A Exterminadora De Vampiros

18 Olá morte, sua nova amiga chegou


Notas iniciais
E aí pessoas, tudo bem? Finalmente está pronto! hahaha Mais um capitulo para vocês! Boa leitura :)

Nenhum de nós previa a confusão que se instalou. Max era mais poderoso do que qualquer um de nós poderia imaginar. Edward e Emmett o atacavam sem conter a raiva, distribuindo socos por todo o corpo do segundo guardião, mas nada parecia ser suficiente para derrubá-lo de vez. Allie e Jasper estavam ao meu lado, tentando me ajudar com a dor. Sentia os poderes de Jass tentarem chegar até mim, mas as nuvens negras que se instalaram em meu interior não permitiam. Embora a dor ainda fosse infernal, conseguia sentir o breu conectar os ossos partidos, e por mais que isso fosse acabar logo, me causava uma tortura sem igual.

– Bella, calma... Vai ficar tudo bem...Tem que ficar — Allie chorava enquanto me abarcava em seu colo — Jass ela está morrendo de dor. Tenta de novo. — sentia o desespero em sua voz, mas não podia fazer nada para acalmá-la.

– Jasper... — tossi sentindo o sangue em minha boca. Uma bala de menta não seria nada mal no momento. — Eu estou me curando. O poder de cura está mais acelerado.

Quando eu achei que o pesadelo dentro de mim havia acabado, meus olhos arderam em brasa. Ofeguei apertando as mãos de Jasper o mais forte que consegui. Minha visão foi sumindo conforme a agonia crescia gradativamente. Sentia como se tivesse lavado os olhos com lava. Ouvia a voz de Alice ao longe, mas as palavras chegavam desconexas até meus ouvidos. Quando minha visão voltou, vi Lily ajoelhada em minha frente, ao lado do garotinho que eu conhecia muito bem. Ela estava ao lado do amor. Mas o rosto dele não estava feliz como da outra vez, ele parecia exausto e doente, assim como uma parte de mim se sentia.

– Está tudo bem, Bella. — ele murmurou tocando meu rosto com carinho — Enquanto eu estiver vivo em você, ficarei bem. No final, o amor sempre vence.

Gravei a frase em minha memória. "O amor sempre vence...Sempre vence..." Era algo em que eu realmente queria, com todas as forças, que fosse verdade. Era a única coisa que eu tinha para me agarrar no meio disso tudo.

– Titia, se eles o matalem, eu não volto. — Lily murmurou derramando uma lagrima solitária — Tem que se você.

Assenti desorientada, observando a luta que ainda se desenrolava com a mesma intensidade que começou. Emm e Edward não permaneciam parados nem por um segundo. Carlisle e Rosalie continuavam na beirada do penhasco bloqueando a única rota de fuga de Max. Esme tentava consolar Victoria, que mantinha o corpinho de Lily apertado em seus braços. Aquilo era errado. Tudo estava errado. Quando Emmett segurou os braços de Max deixando o corpo dele exposto para Edward, soube que eu deveria intervir rápido. Caminhei até lá como pude.

– Edward, para... — pedi tocando seu braço. Ele me ignorou distribuindo mais um soco no abdômen de Max, que já se encontrava num estado deplorável — Para com isso! — bradei entrando em sua frente. Seu olhar feroz me arrepiou até os ossos. Não me bate, não me bate, não me bate...

– Está defendendo ele? — bradou indignado — Esse desgraçado e eu só estaremos quites quando ele não estiver mais respirando. E isso eu vou tratar de conseguir já! — rosnou tornando a se aproximar, e tive a impressão de que ele passaria por cima de mim só para chegar ao outro lado.

– Edward, por favor, para. Não posso deixar que faça isso — pedi segurando firme seus ombros — Isso cabe a mim e vai ter que confiar em minha palavra agora. Se tentar continuar... — suspirei — Serei obrigada a parar você. — disse indo contra minha natureza. Minha mente rodou só com a ideia de machucá-lo.

Ele permaneceu imóvel, me encarando fundo nos olhos. Seu olhar queimava com tanto ódio que fiquei surpresa por não ter feito um buraco em meu rosto. Se não o conhecesse tão bem, diria que estava se controlando para não quebrar a minha cara. Existe Lei Maria da Penha contra vampiros?

– Será que dá para esquecer a briga de casal? — Emmett pediu lutando para manter Max no lugar — Se não perceberam, eu estou tentando segurar um filho da puta sozinho enquanto vocês conversam. Sei que eu sou fortão, mas agiliza isso aí.

Edward lançou-me um ultimo olhar congelante e se afastou, sumindo floresta a dentro. Eu sabia que essa barra seria pesada demais para ele carregar. Só precisava que ele soubesse que eu poderia ter evitado a transformação ou pelo menos tentado, mas não podia simplesmente correr atrás dele, embora eu quisesse muito. Eu posso e vou trazer Lily de volta.

– Tudo bem...Eu posso fazer isso. — inspirei fundo. Pronta ou não, lá vou eu– Emmett, não deixe que ele escape. — me aproximei de Max.

– Plecisa se do mesmo jeito que ele fez, titia. Ele plecisa te a mesma móite. — Lily sussurrou escondendo seu rostinho assustado em minhas pernas, evitando olhar para seu assassino. — Plecisa sufocá-lo.

O azul explodiu em minhas marcas. O ódio pulsante dentro de mim era tão intenso que meu corpo tremia descontrolado. Eu não entendia como poderia existir alguém tão cruel a ponto de fazer isso a uma criança. De ter coragem de matá-la enquanto encarava os olhos tristes, enquanto assistia a agonia de uma garotinha que já sofreu muito na vida, enquanto via suas lágrimas... E ela nem podia se defender! Droga, era uma criança! As lágrimas voltaram a escorrer por meu rosto. Lágrimas de pura ira. Embora eu fosse trazê-la, isso não apagava o que ela sentiu quando sofreu nas mãos dele.

– Ficou com pena do seu irmãozinho, não foi? — Max sorriu alimentando ainda mais minha ira — Acho que o Edward não gostou muito disso. Vampirinho enfezado esse aí. — Num golpe rápido, lhe dei um soco certeiro no nariz. Porque quebrar outra paste do rosto se bater no que já está quebrado dói mais?

– Nunca fale de Edward como se você fosse melhor, porque não é! – rugi sem me importar. Chega de ser controlada — Ele é um homem que você mal pode sonhar em ser! Seu imundo desgraçado! — gritei acertando seu maxilar em cheio. Max gemeu de dor pela primeira vez naquele dia, e nunca pensei que pudesse ouvir um som tão bonito.

– Um homem... — o ar lhe faltou, e junto com a tosse, saiu uma enxurrada de sangue — Um homem nunca abondaria uma mulher indefesa. Ainda mais com o cara que te deu uma bela surra... — disse acompanhado de uma risada lunática — Edward contradiz a si mesmo sem perceber. Promete que vai te proteger, tem a chance, e onde ele está? Foi embora. Isso é atitude de covarde! — rugiu — Aquele merda é um covarde! Ele matou a porra dos seus p...

Minhas mãos voaram para seu pescoço, o apertando com toda a força e raiva que pude reunir. Max esbugalhou os olhos se debatendo violentamente, mas dali ele não sairia. E se saísse, mergulharia nesse penhasco com todo o prazer.

– Covardes não escutam mulher alguma, não se arriscam por ninguém. Um covarde não tentaria ultrapassar barreiras para me salvar ou para salvar a si mesmo de algum erro que cometeu no passado. — sibilei sentindo sua pulsação diminuir sob minhas mãos — Um covarde não evolui. Um covarde não entrega seu coração a alguém na esperança de tornar a outra pessoa feliz, e não a si mesmo. Um covarde não ama. Então escute quando eu digo que Edward Cullen é um dos únicos homens que um dia conheci!

– Devia ter visto os olhos dela revirando. – disse casualmente com o pouco ar que lhe restava. Pisquei atônita, paralisando instantaneamente. Max gargalhou beirando a loucura — Devia ter cortado o corpo dela em pedaços e te entregado em uma caixa para presentes!

Minha ira era tamanha que eu é quem estava começando a sufocar. Eu queria jogá-lo no triturador e assistir enquanto ele berrava por sentir sua pele ser dilacerada lentamente. Eu queria levá-lo pessoalmente para o inferno, e garantir que ele queimasse por toda a eternidade. Minhas mãos se moviam por vontade própria, distribuindo socos violentos em seu corpo.

– Titia, ele está te enlolando! — Lily gritou — Ele sabe que se o matá de outla maneila, não dalá céito! Pu favoi! Não...Não tenho muito tempo. — soluçou caindo de joelhos ao meu lado. Seu espirito estava morrendo...Rápido Bella!

– Eu ofereço a alma do segundo guardião em sacrifício. — murmurei. As palavras saindo de minha boca por vontade própria — Ordeno que a morte acolha esta alma imunda enquanto me permite curar a outra. — minha voz se alterou sendo elevada pelo poder sobrenatural que sentia tomando conta de mim.

– Bella...Mas que droga é essa?! — Emmett disse assustado.

Minhas marcas no braço se tornaram negras e Max foi sendo sugado por minhas mãos até virar apenas uma caveira horrenda. A força poderosa que se infiltrou em mim como um raio foi mais do que consegui aguentar. Meus joelhos dobraram, e fui direto para o chão. Era uma força poderosa, me impulsionando para todos os lados, querendo sair. Precisava encontrar um jeito de chegar até Lily. Emm tentou tocar em mim, mas foi fortemente repelido, sendo arremessado entre as árvores. Putz Emm! Foi mal!

– Titia...Eu estou indo. — Lily sussurrou com a voz tremula.

– Não...não pode... — grunhi tentando domar a dor que o poder da morte me causava — Eu vou conseguir... Eu não vou te deixar ir, não vou! — murmurei desesperada. A derrota estava a um passo de mim. E a vitória também.

– Obligado pu tentá. Vou senti falta de você e do titiu Egward. — disse me dando um beijo na bochecha, sorrindo docemente para mim, como se tudo estivesse bem — Amo vocês pla semple.

Meus olhos arderam com as lágrimas não derramadas. A imagem de Lily oscilou fortemente, quase sendo levada com o vento. A pequena caminhou até Victoria a abraçando enquanto Vic chorava sobre o corpo sem vida da irmã. Se ela se fosse, levaria um pedaço de todos nós com ela. Eu, Vic e toda a família, morreríamos também. Mesmo cambaleando, me arrastei como pude até Victoria, caindo aos seus pés, sentindo meu estomago se contrair antes do gosto metálico invadir minha boca. A dor veio em cheio novamente, fazendo-me morder o lábio para não gritar. Tirei o corpo de Lilly dos braços de Vic, que me olhou horrorizada.

– O que vai fazer, Bella?! — soluçou alto — Sai de perto dela! Olha só o que você fez! Ela esta morta! Não é o suficiente para você?! — gritou com todo o sofrimento que estava sentindo.

O tapa na cara foi grande. Suas palavras me deixaram ainda pior. Parece que tudo que acontecia de ruim na vida das pessoas era culpa minha. Peguei Lily espirito pelo pulso e forcei sua alma contra o corpo sem vida. Era mais difícil do que eu pensava. Estava usando todas as minhas forças, mas seu espirito movia-se minimamente em direção ao corpo, era como se um imã de mesma carga estivesse dentro dela, rejeitando sua própria entrada. Minha cabeça estava a ponto de explodir e meus braços, já fracos, tremiam com o esforço. Quando sangue começou a escorrer de meu nariz, soube que não aguentaria por muito tempo. O espirito estava se fundindo com o corpo, a alma estava quase retornando ao seu lugar, mas faltava mais um empurrão, um que eu sabia que não conseguiria dar.

– Tudo bem, eu estou com você. — Edward sussurrou atrás de mim, empurrando meus ombros, dando-me forças para continuar – Sempre com você.

Ele não sabia o quanto era grata por ele estar ali comigo. O garotinho amor estava radiante novamente, sentado ao lado de Lily e segurando sua mãozinha próxima ao seu rosto. Foi a prova de que eu estava fazendo a coisa certa. Quando o corpo finalmente obteve sua essência de volta, cai exausta nos braços de Edward. Sorri internamente, já que não tinha forças para sustentar minha boca. Eu sabia que ele voltaria. Afinal, um asno nunca obedece. Edward me manejou em seus braços até que me sentasse entre suas pernas, para que seu corpo sustentasse o meu, já que mal conseguia manter a cabeça erguida. E me sentei a tempo de ver a luz azul envolvendo o corpo de Lily. Todos encaravam a cena embasbacados e nenhum deles estava preparado para o que aconteceu a seguir. Resmungando baixinho, Lily abriu os olhos. Todo o esforço valeu a pena ao ver seu peito subindo e descendo, conforme respirava. Vic parecia a ponto de ter um enfarto. As lágrimas rolavam por meu rosto, e o sorriso que antes não conseguia dar, surgiu espontaneamente.

– Bella...A Lily...ela...ela...ela está...- Edward gaguejou.

– Viva. — Vic sussurrou de olhos arregalados.

o

Lily esfregou os olhinhos de modo manhoso, se espreguiçando como se tivesse acabado de acordar de uma soneca, e não de ressuscitar. Todos nós a encarávamos de olhos arregalados e com um sorriso iluminado no rosto. As bochechas de Lily logo ficaram vermelhas.

– Eu julo que não aplontei nada dessa vez. — garantiu erguendo as mãozinhas em rendição.

As gargalhadas foram altas enquanto todos se abraçavam por ter a pequena conosco de novo. Vic chorava tanto que mal conseguia manter os olhos abertos. Meu coração até se inflou de orgulho por ser uma esquisita e poder ter trazido ela de volta. Isso sim parecia certo.

– Está tudo bem, Vic. — Lily murmurou limpando as lágrimas da irmã — Eu voltei pla cuida de você.

Vic desabou nos pequenos braços de Lily, chorando de alegria e por quase ter perdido a pessoa que ela mais amava no mundo. A pequena tentava acalmar Victoria, cantarolando baixinho e fazendo cafuné em seus cabelos. Outra lágrima sorrateira rolou por meu rosto. Não haveria dia novamente sem ela aqui.

– Eu não acredito nisso.... — Vic sussurrou apertando a pequena contra si. — Só pode ser um milagre. Está sentindo algo? — perguntou subitamente num ataque de pânico, a apalpando por todos os lados.

– Eu to com fome. Selá que podeliamos comê pizza? — pediu mostrando as janelinhas em sua boca.

Meu coração finalmente voltou a bater. Mas eu acho que voltou a bater com defeito. Estava muito devagar pro meu gosto.

– Todas as que você quiser. — Vic prometeu beijando Lily por todos os lados, a fazendo dar uma gargalhada gostosa. Então aqueles olhinhos que eu tanto amava pararam em mim.

– Titia...Você conseguiu. — falou se jogando em meus braços. Doeu, mas nem me importei. A abracei o mais apertado que meus braços gastos permitiam.

– Eu... Como eu viveria sem meu mini furacão? — murmurei sentindo uma nevoa encobrir minha mente aos poucos — Eu te amo garotinha.

– Me dicupa. Ele te tlansfoimou. Seus zóios estão azuis...Titia? — seus bracinhos me sacudiram mas já era tarde demais — Titia! Não faz isso!

Foram as ultimas coisas que ouvi antes de apagar. De novo.

POV EDWARD

Minha garota estava bem. Dormindo como um anjo. Bom, eu esperava que sim. Deveria estar. Não estava muito longe de casa, caso algo acontecesse. Sei que ela gostaria de me ver quando acordasse, mas não pude ignorar aquelas mensagens. Ninguém sabia sobre o que vinha acontecendo comigo há alguns dias. Bela não faz nem ideia. Se eu contasse a ela, tinha certeza de que se afastaria. Não daria um segundo para que ela enlouquecesse e assumisse a culpa que nem ao menos era sua. Tinha de dar um jeito nisso. Virei a direita na rua Loune e avistei o pequeno parque que serviria como ponto de encontro. Estacionei o carro e caminhei cauteloso, sem saber o que esperar.

– Eu sabia que viria. — uma voz suave chegou até mim.

Virei-me encontrando uma garota de cabelos negros e feições suaves. O leve casaco preto não a protegia devidamente da garoa fraca, mas ela não parecia se importar. Seu porte era delicado e o sorriso discreto em seu rosto a tornava dócil. Mas eu reconhecia aquele olhar. O tipo que crispava em malicia, denunciando sua verdadeira personalidade. Meus instintos ficaram em alerta.

– Vejo que veio sozinho. — seus olhos passearam rapidamente pelo lugar — Achei que ela estaria com você.

Bella... Ela também sabe sobre Bella.

– Seu assunto é comigo. — disse friamente — E espero que tenha algo importante para me dizer.

– Só achei curioso. Vocês não são tipo...um casal siamês? — debochou tamborilando as unhas negras em sua coxa.

– As vezes a curiosidade mata tanto o gato quanto a garota. — disse. Um sorriso irônico nasceu no canto de seus lábios.

Com um movimento rápido ela se levantou, rodeando-me como um animal encuralado.

– Você não me assusta, Cullen. — suas feições suaves se transformaram de delicadas para iradas — Que tal irmos direto ao assunto? Não precisamos de toda essa porcaria, não é?

– Perfeito. Pode me contar o que sabe. E como sabe sobre o que está acontecendo. Ninguém nem ao menos desconfia. — ela sorriu triunfante com o feito.

– Eu preciso ver. — disse ignorando todo o resto. Seus olhos ansiosos mantinham mira fixa em meu braço esquerdo.

Por mais que eu não quisesse mostrar ou ter isso em minha pele, não tinha muita escolha. Tirei o casaco e subi a manga da blusa, deixando exposto aquilo que vinha me intrigando há dias. Os olhos da garota se arregalaram em excitação.

– Então é verdade. — sorriu bobamente, tocando meu braço — É mais bonita do que eu pensava. — sussurrou quase a si mesma — Você está mesmo...

– O que é isso? Por que isso está no meu braço?

– Você é o terceiro da sua geração. Está acontecendo. — riu. Num passo rápido ela tentou se afastar, mas agarrei seu braço num aperto firme.

– O. Que. É. Isso. — sibilei. Eu não estava para brincadeiras — Não vou perguntar de novo.

– Acho que não precisava de minha ajuda para descobrir. Só esperava que eu dissesse o que quer ouvir. E acredite, eu não vou dizer. — disse se libertando de minha mão — Meus parabéns, Edward. Você está marcado.

Com uma feição mais que satisfeita, a garota sumiu na penumbra me deixando com os pensamentos a mil. Enquanto a garoa continuava a cair, eu encarava o pesadelo em meu braço. Como se já não bastasse o que acontecia com a Bella, eu agora também tinha uma marca. Mas minha marca não era azul. Era prata.

POV BELLA

Era bom apenas sentar no gramado e sentir o Sol aquecer meu rosto. Tudo parecia estranhamente bem. Todo o caos de anteontem já havia se aquietado. Lily estava bem e saudável, como se nada tivesse acontecido. Bom, nem tão saudável, já que comeu quase uma pizza inteira sozinha. Fiz questão de esclarecer toda a doidera que vinha acontecendo comigo para toda a família no primeiro momento em que acordei, coisa que já deveria ter feito a muito tempo. Agora todos sabem, detalhe por detalhe. Sabiam no que estavam se metendo, e para a minha surpresa, não queriam que eu sumisse da vida deles. Me assustava a possibilidade de ter uma surpresa daquelas novamente com outro membro da família.

Nada ficaria mais fácil. Fui ao mercado com Esme e devo ter visto umas 50 pessoas mortas só na ida. E eles também me viram, e bateram na janela do carro até cansarem. Silêncio era algo que eu apreciava aos montes agora. Quando o mundo estava silencioso para os outros, o inferno fazia uma festa particular em minha cabeça.

– E aí praga. — Emm sorriu sentando-se ao meu lado — Ihhh...Por que está com essa cara? Sabe que não gosto de te ver assim.

– Não é nada Emm. — suspirei encarando meus pés — Só...tentando levar tudo isso que está acontecendo. Eu imaginei tudo diferente. Imaginei uma vida diferente.

– Talvez o normal não se encaixe com você. — sorriu complacente me enlaçando com seus braços musculosos — Na sua vida normal, você não encontraria sua irmã e nem a tampa da sua panela. E nem o Edward.

Sorri

– Achei que ele fosse a tampa da minha panela.

– Até parece. — revirou os olhos — Eu sou a tampa da sua panela. Edward é só um complemento.

– É claro que é — lhe dei um tapa amigável no ombro — Veio aqui apanhar?

– Hoje não. Vim apenas ser o seu pombo correio. — disse me entregando um envelope branco. Franzi a testa imediatamente. — Não estava esperando?

– Não. Deve ser o primeiro envelope que recebo na vida — virei o papel em minha mão. Nenhum nome — Isso é muito estranho. Eu nunca tive residência fixa e nunca vim para Forks. Como alguém sabe que estou aqui?

– Sua única opção é abrir. Vai logo que eu estou curioso! — completou eufórico. Abri o envelope e encontrei algo que nunca esperaria, e olha que estava esperando uma bomba ou alguma carta com ameaças. Emm parecia tão confuso quanto eu. Era uma chave. A chave de um apartamento.

– " Aproveite. C.S" — li o pequeno conteúdo do bilhete preso a chave, fora o endereço.

– Quem é C.S? Algum bilionário que você está usando pra trair o Edward? Que isso Bella, deveria pelo menos saber o nome dele.

– Cala a boca, Emmett. Você realmente veio aqui para levar alguns tapas. — continuei encarando o papel tentando encontrar algum motivo para ter recebido isso — É, não vai ter outro jeito. Acho que a única coisa a fazer é dar uma olhada.

– Ta ficando louca? — Emm me encarou como se fosse uma retardada mental — Isso tem cara de armadilha. E se realmente for uma, você está ferrada queridinha.

– Não estou não. — levantei tirando a grama dos meus jeans — Pode se preparar, ursão. Você vai comigo. — lhe lancei uma piscadela vendo seus olhos se arregalarem.

Nem dei tempo a ele de lançar uma contra proposta, marchei para dentro pra procurar no santo "google maps" onde ficava aquele lugar e pegar o que precisava. Incluindo minhas armas, por que mesmo querendo que ele estivesse errado, Emmett tinha razão. Isso cheirava a armadilha. Digitei rapidamente o endereço no computador. Não era muito longe. Estava preparando minha bolsa quando o ringtone do meu celular soou pelo quarto. Edward.

– Oi asno. — disse e pude sentir seu sorriso.

– Não sabe como é bom te ouvir. — sua voz soou diferente. Lenta e cansada. Até mesmo temerosa. Tinha algo de estranho acontecendo — É a primeira vez que eu sorrio em horas.

– Edward, o que aconteceu? Sua voz está estranha.

O silêncio que se seguiu soou tão claro quanto um "sim".

– Só...Estou ansioso para voltar para casa. Depois de todo esse caos, só quero relaxar em um lugar tranquilo com você.

– Vem logo para casa. — pedi. Já sentia falta dos braços dele.

– Estou indo o mais rápido que posso. Fico feliz que esteja bem. Desculpe não estar com você quando acordou. Tive um imprevisto.

– Esme me disse que precisou sair. — o tranquilizei — Eu estou bem, não se preocupe. — garanti. Acho que ele não precisava saber sobre a chave. Não agora. — Eu preciso ir agora. Vou sair com o Emmett. Talvez eu não esteja aqui quando chegar.

– Emmett?! — sua voz soou aguda e assustada. Eu não o culpava — Meu deus, tentem não se matar. Você e Emmett não são uma combinação muito segura.

– Vou tentar. — o que não era mentira. Se fosse uma armadilha eu teria que tentar de verdade — Te vejo depois. Tchau.

– Hei! Não sei se você ainda se lembra, mas você me ama! — rebateu chocado. Sabia que ele estava fazendo alguma careta. O riso veio fácil.

– Tudo bem, tudo bem... Só para você não se suicidar. Eu te amo.

– Estava quase dirigindo para minha morte. — suspirou aliviado — Minha mãe ia te dar uma surra. Eu também te amo. Toma cuidado.

Desliguei o celular ainda achando que havia algo errado com ele. E lá se vai a normalidade de mais um dia. Estranho mesmo era eu ter tido algumas horas para aproveitar sem que algo inesperado acontecesse.

POV AUTOR

O amplo cômodo estava vazio. Não se escutava um pio por toda a imponente construção Swan. O soberano da mansão 13 estava em seu lugar de sempre. No final da pequena escadaria de mármore, repousando em seu trono. A estrutura havia sido feita com ônix, que representava com perfeição a alma de seu ocupante. Marcas azuis brilhantes o rodeavam por todos os lados, esperando o novo sucessor. E como se isso não fosse sombrio o suficiente, enormes asas negras se abriam onde seu dono descansava as costas, abarcando o soberano em seu lugar. Ali, era onde as trevas repousavam.

Sem paciência, ele grunhiu novamente. As luzes do aposento piscaram ao som de sua voz grave. Todos seus capangas já haviam sido devidamente informados de suas tarefas. Mas nenhuma o deixou tão ansioso quanto a que havia designado a Jane na noite anterior. Sua súdita ainda não havia retornado, mas esperava que a porta se abrisse rapidamente, levando boas noticias aos seus ouvidos. Não demorou muito para um movimento na maçaneta da porta capturar toda sua atenção. Quando avistou os cabelos de Jane, mal pode se conter.

– Jane, Jane, Jane... — seu nome brincava nos lábios dele, numa mistura ameaçadora e sedutora — Espero que traga boas noticias.

A garota se aproximou a passos rápidos, tão animada quanto esperava que ele ficasse.

– Eu vi. — contou com os olhos brilhando — É verdade! Ele está marcado, meu senhor. Vai acontecer!

O silêncio prolongado congelou o interior de Jane. Ele sabia ser assustador quando falava e mais ainda quando ficava quieto. O soberano a encarou com seus olhos tresloucados. A risada assombrosa ressonou em seu peito, passeando por todo o ambiente. Baixa e aterrorizante. O riso de uma criatura satisfeita com o inferno liberado sobre a cabeça de Edward Cullen e a de sua própria filha.

– Deixou o envelope para ela? — perguntou, os dedos martelando no braço de seu trono.

– Deixei. Executei todas as suas ordens perfeitamente, senhor.

Jane faria o que fosse preciso para deixá-lo mais do que contente com o seu trabalho. Queria maravilhá-lo, para quem sabe, assim, assumir o lugar que tanto almejava. O de filha preferida. Lugar que Bella tomou desde o dia em que nasceu. Charlie caminhou satisfeito até a ampla janela ao fundo de seu trono. Observou a noite escura que se formava. O céu azul e claro sendo tomado pelo negro. A prova concreta da natureza que, em algum momento, a escuridão sempre vem. E para Bella, ela estava chegando depressa.

– O que faremos agora?

Charlie ponderou a pergunta, se deliciando com a resposta pronta que já tinha em mente. Nada nunca o havia divertido tanto desde aquela noite em que viu sua mulher ser morta por sua marionete. Sentando-se novamente, ele sorriu para ela.

– Vamos esperar por minha neta.

Notas finais
E aí? Gostaram? Nos vemos no próximo capitulo! :)