater com um soco, porém o filho de Inu no Taisho desviou perfeitamente do ataque.
– Você fala demais. – disse Sesshoumaru. Sacou Bakusaiga, lutaria seriamente.
Noboru também sacou sua espada. Começaram os embates. Sesshoumaru tinha em mente a cabeça de Noboru. Ele pagaria, pois mexeu com a humana errada. Aquela não era uma humana qualquer. Aquela era a humana que pertencia ao lord Sesshoumaru e nenhum youkai maldito poderia causar mal a humana de Sesshoumaru e sair impune.
– Pagará pelo que fez a minha humana. – Sesshoumaru disse furioso.
– Sua? – Noboru soltou uma risada estrambólica – Ela nunca amaria um youkai. Humanos são venenosos. Humanos são mentirosos. – falou lembrando-se de Keiko. “Esqueça essa cretina.” Ordenou a si mesmo. – Pense bem, caro Sesshoumaru. Seja meu aliado... Eu sei que você menospreza os humanos assim como eu. Forme uma aliança comigo. Acabaremos com eles!
– Você me enoja. – e os embates entre os dois youkais continuaram.
A jovem corria apressadamente. Sua respiração estava ofegante. Havia o nervosismo, aquele típico frio na barriga. Ela entrou no castelo. Não viu ninguém. Será que ele já não estava mais lá? Decidiu gritar:
– Noboru? Noboru, querido? Sou eu... Estou de volta! – parecia que só conseguia ouvir o eco.
Noboru pôde ouvir a voz dela. Só podia estar louco, mas viu que Sesshoumaru também havia se desconcentrado. Foi aí que ela apareceu na porta da sala onde estavam o lord, o youkai e a exterminadora desmaiada.
– Noboru! – ela correu abraçando o amado.
– Keiko! Keiko! – ele afagou os cabelos dela, olhou para a moça. Tocou seu rosto. Era verdade. Ela realmente estava ali.
– Como senti sua falta... Não consegui ficar sem você. Não consigo viver sem você. – falou Keiko com os olhos cheios de lágrimas.
– Por que me deixou? – perguntou o youkai atônito.
– Não importa agora. O que realmente importa é que eu estou de volta, amor. – eles se encararam, mas então Keiko perecebeu algo estranho. Um youkai de cabelos prateados. Uma moça humana machucada e desmaiada. – Noboru, o que está acontecendo aqui? Não acredito que você... – ela colocou a mão na boca. – Mas, você não é assim!
– Não sou, Keiko. Perdoe-me. Eu só perdi a cabeça. Tudo porque você me deixou.
– Noboru... – ela estava escandalizada. – Perdoe-o, por favor. – falou dirigindo à palavra a Sesshoumaru. – Não o faça mal, eu imploro. Se tiver que matar a alguém, mate-me. Sou a culpada! Se eu não tivesse abandonado Noboru, por minha covardia, isso nunca haveria acontecido.
– Keiko, não se meta nisso! – gritou Noboru.
– Não digam idiotices. – falou Sesshoumaru. Ele olhou para Rin. – Tenho coisas mais importantes do que me preocupar em matar vocês dois. Mas, considere-se avisado, Noboru: se pensar em mexer com Rin novamente... Não sobrará nem sua alma para contar a história. Espero que entenda bem essas palavras.
O youkai de cabelos prateados se aproximou de Rin. Carregou-a cautelosamente até a saída. Antes que pudesse ir embora, ouviu Noboru dizer:
– Sesshoumaru, espero que me desculpe. Eu realmente perdi minha cabeça. Preze pela sua humana. Sei que existe uma ligação muito forte entre vocês.
Sesshoumaru sequer olhou para trás, mas absorveu as palavras do youkai. “Preze pela sua humana.” O lord saiu voando com Rin nos braços.
– Noboru, o que aconteceu aqui? Não me diga que você foi responsável por aqueles ataques de youkais a humanos?
– Keiko, minha Keiko... Você me deixou, eu me desesperei. Pensei que você tivesse me enganado e que todos humanos eram iguais. Eu estava consumido pelo ódio. Não era eu. Você foi a salvadora dessa história, não a culpada. Se você não tivesse chegado... Não sei o que poderia ter acontecido. Você foi a luz no fim do túnel.
– Nunca mais perca a cabeça desse jeito. Eu disse para você que eu te amava e eu não costumo mentir. Nunca se esqueça disso! Mas, o que existe entre aqueles dois?
– Uma longa história, minha cara. Eles estão conectados. Sempre estiveram. Como nós sempre vamos estar. Promete que não vai me deixar, não é?
– Prometo, Noboru. E eu não costumo mentir. – repetiu. Os dois selaram o momento com um singelo e apaixonado beijo. O amor de Keiko e Noboru foi capaz de reestruturar a sanidade do youkai. O amor foi fundamental naquele momento. O amor salvou Rin, salvou Noboru.
Sesshoumaru voava rapidamente com Rin nos braços. Já sabia para onde levaria a menina que precisava de um tratamento urgente: vilarejo de Kaede. Olhou para sua garotinha em seus braços.
– Perdoe-me Rin. – murmurou. – Nunca garanti sua segurança. Perdoe-me.
Aquela era a única vez que Sesshoumaru pedia perdão a alguém. E esse alguém só poderia ser alguém que exercia grande influência em sua vida. Alguém como Rin. Ele pousou a alguns metros da pequena vila. Antes que pudesse adentrá-la, o lord olhou para Rin com ternura. E inclinando-se fez algo que há muito tempo desejava. Depositou um suave e angelical beijo nos lábios doces de sua querida Rin.
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