Johannes Hansel está pegando alguns frascos contendo sangue no armazém da oficina. Remédio universal em Yharnam. Ótimo para doenças, excelentes para caçadores. Se vão em uma missão para um lugar como a Floresta Proibida, levar um bom estoque de frasco de sangue é algo essencial.

Maria não está muito distante do Executor, na oficina também, conversando com Gehrman, o anfitrião do Sonho do Caçador, onde estão no momento. O velho caçador. Um homem de idade, velho, em frágeis e humildes roupas que lembram as que caçadores atualmente usam. Um chapéu repousa em sua cabeça, com cabelos brancos, lisos, adornando seu rosto branco e enrugado. Possui uma perna de pau, talvez o resultado de alguma caçada infortuna. Johannes se pergunta se o motivo de sua aposentadoria foi a perda de seu pé. E como ele perdeu aquele pé. E por que ele está sempre ali no Sonho.

— Então ainda não tem nenhuma pista sobre o que procuro? — Maria indaga, com um pingo de esperança que Gehrman tenha encontrado.

Em sua cadeira de rodas, Gehrman faz que não com a cabeça. Maria solta o ar de seu peito, um pouco triste. A caçada continuaria. Ela tira sua boina e sacode seu cabelo, castanho claro. Mantido curto, para não atrapalhar nas lutas.

— Mesmo não tendo achado — Gehrman fala, a voz rouca. — As respostas poderão ser encontradas na caçada. Afinal, é por isso que você está aqui, não? Seja a Igreja, seja a caçada ou…

O olhar do velho homem se torna perdido. Johannes se vira na direção deles, curioso com o motivo, enquanto caminha na direção da mesa para trabalhar sua arma.

— Gehrman? — Maria o chama.

Ele ergue o olhar, piscando várias vezes, perdido.

— Talvez… Talvez encontre o que procura no sangue de alguma fera antiga. Uma fera pura. Sim, creio que encontrará respostas se for atrás disso.

Maria ergue a sobrancelha. O sangue de uma fera?

— De todo modo, eu continuarei a ir atrás de respostas nos livros e diários aqui na oficina. — A voz de Gehrman volta um pouco ao que era antes, como se recuperasse alguma fagulha de vida que havia sumido por um instante. — Johannes, ainda está ajudando-a com isso?

Johannes demora para responder, imerso no que está fazendo. Imbuindo sua Roda de Executor com uma gema de sangue que coletou em outra caçada, canalizando sangue para a gema, para que ela se fundisse com a arma. A gema, sangue cristalizado encontrado comumente em Yharnam, fica em um tom escarlate, rubro, devido aos ecos de sangue que foram canalizados para a mesma.

Com uma pinça, Johannes pega a gema e aproxima da roda, martelando contra a madeira e o metal da arma. O barulho da martelada parece ecoar como uma pedra atingindo um lago, criando ondas e mais ondas. A gema afunda na arma, como se a roda não estivesse totalmente sólida.

Johannes. — A voz de Maria retira o Executor de sua concentração.

Ele vira o rosto para ela, balbuciando um pouco e então limpando a garganta.

— Bem, sim. Leio os diários de caçadores que já passaram por aqui. Ainda na busca de ajudar Maria com a cura que seu irmão precisa — ele diz, ainda mexendo em sua arma.

— Uma causa justa, não? — Gehrman solta um pequeno riso. — É como um antigo e querido amigo meu, seu Mestre Logarius, dizia: “atos de bondade nem sempre são sábios e os atos de maldade nem sempre são tolos, mas independentemente disso, sempre devemos nos esforçarmos para sermos bons".

Johannes meneia a cabeça positivamente. Logarius foi o caçador da Igreja que deu origem aos Executores. Atos de bondade e se focar em ser bom, a filosofia que Johannes tenta seguir no caos da caçada. O motivo dele ter se juntado a Maria, que era hostilizada por ser uma estrangeira. E achou uma grande amiga nela. Além disso, ela luta por algo honroso. Algo que o caçador pode respeitar.

“Caçador?” ele pensa. “Executor.”

— Devemos ir agora, Gehrman. Devemos escoltar uma garota até uma vila, passando pela Floresta Proibida — Johannes conta.

— Floresta Proibida? — Gehrman ergue o olhar para o Executor. — Quer dizer…

— O caminho para Byrgenwerth — Johannes responde, de prontidão.

Um sorriso nostálgico preenche o rosto do velho caçador. Byrgenwerth. Uma antiga instituição de ensino, uma universidade, que deu origem à Igreja da Cura. Que, por subsequência, deu origem a Yharnam como é hoje.

Maria, entretanto, apenas ergue a sobrancelha, um tanto irritada.

— Espera, então “Byrgenweth” tá pra lá?

— Byrgenwerth — Johannes e Gehrman a corrigem.

Maria revira os olhos, suspirando.

— Sim, é de lá que vieram os estudiosos que iriam fundar a instituição que hoje se conhece como Igreja da Cura — Johannes conta, retirando sua arma da mesa de trabalho e colocando a exuberante roda em suas costas novamente. — E a Floresta Proibida está fechada faz um longo tempo. Quem diria que existiam outros caminhos por lá.

Maria olha para o colega com um olhar condescendente. Ele teria sido um ótimo estudante em Byrgenwerth, pelo jeito. Ele é uma traça de livros, sempre decorando eventos e as coisas que tanto lê. Ela sorri, dando dois tapinhas no ombro do colega.

— Bem, vamos nessa então — ela fala, indo em direção à porta. Ela então para e olha por cima do ombro, para Gehrman. — E obrigada, Gehrman.

O velho caçador segura o chapéu e faz um gesto com a cabeça, saudando-a.

— Vá lá e cace algumas feras. — Ele sorri.

Johannes prossegue, indo atrás de Maria, acenando para Gehrman com a cabeça e prendendo seu cabelo, armado e bastante cacheado, em um rabo de cavalo com um pano vermelho. Queria poder permanecer ali. Se dependesse de Johannes, leria todos aqueles livros e diários ali antes de poder voltar à caçada. Só que o Sonho não permite. Ficar aqui por tempo demais é angustiante. Seu ser é compelido a caçar. A inquietude toma conta de um caçador que não caça. Ansiedade começa a escalar o seu corpo, com pernas tremendo, a concentração se tornando escassa. Johannes já tentou fazer isso.

Ele desce as escadas e vê Maria de frente para a Boneca, ajoelhada e segurando a mão da caçadora. Uma energia vermelha pulsa e corre por entre as mãos das duas. Maria está de olhos fechados enquanto a Boneca conduz os ecos de sangue, o sangue de inimigos abatidos, em forma de força para os caçadores no Sonho. Maria deu sorte e conseguiu ganhar os ecos por aquela fera anormal que mataram antes de encontrarem com Victoria.

Sangue. Tudo em Yharnam e na caçada gira ao redor disso. Sangue cura, é o maior remédio que um caçador pode ter, e a maior fonte de comércio de Yharnam. Essa medicina rubra e misteriosa, que a Igreja da Cura mantém para si. E até mesmo aqui, no Sonho do Caçador, sangue dita as coisas. Você se fortalece através do sangue das feras que abateu, fortalecendo a si mesmo e seu equipamento.Seja um caçador, uma fera, um religioso ou um pedinte na rua, todos em Yharnam querem a mesma coisa: sangue.

O brilho escarlate cessa e a Boneca se levanta, conforme Maria abre os olhos, abrindo e fechando suas mãos, olhando para si mesma. Sentindo seu corpo.

— Como se sente, boa caçadora? — A Boneca pergunta, inclinando a cabeça para o lado.

Maria se alonga, soltando um risinho.

— Bem — ela responde. — Vamos ver as mudanças quando retornarmos ao… Mundo real.

— Por que a hesitação? — Johannes indaga, com um riso leve na voz.

— Dizer que “lá” é o mundo real é estranho. Não é como se aqui não fosse real para mim, sabe? — ela explica.

Johannes concorda com a cabeça.

— Gostaria que eu canalize os seus ecos também, bom caçador? — A Boneca pergunta.

Johannes nega. Não tinha o suficiente ainda, tendo usado parte deles em sua roda, para consertá-la e deixá-la mais forte. Sabia sentir isso em si já, a quantidade de ecos que jazem dentro dele. Os dois vão em direção a lápide que os leva de volta a Yharnam. Maria ativa a lápide, começando a brilhar. Johannes vira a cabeça na direção da boneca.

— Estamos de saída, Boneca. Fique bem — ele diz.

Ela expressa um leve sorriso, amistoso, e acena com a cabeça, erguendo a mão em um tímido aceno, vendo os dois caçadores sumindo, puxados para fora do Sonho.

— Ficarei — ela responde e ergue a cabeça para o céu. — Creio que Flora lhes deseja sucesso.

— Flo… — A fala de Johannes é cortada.

Os dois caçadores ressurgem ao redor de uma lanterna, a entrada e saída do Sonho do Caçador. Não existem muitas, mas podem ser encontradas por toda Yharnam, e apenas um caçador ligado ao Sonho pode vê-las. O tempo não se passa no Sonho, é um lugar alheio a esse fator da realidade. Quando eles morrem, são levados para um momento antes da morte. Para a última lanterna que eles visitaram antes da morte. E assim eles se mantêm na caçada. Presos. Aprendendo. Morrendo em agonia e então devolvendo-a para as feras.

Johannes está pensativo, sua mente remoendo o que a Boneca disse: “Flora”. A mente do Executor pensa e pensa em quem ela mencionava com aquilo. Flora. Não acha que conhece esse nome, mas ainda assim faz sua mente “coçar” em angústia.

Maria se espreguiça e olha para Johannes.

— Ei Jojo — ela o chama, ainda sem seu chapéu, olhando para ele com um pouco de preocupação.

Johannes move o rosto na direção dela, saindo de seus pensamentos e trazido, definitivamente, para a realidade.

— Sim?

— Você está confortável em ir nessa missão? — ela indaga.

— Por que pergunta isso? — Ele coloca a mão no cinto onde sua roda fica atada.

Maria respira fundo, fechando os olhos. Solta o ar do peito e olha Johannes “nos olhos”.

— Dá pra notar que você tá meio desconfortável com eles — ela fala. — É por que eles são da Igreja? Você conhece algum deles?

Maria sabe parte da história dele. Que veio da Igreja, se tornando um caçador dela e então um Executor. E sabe de como seu coração possui grilhões pesados na Igreja.

— Eu não conheço Victoria. Nem aqueles caras com ela — ele explica, com a voz carregada de pesar. — Nem conhecia aqueles sujeitos na caçada, os que ela estava atrás.

— Os que morreram?

— Sim — ele responde.

Johannes respira fundo.

— Mas estar diante deles me é estranho. É como se eu fosse, subitamente, posto em uma coleira — ele conta. — Me sinto como uma criança, brincando com os amigos e sendo… Ela mesma, mas então seus pais passam ou chegam e elas mudam de atitude subitamente. Para agir conforme elas agem na frente deles.

As sobrancelhas e lábios de Maria se movem em empatia pelo amigo. Sua mão toca seu ombro.

— Eu tô contigo… Sei que isso é pouco, mas lembre-se disso. Seja esse Johannes incrível que você sempre foi. — Ela acaricia o ombro dele. — Você é… Você. Seja você.

Johannes ri com o conselho. Maria claramente não sabe o que dizer, mas ela tentar já acalenta o coração do Executor. Ele coloca a mão no topo da colega e bagunça de início o cabelo de Maria, que solta guinchos de reclamação, apenas para então fazer cafuné nela.

— Obrigado, Maria — ele fala, com a voz macia. — Eu realmente quero aprender a ser, apenas, esse eu.

Os dois sorriem. Maria começa a andar na direção da casa da família Perrault.

— Então vamos para a casa dos... — Ela faz uma pausa, colocando sua boina. — Qual o nome deles?

— Perrault — Johannes responde, rindo.

Ele quer descobrir como ser... ele. Esse ele. Sem os grilhões na Igreja da Cura ou sem as memórias de colegas antigos reverberando em sua mente. Ele é mais do que eles pensavam que ele jamais seria, e Johannes quer acreditar nisso. Ele não esmagou a borboleta daquele dia intencionalmente.

Os dois batem na porta da casa pequena, porém alta, da família Perrault.

— Somos nós — Maria fala.

O pai de Pyrrha abre a porta, com sua filha sentada no sofá, sua perna esquerda batendo contra o chão, contra sua vontade. Pyrrha está se focando para não fazer isso, sem notar que está fazendo-o. Talvez estivesse um pouco ansiosa.

A mãe da garota não está na sala, mas Victoria se mantém sentada no mesmo lugar. Imóvel. Os caçadores retiram suas armas, deixando-as na porta.

— Sentem-se no sofá, senhores, por favor — o senhor Perrault pede, se sentando também, de frente para Victoria.

Maria retira seu casaco e sua boina para se sentar, com Johannes apenas acatando o que lhe foi pedido.

— Vocês voltaram rápido — Pyrrha comenta, empolgada. — Já se aprontaram?

Maria faz que sim, rindo.

— Tínhamos um lugar aqui perto com suprimentos nossos — ela explica. — E de qualquer modo, a gente não precisa de muita coisa, sabe?

Pyrrha assente com a cabeça. Victoria, em seu assente, limpa a garganta, chamando atenção para si.

— Bem, agora que os três estão aqui, vamos a tratar de pontos importantes: a viagem que os três farão — ela fala, colocando a xícara com o pires na pequena mesa à frente de si.

O barulho de crises de tosse são escutados dali, vindos do andar de cima. O pai de Pyrrha se levanta, caminhando, mancando um pouco, para o andar de cima, se virando para Victoria e dizendo:

— Se me dá sua licença, senhora Shelley, vou ver como minha mulher está. Pode contar a eles sem eu aqui.

Victoria assente com a cabeça, com o homem subindo as escadas.

— Bem, vamos lá. Eu vou deixar um mapa com Johannes (que já foi da Igreja) explicando a rota, mas não tem muito erro. Vocês irão até a entrada para a Floresta Proibida, que está trancada, e vão falar a senha.

Ela faz uma pausa, engolindo saliva.

— Johannes, irei lhe passar a senha também, não se preocupe. Com a senha vocês seguirão um caminho apontado no mapa que irá lhes guiar por um caminho oculto para a Vila Edda — ela explica, juntando as mãos e cruzando a perna.

— Oculto? — Maria interrompe, já incomodada em como está sendo excluída e todo o mérito está sendo passado para Johannes. Se sente sendo tratada como menor.

Victoria olha para Maria, seu sorriso sumindo por um momento. A caçadora se arrepende por um momento de ter interrompido a explicação. Victoria respira fundo e seu sorriso bondoso retorna.

— Sim, oculto. Veja, a Floresta Proibida abriga perigos muito graves e profanos. Perigos que a Igreja justamente quer evitar que adentrem ou entrem em contato com as pessoas de bem de Yharnam — ela conta, gesticulando um pouco, mas suas mãos sempre retornando a estarem juntas. — A Vila Edda também é um lugar de bem, um lugar que não tem porque ser jogado ao esquecimento, e ocultamos a entrada dele para que os perigos da floresta não atinjam a Vila Edda.

Maria acena a cabeça, entendendo. Nunca tinha ouvido falar desse lugar. Ela olha de canto de olho para Johannes. Ele expressa visivelmente quando ouve algo que não conhece, sua curiosidade e sede de saber inundando seu rosto, como está agora.

— De lá, o caminho deve ser simples. Ainda com algumas feras, talvez, mas a estrada se tornará clara. Vão facilmente ver a Vila de Edda e a saída para o mar — Victoria continua a falar. — Irão deixar a senhorita Perrault lá. Se for da vontade de vocês, podem até passar uns dias lá, e então podem retornar.

Maria ia perguntar o que iriam receber como pagamento, mas acaba sendo cortada por Pyrrha.

— E como eu vou voltar? — A voz dela possui pequenos sinais de medos e receios, mas está longe de estar embriagada nesses sentimentos.

— Ora, lá eles têm caçadores. E eles irão daí escoltar você de volta. — Victoria descruza as pernas.

Pyrrha assente e olha para os dois caçadores no sofá, se curvando na direção deles e estendendo a mão.

— É um prazer conhecer vocês, me chamo Pyrrha e espero que possamos nos dar bem — ela se apresenta.

Maria sorri e aperta a mão dela, sacudindo-a.

— Me chamo Maria Hazenflug, caçadora vinda de fora e fico feliz de ter uma moça para conversar. — Ela se curva um pouco para frente. — Meu colega aqui às vezes é meio tapado e é difícil de conversar.

Pyrrha ri baixinho. Johannes bufa e se aproxima.

— Me chamo Johannes Hansel, sou um Executor, e irei defender você custe o que custar — ele diz, sem estender a mão por vergonha.

— Posso tirar uma dúvida? — a garota indaga.

— Claro — o Executor responde.

— Por que você usa essas vendas? E você consegue ver algo? — Pyrrha lentamente passa a mão entre os dois.

Maria precisa prender uma risada. Johannes fica desconcertado, sem saber o que responder. Pyrrha nota a confusão causada e se desespera.

— Ah, era um assunto sensível? Digo, não precisa responder, senhor, tá tudo bem, deixe isso para lá.

Maria continua tendo que prender a risada, seu rosto ficando vermelho por causa disso.

Em seu assento, Victoria Shelley sorri, vendo os três interagindo. Seu sorriso lentamente se abrindo mais, com os olhos expressando algum tipo de júbilo que Johannes não precisou remover suas bandagens para sentir que naquele olhar tinha algo a mais.

A Igreja havia ordenado que a escolta de Pyrrha Perrault fosse atribuída aos dois caçadores da Igreja que foram mortos durante a caçada. E, sinceramente, os dois terem morrido durante ela, é um alívio para Victoria. É menos trabalho para ela fora ter acelerado a transformação de um membro da Igreja em uma fera clerical.

Esses dois são os melhores candidatos para irem nessa missão.

— Será que tem mais um pouco de chá? — a mulher resmunga, olhando na direção da cozinha.

O pai de Pyrrha não havia gostado que uma estrangeira fosse escalada para a escolta de sua filha e Shelley gastou um bom tanto de tempo e paciência convencendo-o.

— Quer mais chá, senhora? Eu posso ir conferir se tem — Pyrrha questiona, já começando a se levantar.

— Ó, não precisa, querida — Victoria responde, com uma mão à frente da boca e abanando a mão.

Pyrrha se levanta, insistente.

— Eu já trago mais chá. — A garota passa por ela e já pega seu pires com a xícara.

Assim que a garota entra na cozinha, o olhar calmo e sorridente de Victoria encaram os dois caçadores com uma seriedade mórbida.

— Sei que já falamos do que vão ganhar — ela diz, a voz baixa parece imobilizar os dois igual uma cobra enroscada em sua presa. — Uma porção boa de dinheiro e muitos louros dentro da caçada, da Igreja.

Maria faz menção de abrir a boca para falar e Victoria ergue a mão, sutilmente.

— Me escute e silêncio, sim? — ela sibila. — Levem a garota em segurança e entendam o que há por trás da Vila Edda. Se conseguirem me dizer algo sobre aquele lugar… Eu posso dar muito mais para vocês do que só recompensas bobas. Louros e moedas brilhantes? Vocês certamente querem mais que isso. Vocês podem merecer mais que isso.Não estão na caçada sem um motivo e eu sei disso.

O som da água fervendo começa a chegar na sala. Victoria ajeita sua postura na cadeira.

— Vocês aceitam? — ela questiona.

— Bom, já íamos escoltar ela de qualquer jeito — Maria resmunga.

Johannes assente com a cabeça, sentindo uma curiosidade doentia crescer em sua mente agora. Victoria Shelley sorri, cruzando sua perna.

— Ah, aceitam? Ótimo. Temos um trato então — a mulher diz, sorrindo alegre. — Protejam a garota, levem-na para a Vila, e descubram o que tem por trás dela. E relatem para mim, em troca, darei a vocês qualquer coisa que pedirem.

Os dois caçadores assentem com a cabeça, tensos. Victória ouve que a garota já deve estar retornando e diz, tomando cuidado com o nível de sua voz:

— Temos um trato então. E para deixar claro: isso fica entre nós. Sigilo total.

Pyrrha retorna com chá para a senhora Shelley e para si mesma, se sentando novamente próxima de Maria.

— Ai, quente! — Victoria exclama assoprando com a língua para fora, tendo se queimado com um gole prematuro do chá recém feito.