A Estrangeira, o Executor e o Capuz Vermelho
23 16 - Epílogo (Despedida)
Assim que retornam a igreja na Vila Edda, Pyrrha e os demais são recebidos de volta por alguém, de pé no meio daquele lugar devastado. Esperando eles, pacientemente.
Pyrrha e Lamia ainda estão zonzas, sem entender exatamente como saíram daquele lugar onde enfrentaram a Grande Fera e vieram para os escombros da igreja onde a luta começou. Por um momento se sentiram invadidas por luz, por uma overdose de estímulos aos seus sentidos, apenas então para se sentir tragada para um breve “nada”. Sem sensações. Sem gravidade. Sem sons, sem ruídos. Apenas sentiu um frio na barriga crescer, até que, sem nem mesmo notar, estava de pé. Na igreja.
Os olhos de Pyrrha vão de encontro para algo que deveria ter dado para sua avó: sua cesta. Agora destruída e em frangalhos. E próximo da cesta está alguém.
— Bom ver vocês de volta — esse alguém os saúda, com um tom alegre. — Estou honestamente surpresa de ver que todos os quatros voltaram. Não esperava por essa.
Victoria Shelley está ali, diante deles. Não demonstra hostilidade, está com uma postura relaxada, ombros caídos e se apoiando em seu cajado. Suas roupas ainda cobertas de sangue, sujas por toda a batalha contra Johannes. Ela sorri, fechando os olhos e inclinando um pouco a cabeça para o lado.
— Olá — ela diz.
Johannes respira fundo e dá um pesado passo a frente. Sua mão encontra a alça de sua roda. Sente que seu corpo ainda está fraco demais para lutar contra ela de volta, mas se precisar, ele irá a luta uma vez mais.
O olhar de Victoria se fixa em Maria, ao invés de Johannes. O rosto da mulher treme, querendo rir mas se mantendo séria.
— Digo, pelo jeito nem todos voltaram inteiros — ela comenta. — Maria! Você está mais magra! Perdeu peso nesse interlúdio, minha querido? Dois, quatro quilos? Não sei, quanto pesa um braço?
Victoria solta um riso e Maria Hazenflug sente raiva subir queimando pelo seu peito, dando um passo à frente, pronta para sacar seu machado. Victoria percebe a reação deles e ri de nervoso, sacudindo a mão, como se espantasse uma mosca.
— Ah, não, não. Não estou aqui para isso — ela explica. — Não vim aqui lutar, meus companheiros.
Ela continua rindo, e ao tentar parar, começa a gargalhar.
— Só um momento — ela pede, tentando conter o riso. — A piada do braço foi… Foi realmente boa.
Maria e Johannes se encaram confusos. Lamia, que já está com uma pulseira em cada pulso, ergue o olhar para Pyrrha, que também parece bastante perdida. Lamia sequer sabe quem é aquela mulher, apesar de reconhecer as roupas. Da Igreja.
— Poderia explicar o que está fazendo aqui? — Maria rosna. — E o que diabos você ainda quer?
— Peço perdão. Peço perdão do fundo do meu coração — ela diz, limpando uma lágrima com as costas de uma das mãos. — Pelo “mulher má servindo a Igreja”. Minhas mais sinceras desculpas. Eu não quis causar tudo aquilo. E, olha, vocês parecem ótimos e quem perdeu aquela luta e terminou imunda foi eu, então…
Victoria dá os ombros, dando um suspiro. Seu olhar se torna oculto pela sombra de seu chapéu. O olhar de Johannes se estreita. Afinal, o que Victoria quer? Ou “é”?
— Mas, enfim, eu enfim vejo que Yharnam já perdeu qualquer utilidade, não tem mais o que se tirar daquele lugar — ela diz, sua voz plena. — Chega daquela cidadezinha riquíssima e miserável, chega da Igreja da Cura, do Coro e suas pretensões! Eu estou fora!
— Então o que veio fazer aqui? — Pyrrha pergunta.
Victoria sorri.
— Vim me assegurar não somente da vitória de vocês, mas do estado de vocês. Afinal de contas, eu contratei esses dois caçadores e seria horrendo da minha parte quebrar nosso acordo — Victoria responde.
— Então por que nos atacou? — Maria retruca, sua voz cheia de indignação.
Victoria a olha, e então pisca os olhos.
— Eu ainda estava agindo perante a Igreja, senhorita Hazenflug. Fui ordenada a ver o estado das oferendas enviadas a esta vila e assim fiz — ela explica, calmamente.
— Poderíamos ter morrido — Maria sibila, seu rosto se deformando em raiva.
Victoria apenas ri, passando a mão pela aba de seu chapéu e então batendo a ponta de seu cano prateado contra o chão.
— De todo modo! Primeiramente, Maria e Johannes, eu sou muito grata pelo trabalho e obstinação de vocês. Excelente trabalho protegendo a senhorita Pyrrha!
Victoria bate palmas, que ecoam pela igreja.
— E em segundo lugar, vocês fizeram um excelente trabalho trazendo tudo isso à tona. Tudo que conseguiram desvendar? Ah! Simplesmente glorioso! Não estava errado em presumir que vocês dariam conta disso. E ainda serão recompensados, acreditem! Victoria Shelley, afinal, é uma pessoa de palavra. — Ela leva a mão ao peito, como se em um juramento.
Johannes está sem reação, pasmo demais com a atitude e palavras da mulher. É tudo tão súbito e confuso, sente como se ela tivesse puxado o tapete de seus pés, derrubando-o. Victoria citou o Coro, a parte mais alta da Igreja da Cura. Até mesmo Johannes sabe pouco sobre eles. Só que são estudiosos. Pensadores. Alguns, órfãos de Byrgenwerth.
E Maria não confia nela, ainda sente a mesma estranheza que sempre sentiu com ela, desde lá em Yharnam. É uma estranheza que parece rastejar por debaixo da sua pele, deixando-a inquieta e impossibilitando-a de relaxar. Não sabe se deve. É a mesma mulher que os atacou não faz muito tempo atrás.
Victória, subitamente, avança na direção deles, em passos largos e despreocupados. Ela mexe em uma bolsa de tiracolo e acaba por perceber o desconforto e todo o receio nos rostos dos caçadores, Victoria solta um suspiro, junto de um riso.
— Peço licença para me aproximar, não farei nada de mal — ela fala, erguendo uma de suas mãos. — Apenas quero pegar de volta uma coisa minha…
Maria olha para Johannes, receosa. Ela parece bem. Não exaurida de uma batalha árdua, igual eles, mas plenamente bem. Maria duvida muito que Johannes, de todas as pessoas, deixaria um oponente nesse estado após uma luta. Conhece a força do seu companheiro e a brutalidade de seus golpes.
Pior que isso, Maria percebe que ainda precisa de Victoria. Dos espólios que irão receber.
Com um aceno de cabeça, Maria permite que Victoria se aproxime. Ainda tensa e com uma constante tensão crescendo em seu peito, sob o medo de outra reviravolta súbita. Victoria tira de sua bolsa uma espécie de monóculo composto por várias lentes. Ela coloca-o na frente de seu olho esquerdo e, com um estalo de mecanismo, as lentes giram, se ajustando.
— Interessante — Victoria resmunga. — E que belamente conveniente. Foi Johannes quem deu o último golpe contra o oponente que estavam lutando, certo?
Pyrrha arqueia as sobrancelhas, surpresa e confusa. Se pergunta como aquele monóculo indica isso.
Maria engole em seco e resmunga um murmúrio de concordância. Victoria guarda o monóculo, cantarolando uma estranha melodia e então assobia, levando os dedos até sua boca. O barulho do assobio parece possuir algo além nele. Talvez fosse algum antigo conhecimento arcano de Victoria ou talvez o puro som daquele assobio, por mais casual que fosse, possuísse certa desnaturalidade.
Fato é que, assim que o assobio é feito, três lesmas surgem sob as roupas de Johannes, se tornando gradualmente visíveis. Johannes dá dois passos para trás, assustado e encarando aquilo com um pouco de pavor.
— Ei, não aja assim — Victoria pede, triste, colocando a mão na cintura. — Não seja rude com elas.
Johannes sente elas puxando algo dele. Puxando os ecos do sangue da Grande Fera que abateu e que habitavam seu corpo. Sente isso lentamente sendo arrancado de si. As lesmas então lentamente se endurecem, se tornando duas crisálidas, dois casulos. A mulher então se aproxima e retira os três casulos de Johannes, que se desprendem com um som gosmento. Victoria havia plantado cinco daqueles seres nele, e por sorte três sobreviveram.
— O que são essas coisas? — ele indaga, ainda se perguntando como não as notou.
— Peço meus mais sinceros perdões, Johannes. Coloquei isso durante nossa batalha — ela conta. — E se não se importa, ficarei com o que retirou da Antiga Grande Fera, ao abatê-la. Como vocês chamam? Ecos de sangue? Considere isso uma parte não dita de nosso contrato.
— E o que quer com esses Ecos? — ele pergunta.
— Ora, estudá-los — ela responde, como se fosse óbvio. — Você… Não irá precisar deles. E eu mandei vocês, caçadores beijados pela lua, para cá justamente para obter respostas, entender o que a Igreja escondia aqui. Ter o que sobrou de um Eminente como objeto de estudo é o mínimo que posso pedir.
Victoria guarda seu espólio em sua bolsa, ainda murmurando uma melodia, com um sorriso sereno em seu rosto. Seu olhar, vago e distante.
— Bem, vocês precisam ir ao porto, certo? Presumo que é melhor fazermos isso já. — Victoria ajeita seu chapéu e começa a caminhar na direção da saída da igreja.
Eles mancam até o porto, com Victoria alegremente assobiando. Lamia e Pyrrha andam próximas, quase coladas. Com medo. Johannes e Maria andam ao lado delas, escoltando-as, mesmo que em passos fracos e cansados. As feras nada fazem contra eles. Se mantém observando-as, mas agora chorando. Um coro desarmonioso de choros, gemidos e uivos entristecidos, pontuados por alguns pedidos de desculpas, aqui e ali. Pyrrha morde seu lábio, mantendo seu olhar baixo.
Deveria dizer algo? Deveria fazer algo? Não sabe como reagir a isso, e, nesse desespero, fecha os olhos com força, buscando acelerar seus passos para chegar logo ao porto.
Após Maria abrir o cadeado do portão, com a chave que encontrou na catedral da Vila, Johannes abre o portão do porto, que range de modo doloroso. Maria volta o olhar para a catedral, vendo aquela criatura horrenda, como uma aranha profana e horrenda, e sente novamente sua mente doer, apenas por olhar para ela. Sente uma parte de seu cérebro tensionar e latejar de dor. A criatura, entretanto, não faz nada. Apenas se mantém ali, pendurada na catedral, assistindo-os partir.
— Não olhe por muito tempo — Johannes diz, tocando o ombro da amiga.
Ela volta o olhar para ele, que possui um semblante doloroso no olhar. Ele entende. E ele agora vê também. Sem mais tentar fugir por um medo, racional, de ver demais.
Adentrando o local, onde encontram um grande barco de pesca, além de outras canoas e botes mais simplórios. Nesse barco existe uma grande cesta. Victoria vai até a cesta, curiosa, abrindo-a com seu cano.
— São mantimentos. Serão bastante úteis, presumo — ela conta.
Lamia e Pyrrha se entreolham, sentindo o nervosismo da partida crescer dentro delas.
— Eu irei com as duas — Johannes diz.
Maria olha para ele com uma surpresa morna — já esperava que ele não fosse voltar — e sorri, com um pouco de melancolia. Talvez um dia pudessem se reencontrar. Pyrrha está transbordando de alegria, olhando o caçador com olhos grandes e brilhantes.
— Vai? — ela pergunta. — Vai mesmo?
— Sim — ele responde. — A Igreja da Cura… Yharnam já não me comporta. A caçada já não me atrai. Aquilo não é mais meu lar e sinto que vocês podem precisar de alguém para proteger vocês e ajudar aqui e ali.
Ele deseja fazer isso não apenas pelo apreço que sente pelas duas, mas também porque sente que deve isso à avó da garota, de Pyrrha.
Victoria assiste a isso, próxima ao porto. Deixando-os ter um momento de despedida. Ela sorri, encarando-os interruptamente. Não somente descobriu enfim o que havia nessa Vila Edda, como também que mantinham a Grande Besta, um Eminente, preso aqui. Igual aquele que existe no Orfanato do Coro. Um fornecia o sangue. O outro fornece conhecimento estelar.
“E tudo isso pra gerar esse eterno ciclo na esperança de que um dia eles iriam ascender para um forma de existência superior” ela pensa. “Uma praga que prende os miseráveis de Yharnam em um ciclo eterno de caçadas. Cidadãos, expostos a violência, sangue e a lua, se tornam feras, trazendo os caçadores. Caçadores, que igualmente expostos a violência, sangue e a lua, se tornam feras também, que são habitados por mais caçadores enquanto a Igreja reza para que isso satisfaça não somente a Lua, mas traga outros até Yharnam. Outros Eminentes.”
Ela olha para Johannes, adentrando em um barco. Barcos. Isso faz Victoria se lembra de uma outra vila. Uma vila que visitou quando ainda estava em Byrgenwerth. Uma visita escolar! Uma visita até uma aldeia de pesca onde encontraram o corpo de um Eminente. O que fez tudo começar. “Mãe Kos” era o nome daquele ser. E a aldeia sequer tem o nome lembrado, pois Byrgenwerth, junto de Gehrman, Laurence e Victoria apenas varreu aquele lugar.
Dali, tudo escalonou em Laurence criando a Igreja da Cura em Yharnam, após ele e vários outros estudantes se afundarem na busca pelo conhecimento. E assim, eles trouxeram a presença da lua até eles, que apenas a influência traz a tona a praga da fera. O começo de um ciclo sem fim de sangue, dor e violência.
“Seria essa sua vingança, Kos?” Victoria se pergunta, olhando para a água do mar.
Maria e Pyrrha se abraçam fortemente. A caçadora acaricia as costas da garota.
— Prometa que vai se cuidar. E do Johannes. Não deixa ele fazer burradas, okay? — ela pede, baixinho.
— Prometo tentar — Pyrrha responde.
As duas afrouxam o abraço, rindo um pouco e se olhando cara a cara.
— E, ei, sei que é estranho dizer isso mas… Siga seu coração, okay? — Maria fala, ainda com o tom de voz baixo. — Não tenha medo de olhar para trás. Não tenha vergonha do que fez. E saiba: para fazer o que você fez, mesmo numa escala mundana e sem monstros, feras e uma aventura ao redor, exige muita coragem.
Pyrrha timidamente assente com a cabeça, baixando o olhar. Apesar da timidez, possui um pequeno sorriso no rosto, feliz pelas palavras de Maria. O olhar de Pyrrha se ergue e acaba encontrando com milhares de outros olhares: o das inúmeras feras da Vila Edda.
Seu sorriso, antes alegre e tímido, agora se metamorfa em um sorriso triste. Uma tristeza talvez não intensa, mas uma melancolia que subitamente paira por todo seu ser. Como uma neblina matinal, cobrindo ruas e estradas. Sutilmente, sua cabeça se curva, em uma referência singela. Seus lábios formam a palavra “obrigada” e o vento carrega o sussurro baixíssimo que sai de sua boca.
Ela se separa do abraço de Maria e adentra novamente o barco sabendo que… Ela não quis tudo isso. Todo esse caos e violência. Se dependesse dela, não teria havido brigas. Nem mortes. Sua família lhe fez mal, e agora, nem Yharnam e nem a Vila Edda são lugares onde ela deseja estar. Onde ela estaria confortável. Poderia ter sido diferente e ela sabe, apesar de tudo, que sua família não é de todo mal. Nem mesmo com todo o passado traçado até a Antiga Grande Fera, ela ainda possui todas as memórias boas sobre sua mãe, seu pai, seus irmãos. E até mesmo sua avó.
Feridas são feridas, principalmente as emocionais e feitas em relacionamentos. Pyrrha Perrault sabe que precisa lidar com a existência delas, e se tentasse ignorá-las, apenas causaria infecções e necrose em sua alma. Irá lembrar de sua família pelo o que foram, mas não pode negar o que fizeram. Os pelos em seus braços, as orelhas pontudas e os caninos protuberantes, assim como a pulseira dourada em seu braço, serão eternas lembranças físicas de tudo que passou.
Ela se lembra do escárnio e certo asco que a Grande Fera parecia sentir perante a lua. Pyrrha ergue a cabeça aos céus, e pode vê-la ali.
“Talvez Johannes pudesse descobrir a correlação” ela pensa.
Maria Hazenflug coloca a mão na cintura, após terminar de desatar os nós que prendiam o barco ao porto, junto de Johannes.
— E, ei — Maria o chama, vendo-o retornar ao barco.
Ele move o olhar para a amiga, vendo-a com seus olhos. Maria está tentando conter um choro. São seus olhos que a entregam, cheios de lágrimas, que tentam se segurar para não caírem pelo rosto da caçadora.
— Se… — Ela faz uma pausa, engolindo o choro. — Se um dia vocês forem para Venetie, vá me ver, okay? Venha me ver.
Os lábios de Johannes tremem, também sentindo um choro querendo aflorar. Esteve junto de Maria há tanto tempo que perceber que irá se afastar dela… Dói. Só percebeu agora, no limiar do “adeus”.
— Eu vou — ele diz, fungando. — Iremos nos encontrar novamente. Eu juro.
— Se não cumprir, eu vou te socar — ela resmunga, bufando, tentando se fazer por mau humorada e séria.
Maria Hazenflug ativamente busca guardar aquela cena: Johannes Hansel olhando-a, chorando e sorrindo. Podendo ver seus olhos. Os cabelos dele estão soltos, balançando suavemente com a brisa de um amanhecer que gradualmente empurra a escuridão para longe.
Johannes abre os braços, fungando e buscando conter as lágrimas por fechar os olhos. Maria corre e o abraça. Ela ainda precisa voltar. O caminho para ela é outro.
— Por favor, não faça burradas. Eu não vou estar lá pra pontuar que você as fez — ele diz, chorando e rindo.
— Imbecil — ela resmunga, sentindo ele esconder o rosto em seu ombro. — É melhor vocês irem. Sim.
Ela dá um beijo na testa dele e se afasta do barco, acenando e contendo lágrimas ao ver o barco partir, com Lamia, Pyrrha e Johannes. Ele olha para o porto, vendo Maria ainda acenar e gritar despedidas. E Victoria Shelley tira o chapéu e acena para ele também, em um gesto muito mais contido e silencioso. Ela parece ter algo na testa dela. Está longe e não consegue distinguir. Maria não está vendo aquilo. É uma cicatriz? Seus olhos se estreitam, tentando aguçar sua visão, mas ainda assim isso não basta. E, por um momento em sua vida, não quer pensar nisso. Não quer dar corda a sua curiosidade, alimentá-la.
Uma borboleta azul pousa na beirada do barco e Johannes encara ela fixamente. Toma cuidado para não machucá-la. Essa é a atitude que ele hoje irá tomar, mas não pode afirmar o que faria ontem e tampouco o que faria amanhã. Só pode se esforçar para ser o melhor possível no “agora”. E isso, por hora, basta para esse Johannes Hansel.
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