A Estranha Vida de Carmenny Edmond
14 Um pouco de café no seu açúcar
Notas iniciais
Carmenny Edmond
A última semana havia passado mais rápido que a minha felicidade e isso me deixou assustada, já que o tempo na sala de espera de um hospital não costuma passar tão depressa.
Sim, eu estive quase a semana inteira em um hospital com Daniel. Fomos lá para visitar a garota, Yael, e dar apoio a ela. Não fomos nós que contamos sobre o que (não) aconteceu, mas sei que ela chorou bastante quando soube. No fim, ela recebeu alta e foi para casa, que ficava em uma cidade vizinha.
Daniel ficou um tanto perturbado (e eu também) com o ocorrido, mas não nos deixamos ficar tristes por isso, embora eu pegue Daniel fitando o nada de vez em quando.
Como agora, que estávamos na mesa de jantar tomando o café requentado de dois dias atrás de noite.
— Dan — chamo.
Ele levanta o olhar e murmura "Huh?".
— Sabe a Isabelle? — tento não revirar os olhos. Daniel assente e se inclina levemente — Ela vai pra praia amanhã e quer uma carona com Adam. E... Pediu para irmos junto!
Abro os braços e um sorriso como se estivesse super animada.
Ele arqueia a sobrancelha e sorri de canto.
— Sei — ele dá um gole no café e levanta.
— Vai ser — não tenho certeza — legal...!
Me levanto e vou até Daniel, que estava na cozinha escorado na bancada.
— Só se você deixar eu me afogar no mar.
— Quê? — falo incrédula — Sem mim?
Ele sorri, balança a cabeça e se afasta em direção à sala.
Daniel é, de fato, um garoto reservado e isso dificulta para nós ( eu e Adam) sabermos o que ele sente. Adam garante que ele está bem. Eu tento acreditar nele mesmo percebendo que não é verdade.
A semana terminou nessa noite fria e tediosa.
**
O dia amanheceu da mesma forma. Levanto e chuto a porta e desço as escadas até a cozinha.
Quase caio no chão quando me deparo com duaspessoas na bancada: Adam e, suspiro, Isabelle.
Resmungo e passo reto por eles. "Ela é sempre assim" risadinhas. Viro-me e sorrio.
— Bom dia — falo pausadamente e ergo a caneca de café — Querem?
Eles assentem e se aproximam como galinhas.
— Não tá pronto, cacete!
Eles recuam para a bancada.
— Como foi a noite, Annie? — Isabelle pergunta com uma voz fofa. Sinto vontade de matá-la.
Coloco a água para ferver e viro para ela.
— Não foi tão boa, mas se eu soubesse que você tava aqui, seguiria dormindo.
E volto-me para o café.
Isabelle dá uma risada.
— Você é sempre gentil assim de manhã, Edmond?
Daniel fala atrás de mim e passa o braço na minha frente para pegar uma xícara.
— Não só de manhã como o dia inteiro — abro um sorriso.
— Como eu poderia duvidar? — ele fala e se junta aos amiguinhos.
Termino de fazer o café e sirvo todos. Até Isabelle. Pena que não tive tempo de colocar veneno no dela.
— Se quiserem pó doce, tem lá no armário — indico com o ombro para que eu não precisasse gastar muita energia.
Isabelle vai correndo até lá, pega o pote e joga quase metade na sua caneca. Eu, Daniel e Adam olhamos boquiabertos.
— Você precisa de mais? — Adam aponta para a caneca — Tem um pacote de um quilo na despensa.
Ela ri.
— Sempre gostei de coisas doces.
— Você não tem medo de pegar uma doença? — pergunto.
— É que... — ela começa a falar e até gesticula com as mãos.
— Ah — levanto o dedo indicador — Não me importo.
Ela sorri sem graça e segue tomando o café.
— Vamos para praia então? — Adam fala, animado.
Daniel afunda um pouco na cadeira e eu escondo o rosto olhando para o lado.
— Ah, vamos! — Isabelle fala — Não vai ser a mesma coisa sem vocês.
Ela fala olhando para Daniel.
Eu reviro os olhos.
— Eu vou — nem termino de falar e Isabelle dá uns pulinhos — Só se eu tiver um quarto só pra mim.
Ela assente histericamente.
— Danny? — ela pergunta para Daniel.
Ele pensa um pouco e faz que sim com a cabeça. Eu pensei que Isabelle fosse morrer de alegria, mas ela só abraçou Daniel e "foi buscar algumas coisas em casa".
Quando ela voltou, todos estávamos de malas prontas e esperando Adam dar partida no carro.
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