A Estranha Conhecida
2 Todo Mundo Mente

– Como sabe disso? – House cochichou de volta, seus ouvidos procuravam uma resposta o mais rápido possível para alivia-lo (nem que seja temporariamente) daquela tensão, daquele medo. – Nunca ninguém soube, nunca fiz questão que ninguém soubesse.
– Isso não é relevante agora, é? – Hooper piscou discretamente para House.
Hooper deu um riso e começou a encarar LaBianca que estava conversando com Cuddy, que nervosamente desviou o olhar até a jovem para ver como House estava se comportando.
– Então, o doutor House anda falando muita bobagem pra você, doutora Hooper? – Cuddy perguntou alarmada. – Se for isso... Peço minhas sinceras desculpas. House não é tão gentil quanto pensam.
– Ah, que nada! Acho que sou eu que ando falando bobagem pra ele, não é doutor House? – Hooper deu mais uma piscada para House, que agora estava imóvel perdido em seus pensamentos. – Acho melhor nós irmos, LaBianca, House disse que tem muito trabalho á fazer e não queremos incomodá-lo.
– Não mesmo, de jeito nenhum. – LaBianca abriu um sorriso triste.
– Quando vou te ver de novo? – Perguntou House, ainda imóvel com os olhos fixados no chão.
– Quando você resolver crescer, House. Até lá, paciência. – Hooper forçou um sorriso. – Vamos Tate.
– Ahhhh, tão cedo? Não gostariam de ficar pelo menos até mais uma semana? – Disse Cuddy com seu senso maternal. – Eu falo com o diretor da faculdade de vocês, se isso for um problema, mas por favor, fiquem! Acho que você vai se dar bem com o doutor Wilson, já que vocês atuam na mesma área – Cuddy olhava com admiração para Tate, depois que ele concordou com a cabeça, ela voltou a encarar a loura. – e você poderia ficar com o doutor House, ou com o Chase se preferir.
– Acho uma ideia fantástica, Lisa. – LaBianca sorriu. – Opa, doutora Cuddy.
– E você, Angelina, o que me diz? – Cuddy aguardava ansiosa pela resposta.
– Não diz não. – House agora a encarava.
– OK, eu fico. – Hooper abriu um sorriso. – Agora, por favor doutora Cuddy, poderia me mostrar o hospital?
– Mas é claro que s – House a cortou.
– Deixa que eu mesmo mostro.
Departamento de Diagnósticos – House, M.D.
Cameron olhava nervosamente Foreman enquanto ele preenchia os relatórios daquele caso, ela deu uma espiada e Chase estava voltando correndo para a sala.
– O que aconteceu, Chase? – Cameron arregalou seus belos olhos verdes.
– Foreman, acho que você vai gostar dessa notícia. – Foreman levantou seus olhos sem demonstrar o mínimo interesse no que seu colega dizia. – House está vindo pra cá com dois estudantes de medicina, um rapaz e uma loirinha daquelas... Achei melhor te avisar.
– Por que ao invés de fazer o relatório da nossa paciente você foi ver o que House estava fazendo? – Foreman perguntou. – Achei que o que ele fazia não era da sua conta.
House bateu duas vezes na porta com sua bengala, provocando um pequeno susto em seus subordinados, o velho olhou lentamente para os estudantes, como se estivesse os analisando antes, e entrou em sua sala. Foreman arqueou uma sobrancelha para Hooper, surpreso com que Chase não estava mentindo a respeito da loirinha, e LaBianca olhou timidamente para Cameron, enquanto Chase recebia de cabeça baixa o olhar nervoso de seu chefe.
– Quem mandou me bisbilhotar, hein boneco Ken? Você tem sorte de ter o cabelo bonito, se não eu te demitia agora mesmo. – Essa piadinha fez com que Hooper soltasse um riso fraco, e colocasse a mão em cima da boca como sinal de arrependimento. – Boas notícias, equipe, esses são seus novos companheiros de trabalho: Doutor LaBianca e doutora Hooper, onde estão os fogos de artifício para comemorarmos tal evento?
– Mas eles não são muito novos pra serem médicos? – Chase perguntou encarando os jovens.
– Boa observação, boneco Ken! Eles ainda são estudantes, não se formaram ainda. – House sentou-se em seu banco. – Por favor, jovens doutores, se apresentem.
– Com nome e tudo mais? – House concordou com a cabeça, olhando nos mínimos detalhes da moça pra tentando decifra-la, descobrir como ela sabia de seu misterioso passado. – Meu nome é Angelina Hooper, e estou fazendo pós-graduação na área de infectologia.
– E de onde você é, doutora Hooper? – Foreman perguntou demonstrando interesse.
– Los Angeles. – Ela disse com firmeza.
– Achei que fosse do Texas. – House disse, ainda a analisando.
– Sou de Los Angeles, mas faço minha faculdade no Texas se esse é o seu interesse, doutor House.
– O meu maior interesse é saber como você sabe aquilo.
– Não te interessa como eu sei, interessa que eu sei. – O resto dos doutores naquela sala trocaram olhares confusos, ambos curiosos para saber do quê estavam falando.
– Aquilo o quê? – Chase perguntou.
– É, House, aquilo o quê? – Foreman também estava curioso.
– Chega de falar sobre nossa querida e deliciosa Angelina. Vamos falar sobre o mais novo garanhão do pedaço. – House disse na expectativa de mudar de assunto para que não lhe fizessem mais perguntas das quais ele não se sentia pronto o bastante para responder.
– Sou Tate LaBianca, faço oncologia, acho que vamos nos dar bem Allison. Muito bem. – Ele disse, flertando a garota que ficou corada instantaneamente.
Ninguém tinha notado a existência do rapaz loiro dos olhos azuis naquela sala até que ele puxou Hooper pelo braço e a fez sair daquela sala, deixando os doutores atentos no que poderia acontecer.
– Sério isso? Vai jogar nove anos no lixo? – O loiro gritava. – Só por causa do grande Gregory House? O médico que é mais estúpido que um primata?
– Não vou jogar, como já joguei! – Hooper apontava o dedo indicador na cara dele. – Quem é você, Drew Brooksville? Eu estou trabalhando com um dos melhores médicos do país e você? Eu to cagando pro que você vai falar e pensar daqui pra frente!
Sem avisos, Drew deu um tapa na cara da doutora, a fazendo cair no chão. Chase correu para socorre-la, e Wilson foi separar o grandalhão antes que ele pudesse fazer mais um estrago (tanto na moça quanto no hospital).
– Você tá bem? – Chase demonstrava preocupação.
– Não. – Hooper desmaiou nos braços do australiano.
– Foreman! – Ele pedia ajuda, e Foreman correu para ajudar a carregar a loira e a leva-la para o Pronto Socorro.
– Me solta, eu vou socar a cara daquela vadia! – Drew gritava, mas Wilson conseguia ser mais forte a tempo para segura-lo.
– House faça alguma coisa! – Wilson clamava por socorro.
– Certo. – House juntou todas as forças que tinha, pegou sua bengala e socou com força nos órgãos genitais do homem. – Que fique claro pra que quem é mais estúpido que um primata é você, Brooksei-lá-o-quê, e você nunca mais mexa com ninguém da minha equipe. Principalmente aquela loirinha, ela tem uma bunda incrível...
Pronto Socorro
– Preciso de todas as informações dela, tudo o que você souber. – Cameron dizia para LaBianca, que estava apavorado. – Por favor, depois você pode ir lá ver sua amiga.
Ele via Hooper de longe, na maca, sendo sedada por Chase enquanto Foreman ia buscar alguns medicamentos. Ele podia jurar que via um pingo de afeto em Chase. E se perguntou se ela sentia alguma coisa; era impossível ver algum sentimento em Angelina, ela parecia tão... sem vida, diferente daquela Angelina que ele costumava ver.
– Tate? – Cameron o fez acordar de seu pequeno desvaneio.
– Certo, certo. – Ele tentava se lembrar de tudo que sabia da moça. – Angelina Hooper, 23 anos, bem... Ela não tem alergia alguma a qualquer remédio. – Cameron foi lhe dando as costas quando ele segurou o braço da médica. – Por favor, não se vá, fique aqui comigo.
Cameron pensou em qualquer desculpa que poderia dar, mas naquele momento olhando aqueles olhos brilhantes e cheio de medo, tinha certeza que o melhor que poderia fazer era ficar com o seu colega.
– Certo, eu fico com você. – Ela franziu os lábios.
– Cameron! – Chase gritou. – Alguma alergia?
– Não, nenhuma! – Ela gritou de volta. – Eu vou ficar aqui com você, calma.
House apareceu no PS com Wilson gritando atrás dele, ele foi direto na moça.
– House, quantas vezes eu tenho que te falar que você não pode, N-Ã-O P-O-D-E, fazer isso com ninguém, ainda mais com um ex-namorado de uma médica. Tá bom que ele merecia... Mas.. – Wilson parou de falar quando viu que House não estava lhe dando ouvidos. – OK House, faça o que você quiser! Desisto!
– Como ela está? – House perguntou enquanto pegava um bisturi.
– Não está reagindo a nada. – Chase viu que House estava prestes a fazer e gritou. – Você está louco, House? Não pode corta-la como se ela não fosse um pedaço de carne que você compra num açougue e prepara para seu almoço de domingo.
– Me desculpe incomoda-lo, mas esse é seu pedaço de carne. – House levantou o bisturi. – Sua bela adormecida já vai acordar pra você dar um beijo lambuzento nela, OK boneco Ken?
– O que você pensa que está fazendo House? Você vai matar a garota! – Wilson o alertava.
House cortou o braço da moça, e olhou em seu relógio e depois a encarou.
– Quatro, três, dois, um... – Hooper soltou um grito agonizante de dor. – Pronto. Eu disse que ela não tinha nada demais.
Hooper o encarava com ingenuidade, e se negava a acreditar que ele teria feito com isso mesmo... Mas afinal o que ela estava pensando? Ele era Gregory House, e para ele, o impossível não existia. Na terra de House, ele poderia fazer qualquer coisa com quem bem entendesse; ele era uma espécie de Deus. Chase foi correndo fazer um curativo e a encarou com os belíssimos olhos azuis e a expressão de cachorrinho abandonado.
– Como você está? – Ele perguntava enquanto enfaixava seu braço com todo o cuidado possível.
– Bem. – Hooper observava House desaparecer nos corredores do hospital. – Já volto, ta?
Chase a encarava visivelmente preocupado.
– Mas aonde você pensa que vai? Mal comecei os curativos! – Seu cabelo loiro escorria em seus olhos, dando um certo charme ao doutor.
– Depois você termina, tenho que resolver um assuntos agora. – Hooper sorriu e se levantou rapidamente. – Volto o mais rápido que puder.
A doutora correu entre aqueles corredores na velocidade máxima que seu corpo permitia, deixando Chase sentado sem saber o que fazer, sem saber o que dizer para seu chefe.
– Chase? – Cameron o chamava. – Onde está a Angelina?
– Ela correu.
– Como assim correu? Tate está louco para vê-la.
– Ela apenas correu e me disse que ia resolver “uns assuntos” – Ele fez aspas com os dedos. – Acha que eu devo ir atrás dela?
– Faça o que você achar certo. Mas vê se não me decepciona, OK? – Cameron deu um beijo em seu rosto e foi conversar com LaBianca.
Departamento de Diagnósticos – House, M.D.
House encarava seu computador e começou a digitar o mais rápido possível para que ninguém o visse fazendo tal ação, primeiro ele digitou “DRA HOOPER” e clicou em pesquisar. Bastaram alguns segundos para que a máquina processasse a informação e desse os mais de cinquenta resultados. Ele bufou, frustrado. Depois de inúmeras tentativas, digitou “HOOPER, ANGELINA, LA” e clicou novamente em pesquisar, mas desta vez o computador foi mais rápido e logo apareceu com as informações de que House precisava. Um dia é do caçador, o outro é da caça, baby.
Hooper chegou em seu escritório com o braço ainda sangrando e sua respiração estava ofegante, ela não esperou uma ordem do velho e sentou rapidamente na cadeira e encarou o doutor.
– Como sabia que eu não desmaiei? – Ela o fuzilava com os olhos.
– Você não apresentou os sinais clássicos, mas como o doutor do cabelo bonito está caidinho demais por você pra perceber isso, acabei fazendo-lhe um favor. – House a encarou com um sorriso vitorioso no rosto. – Mas me diga, querida, qual é o seu nome verdadeiro?
– Angelina Hooper. Como se já não soubesse disso! Pfffff! – Ela arqueou uma sobrancelha pra House. – Afinal, por que está perguntando isso?
– A verdadeira Angelina Hooper está há mais tempo morta do que você tem em vida, e honestamente, não faço ideia de quem seja essa senhora e qual o valor sentimental de que ela tenha pra você, mas se não me falar quem você é, vou chamar a polícia imediatamente. – House pegou o telefone. – Não me faça ser o cara mau. Não gosto de ser o cara mau com meninas bonitinhas.
– Isso, chame a polícia. Assim poderei contar a eles sobre Emma e Mary Kate. – Ela esbanjou o mesmo sorriso vitorioso que ele tinha feito segundos antes e se levantou. – Eu tenho um segredo, e você também. Ninguém conta nada a ninguém e estamos quites, me ouviu bem doutor House? Se você me ferrar, saiba que eu não pouparei forças para te ferrar junto.
– Como você sabe disso?
– Não é só você que sabe pesquisar as coisas na internet, não? – Ela o deixou naquela sala sozinho apenas o enchendo de perguntas sem respostas.
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