A Exterminadora De Vampiros
19 Lar doce lar
Notas iniciais
Com o coração batendo aos tropeços, destranquei a porta. Emm e eu havíamos chegado no tal local do envelope. Tinha de confessar, o bairro era absurdamente lindo. Daqueles onde somente vivem as famílias perfeitas que se vê nos comerciais de margarina. A rua era recheada de apartamentos luxuosos e casas com amplos jardins. Era estranho estar ali, visto que eu morava em um carro. Bom...Antes de encontrar os Cullens. Respirei fundo. A maçaneta girou em meus dedos. Antes que pudesse dar um passo adiante, Emmett correu feito o The flash, gritando como um guerreiro medieval. Isso me assustou bem mais do que uma possível armadilha.
– Tudo limpo. Ainda bem. – dramatizou um suspiro, gesticulando para que eu entrasse — Ninguém está aqui para matar a gente.
Depois de semanas convivendo com ele, ainda não entendia uma parte sequer do cérebro estranho de Emmett. No momento havia um vampiro de mais de cem anos me encarando sorridente depois de encenar alguma batalha do Senhor dos Anéis.
– Vou te ensinar algo sobre armadilhas, Emm. Quando suspeitar de uma... – sorri ironicamente antes de esbravejar – Você entra em silencio!
O empurrei para longe e entrei no amplo cômodo. Minhas pernas travaram por um momento. Ual. Isso poderia muito bem estar em uma revista de decoração. A sala era requintada. Nunca havia visto algo tão bonito. A parede era uma mescla de branco e pedras rusticas. O sofá vermelho em L preenchia perfeitamente o espaço, sem ficar muito grande ou muito pequeno. A mesa de centro era baixa, feita toda de vidro, servindo de base para as orquídeas nos vasos de cristal. A cozinha era ampla com espaço aberto para a sala, com produtos que aparentemente eram top de linha. Tudo combinava perfeitamente. Meu queixo caído nunca mais voltaria para o lugar certo. E o mais estranho, tudo isso era meu.
– Bella...Esse milionário é o cara. — Emm sussurrou embasbacado.
Continuei fazendo um pequeno tour. A cada passo eu era mais e mais surpreendida. O quarto principal tinha uma cama gigante e um banheiro, tão luxuoso quanto o resto, até com banheira e uma saída para um imenso closet. Quarto de hospedes, sacada com uma visão ampla do bairro... Nunca pensei que tudo isso pudesse caber dentro de um apartamento. Quem deixaria isso para mim? É bom que Edward não tenha feito uma loucura, por que dessa vez ele passou dos limites. Quando cheguei no estreito corredor paralelo a sala, minhas pernas travaram pela segunda vez.
– Tudo bem? — Emm segurou meus ombros num aperto gentil.
– Aquela é a porta do meu quarto. Do quarto em que eu dormia com Alice quando era criança. – caminhei até que pudesse tocar sua superfície. Meus dedos passearam pela madeira, sentindo todos os contornos. – Reconheceria isso em qualquer lugar. Os desenhos ainda estão aqui... – sorri encarando os homens palito que eu e Allie havíamos feito.
Era um estranho Flash Back em tempo real, com um sabor agridoce do passado. As memórias voltando aos montes. Estava tudo ali. Meus brinquedos, roupas antigas, livros... Todos os moveis, modernos assim como o resto do apartamento, misturavam meu passado com o presente. Infância com fase adulta. Sentei-me atordoada. Como tudo isso veio parar aqui? Senti uma pontada na coxa e encontrei uma carta quase camuflada ao roxo dos lençóis. Emm logo se juntou a mim.
“Se você está lendo isso, finalmente chegou a hora. Mesmo não estando ao seu lado, quero cuidar de você. Esse é o mínimo que pude fazer. Esse é o seu novo lar, abelhinha. O lugar perfeito para a filha preferida. Nos vemos em breve. “
Um suspiro sofrido escapou de minha boca. Minha cabeça latejou forte. Só uma pessoa no mundo inteiro me chamava por aquele apelido, e não o escutava desde o dia em que meu pai morreu.
– Bella, a carta... – a voz alarmada de Emm chegou aos meus ouvidos.
Segui seu olhar e encontrei meus dedos sujos de tinta preta. As letras borradas indicavam apenas um pensamento plausível. Foi escrita recentemente. Um arrepio deslizou por meu corpo como uma cobra. Aquela só poderia ser a letra do meu pai. Saltei da cama e procurei entre os livros antigos. O título brilhou diante de meus olhos. Desventuras em série. Eu ainda me lembrava. O agarrei abrindo na folha de rosto. E lá estava. A dedicatória de meu pai para mim. Coloquei a carta ao lado.
– É a mesma letra... — arregalei os olhos. — Isso é uma droga de brincadeira de mal gosto?!
– Bella, você está pálida. – Emm disse pausadamente, como se isso fosse me acalmar.
– É por que eu vou desmaiar! — gritei sentindo o cômodo ficar menor.
– Ai meu deus! Ai meu deus! – ele chacoalhava os braços entrando em desespero — Bella pelo amor de Jesus, não morre! Eu não sei fazer RPG!
– É RCP seu idiota! — lhe dei um tapa no ombro — Eu só...só preciso de um minuto.
O apartamento estava legalmente no meu nome. O documento não era falso. Estava tudo ali para provar que minha vida louca já estava se tornando insana. Arranquei o celular do bolso. Não demorou muito para que ela atendesse.
– Allie?
– Bella! Nem me esperou para sair com vocês. Me senti excluída.
– Então pode se animar que você vai entrar no meio da bagunça. Vou te mandar um endereço, e é bom que venha correndo. Preciso de você.
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Ela não havia dito nada desde o momento que entrou, continuava de boca aberta, correndo os olhos por todos os cantos. Se ela já estava assim, imagina quando eu contasse quem me deu tudo isso.
– Edward se superou dessa vez. — continuou até se deixar cair no sofá — Esse lugar é incrível!
Emm e eu não estávamos com uma cara muito boa, coisa que ela reparou rapidamente.
– Não foi ele, não é?
Emm lançou um olhar receoso, mas me passou a papelada que encontramos na mesa de centro. Toda a papelada que colocava o lugar no meu nome. Entreguei a pasta para Alice. Seus olhos estreitaram-se como fendas desconfiadas, mas ela abriu. A cada movimento de seus olhos dourados meu coração saltava mais alto. Acho que no fundo não queria mais alguém confirmando o que eu meio que já sabia.
– Bella, se isso era para ser uma brincadeira, eu não achei graça nenhuma. — disse com o mesmo choque que eu tinha em meus olhos.
– Eu vou esperar vocês no carro. Assim vocês podem conversar — Emm lançou-me um sorriso antes de se retirar. Mesmo saindo, eu era grata por ele ter vindo comigo.
– Se é uma brincadeira, também estão tentando me pegar. — Bufei correndo as mãos pelos cabelos — E isso não é o mais estranho. Vem comigo.
A puxei pela mão e fomos até o corredor. Allie ofegou no exato momento em que a porta entrou em seu campo de visão. A maioria dos nossos momentos alegres, e até mesmo tristes, se passaram do outro lado daquela porta. Tudo ali ainda era como deveria ter sido. Ela segurou forte minha mão enquanto caminhávamos até lá. Seus olhos brilharam quando entrou.
– Eu lia isso para você toda noite! — riu correndo os dedos pela capa de “desventuras em serie” — Papai me ajudou com as primeiras palavras... – seu sorriso se tornou nostálgico, e tinha certeza de que um filme se desenrolava em sua mente agora.
– Eu me lembro. — sorri me aconchegando na poltrona branca ao lado da cama — Era o que me fazia dormir quando eu estava com medo.
Allie sentou no colchão abrindo novamente a pasta. De algum modo eu sabia que Alice não chegaria aqui com uma solução. Mas se fosse para enlouquecer e ficar em dúvida, pelo menos ela ficaria comigo. Por fim ela bufou e deitou, e logo ocupei o espaço ao seu lado. Não tinha solução. Era o que estava ali e pronto. Tanta coisa se passava por minha cabeça que temia ter que arrumar uma maior.
–Sabe...De um modo completamente estranho e perturbador, até que nos tornamos mulheres legais. – Allie fez um bico – Tirando a parte em que eu sugo sangue e você mata. Pensando bem, deu tudo errado. – concluiu nos levando a gargalhar. Ela sorriu docemente para mim – Tenho orgulho de você, Bella. É bom ter você de volta.
Ignorei os fatos alarmantes ao nosso redor e pousei minha cabeça em seu colo. Suas mãos logo me acolheram no cafune que eu estava esperando. A ligação entre nós nunca havia se quebrado, e nem se quebraria. Queria ter construído mais lembranças com ela. Ter rido mais, conversado mais... Era bom ter minha irmã por perto. Era natural e aconchegante. Ainda sentia como se ela fosse a irmã mais velha que faria tudo ficar bem.
– O que a gente faz? É a letra do papai, Bella. Isso é autentico. Você acha... — sua voz vacilou por um momento, e seus olhos eram novamente o de uma criança perdida — O papai. Acha que ele está vivo?
– Se papai está mesmo vivo... — disse sentindo as palavras deslizarem estranhamente para fora de minha boca — Ele não fez um bom trabalho tentando encontrar a gente. E por que ele apareceu só agora? Ele me encontrou no meio do nada. Onde ninguém sabia que eu estaria.
– Sera... – ela hesitou olhando ao redor – A mamãe não pode nos ajudar? – sussurrou, como se um tom mais alto fosse materializa-la em sua frente.
– Faz tempo que não a vejo. Desde a segunda transformação. Ela nunca mais apareceu para mim.
– Bella, o que está acontecendo? Toda essa coisa louca, suas marcas, seus poderes... Qual é a conexão disso tudo? Aqueles caras estranhos com marcas pratas...
– Guardiões. – corrigi. Ela revirou os olhos.
– Não importa.
– Eu não sei, Alice. Realmente não sei. – bufei – Mas...Só mais um deles pra que eu me transforme de vez em algo que não sei o que é. Mas já chega, eu não vou perder mais metade da minha vida. Eu vou continuar vivendo. Não vou me esconder em um casulo, sabe?
– Eu entendo – sorriu compreensiva – Também acho que deva continuar. Esse colar vai te proteger. – disse tocando a pedra em meu pescoço. Nem havia percebido que estava comigo novamente — E sobre o apartamento? O que devemos fazer?
Não tinha muitas opções ao meu alcance. E toda a situação não era tão simples a ponto de me fazer virar as costas e nunca mais voltar. Eu poderia reencontrar meu pai. Mesmo que soasse estranho, era a minha família. Quem sabe nós pudéssemos recomeçar, quem sabe eu pudesse apresentar Edward a ele... As possibilidades eram infinitas. E a partir de agora, nada mais de se esconder.
– Vou trazer minhas coisas para cá. Se papai escreveu que nos veríamos em breve... Ele vai aparecer. E quando o fizer, eu estarei aqui. – de repente uma ideia me atingiu em cheio – E não vou estar sozinha.
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POV EDWARD
Minha cabeça estava um caos quando estacionei na garagem de casa. Aquela marca continuava ali, zombando de mim. Precisava encontrar um jeito de esconder isso, mas não tinha ideia de como faria. Estava a ponto de arrancar os cabelos. Jane não me ajudou em nada. Fui tolo em pensar que ajudaria. O barulho das vozes no andar de cima me tirou do transe. Não poderia chegar usando uma camiseta. Vesti a jaqueta e tranquei o carro, subindo os degraus que levavam até a cozinha.
– Algum estilista europeu vomitou em você? – Emm caçoou minha jaqueta. Não é como se eu tivesse opção. Corri os olhos pelo cômodo. Ela não estava ali – Está com frio na periquita?
– Ignore seu irmão, querido. – mamãe sorriu me envolvendo num abraço rápido –Nao pensei que fosse demorar tanto para voltar. Me disse quatro horas no máximo. Já fazem dois dias.
– Eu sei, demorou um pouco mais do que esperava, mas consegui... resolver o problema. – forcei a mentira boca afora. Isso estava longe de ser resolvido. Supondo que existisse alguma solução – E Lily? Onde está?
– Saiu com Victoria. As duas foram passar o dia juntas. Elas estavam precisando.
– E Bella? – perguntei já sentindo a necessidade de vê-la.
– Está lá em cima arrumando as coisas. – Rose comentou sem desgrudar os olhos da tv. Não podia ver um carro clássico que já ficava vidrada. Espera...O que ela disse?
– Arrumando? – franzi o cenho – Arrumando o que?
– Talvez...Seja melhor que eles conversem sozinhos. – mamãe interviu antes que alguém pudesse dizer algo — Estava na hora dela seguir em frente, querido. – rodeou meus ombros, afagando-os como se eu fosse precisar de algum tipo de conforto.
Não sabia o que pensar. Meu subconsciente logo se preocupou em ocupar minha mente com as piores opções possíveis, como Jane contando toda a verdade a Bella. Não tinha pista alguma do que aquela louca estava tramando ou para onde tinha ido. Tudo era possível agora. O tempo estava bem ali, correndo contra mim. E de uma hora para outra, iria me pegar. Subi correndo as escadas, deixando todos confusos com minha pressa. A porta do quarto estava entreaberta mas podia ouvir o barulho das gavetas se abrindo e fechando sem parar. Quando abri a porta, a vi fechando a mala.
–O que pensa que está fazendo?! – disse em pânico, mais alto do que gostaria.
Bella saltou levando as mãos ao peito. Seus olhos continuavam azuis. O vinco em sua testa era a prova de que estava preocupada com algo. E por ver todos os seus pertences sendo colocados em malas, acho que também deveria estar.
– Eu...Não ouvi você chegar – murmurou assustada.
–Que bom que cheguei a tempo de ver você sair. – disse sentindo um aperto no peito. Ela não podia ir embora. Não podia.
Bella suspirou fechando a terceira mala. Seus olhos eram mansos, mas a postura decidida era algo que me preocupava. Ela caminhou lentamente até mim, em dúvida sobre se aproximar. A puxei até abarca-la em meus braços, suas mãos vieram instantaneamente para meus cabelos.
–Me diz que não é o que estou pensando. – implorei. Ela se remexeu inquieta. Segurei seu queixo, a fazendo olhar para mim – Seu lugar é aqui, Bella. Nunca pareceu se importar em conviver com a gente, com meus irmãos...Achei que gostasse de todos eles, mas se não estiver do jeito que precisa, eu posso tentar algo para melhorar. – tagarelei tentando de todas as formas mudar sua decisão. Ela me ouvia atentamente, mas só ouvia. Nada estava sendo levado em consideração — Foi aqui que tudo entre nos começou e... Eu não quero que mude ou acabe, por que acredite em mim Isabella, você nunca vai encontrar alguém que te ame mais do que eu. E além disso...
– Cala a boca só por um segundo. – reclamou tomando meus lábios.
Toda minha mente se desligou assim que a boca dela tomou a minha. Seu beijo era cheio de saudade e ternura. Suas mãos brincavam com meus cabelos, me envolvendo numa bolha só nossa. Era tão certo tê-la comigo. Minha sanidade já ia para o ralo quando eu estava longe. Bella sempre arrumava um jeito de se meter em confusão. Não conseguiria lidar com uma marca e uma possível separação ao mesmo tempo.
–Eu sei que está preocupado, Edward... – sussurrou antes de me beijar novamente. Seu toque me atiçava da cabeça aos pés – Mas não tire conclusões precipitadas.
Por mais que eu quisesse continuar, a conversa era mais do que necessária.
– Não...Não precisa ser um gênio, Bella. – me afastei com dificuldade, tentando trazer razão a minha cabeça, longe de suas mãos. Pude ouvir seu suspiro impaciente – É obvio. – gesticulei para as malas – Você está indo embora, e acho que se não tivesse chegado agora, você nem perguntaria o que eu penso sobre isso.
Ela deu uma risadinha antes de cruzar os braços. Não sabia qual era a graça, mas eu não riria tão cedo.
– Eu estou me mudando, Edward. Isso é um fato. – sorriu animada — Iria te avisar quando chegasse por que...
– Sabe que somos um casal não é, Isabella?! – disse sem ter controle sobre minha voz. O sorriso desapareceu de seu rosto – Pode não saber como isso funciona, mas está fazendo tudo errado. E além disso, não tem para onde ir. – lembrei-a – A não ser para o banco do seu carro.
– Eu tenho um lugar para ficar. – disse me estendendo uma pasta amarela. – Vai pegar ou vai me fazer jogar isso em você? – reclamou chacoalhando o documento.
Agarrei a pasta. Ela me encarava com uma cara não muito boa. Eu estava frustrado, e era uma situação que infelizmente não poderia compartilhar com ela para me sentir melhor. Minha namorada era nervosinha. Sei que foi rude de minha parte, mas já estava subindo pelas paredes. Não precisei ler mais de uma folha para saber que um cara havia comprado um apartamento luxuoso para a minha garota! Minha namorada!
– Quem é esse tal de Charlie? – bradei jogando os documentos longe, desistindo de tentar retomar o controle sobre mim. Bella sufocou uma risada, o que me deixou ainda mais chocado – Acha que eu estou brincando?! Por que ele te deu um apartamento?! – rosnei andando de um lado para o outro – Eu...Eu vou arrancar a cabeça dele!
– Mas eu amo o Charlie! – gritou esperneando. Arregalei os olhos sentindo minha cabeça girar. Minhas pernas quase morreram, fazendo-me cambalear. – Eu já até tenho o sobrenome dele, ok?
– Você...Você...Meu...Você... – disse tentando domar o meu pânico. – Você casou com ele?
Bella me encarou seria. O silencio pairou no ar até que ela o quebrou com uma gargalhada estrondosa. Eu continuei ali completamente congelado enquanto ela continuava a rir cada vez mais, e o que mais me deixava nervoso, era que ela ficava tão incrivelmente leve rindo, que era quase impossível não sorrir também.
–Sua mãe nunca te ensinou a ler tudo até o final? – ela se aproximou afagando meus cabelos. Não estava entendendo onde ela queria chegar. Ela abriu o documento, me mostrando o nome dele novamente. Caramba Edward... – Vê? Charlie Swan. – ela comprimiu os lábios — É o meu pai, Edward.
Me senti o rei dos idiotas por um momento. Bella me encarava com tanta diversão no rosto que eu só queria sair correndo. Às vezes eu gostava de ser um vampiro por ser impossível ficar roxo de vergonha.
–Eu me sinto estupido. Hm... – suspirei pensando no que dizer — Então...Seu pai? – sorri amarelo.
Ela riu tão alto que nem me sentia mais tão idiota. Ela ficava linda quando sorria. Depois de cuidadosamente guardar a pasta numa das malas, ela se sentou ao meu lado na cama, segurando minhas mãos. Seu olhar se tornou sério.
–Como de costume, mais coisas loucas aconteceram comigo.
Logo tratei de me preocupar.
– Que coisas... – Bella tapou minha boca e continuou falando naturalmente.
–Meu pai deixou esse apartamento para mim. É claro que vai saber de tudo depois mas, pela primeira vez, eu queria fazer algo bom com toda essa loucura.
– Ficar longe da gente é a sua ideia de algo bom? – perguntei trazendo-a para mais perto.
– É um novo começo. Para nós dois.
Franzi o cenho. Não parecia fazer sentido. Isso soava como um fim, e não um começo.
–Bella isso não vai adi...
– Quero que venha morar comigo. – ela disse de uma vez.
Se eu estivesse em pé, teria caído novamente. Era um misto perfeito de choque e felicidade. Nunca pensei que eu e Bella chegaríamos tão longe. As imagens de nossas brigas antes do primeiro beijo voltaram à tona, e eu nunca me senti tão feliz por ter tomado uma iniciativa. Lembrei da primeira vez que reparei nela, que pude finalmente olhá-la depois do Alaska. Ela ainda estava desacordada, tão serena que me perdi por horas a fio. Não tinha a mínima ideia de que era nela que encontraria uma vida, visto que a mesma garota esteve tão perto de tirar a minha.
–Edward, fala alguma coisa. – ela pediu com expectativa nos olhos. Não havia notado que fiquei mais de minutos a encarando com o queixo caído. Suas mãos inquietas continuavam a afagar as minhas, e seu lábio inferior ainda continuava prisioneiro de seus dentes. Ela estava visivelmente ansiosa. Como ela poderia sequer cogitar a possibilidade de receber um não?
– Já disse que tenho uma queda por morenas de olhos azuis? – sorri apreciando a mudança. Ela ainda continuava linda. Sei que era maldoso de minha parte, mas essas reações raras eram especiais para mim. Eu despertava isso nela. De tantas opções plausíveis jogadas pelo mundo, eu fui o escolhido. Bella era durona, mas todo aquele amor guardado dentro dela, era meu. Só meu.
– Edward! – resmungou descontando sua frustração no travesseiro, que recebeu um belo soco. Ela se levantou num rompante – Isso é diferente para mim, eu estou quase desmaiando de ansiedade e você não me responde! Eu...Eu não sei como fazer isso direito, não sou romântica ou experiente. Não sei seduzir ou dizer as coisas certas nos momentos certos.
– Então me explica, Bella. – me levantei abarcando seu rosto em minhas mãos – Se tudo isso é ruim, como você fez com que eu me apaixonasse perdidamente por você? Como consegue me deixar sem ar só por estar tão perto?
Ela procurou meus olhos, parecendo buscar uma resposta dentro deles. Por fim ela suspirou, achando mais interessante direcionar seu olhar para a parede.
– Eu não sei até hoje. – deu de ombros — Macumba quem sabe? Ou talvez você esteja com asma. – disse sem humor, mas conseguindo arrancar mais um sorriso de mim.
– Você pode se achar estranha e imperfeita, mas eu vou sempre estar aqui para dizer que está errada. – ela enterrou o rosto em meu peito, como se para confirmar de que eu ficaria mesmo ao seu lado . Antes que eu pudesse perceber, suas mãos se infiltraram por minha jaqueta, acariciando meu ante-braço. Pude sentir seus dedos passarem pela marca. Congelei por um momento, mas ela não esbanjou nenhuma reação, o que me deixou ainda mais feliz. Eu poderia esconder – Sabe, agora tem algo que eu preciso fazer. Eu estava me segurando, mas...
Bella se afastou esperando que eu continuasse. Quando ela menos esperava, a joguei em meus ombros, correndo e gritando pelo quarto. Eu ainda estava fervendo de alegria. Bella gritava para que eu a colocasse no chão, mas ainda conseguia ouvir suas gargalhadas. Seriamos só eu e ela.
–Eu nunca me senti...Tão vivo. – disse colocando-a de volta no chão, puxando seu corpo para perto do meu. Mal conseguia conter o sorriso enorme em meu rosto. Bella parecia animada, com um brilho diferente nos olhos. Um brilho estonteante.
–Você quer mesmo isso, Edward? Isso vai ser novo para nós.
– Bella, você está me oferecendo um futuro ao lado da pessoa que eu amo. Não há nada que eu queira mais que isso. Não há nada que eu queira mais que você. – garanti – Vamos fazer dar certo.
–Eu não vou lavar suas cuecas. – ela brincou enlaçando suas mãos nas minhas.
– Eu trago para dona Esme. – rebati arrancando uma careta dela – Eu posso até tentar cozinhar, mas já vou avisando, ainda não sei fazer panquecas.
– Tudo bem, eu faço. – sorriu – Pronto Cullen? Para uma vida comigo?
– Eu já nasci pronto.
E mais uma vez roubei seus lábios para mim. Nada nos atrapalharia dessa vez. Nada. Desde que eu usasse manga comprida.
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