Pyrrha está de frente para Johannes, os dois esperando Maria chegar. A caçadora está conversando com Victoria. Elas conversam algo que Pyrrha não consegue escutar e tenta se esticar na direção delas para conseguir. Johannes está estático, de pé, olhando para Maria. Ele consegue ouvir o que elas estão falando. Ela está dizendo o que ela quer: uma cura para seu irmão. Sente vergonha de conseguir ouvir, se sente invadindo o espaço de Maria. Ele passa a mão pela orelha, tentando se focar em outra coisa.

— O que acha que os dois estão conversando? — a garota resmunga, baixinho, para o caçador.

Sua cabeça se move, para “olhar” para Pyrrha, que agora traja um manto encapuzado vermelho ao redor de si.

Antes de sair, sua mãe apareceu, apressado e implorou para que ela usasse-o. Mesmo tossindo e fraca, a mulher implorou para que Pyrrha levasse consigo o capuz vermelho, dizendo que iria proteger ela. Pyrrha não conseguia negar um pedido de sua mãe, e no fim até combinou com o branco da camisa e os tons de marrom do resto da roupa.

Johannes estava presente nessa hora. Tradições. Se pergunta quem é essa família Perrault e do que fazem parte, só que perguntar isso do nada pode ser terrivelmente rude com a garota.

— Não sei — ele responde, engolindo em seco. — Se sente pronta para a viagem?

Pyrrha acena positivamente com a cabeça, exageradamente.

— Estou muito ansiosa por ela, na verdade. — Ela começa a se mover para frente e para trás, com braços atrás do torso, na ponta dos pés.

Johannes fica um momento em silêncio, pensando em como perguntar algumas coisas. Sua curiosidade borbulha dentro dele.

— Então, é, por que sua família está te mandando para Vila Edda em uma época como essa? — o Executor indaga, a voz saindo cheia de receios.

Pyrrha morde o lábio, pensando um pouco.

— Eles querem que eu vá ver minha vó, mas isso você já sabe — ela fala, sua voz perdendo um pouco da empolgação de antes. — Dizem eles que é porque agora eu sou uma moça feita de verdade, e por isso preciso ver minha vó.

— A sabedoria da mulher velha — Johannes comenta, distraído.

— Como assim? — Pyrrha, confusa, pergunta.

Johannes ri, constrangido.

— Perdão, eu pensei alto. Só é algo que me veio à mente. A imagem da mulher idosa, que sabe de tudo. — Ele mexe as mãos conforme fala, por causa do nervosismo.

— Bom, não lembro muito da minha avó — Pyrrha comenta. — Acho que eu era muito pequena, talvez, mas sinto que ela é esse tipo de velhinha. Sábia.

Johannes pensa que gostaria de poder passar em alguma biblioteca ou até no Sonho do Caçador para procurar algo sobre a Vila Edda.

— E você é filha única? — ele pergunta.

A garota nega.

— Tenho sete irmãos — responde. — Todos mais velhos.

— Eles também tiveram que ir para a Vila Edda?

Pyrrha nega.

— Eles nunca fizeram isso, acho, mas eles agora moram fora, cada um com sua família — ela explica. — Mas, tipo, tem outras famílias que sei que vieram da Vila Edda.

As sobrancelhas do caçador, por baixo das vendas, se arqueiam, como se um prato quente de comida fosse deixado na frente dele.

— Verdade? Fale-me mais sobre — ele pergunta, tentando ocultar suas intenções.

Pyrrha coloca novamente a mão no queixo, pensativa.

— Não são muitas famílias, mas que nem a minha, muitos filhos e filhas mais velhos constituíram suas próprias famílias — ela conta e depois olha para o caçador, curiosa. — Você tem irmãos?

Johannes nega com a cabeça.

— E você tem, tipo… — Pyrrha fica pensativa, elaborando como iria fazer a pergunta, juntando as mãos e as apontando para o caçador. — Você constituiu família?

Ela solta um pequeno riso pelo jeito como disse isso.

— Eu nunca tive talvez tempo, talvez carisma para ter isso — ele explica, um pouco tímido.
Pyrrha nota que Johannes ficou constrangido e seu rosto se torna vermelho, igualmente envergonhada. Ela se vira para o caçador.

— Eu não quis dizer isso! Digo, eu só fiquei curiosa para saber mais sobre você e o assunto me deixou curiosa! Perdão, eu não quis te constranger! — ela diz isso bastante nervosa, gesticulando nervosamente os braços.

Johannes, que no fundo acha que mereceu a pergunta, visto que foi ele tentando cavar por respostas, solta um riso sincero. Ele coloca a mão sobre a cabeça da protegida.

— Não tem porque se agitar tanto, não foi nada. De mais a mais, você não fez nada de errado — ele fala. — Apenas uma pergunta. Está tudo bem, senhorita Perrault.

— Pode me chamar por Pyrrha, se preferir — ela fala. — Não acho que precise de tanta formalidade. Eu realmente espero que possamos nos dar bem e que eu consiga reunir várias histórias durante essa ida.

— Já tinha feito outra viagem assim? — Os ombros dele tentam relaxar um pouco, sem perder a postura.

Pyrrha leva um dedo até seu queixo, pensativa.

— Eu sinto que sim, mas agora não consigo dizer quando — ela conta. — Talvez eu fosse pequena demais. E você? Já tinha ido para a Floresta Proibida?

Johannes nega com a cabeça.

— Ela está fechada já faz um bom tempo — ele explica. — Para entrar, somente tendo a senha que a Igreja estabeleceu.

Pyrrha assente com a cabeça.

— Mas agora temos a senha — ela pontua, olhando para as construções de Yharnam.

Johannes assente com a cabeça.

— Você… Tá empolgado com isso? — Pyrrha pergunta, com seu tom de voz baixando um pouco, olhando para o caçador com o canto do olho.

Johannes tenta segurar um sorriso, tendo em seguida que disfarçar suas bochechas corando, olhando para outra direção. Pyrrha sorri, ternamente, ao ver o caçador assim.

— Digo, lógico que estou, de fato, entusiasmado de ter a chance de explorar a Floresta Proibida. Além disso, ser atribuído com a senha também é uma grande honra — ele conta, tentando suprimir toda sua empolgação, permanecendo sério.

Ele olha para ela, com o sorriso tomando sua expressão.

— Já ouviu as histórias sobre lá?

Pyrrha nega, exageradamente, com a cabeça.

— Dizem que lá é o caminho que leva de Yharnam para a antiga universidade de Byrgenwerth — ele começa a falar, empolgado. — E também para a Vila de Edda, para onde estamos indo.

— E o que tem nessa Byrgenwerth? — ela indaga, curiosa, mas também gostando de ver a empolgação tomar conta dele.

— Bem, dizem que as raízes de toda nossa cidade, da Igreja da Cura e a cultura medicinal de ministração de sangue, pode ser traçada daqui até Byrgenwerth. Foi lá onde tudo começou, um lugar destinado ao estudo profundo de…

Antes que pudesse continuar a falar, um calhau, uma pequena pedra circular, atinge a testa de Johannes.

— Para de torturar a coitada vomitando o que tu aprendeu em livros — Maria braveja, com riso na voz. — Dê bola para ele não, Pyrrha.

Johannes bufa e Victoria se aproxima, junto de Maria, e puxa o Executor pelo pulso.

— Venha, preciso te passar a senha para a passagem — ela explica, andando dez passos para longe de Maria e Pyrrha.

As duas olham os dois, curiosas.

— Queria saber a senha — Pyrrha resmunga, inflando as bochechas.

Maria cruza os braços, enchendo as bochechas de ar..

— É, eu também.

Johannes é puxado para baixo, para que a boca de Victoria fique em sua orelha.

— Agora ouça bem, a senha é: “Tema o sangue antigo” — ela sussurra. — E se serve de aviso ao senhor, bom Executor, tema-o. Tema o sangue. E só não digo para temer sua curiosidade pois ela me é útil no momento.

Johannes engole em seco. Victoria solta um pequeno riso, que arrepia todo o corpo do Executor, dando dois tapinhas no ombro dele.

— Bem, podem ir agora — Victoria diz, em alto e bom tom, colocando um braço atrás de sua cintura e batendo com seu cano duas vezes no chão.

Maria suspira e começa a andar, com Johannes seguindo a colega. Pyrrha fica entre os dois, em passos que começam receosos mas que logo ganham mais convicção, a cada vez que atingem o chão.

O trio cruza as ruas, dois caçadores e Pyrrha, a protegida deles. As ruas de Yharnam, no Distrito da Catedral, agora estão calmas, e eles podem trafegar por elas sem problemas. Algumas luzes dentro das casas já estão acesas, mas ninguém está ousando sair ainda. Não é difícil encontrar poças de sangue pelo caminho, derivados da caçada. As ruas estão calmas e sem feras, mas a tensão a cada passo é pura. Os passos de Johannes são pesados e seu corpo todo está tenso, com ele constantemente girando a cabeça para escutar ou cheirar algo que Pyrrha sequer consegue ver, mas tenta encontrar o que chama a atenção dele.

— Ei Maria — a garota sussurra, perto da caçadora. — Por que o senhor Johannes cobre os olhos? E ele tá vendo algo?

A caçadora, que também está bastante atenta com os arredores, olha para a protegida.

— Digamos que ele escuta e sente coisas bem melhores que a gente — ela explica.

Pyrrha faz um barulho de surpresa e se aproxima ainda mais de Maria.

— Acha que ele me ouviu? — ela sussurra ainda mais baixo.

— Sim — Johannes responde.

Pyrrha congela, arregalando os olhos e mordendo o lábio, com medo dele estar ofendido.

— Eu não estou ofendido — ele fala, sentindo que a garota deveria estar receosa com isso. — Sua dúvida é muito natural, na verdade.

Pyrrha sente seu rosto, branco, se avermelhar e ela puxa o capuz de um poncho vermelho que sua mãe lhe deu.

— Já haviam visto a porta que guarda a entrada para a Floresta? — Johannes pergunta, animado.

— Na verdade, não — Maria responde, olhando em volta, se perguntando se está próxima. — Estamos perto?

— Quase — ele responde, com um sorriso no rosto.

Maria solta um resmungo de cansaço e Pyrrha para pra pensar se já havia visto, e uma parte sua diz que já, apesar de não ter memórias disso. Sabe que já foi ver sua vó, mas não consegue se recordar quando. Ela era tão pequena assim?

Ela vê algumas manchas de sangue no chão, evitando pisar nelas, e vê rostos nas janelas, se escondendo atrás de cortinas. Toda casa de Yharnam é alta, toda construção tem, geralmente, mais de um andar. Yharnam é assustadoramente alta, o modo como a cidade parece que te olha de cima o tempo todo, como mais escadas existem, mais espaços acima para se ver. Mais prédios, mais “níveis” de cidade, distritos e zonas inteiras. O Distrito da Catedral em tese é o último nível da cidade, levando a Grande Catedral, mas ainda assim, toda vez que Pyrrha ergue o olhar, se sente tão pequena. Como se aquela cidade cinza quisesse engoli-la.

— Ei, Johannes, só por curiosidade, você pode dizer a senha para a gente? — ela indaga, querendo puxar conversa.

— A senha? — ele indaga. — Ah! Entendi. Bem, eu presumo que seria errado eu ceder a senha assim.

Maria revira os olhos.

— Vamos, Johannes, e se você morder a língua até lá e não puder falar? — a caçadora argumenta. — Diz pra gente, vai.

Johannes bufa, incomodado com Maria rindo e cutucando seu braço, para irritá-lo mais. Pyrrha, vendo isso, tenta conter um riso, que chama a atenção dos dois caçadores, que olham para a protegida dos dois. Maria ri e continua a cutucar Johannes com o cotovelo, para provocá-lo.

— Eu não vou contar a senha. As duas, ou melhor, Maria, se comporte. — Ele bufa, acelerando o passo. — Estamos quase chegando.

Pyrrha sorri com os dois, ver eles é agradável. Eles claramente são bons amigos e são boas pessoas, que ela está gostando de poder passar o tempo. Boa parte de seu tempo era gasto com sua família, mal podendo sair de casa por causa das feras. Ver alguém como Maria, principalmente, causa um certo alívio no coração de Pyrrha. Sempre teve medo que, assim que fizesse dezoito anos iria só… Mudar. Igual outras garotas amigas da família, também com origens na Vila Edda. Medo de subitamente mudar e não conseguir mais se reconhecer. Maria também é uma caçadora, alguém que luta. Ela também não precisa usar vestidos, saias, cabelo longo ou qualquer coisa do tipo. Para a jovem Pyrrha, isso é algo que aquece seu coração. Que ela pode ser ela mesma.

Eles atravessam alguns portais de pedra e logo se deparam no que parece ser um lugar sem saída. Um espaço aberto, quase que um pátio de pedra. Maria bufa vendo aquilo, olhando em volta um pouco incomodada, começando a bater o pé contra o chão.

— Não tem nada aqui. — Ela bufa. — Nos trouxe ao lugar errado, Jojo.

Johannes dá mais alguns passos à frente, calmamente. Pyrrha, atrás de Maria, olha em volta. Realmente não parece ter nada ali. Ela sai de trás da caçadora e anda pelo pátio. É difícil de perceber como, mesmo ali, estão em lugar elevado. Yharnam é quase que uma montanha, se erguendo do chão. Andando mais um pouco no pátio, ela vê que existe uma saída para uma escadaria. Ela se vira para Maria e gestua para que ela venha até ali, com Johannes encostado numa parede, rindo baixinho.

— Vai se ferrar — ela rosna para Johannes, tentando conter um riso.

Pyrrha está olhando pequenas estátuas sob a grade do pátio, que impedem que alguém caia. Parecem dois cachorros, um do lado do outro.

— Vamos, Pyrrha — Maria chama, no começo da escada, com Johannes já descendo à frente, estendendo a mão para a garota.

Ela apressa o passo, para chegar até ali e os três começam a descer e Pyrrha para, olhando o horizonte dali de cima da cidade de Yharnam. Consegue ver Yharnam Central dali e toda a extensão da cidade descendo, abaixo dali, mas também consegue ver um horizonte que parece árido. Mal consegue ver o que tem além dali, como se tudo fosse encoberto por nuvens ou por uma névoa.

— É estranho, né? — Maria comenta, se apoiando nos corrimões de pedra.

— Hm? — A garota vira o rosto para a caçadora.

Maria sorri e fala:

— Como, visto daqui, não parece ter nada além daqui. Parece que só há Yharnam, quando se vê daqui.

Pyrrha morde o lábio.

— É meio sufocante. Parece horrível lá fora — Pyrrha comenta. — Parece que não existe nada lá fora.

— Te garanto que há. Afinal, eu vim lá de fora — Maria conta, bem humorada. — Existe um mundo lá fora, sabe? Talvez não seja tão grandioso como são as coisas em Yharnam mas… No fundo, se você tiver as pessoas certas ao seu lado, já vale a pena.

Pyrrha olha para a caçadora com olhos que brilham por ouvir aquilo. Maria bagunça os cabelos da garota, continuando a descer a escadaria circular. Johannes as espera ali embaixo, tendo percebido que as duas estavam em uma conversa importante, e ficou com medo de se meter e atrapalhar, as esperando para acessar o outro lance da escada, que segue para a direita. Ele está próximo de uma estátua, algo que inunda as ruas daquele lugar, de toda Yharnam. Diversas estátuas estão jogadas por toda rua, beco e viela da cidade. Apenas mais um signatário da riqueza da cidade. Milhares de estátuas de pessoas implorando e rezando para os céus. Pedindo por libertação.

Maria tem uma certa relação com essas estátuas. Boa parte dos artistas que esculpiram elas vieram de seu lar, Venetie. A cidade flutuante. Lar de vários artistas, de diversas áreas, que encontraram diversos mecenas aqui, em Yharnam. Na opulenta cidade que cresceu exponencialmente graças a sua medicina milagrosa.

O caminho até a pesada porta dupla está repleta de estátuas nos cantos do corredor, algumas com velas sobre suas mãos, erguidas esperando por algo. Johannes se aproxima e se prepara para bater na porta, por quão bobo que fosse, sentia uma tremenda ansiedade de bater na porta que daria para uma área fechada pela própria Igreja. Uma rota que poderia até mesmo levá-lo para Byrgenwerth. Sua mão bate na porta duas vezes, de maneira pesada.

Uma voz vem de trás da porta, tossindo um pouco, fala:

— A senha! — A voz é rouca, e um tanto assustada. Um riso é ouvido. — Oh, perdão. Eu tinha cochilado um pouco. Sabe como são as coisas, não?

Johannes engole em seco, nervoso.

— Ah, é, boa tarde, senhor. Estamos aqui em nome da Igreja da Cura e… — ele começa a falar, bastante nervoso.

— A senha! Para passar por esta porta, para a maldita floresta, precisa da senha! — a voz atrás da porta grita, interrompendo o caçador.

Maria segura uma risada, mas acaba falhando em prendê-la completamente, enquanto Pyrrha segura seu riso, contendo-o.

— Dê a senha, senhor Johannes — ela diz, empolgada e encostando sua cabeça no ombro do caçador.

Johannes suspira e respira fundo.

— “Tema o sangue antigo” — ele profere.

Maria olha para Johannes e depois para Pyrrha incrédula. Aquela era a senha? Que coisa boba para se usar como senha. A voz de trás da porta ri e as duas portas começam a ranger, se abrindo. O cheiro de incenso invade as narinas dos viajantes.

— Pelo cheiro, tu deve ser um caçador, não é? Deve fazer quase uns vinte anos que caçadores não passam por aqui — um velho senhor comenta, rindo. — Ou uns dez anos, quem sabe.

É um senhor sentado em um monte de sacos, com barris e outras coisas ali. Ele tem uma bengala e uma roupa que talvez já tenha sido muito bonita, não tivesse sido o tempo cobrando seu preço.

Johannes acena com a cabeça.

— Viemos a mando da Igreja — ele explica.

— Hm, isso explica um pouco — o senhor comenta.

— Estamos escoltando essa moça para a Vila Edda — Johannes complementa.

O senhorzinho ri, passando a mão pela barba, rala, de seu rosto. Os três viajantes atravessam a porta, adentrando em uma espécie de torre escura. O cheiro de incenso ali, algo que afasta as feras, é forte ali.

— É, isso faz sentido. Explica tudo na verdade — ele comenta. — Nossa, até que fazia tempo que não tinha outra Chapeuzinho Vermelho passando por aqui.

Maria olha para Pyrrha, erguendo a sobrancelha, mas a garota está igualmente confusa.

— Chapeuzinho Vermelho? — Pyrrha pergunta, colocando a mão no tecido vermelho ao redor de seu torso.

O velho faz que sim.

— Tu não és a primeira moça com um capuz vermelho que passa por aqui — ele explica, fazendo uma pausa, mastigando alguma folha. — Indo para a Vila Edda. Certo?

Pyrrha faz que sim, hesitante.

— Desejo boa sorte — ele fala. — Mas, se serve de aviso, isso aqui tem uma porta com uma senha por um motivo. Mas deixe-me dizer esse tanto… Para baixo dessa torre e para baixo desse bosque, não há nada que sua descoberta traga satisfação. Apenas conhecimento sombrio e do pior tipo.

O homem pigarreia.

— Mas eu não posso impedir ninguém com a senha. Vocês foram avisados, mas estão livres para ir. — O senhor arruma sua cartola e olha os três nos olhos. — Mas eu ficaria feliz se vocês retornassem. Nem que seja apenas um de vocês.

A voz do homem é cheia de amargor, mas então se torna um riso. Os três respiram fundo e começam a descer as escadas de madeira para chegar à base da torre e prosseguir com a viagem. Enquanto descem, eles são agraciados com uma música que o velho, lá em cima, começa a cantarolar:

“Eu tenho a letra, e a melodia,

Eu ensaio sob a luar!

Mas não tenho ninguém para me ouvir,

estou cantarolando para mim mesmo!

Eu tenho o lugar, eu tenho o tempo,

Tenho um monte de palavras que rimam,

mas não tenho ninguém para me ouvir,

então estou cantarolando para mim!”

Pyrrha sorri com a cantoria do velho porteiro, achando uma música bonita, tentando assobiar no mesmo ritmo que o homem a canta.