A Estranha Vida de Carmenny Edmond

13 Garrafas de Vidro Estúpidas


Notas iniciais
Eaiiii

Carmenny Edmond

O lugar em que o carro parou era uma casa estranhamente normal, com um pátio bonito e uma pequena horta no canteiro. Quem passasse por ali nunca diria o que estava prestes a (não) acontecer.

— Aqui estamos — digo ao descer do carro. Daniel fecha a porta com uma certa força.

— Vamos entrar.

— Nem sabemos se eles estão armados — falo, agarrando o braço dele como se fosse impedi-lo de ir.

— Eles drogaram a garota, aqueles covardes do caralho não tem arma nem aqui nem na puta que pariu — ele vai até a janela no lado esquerdo da casa.

— Isso é verdade — falo e sigo Daniel — Vamos acabar com eles.

Paro de repente, dou meia volta e vou até o carro dos filhas da puta. Acho que com os pneus furados eles não vão a lugar algum, não?

Pego o chaveiro de canivete que guardei na bota e rasgo os pneus.

— Daqui ele não sai.

E vou até Daniel, que está pulando a janela. Não deve ser tão difícil, eu penso. Bem, é um pouco mais complicado que eu imaginava, mas consigo pular sem fazer muito escândalo.

— E agora? Vamos pegar uma faca, né? — falo — Quero arrancar os olhos de alguém hoje.

Daniel faz que sim e começamos a procurar facas.

— Quem não tem faca em casa? — falo baixinho enquanto abria e fechava as gavetas — Bingo.

Pego uma faca e entrego para Daniel.

— E você? — ele pergunta.

— Tenho um pequeno canivete no pé. É bom eles acharem que estamos em desvantagem.

— Esperta. Agora vamos subir as escadas, eu acho que ouvi algo lá em cima.

— Hey, vou ligar pra polícia — falo, pegando o celular — Nunca se sabe.

Ele assente e de fato tinha alguma coisa acontecendo no segundo andar, havia barulhos de garrafas de vidro e risadas estúpidas.

Subimos as escadas fazendo o menor barulho. Os sons vinham de um quarto no final do corredor.

— Aqui vamos nós.

Abrimos a porta bruscamente e nos deparamos com 3 rostos assustados, que se transformaram em raivosos e um desacordado na cama.

— Deixem ela ir ou chamamos a polícia — Daniel fala em tom de ameaça.

— Nós não temos nada a ver com isso — diz um deles, indicando mais um amiguinho.

Eu estreito os olhos.

— Deixaram acontecer. Por mim estariam mortos agora, mas existe algo chamado direitos humanos — falo -, que vocês não devem saber muito a respeito, não?

A esse ponto estavam todos de pé, todos maiores que eu e um deles era maior que Daniel.

— Esqueçam que viram isso — o gorila fala — Ou morrem.

Eu seguro a risada. Que cara imbecil do caralho.

Um deles parte para cima de Daniel, que simplesmente dá um soco no nariz do cara e tira a faca do bolso, deixando à mostra em forma de ameaça. Os dois caras que sobraram trocaram sua expressão de raiva por surpresa e se entreolharam. Eles não tinham armas.

— Sem armas, huh? — digo.

— E você tem o quê? — um deles fala — Vai me nocautear com essa mãozinha de... de menininha?

— Menininha é a sua ofensa? — Daniel diz rindo.

O gorila fica puto da vida e vem direto em minha direção, mas Daniel enfia a faca na barriga do cara, que para de repente e fica com uma expressão assustadora.

Eu levo as mãos à boca e observo ele tombar no chão. Olho para Daniel, que percebe o que fez e larga a faca no chão. Espero que ele não surte.

— Daniel — chamo — Está tudo bem. Foi legítima defesa.

Minhas palavras saem meio tremidas, mas com determinação.

— É...

— Erro fatal — fala o homem no canto do quarto. Ele segurava a faca sangrenta.

— Merda — deixo escapar. Me abaixo como se fosse me render e levo a mão à bota, pego o canivete e pulo pra cima do cara. Ele se assusta e afrouxa a mão que segurava a faca, então eu pego e posiciono o canivete no pescoço do cara — Você vai ficar aí até eu dizer o contrário, seu merda.

Ele estava claramente assustado.

— Daniel, pega a garota e leva pra fora. A polícia deve estar chegando — falo e Daniel assente.

— Mas vocês... — o cara começa — disseram que não chamariam a polícia.

Eu sorrio ironicamente.

— Você de fato é tão burro quanto parece, né? — falo — Nós não deixaríamos três vagabundos como vocês se safarem assim...

Ouço o barulho da polícia e tumulto lá fora.

— Sua carona chegou — pego o braço do cara com brutalidade e conduzo-o até a porta da frente, que estava cheia de gente.

Dois policiais vieram em direção ao cara que eu "carregava".

— É um deles? — eles perguntam e eu faço que sim.

A esse ponto eu não estava mais com o canivete ou a faca na mão, a faca estava no quarto e o canivete de volta à bota.

— Senhores — chamo os policiais, que prestavam atenção no cara algemado — Eu temo que tenha um homem morto no quarto lá em cima...

Eles olham para mim, se entreolham e um deles vai para cima. O outro leva o homem para uma viatura.

A área da frente estava tumultuada em volta da garota desacordada. Daniel estava sentado em um canto meio afastado. Vou até ele e me sento ao seu lado.

— Hey — falo — Você tá bem?

Ele olha para mim meio triste e dá de ombros.

— Já estive melhor — ele sorri de canto.

— Você fez bem. Aquele dinossauro do cacete ia me matar se você não fizesse nada — falo.

— Eu sei... Mas me remete a lembranças desagradáveis — ele fala, meio encolhido -, sabe?

Eu assinto e foco a atenção no tumulto: policiais, vizinhos, paramédicos e até cães. Isso é novidade. A garota desacordada estava sendo levada para a ambulância e o tumulto ia se dissipando aos poucos.

Tudo estava bem na medida do possível.

Notas finais
O que achou? Aceito sugestões para o próximo capítulo :3 See ya