A Estrela
6 Capítulo 5.
Notas iniciais
– Amiga que roupa bafônica e essa? – perguntou Kiera quando saiu do seu carro e me viu. – inveja modo on!
– Fala baixo! – eu falei olhando para os lados.
– Não acredito – ela falou como se tivesse descoberto a cura do câncer. – você está fugindo de alguém perigoso.
– Não é isso amiga... Que dizer... Eu te conto tudo no carro – eu falei puxando ela para perto do seu carro cinza. – quando a gente estiver bem longe daqui.
Entramos no carro e eu só suspirei aliviada quando ela deu a partida.
– Para onde vamos querida? – ela perguntou.
– Para sua casa. – eu respondi, e ela sorriu.
– Que aventura! – exclamou ela. – levando uma fugitiva da máfia chinesa para a minha casa.
– Nossa você tem uma imaginação... – eu comentei. E pensando no que ela disse eu perguntei. – se eu tivesse fugindo da máfia chinesa, você me esconderia na sua casa, mesmo sabendo que poderia morrer nas mãos de um chinês narigudo?
Ela riu com a minha pergunta, e respondeu:
– Claro. Você é a minha melhor amiga – eu sorri com a sinceridade que eu vi nos olhos dela. – é também seria muito legal arrancar o narigão do chinês.
– Ah amiga, eu te amo! – eu falei abraçando ela de lado.
– Querida eu também te amo, mas não tente me enrolar – ela falou levantando uma sobrancelha perfeitamente desenhada. – estamos dentro do carro, e eu estou esperando.
Eu suspirei e me soltei dela.
– Ok, antes de começar eu tenho que te informar que a história é simplesmente louca, e inacreditável. – eu fiquei brincando com o espelhinho do teto. – eu fui sequestrada.
Depois do seu drama todo de “meu deus amiga!”, “que loucura”, “que aventura para mexer nessa sua vidinha pacata” e por ultimo “você se machucou?”, eu finalmente consegui contar a história toda. Claro com ela me interrompendo uma ou duas vezes com perguntas como “o seu sequestrador era um gato?” ou “estrelas azuis, caçadores, universos paralelos, e garotos bonitos, tudo isso pode existir no mesmo mundo?”.
– Isso é...
– Inacreditável? Loucura? Maluquice? – eu perguntei a cortando. – sua amiga está drogada?
– Eu ia dizer sortuda, na verdade – eu a olhei incrédula. – o que? Amiga se alguém dissesse que eu poderia colocar um pouco de adrenalina na minha vida, eu não hesitaria, eu não perguntaria, eu só aceitaria.
– Mas você...
– E você não é a garota mais normal da cidade – ela falou alternando o olhar entre a pista e eu. – eu te conheço desde quando a gente era criança, e você faz coisas bem estranhas às vezes.
– Do que você está falando? – eu perguntei confusa.
– Eu estou falando de quando a gente era criança e a gente estava no jardim da casa do seu pai, e você tocou naquela flor morta, e ela brilhou e foi... Vivendo – ela respondeu. – e eu perguntei como você tinha feito aquilo e você disse que sua mãe tinha lhe dito para fazer.
– Isso não...
– Eu também estou falando do dia que você ficou com muita raiva da Elena e magicamente congelou o seu Milk Shake – falou ela me cortando. – e claro nem você soube explicar o que aconteceu, e não termina ai.
– Eu não me lembrava disso. – eu falei pensando no dia em que a patricinha da Elena Bishop fez uma piadinha com o meu cabelo, e todo mundo no refeitório riu.
E quando ela saiu de perto de mim, eu apertei tanto o meu copo de Milk Shake, que quando eu fui beber ele estava congelado misteriosamente.
– Então você acha que o que eles disseram e verdade? – eu perguntei
– Ah amiga eu não sei. – ela respondeu e subiu à calçada e esperou a porta do estacionamento do seu prédio abrir.
Ficamos em silencio até ela estacionar e sair do carro, eu abrir lentamente a minha porta, e sai. Ela ficou me encarando.
– Você ‘tá bem? – ela perguntou preocupada.
– O que você acha que eu devo fazer? – eu perguntei enquanto ela pressionava um botão na sua chave, e eu escutava as travas do carro se fechando.
– Subir no meu apartamento, trocar essas roupas, vesti um pijama meu e dormir por umas oito horas, amanhã você acorda liga para o seu pai e conversa com a voz da razão. – ela listou.
Eu sorri. A Kiera sempre tinha uma resposta para qualquer pergunta.
Subimos para o seu apartamento, e eu sorri quando vi um lugar conhecido, a decoração da casa dela era como ela fofa.
A sala era azul bebe, tinha um sofá de couro vermelho, uma tevê de tela plana, uma janela enorme que dava para ver a linda cidade em que a gente morava.
Tinha dois abajures rosa, um de cada lado do sofá, uma estante cheia de livros em um canto, e várias molduras de fotos fofas.
– Ah eu tava com tanta saudade de alguma coisa conhecida. – eu exclamei me jogando no sofá e pegando uma das almofadas rosa.
Ela riu e foi para a cozinha que era separada da sala apenas por uma bancada.
– Você está com fome? – ela gritou.
– Morrendo. – respondi.
– Não te derem comida na área 51? – ela perguntou.
– Só tinha coisa gordurosa – eu respondi entrando na cozinha. – imagina eu comendo hambúrguer no almoço. Eu não vi nenhuma academia por lá quando eu fiz o tour.
– Tour? – exclamou ela tirando dois pedaços de lasanha do micro-ondas. – essa área 51 é muito chique.
– Área 51? Que isso? – perguntei pegando dois pratos e talheres.
– Bom todos dizem que é onde os Estados Unidos esconde ETs, mutantes, monstros. Tudo de louco e anormal que a internet mostra. – respondeu. Meu estômago de um nó quando ela pronunciou mutantes.
Exatamente como a Isa, resolvi afastar logo esses pensamentos.
– Louco e anormal? Por que ainda não te levaram para lá? – brinquei.
– Que graça, a Christine que eu conheço está voltando a ser sarcástica. – falou ela me dando soquinhos no braço.
Sentamos-nos à mesa-bancada dela e comemos em silencio.
– Ok Chrissy – ela me chamou. – para tirar o silencio do lugar vamos falar de coisa boa vamos falar...
– De mim. – eu disse a cortando e sorrindo. Ela revirou os olhos.
– Eu falei coisa boa – eu fiz careta e ela riu. – vamos falar do gostoso que te sequestrou.
– Ah Deus. – eu falei levantando as mãos para o céu.
– Ah vamos – pediu ela. – você nem me deu muitos detalhes dele no carro.
– Ok. – eu falei desistindo e suspirei.
Eu fingi está tentando me lembrar dele, mas é claro que era uma grande mentira eu me lembrava de cada detalhe dele nitidamente.
– Ele era alto, musculoso, era um pouco bronzeado... Não sei como já que a sede é de baixo da cidade e lá não tem sol. Continuando tinha olhos verdes, cabelos castanhos – cada item que eu listava a Kiera suspirava como se tivesse vendo ele na frente dela. – ah a quem eu to tentando enganar? Ele é tudo de bom, perfeito, lindo, escultura dos deuses.
– Se ele é tudo o que você ‘tá dizendo... Por que você hesitou em ir com ele para qualquer lugar menina? – eu perguntou, e me olhou como se eu fosse completamente louca.
– Ah amiga, ainda bem que você tem a mim, se não... Você é tão bobinha às vezes – eu falei e olhei para ela como se ela fosse uma criança. – esses, amiga, são os piores. Tudo psicopata, assassino, estuprador e etc.
Eu me levantei, lavei o meu prato, dei um beijo no rosto dela. E disse:
– Eu vou pegar emprestado o seu pijama e vou dormir no seu sofá ok? – pedi.
– O sofá é duro dorme na cama amiga. – mandou.
– Tem certeza?
– Se eu quiser me deitar eu deito do seu lado, como quando éramos crianças lembra?
Eu sorri com a lembrança.
– ‘tá.
O quarto da Kiera era de tom salmão, tinha um armário rústico rosa, uma escrivaninha de madeira, com vários livros e um computador em cima. Tinha um banheiro no quarto, e outra porta que dava para uma sacada.
Eu fui para a sacada e olhei a cidade, o dia estava lindo, quase parecia normal, até eu olhar para o sol e meus olhos não doerem, e como se desse um zoom eu conseguir ver as explosões do sol, eu arfei e dei um passo para trás.
Eu olhei para cidade se eu focasse bem uma coisa eu poderia ver ela de perto. Senti-me a Bella que depois que vira vampira, consegue ver até os grãos de poeira.
Não. Eu era normal eu era uma humana norma. Isso tudo deve ser sono.
Troquei de roupa rapidamente, tentando não focar em nada. Deitei-me na cama e fechei os olhos esperando dormir logo.
Felizmente eu dormir logo. Infelizmente com o sono veio o sonho.
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