A Estranha Perfeita

1 Prólogo - Ne me quitte pas


O carro parou a uma distância de mais ou menos três metros da praia de Copacabana, calmamente, sem derrapar. A mulher ao lado do motorista franziu as sobrancelhas ao perceber onde estava, perguntando imediatamente:

─ Espere... O que estamos fazendo aqui? Você disse que ia me levar para um lugar mais afastado da cidade, não acha que alguém pode nos ver?

─ Eu considero esta praia um lugar afastado, pelo menos de noite. ─ retrucou o homem, guardando a chave do veículo no bolso. ─ Além do mais precisamos conversar, se não fosse importante com certeza iria falar quando estávamos na sua casa mesmo.

─ O que é tão importante assim, Renato Mendes? ─ o sorriso de ansiedade que ela deu fez com que ele sorrisse de volta.

─ Vamos descer, aí poderemos tratar desse assunto.

Ela assentiu, abrindo a porta e saindo para a noite que trazia consigo uma leve brisa de vento, a lua cheia e muitas estrelas. Por um instante pensou em se livrar da roupa e correr em direção ao mar, mas sabia que antes disso teria que ouvir Renato, seja lá o que ele queria dizer.

Renato saiu do carro logo após, aproximou-se de sua acompanhante e, desviando os olhos para o mar, disse sem hesitar:

─ Faz um tempo que eu queria ter essa conversa a sós com você, tentei trazê-la até aqui, mas você sempre dava um jeito de se esquivar.

─ Claro, estava muito ocupada com o meu trabalho, sempre apareciam imprevistos, não dava para sair constantemente.

─ Não, quanto a isso tudo bem. ─ afirmou Renato, virando-se para olhá-la. ─ O que eu realmente queria dizer é sobre a sua resposta para a minha proposta, se é que está lembrada.

A mulher soltou um suspiro. Isso já está me deixando chateada, pensou, desejando internamente que ele ouvisse. Gostaria que fosse qualquer coisa, menos esse assunto, porque pelo o que se lembrava, encerrou-o no mesmo dia que ele surgiu.

─ Estou lembrada sim. Pode falar.

─ Bom, a sua reação não foi uma das melhores, devo confessar. Você pareceu muito assustada, e é tudo culpa minha, por não entrar em detalhes. Acontece que partir logo para chantagem é algo fora do comum, e tanto eu como você sabemos que tem consequências. Se me deixar explicar, vai entender melhor, e aceitarei a sua resposta sem insistir mais.

Ela ficou alguns segundos em silêncio, talvez para absorver mentalmente as palavras dele. Pensou na possibilidade de haver uma ameaça oculta ali, mas por sorte ou ironia do momento, ele permaneceu calado, esperando sua resposta.

─ É uma questão simples, Renato. A sua proposta para mim não passou de algo impossível de ser feito. Você pode achar que estou sendo precipitada, maluca, sei lá, pense o que quiser. Apenas não quero, e usei a chantagem por uma boa causa.

─ Acha que eu não sei que você quer me dar essa satisfação? Confessa, Bia, no fundo tem uma voz dizendo para você aceitar, ganhar muito dinheiro e dar um futuro melhor para a sua família... ─ ela deu um passo para a frente, querendo encerrar a conversa, até que ele segurou o braço dela. ─ Dá pra você me escutar?

─ Você está me machucando! ─ Bia soltou o braço da mão de Renato sem muito esforço. ─ Já disse e repito: não vou aceitar a sua proposta, saiba de uma vez por todas que mereço ser independente às vezes, tomando as minhas decisões, não seguindo as suas ordens a fio. Ninguém é de ninguém, entendeu? ─ beijou-o rapidamente. ─ Vamos esquecer isso e entrar no mar?

Antes mesmo que ele pudesse responder, Bia tirou o vestido que estava usando, ficando apenas com as roupas íntimas. Renato revirou os olhos, entediado.

─ Não vai vir comigo? ─ Ela reparou que ele nem se mexera.

─ Acho melhor não... Preciso ir embora, e você também. Não quero que a sua mãe coloque a polícia para procurá-la.

─ Ela não vai fazer isso, quantos anos acha que eu tenho, dezesseis? ─ Rindo despreocupadamente, seguiu em direção ao mar.

─ Bia? ─ Renato chamou, indo até ela. Assim que encontrou os olhos da amante, tirou disfarçadamente um canivete do bolso e perfurou a barriga dela, num ímpeto. ─ Eu não tenho escolha a não ser matá-la.

Bia, ofegante, cambaleou para trás, as duas mãos tentando estancar o sangue que escorria de sua barriga para as pernas. Seus olhos estavam marejados pelas lágrimas de dor, e seu peito dava a sensação de estar perdendo toda a vivacidade que possuía.

─ Por que... Renato, por quê...? ─ balançou a cabeça, encarando não mais os olhos do homem e sim o rosto, que demonstrava um prazer silencioso. ─ Você não tinha motivos para me matar, poderíamos fazer outros planos além daquela maldita proposta, seríamos felizes! Por que tomou essa... essa decisão? ─ A visão da mulher passou a se desfocar.

─ Porque você não é nada para mim. ─ Renato observou-a cambalear outra vez. ─ Você é simplesmente mais uma para a minha coleção, mais uma vadia que resolveu ir contra mim. É, eu usei você, transei por todas essas noites para me satisfazer, pensando que você ia me agradecer, aceitando as minhas condições. Por fim, o que me restou? Acabar com a sua vida medíocre!

─ NÃO! ─ no mesmo instante em que ela gritou, ele deu um chute na barriga dela, fazendo-a cair. ─ Eu sempre quis ser uma pessoa melhor, convencê-lo de que iria fazer o possível para ser uma esposa que o amasse mais do que tudo! Renato, por favor, me ajude...

O homem aproximou-se do lugar onde ela havia caído e, após um breve momento olhando fixamente para a expressão fraca dela, deu uma gargalhada, cortando o ar monótono de Copacabana.

─ Eu faço tudo o que você quiser, eu juro... Me ajude, não me deixe aqui, faça isso por tudo o que nós passamos... ─ Bia sussurrava, estendendo a mão para Renato.

─ Foi bom conhecê-la. Até qualquer dia, em um lugar distante. ─ Ignorando a mão, afastou-se em direção ao carro.

─ RENATO! Por favor... Não me deixe morrer aqui! RENATO!

O ronco do motor do carro foi ouvido próximo dali. Com muita dificuldade, Bia virou-se de bruços, vendo a sua única esperança de ajuda saindo da praia.

─ Não me deixe... Não... me deixe... ─ a dor em sua barriga era insuportável. Precisava sair dali, não queria morrer... ─ Mãe... ─ Deixando que algumas lágrimas escorressem pelo seu rosto, lembrou-se de seu celular, que naquela noite deixou-o no bolso extra do vestido. Era a última chance de se salvar, ou nunca poderia entregar Renato Mendes para a polícia.

Alguns quilômetros distantes da praia, em uma casa com várias pessoas rindo, bebendo e dançando ao som de um remix qualquer, Teresa olhou para o relógio de pulso que marcava exatamente meia noite. Ela era a única que não participava da comemoração, a expressão preocupada no rosto revelava o por quê.

Era o aniversário de sua filha, Bia, e havia mais de duas horas que não a via na casa. Pelo visto saíra com o namorado, Renato, esquecendo-se de avisar para onde iria e que horas voltaria. Não costumava ficar preocupada, isso acontecia sempre que achava que algo não pudesse dar certo, o que no caso de Bia era uma exceção. Renato como genro é tudo o que pedira a Deus, confiava muito nele, e não via problema algum em saber que ele levou Bia para sair. Porém, pela primeira vez em seis meses, pressentia que algo estava errado.

─ Teresa, onde está a aniversariante? ─ Pedro, um colega da faculdade, aproximou-se da mulher.

─ Eu não sei, ela saiu e até agora não voltou... ─ Teresa sentiu as mãos tremerem.

─ Está tudo bem? ─ Ele franziu as sobrancelhas.

─ Acho que sim. ─ desviando os olhos de Pedro, pôs-se a observar o marido, temerosa. ─ Vou buscar um pouco de água.

─ Não, eu pego, pode deixar comigo. ─ O garoto impediu que ela fizesse algum movimento e saiu imediatamente dali.

Percebendo de alguma maneira o que acontecia, o marido de Teresa, Vagner, parou de beber com os amigos e foi até ela.

─ Por que está apreensiva? Ela provavelmente estará aqui o quanto antes possível, não precisa se preocupar.

─ Tem alguma coisa errada, Vagner. ─ Teresa tentava se acalmar, mas naquele momento era impossível. ─ Ela não nos avisou aonde ia, como acha que posso ficar tranquila?

Vagner não respondeu. Bia era uma garota que acabara de completar dezoito anos, mal havia saído da adolescência, por isso era de se esperar que não fosse avisá-los, como se pensasse ser dona do próprio nariz. Mas a tensão na voz da mulher o fez ver a situação por outro ângulo.

─ Quer que eu ligue para ela?

─ Sim, por favor. ─ Afirmou veementemente.

Vagner, então, pegou o telefone sem fio próximo de onde estava, discando o número do celular da filha. Nesse instante, as pessoas já observavam o casal, desconfiando de que estivesse acontecendo alguma coisa.

Cinco toques de chamadas até que a voz de Bia respondeu.

─ “Mãe? Mãe, é você?”

─ Bia, é o seu pai. ─ ele trocou um rápido olhar com a esposa. ─ Onde você está?

Antes que ela pudesse responder, Teresa tomou o telefone da mão dele com um rápido movimento.

─ Filha, diz para mim que está tudo bem, estou preocupada, senti algumas coisas ruins...

─ “Não estou bem, mãe... A minha barriga está sangrando muito, não consigo levantar, se alguém não vir me buscar eu vou morrer...”

─ Pare de me assustar, Bia!

─ “Mãe, venha para Copacabana... O... O Renato me atacou com um canivete, estou com muito medo de voltar e me fazer mal ou matar você e o meu pai... por favor... Traga a polícia também, eles precisam prender aquele homem, ele é um psicopata, fingiu que me amava para conseguir o que queria... Mãe, ele também...”

A ligação foi cortada de repente, fazendo Teresa gritar desesperadamente pelo nome da filha. Vagner, assustado com a reação, aceitou a água que Pedro trazia, colocando o copo cuidadosamente na mão da mulher. Com as lágrimas escorrendo pelo rosto, as mãos ainda tremendo, a atenção dos convidados da festa voltada para ela, recobrou o fôlego para poder falar.

─ Eu sabia que o meu pressentimento era real.

─ O que ela disse?

─ Renato nos enganou, Vagner. Aquele desgraçado nos enganou! Agora a nossa filha está prestes a morrer na praia de Copacabana, porque ele a esfaqueou. Eu quero vê-la, Vagner.

Pedro, horrorizado, distanciou-se do casal. Vagner suspirou, começando a se preocupar também. Segurando um dos braços dela, disse rapidamente:

─ Vamos, não podemos deixá-la morrer. Enquanto isso, tente se acalmar. Ela não deve estar em boas condições.

Enquanto andava pelas ruas até sua casa, Pedro ligava para alguém. Não podia aceitar que Bia estivesse correndo risco de morte, queria ir atrás dela, mas o que pretendia fazer era urgente. Se conseguisse, Teresa e Vagner lhe seriam gratos eternamente.

Não demorou mais que dez segundos para ouvir a voz do outro lado da linha.

─ “Oi, Pedro.”

─ Pai, onde você está? Preciso conversar com você agora.

─ “Eu estou no trânsito, não sei quando vou me livrar disso. O que é tão importante que não pode esperar?”

O garoto não respondeu de imediato. Olhando para trás, viu os convidados da festa de Bia indo embora, comentando em alto e bom som a desgraça que ocorrera naquela madrugada. E foi assim que ele tomou iniciativa para continuar:

─ Por que você esfaqueou a Bia, pai? Quando eu a apresentei para você foi por um motivo maior, que ninguém soube. Nós estávamos praticamente namorando! Por que estragou isso, ela fez algo?

─ “Pedro, que bobagem... ─ Renato riu. ─ Quem foi que inventou essa história para você, sua mãe? Ela costuma ser dramática só para poder me prejudicar, você sabe muito bem disso.”

─ Não foi a minha mãe, foi a Bia. Ela falou com a dona Teresa e contou tudo. Você tem sorte de não tê-la matado, porque estou indo agora à polícia e vou denunciá-lo. E não pense que não vou esquecer o que acontece em nossa casa.

Renato freou o carro no sinal vermelho de um semáforo de uma esquina. Ficara distraído com a súbita ameaça do filho, além do susto ao ouvir que Bia ligou para Teresa. Como poderia estar viva ainda? O propósito de deixá-la em Copacabana era esse, para que Teresa e Vagner não a encontrassem tão logo.

─ “Escuta, Pedro, você não vai fazer nada que possa se arrepender. Estou indo para casa, e se descobrir que me desrespeitou, acabo com a vida da sua mãe. Está avisado, a Bia poderá morrer a qualquer instante, e acho que você não vai querer ver outra pessoa que ama sendo morta.”

─ Você é um assassino louco! ─ Pedro agradeceu mentalmente por ter visto um ponto de ônibus. ─ Se fosse para escolher, nunca gostaria de tê-lo como meu pai.

Renato desligou. Não estava com paciência para aturar as crises emocionais do filho, como se já não bastasse o que sua mulher Camila tinha constantemente. Resolveu, por fim, que faria o que prometeu a Pedro: iria direto para casa, antes que ele chegasse lá, estragando o seu trunfo da noite.

─ Que aquela vadia apodreça no inferno! ─ Disse a si mesmo, referindo-se a Bia.

Três carros, sendo um de Vagner, onde Teresa fazia orações silenciosamente no banco de trás, e os outros dois da polícia, estacionaram a alguns metros da praia de Copacabana. Cinco policiais saíram das viaturas, imediatamente fazendo a busca. Vagner e Teresa, relutantemente, também saíram do veículo.

─ Ela deve estar perto, principalmente se estiver muito ferida. ─ Opinou o homem, segurando a mão da mulher. ─ Vamos pensar positivo.

─ É o que estou pedindo a Deus. Prefiro morrer a ver minha filha toda machucada e sem vida. Juro que não vou suportar isso, Vagner...

─ Calma, calma... ─ ele a envolveu em um abraço. ─ A polícia vai fazer o possível para encontrá-la com vida.

Os policiais continuavam com a busca, usando lanternas e um cão adestrado para situações como essas. Era óbvio que não estavam obtendo êxito, porque por mais que se afastassem, menor a chance de Bia ter morrido ali.

Como um aviso inesperado, o cão latiu insistentemente para alguma coisa caída na areia. Vagner e Teresa, alarmados com uma possível pista sobre Bia, correram para perto do animal, onde três dos cinco policiais já se prostravam.

─ Meu Deus... ─ Sussurraram os pais, atônitos.

─ Não conseguimos localizar a garota, mas pelo menos temos indícios de que a pessoa que fez isso é muito descuidada.

Na areia, havia um canivete pequeno, com a lâmina ensanguentada. Na fuga, pensou Teresa, completamente desolada pelo desaparecimento da filha, Renato deixara a arma do crime cair. Seria uma questão de tempo até que a polícia descobrisse a autoria dele na tentativa, ou provavelmente assassinato, de Bia.

A justiça seria feita, enfim.

Renato abriu a porta de seu apartamento, encontrando Camila sentada no sofá. Ao vê-lo, ela sorriu forçadamente.

─ Voltou tarde.

─ É, tive alguns problemas financeiros para resolver, infelizmente o Miguel não ajudou muito, então acabei me virando sozinho. O Pedro voltou da festa?

─ Ainda não. Pensei que você iria trazê-lo, se não estivesse muito ocupado.

─ Ah... Eu esqueci, deve ser o cansaço. Depois de um banho tenho certeza que vou me sentir melhor.

Camila levantou-se. Agora que o marido voltara não queria mais esperar por Pedro acordada. Na verdade, a companhia de Renato era dispensável, por vários motivos. Ao fazer questão de se retirar, ele a fez parar.

─ O que você quer?

─ Uma conversa rápida sobre o Pedro. – inventou ele de última hora. ─ Ele estava comentando comigo hoje à tarde, antes de ir para a festa, e pensei que você pudesse saber o que é melhor para ele.

─ E desde quando você se preocupa com assuntos familiares? Não estou entendendo essa sua mudança.

─ Vamos pular a parte de crise emocional? ─ Renato levou-a novamente até o sofá, sentando-se ao seu lado. ─ O que importa é que sou o pai dele, tenho todo o direito de me colocar à frente das dúvidas, medos e sentimentos que ele tem. E por mais que esteja parecendo impossível um pai ausente querer falar sobre o filho numa hora dessas, é o que quero fazer, ouvindo a sua opinião.

A mulher acompanhava o marido em silêncio. Deveria mesmo ignorar a estranha mudança dele?

─ O Pedro disse que gostaria de sair do Brasil, fazer uma viagem por um tempo. Confesso que pensei que estivesse mentindo, mas dava para ver que era um desejo verdadeiro. Você sabe, os estudantes de faculdades sempre procuram aprofundar seus estudos, e ele considerou essa forma a melhor de início.

─ E nós o acompanharíamos? ─ Sugeriu ela, sentindo orgulho do filho.

─ Claro que não, deixaríamos ele ir sozinho, para aprender a ser independente aos poucos. Não percebe que assim ele será uma pessoa mais dedicada aos estudos, Camila?

Ela afirmou. Desde que Pedro começou a faculdade que tanto se empenhou para ganhar uma bolsa, achava impossível qualquer extensão para fora do país, pensava que ele nunca iria sentir gosto por viagens de intercâmbio. Se algo aconteceu para mudar de ideia repentinamente, preferiria deixá-lo seguir com esse sonho.

A porta abriu-se outra vez e Pedro entrou, o rosto pálido ao ver o pai e a mãe juntos. Camila aproximou-se dele, abraçando-o, deixando que um constrangimento crescesse em seu peito. Renato sorriu.

─ Mãe, obrigado pela recepção, mas o que houve? ─ Perguntou Pedro, após Camila soltá-lo.

─ O seu pai me contou o que está pretendendo fazer. Sair do Brasil, Pedro, por que não disse antes? Mas não importa... ─ ela beijou o rosto dele, animada o bastante para não reparar na expressão confusa que transparecia nele. ─ Quando podemos comprar a passagem? Para onde quer ir?

Pedro olhou para Renato, sentindo a raiva crescer dentro de si. Ele o queria bem longe de casa, agora que estava ciente de que poderia ser preso a qualquer momento. Acabou se tornando um idiota fracassado, dizendo mentalmente o quanto se arrependera por não ter ligado para a mãe ou a polícia antes de ameaçar Renato.

─ Mãe, amanhã conversamos, está bem? ─ Disse, dando um beijo no rosto dela e saindo da sala.

─ Ele está cansado, talvez chateado por eu ter contado a você. Amanhã voltamos a lembrá-lo dessa viagem. ─ Renato deixou Camila mais calma. Qualquer deslize e seu plano B falharia.

Dois dias depois, o telefone da casa de Teresa e Vagner tocou. A mulher, que coincidentemente passava ao lado do aparelho, atendeu, a voz calma e esperançosa.

─ “Dona Teresa? Aqui é da polícia, e temos notícias sobre a arma do crime que encontramos na praia.”

Ela piscou várias vezes. Notícias sobre a arma do crime? Onde estava com a cabeça ao confiar nos policiais para tentar descobrir onde Bia havia morrido? Parecia que tudo o que vinha querendo saber há dois dias se desmanchou como água.

─ Estou ouvindo. Prossiga.

─“Fizemos uma perícia no canivete para encontrar impressões digitais da pessoa que esfaqueou a sua filha, chegando a um resultado, para o seu interesse. As impressões são de um rapaz que teve passagens pela polícia por alguns deslizes, então foi muito fácil identificá-lo. Seu nome é Pedro Mendes.”