A Estranha Conhecida
1 Não é lúpus

House encarava o quadro branco cheio de anotações como se fosse a última coisa que veria na vida, estava pronto pra resolver aquele enigma, e aquele em especial, o deixava mais curioso a cada segundo que se passava. Tic toc. O tempo se passava cada vez mais depressa e House ficava cada vez mais apreensivo por não conseguir – ainda – encaixar as peças em seu quebra cabeça.
Afinal, o que estava faltando? Ele não sabia a resposta, e se a paciente não entrasse logo pra fila de transplantes, ela iria morrer em menos de vinte e quatro horas. Ele pegou sua bengala e foi marchando em direção ao escritório de seu fiel companheiro, Wilson. Abriu a porta com um baque e viu que Wilson estava com uma paciente que agora caía nos braços do oncologista, ela provavelmente recebeu a trágica notícia que estava com câncer.
– Adultério no trabalho de novo, Wilson? – House praticamente gritou, o que fez com que a moça virasse em sua direção e lançasse um olhar perturbador, e Wilson de repreensão.
– Com licença, senhora Hotccher, alguns médicos não sabem respeitar as regras do hospital. – Wilson caminhou rapidamente até House. – Já volto, fique a vontade.
Wilson bateu a porta e metralhou House com o olhar; ele sabia que não podia fazer isso no hospital, mas fazia para chamar a atenção de Cuddy, e sempre dava certo. House sempre conseguia o que queria, sendo de uma forma ou de outra. Ele era um sacana.
– House... – Wilson olhou para os lados. – Você não pode falar aquilo para os meus pacientes, o que eles vão pensar de mim? Aqui é meu trabalho. Eu amo minha mulher, e você sabe disso.
– E eu sei que você ama falar isso. – House apertou sua bengala até seus dedos ficarem brancos. – Eu odeio falar isso, mas eu preciso da sua ajuda.
Wilson riu.
– Olha só, o grande Gregory House pedindo minha ajuda! Que grande honra, meu senhor. – Wilson fez referência de rei para seu amigo.
– Sabia que você não iria me ajudar. – House virou as costas para a direção oposta quando ouviu Wilson gritar.
– House! Não, espere! Eu vou te ajudar, mas por favor, que seja rápido, não quero que a senhora Hotccher fique se lamentando sozinha. – House sorriu. Bingo!
– Minha paciente tem 24 anos e tinha cirrose quando mais nova, e se eu não descobrir o que ela tem, ela morre hoje e eu ganho minha aposta que fiz com a Cameron. – Wilson ficou de boca aberta, como assim ele fez uma aposta com a vida da paciente? – Ela já está aqui faz duas semanas, e até agora nada.
– Pode ser câncer. – Wilson disse enquanto pensava. – Hepatocarcinoma.
– Se for câncer ela morre hoje. – Seus olhos azuis estavam frios como a neve.
House foi andando meio atordoado com a notícia que tinha acabado de receber, e quando olhou para sua frente, viu que Cameron vinha alarmada em sua direção.
– Por onde estava? – Cameron o acompanhava na caminhada.
– Eu estava com minhas prostitutas particulares no sexto andar, mas não conta nada pra Cuddy... Ela pode ficar com ciúmes! – House continuava a olhar pra frente, sem encarar os olhos verdes de sua subordinada. – Falando nisso, como anda sua paixão por mim? Ainda tem meus pôsters na parede?
Cameron permaneceu imóvel na frente dele; seus cabelos castanhos estavam bagunçados, e seus olhos estavam inchados de tanto chorar, ela mordia seu lábio inferior e pela primeira vez, House sentiu pena dela, mas esse sentimento logo desapareceu quando viu Foreman atrás da doutora.
– Por onde você andou? – Ele perguntou.
– Cameron! Eu disse pra você não espalhar que estávamos transando no quartinho dos fundos. – House deixou a doutora de lado e continuou a andar.
– Você não pode fazer isso com nossa paciente! – Cameron gritou com a voz trêmula.
– Na verdade eu posso, meu amor. – House disse sem olhar pra trás.
– Que belo médico você é! – Ela soltou uma risada irônica. – Deixa seus pacientes a beira da morte para sentirem o que você sentiu? Para passarem o que você passou? – Cameron o desafiava, e House virou para encará-la. – Você queria que tivessem te matado no momento em que chegou no hospital, não é? Mas não pense que só por que você pensava assim, outras pessoas também vão pensar. Elas são felizes, House. Coisa que você nunca chegou a perto de ser. – E deu as costas para seu chefe.
Foreman arregalou os olhos e em seguida olhou para House, que estava com os olhos vidrados no chão. Jamais pensaria que Cameron, a menininha, agiria de tal forma.
– E a paciente? – Foreman arriscou perguntar.
– Façam ultrassom e uma tomografia pra confirmar o câncer, se for, mande Chase realizar a cirurgia. – House foi mancando até o elevador e apertou o botão.
Ele olhou a sua volta, todos pareciam felizes, alegres, coisa que ele nunca chegou a ser. Cameron estava certa, a partir daquele momento em diante ele tentaria ser uma pessoa melhor, alguém mais humano. House entrou para o elevador sem olhar para nenhum dos médicos e enfermeiros lá dentro, ele foi até o Pronto Socorro e pegou a primeira ficha na porta.
Deu uma folheada naquela ficha e não achou nada que lhe chamasse atenção, até que ele sentiu alguém cutucar suas costas e quando virou deu de cara com o dono do cabelo mais bonito do mundo, Chase.
– Foreman está pegando os resultados do ultrassom e Cameron está fazendo a tomografia, vim aqui pra ver como você está.
– Estou muito bem, obrigado. – Ele olhou para cima do ombro de Chase, e o que viu não era uma visão muito agradável. – Merda.
Lisa Cuddy parou em frente aos doutores e dispensou Chase, ficando somente ela e House no Pronto Socorro.
– Vá para minha sala imediatamente. – Ela ordenou.
– O que eu fiz agora, mamãe?
– House, vá. – Ele a seguiu. – É um assunto que lhe interessa muito.
– Por acaso vou ganhar uma TV só minha?
Chegando na sala da diretora, havia dois jovens sentados no sofá; A moça deveria ter seus vinte e poucos anos, e o rapaz não ficava atrás. Ela se levantou e encarou House com seus congelantes olhos azuis. O rapaz ficou sentado e seus olhos castanhos cintilavam, enquanto ele abria um largo sorriso.
– Olá, doutor House.
– Isso aqui virou uma creche, Cuddy? – Cuddy o beliscou.
– Não, House. Eles são estudantes de medicina, senhorita Angelina Hooper e Tate LaBianca, e estão aqui por sua causa, vieram de longe só pra conhecer o grande doutor House, e nosso hospital, claro. Eles vieram de – Cuddy tentava lembrar.
– Do Texas. – Tate a lembrou.
– Sim, do Texas! – Cuddy estava entusiasmada. – Por favor House, seja educado pelo menos uma vez na vida e os comprimente.
Ele assentiu com a cabeça e Angelina o abraçou primeiro, ela tinha um cheiro conhecido, quase como que... familiar. Ele continuou imóvel até ouvir as palavras brotando da boca da jovem.
– Nós sabemos sobre Emma e Mary Kate. – Ela disse tão baixo que ele teve que se esforçar para ouvir, aqueles nomes o fizeram sentir arrepios quase que instantaneamente. Apenas uma frase ficou em sua cabeça: Eles sabem.
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