A Estranha Conhecida
3 Santo Vicodin!

House ficara a noite inteira pensando em Hooper, LaBianca e em seu segredo. Até mesmo um grande homem como doutor Gregory House tinha seus segredos, e junto a eles, seus demônios. Ele não sabia que horas tinha pegado no sono e finalmente dormido, mas agradecia por isso. Ele tinha que parar de pensar um pouco naquilo... Mas seus demônios o seguiram até seu sonho. Apenas uma frase ecoava em sua cabeça:
"Você não pode fugir do seu passado. Cedo ou tarde vamos nos encontrar, doutor."
Claro que posso, pensou ele amargamente enquanto pegava seu Vicodin e enfiava tudo em sua boca sem pensar nas consequências, a última coisa que queria era Cuddy enchendo-lhe os ouvidos por trabalhar drogado, mas tudo que o ajudava a aliviar tanto a dor física quanto a emocional, era bem-vinda.
Ele se levantou de sua cadeira e dormiu no sofá de seu escritório, desta vez, não teve nenhum sonho. De repente, ele percebeu que alguém estava dando-lhe tapas impacientemente, pedindo pra que ele acordasse. Foi só depois de cinco minutos acordado que pôde associar a voz irritante á doutora irritante.
– House! House! Acorda! — Cuddy estava irritada e House não se mexia, se não acordasse, Cuddy diria que ele teve uma overdose. — House! Vamos lá!
Ele abriu os olhos calmamente, e ela soltou um "uuuuuuufa!", depois se levantou e colocou as mãos na cintura e começou a encarar House. Ele estava parecendo um drogado, provavelmente o caso teria o deixado cansado o bastante para dormir no trabalho. Se tinha alguma coisa que House odiava mais que a própria doutora, era o trabalho, e ela sabia muito bem disso.
– O que é, mamãe? — Ele esfregou os olhos. — Pelo amor de Deus, é madrugada ainda, você quer me deixar dormir só por mais cinco minutos?
– Madrugada? House você tem uma aula pra dar agora, os estudantes da Johns Hopkins University School of Medicine já estão lhe esperando na sala. — House sorriu quando se lembrou dos tempos da universidade. Sempre arrogante e inteligente, House não era o tipo de homem que as louras oxigenadas queriam, ele era mais o tipo Allison Cameron. Ah se ela fosse uns 20 anos mais velha!– Vai House, não vou te esperar o dia todo!
– Tá bom mãe, tá bom. — Ela abriu as cortinas, cegando-o temporariamente. Ele se levantou e começou a se arrastar em direção a cafeteira. — Não precisava fazer isso! Avise os pirralhos que estarei lá assim que terminar de tomar meu café.
– Não sei por que eu ainda te dou tantas chances, você acaba fazendo a mesma coisa no final. — Cuddy mordeu seu lábio inferior. — OK, se em 10 minutos você não tiver lá, você está demitido.
– Você me dá tantas chances assim por que no fundo sabemos que quem salva mais vidas aqui nesse hospital sou eu. Sou um tipo de Deus por aqui, e as pessoas gostam disso, mesmo que não admitam. Agora vá, vou terminar meu café. — Ele estava falando sério.
Sala de Apresentações – Princeton-Plainsboro Teaching Hospital
House entrou na sala com um ar de arrogância, ainda estava meio zonzo pela falta de sono, e uma parte de seu cérebro mandava para que ele ficasse em casa e tirasse o dia de folga, e que como sempre, Cuddy o desculparia, no final tudo ficaria bem, mas a outra parte dizia para fazer o que era certo, para que erros como o de seu passado jamais ocorram novamente.
Ele virou Vicodin e fez com que as pílulas descessem como água para seu estômago, aquele seria seu café da manhã.
– Você está tomando drogas enquanto trabalha? Isso não é ilegal? — Uma aluna com idade o suficiente para ser sua filha perguntou. Ela tinha o cabelo preso num coque alto e um decote aberto demais para quem "está lá apenas para assistir uma aula", House imediatamente focou sua atenção nela, fazendo com que ela ficasse corada.
– E você está com um decote grande o suficiente para a classificar como prostituta. — Ela olhou pra ele, incrédula. House sorriu. — Desculpe, achei que estávamos brincando de quem era mais irritante.
House olhou para o resto dos alunos e percebeu que Hooper e LaBianca estavam sentados nas primeiras carteiras, prestando atenção a cada movimento do doutor. Cameron, Chase e Foreman estavam sentados no fundo, indiferentes na multidão, os três estavam acostumados com as ofensas de House, nada mais os surpreendia.
O doutor escreveu "G R E G O R Y H O U S E" na lousa e grifou, ele se virou e fitou os alunos, que estavam curiosos a respeito disso. Ele pegou sua bengala e apontou para um jovem que estava sentado atrás de Hooper.
– Você! — House disse.
– Eu? — Ele disse, surpreso. — O que você quer de mim?
– Me pergunte qualquer coisa. Essa aula vai ser pra vocês me conhecerem melhor, se no futuro precisarem de emprego, e se por um acaso eu os contratar, quero que saibam com quem estão lidando. — Ele arregalou os olhos. — Vamos rapaz, me pergunte algo, não tenho a manhã inteira.
– Na verdade você tem. — Corrigiu uma moça de óculos. — Nossas aulas vão das sete até o meio-dia.
– Me pergunte qualquer coisa. — House ignorou os comentários da aluna.
– Hmmmmm.... — Pensava o jovem japonês, o que eu gostaria de saber sobre Gregory House?– Você pegaria a doutora Cameron?
Todos olhares foram em direção a doutora, que nem sequer corou, apenas ficou olhando fixamente para House. A sala estava em total silêncio, até que Cameron levantou e gritou:
– Responda a pergunta. — Vários "Ohhhhhhhh" e várias risadas foram ouvidas.
– Não é da sua conta. — Ele respondeu bruscamente.
Cuddy entrou na sala batendo os pés nervosamente enquanto andava. Ela estava furiosa, tinha confiado mais uma vez em House e mais uma vez, ele falhara, testara seu limite.
– Como está a aula, House? — Cuddy jogou seu cabelo. Ela apontou para as câmeras de segurança e House esquecera totalmente que além de imagem elas tinham áudio. Merda!– Andam fazendo muitas perguntas sobre quem você pega ou deixa de pegar?
– Por favor! São só crianças interessadas no futuro chefe. Olhem pra eles, estão tão quietos, tão curiosos a respeito disso, a respeito de mim. Por que não deixa que eu continue?
– Olha, House voc — Num gesto que deixou todos surpresos, Hooper se levantou e levantou a voz contra a imponente doutora Lisa.
– Por que não deixa que ele continue? Pelo menos não está por aí se drogando, e falando a verdade, as aulas são tão chatas que merecemos, no mínimo, seis meses de férias. — Hooper abaixou a cabeça. — Sempre foi meu sonho conhecer o majestoso Gregory House. Eu estou vivendo meu sonho, e estou pedindo para que, por favor, não o estrague tão depressa. — Com essas palavras, Angelina Hooper subiu os degraus rapidamente e saiu da sala. Sem dar explicações, sem dar motivos, sem dar respostas.
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