A Estrela
5 Capítulo 4.
Notas iniciais
Todos os alunos se dirigiram ao balcão, e pegavam uma adaga, em poucos segundos eles já estavam na frente de alvos se posicionando.
Eu lentamente caminhei até o balcão e olhei para todas aquelas adagas, igual às outras, eram pequenas demais, bom para treinos, mas não para uma luta. Acredite esse pensamento surgiu do nada.
– Vejo que é a única que não esta treinando. – uma voz grossa falou perto do meu ouvido, eu olhei por cima do ombro, e vi o professor que agora eu percebi, ainda não sabia o nome.
– Er... Eu não consigo ficar de acordo com os meus pensamentos.
– Pensamentos controlados, efígie controlada. A cabeça é o primeiro lugar que você tem que fazer parceria. – ele para pega uma das adagas e me entrega. – cabeça sã, corpo são.
Eu peguei aquele objeto, e girei entre os meus dedos. Olhei fixamente para aquelas três pedras brilhosas, uma linha dourada se enroscou nas três pedras e chegou à ponta da lâmina.
Eu me vi virando e acertando o alvo mais longe de mim em cheio, em um movimento rápido eu fiz aquilo que eu acabei de ver.
A adaga passou em câmera lenta por cima da cabeça de um garoto, girou duas vezes desviando do rosto de uma garota, que gritou quando viu a lamina, a adaga girou mais três e se cravou bem no meio do alvo.
Eu prendi a respiração quando todos os olhares se voltaram para mim, mas uma vez naquele dia.
– Você está louca? – a garota que gritou perguntou histérica. – você é louca?
– Estão liberados. – disse o professor. – menos você Christine.
Que ótimo ferrada já no primeiro dia.
Todos os alunos saíram devagar, e ficaram me encarando. Já ate sabia a noticia que ia correr, “garota nova tenta enfiar uma faca na outra novata”. Eu não tentei ferir ela, mas a fofoca sempre cresce muito quando é contada, e vira uma grande mentira.
– O que você estava sussurrando? – ele perguntou quando a porta foi fechada.
– O que? – eu perguntei confusa.
– Palavras antigas, que eu nunca ouvi na vida. – ele explicou. – você estava sussurrando.
– Eu não sei. – eu olhei para adaga, fincada no outro canto da sala. – eu nem sei o que eu estava fazendo.
– Pode ter sido um mantra, um pedido... Ou uma magia. – ele me encarou desconfiado. – você tem certeza que nunca ouviu ninguém falando aquelas palavras.
– Eu nem sei o que eu falei.
– Eu vou ficar de olho nessas horas em que você sai desse mundo.
Eu apenas o encarei. Eu sou mais estranha que todo mundo aqui.
*
Eu entrei no refeitório, aquele era o momento que poderia ser, mas traumatizante na vida social do ser humano.
Como eu imaginei todos me olhavam, e de vez em quando eu ouvia cochichos como “ela tentou ferir uma garota”, “ela nem sabia dos Hunters”, e “será que ela é louca?”.
Parecia uma cena do filme Carrie A estranha, só falta sangue de porco cai na minha cabeça. Ou eles jogarem tampões em mim.
A cantina era assim, mais ou menos quinze mesas, retangulares, com sete bancos cada, se espalhavam pelo refeitório, em uma parede estava às quatro letras da sede. STCH.
Em outra parte nos fundos tinha uma janela que era onde serviam a comida.
Eu me dirigir para lá. Peguei uma bandeja rasa, e fui passando pelas comidas. Refrigerantes, hambúrgueres, batatas fritas, e etc.
Passei reto por aquelas besteiras, e peguei uma maçã, e um suco de caixinha. Quando eu me virei para procurar um lugar, todos me olhavam descaradamente.
Algumas garotas davam risadinha, e me olhavam com nojo, e cochichando. Meu rosto esquentou, não de vergonha, mas sim de raiva.
Eu deixei a bandeja peguei apenas a comida, e sai do refeitório. Entrei no elevador e apertei no térreo, eu queria sair daquele lugar.
*
Quando eu cheguei lá em cima, o chão se abria, e o elevador saia. Como aquele de A Fantástica Fábrica de Chocolate.
Eu respirei aliviada, ao sentir o cheiro de liberdade. Era como uma praça mesmo, e vi a fonte, e as árvores, era uma praça abandona e longe da cidade por isso ninguém vinha aqui.
Eu saio do elevador. E ele voltou para debaixo da terra.
Eu caminhei até um banco velho, longe da fonte. Era incrível que ninguém poderia imaginar que debaixo dessa praça, estava uma escola para treinar mutantes.
Eu terminei a minha maçã, e furei a caixa do suco, com o canudinho.
Eu não sei por quanto tempo eu fiquei naquele lugar, até perceber que estava fora.
Eu podia sair daqui, eu não precisava ficar aqui nesse lugar que eu não conhecia ninguém.
Eu me levantei, e rapidamente sai daquela praça, pareceram horas até eu chegar à cidade, mas eu cheguei.
As pessoas me encaravam enquanto eu passava, eu parei em frente a uma loja de roupas, e me olhei na vitrine, às roupas.
Eu estava vestindo o uniforme da sede.
Parecia mais alta, e mais segura. Estava bonita até.
Eu continue andando, tinha que sair o mais rápido de perto daquele lugar, a sede não era o meu lugar, aquelas pessoas cresceram se preparando para isso. Nasceram para isso. Eu não.
Eu tinha que voltar para minha vida, não se passou nenhum dia, mais já sabia que aquele lugar não era para mim. Eu tinha que esquecer que passei por isso.
Eu não tinha nenhuma prova de que aquilo que me disseram era verdade, e enquanto a aquela coisa laranja derretendo o metal pode ter sido alguma computação, porque eu não sentir nada me queimando.
Se aquilo era metal derretido, eu deveria ter sentido algo, não é?
Não me deram nenhuma prova. Só me deixaram presa lá.
Virei uma esquina, e pela placa da rua, eu estava bem longe de casa, o que quer dizer que se eu for andando, minhas pernas cairão no meio do caminho, já que a minha casa e do outro lado da cidade.
Então eu resolvi que deveria achar um orelhão, e ligar para a minha melhor amiga Kiera, porque caso eles estivessem me procurando, o primeiro lugar que iriam seria na minha casa.
Depois de duas quadras, eu achei o bendito orelhão, disquei o número da Kiera e esperei ela atender. Cinco toques depois ela atendeu, o que quer dizer que eu a acordei.
Eu nem sabia que horas eram, mas já estavam escurecendo, o que quer dizer que ela estava tirando, como ela mesma chama, “o sono da beleza que só pode ser feito à tarde”.
– Alô. – ela disse sonolenta.
– Kiera – eu disse feliz em ouvir uma voz conhecida. – Ki... É a Christine.
– Christine? Christine! – ela gritou. – eu não acredito, onde você esteve por três dias?
– Três dias? – eu perguntei assustada, eu pensava que tinha sido apenas uma noite.
– Você está drogada amiga, some e nem sabe quantos dias esteve fora? – ela perguntou preocupada. – o que está acontecendo?
– Eu vou te explicar tudo... Eu acho – eu olhei em volta. – mas eu preciso que você venha me buscar.
– Onde você está?
– Bem longe de casa.
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