Um machado atravessa o ar ferozmente, sua lâmina encontrando o pescoço de um homem-fera. Não forte o suficiente para decapitar, mas o machado se cravou um pouco abaixo da linha que separa pescoço e cabeça. A força do golpe foi o suficiente para jogá-lo contra a parede. Assim que o machado se separa da carne da vítima, o sangue violentamente jorra para fora do corpo. O homem, um pobre cidadão da grande cidade de Yharnam, ainda está vivo quando toma o segundo golpe. Agora o golpe o mata. Aquele pobre homem possuía uma doença que outras pessoas da cidade também foram acometidas. A praga da fera. “O flagelo”, para alguns. Uma doença que lentamente te transforma em uma fera sedenta por sangue. Chame de lobisomem, se quiser, apesar de ser algo gradual. E, quando surgem feras, surgem os caçadores que as caçam. Caçadores: primeiro nascendo como uma instituição à parte, mas agora também sendo grupos de caçadores e divisões de caçadores que servem diretamente a Igreja da Cura, a fundação que fez Yharnam sair de uma cidadezinha qualquer para uma opulenta cidade, que se ergue grandemente naquele cenário que fede a sangue.

Um grupo de caçadores, dentre eles, com alguns sendo da Igreja, estão tendo que limpar a última leva de feras que está sendo empurrada para o distrito de Antiga Yharnam. São dez caçadores lidando com algumas bestas grandes. Pessoas em estados diversos de transformação. Desde lobisomens completamente transformados até homens com pelos começando a surgir e a fisionomia se deformando, com suas gargantas mal conseguindo produzir sons humanos. E também existe uma fera peculiar, bastante assustadora, maior que dois homens juntos, com braços que poderiam abraçar uma família toda e ainda buscar por mais presas. Uma boca cheia de dentes que são como estacas, presas sujas de sangue. Um dos membros da caçada, dessa tentativa desesperada de puxar as feras para longe da população, é Maria Hazenflug, que brande sem medo seu machado de caçador. Uma estrangeira que veio para Yharnam em busca de respostas e encontrou a caçada.

Seu machado faz parte de uma linha de armas criada para lidar com essa praga: as armas de truque. Com um movimento ágil e preciso, o cabo do machado se estende, se tornando um machado de duas mãos. Aliada a essa arma, ela ainda conta com uma pistola, que dispara balas de mercúrio contra as bestas. Um lobisomem, que se esgueirava por entre carroças, se prepara para saltar na caçadora, quando é surpreendido por um golpe do machado. A besta, atordoada, tenta avançar para cravar suas garras contra ela, apenas para uma bala atingir seu peito. O lobisomem cai para trás, grunhindo, apenas para ser finalmente morto com um último balanço do machado — vindo de cima — que esmaga sua caixa toráxica.

— Menos um aqui! — Maria brada.

— Usem do fogo! — o caçador líder grita. — O fogo assusta esses monstros!

Alguns caçadores puxam de seus casacos coquetéis molotovs e jogam na direção das feras.

O caminho para Antiga Yharnam é agora um mausoléu em construção. Feito para tapar toda aquela parte da cidade. A Igreja tem algum plano. Algum horrível plano, Maria pode sentir isso. Toda vez que vê membros internos da Igreja, tudo que sente é um medo. Um frio na espinha. Ainda assim, sente que suas perguntas podem apenas ser respondidas aqui, em Yharnam. Talvez, pior ainda, possam apenas ser respondidas pela Igreja. E, se quer essas respostas, não pode sair questionando demais a Igreja.

Em resposta ao fogo, algumas feras correm mas uma fera se mantém. Aquela anomalia. Possui pregos nas mãos e escorre sangue de feridas ainda abertas. As costelas estão começando a sair para fora, se abrindo. Perfurando a carne e o pelo negro e se apontando na direção dos caçadores que começam a se juntar para atacá-la. As mãos de Maria seguram o cabo do machado com mais força, olhando aquele monstro. Matar uma fera dessas pode garantir vários louros. Quem sabe, até uma pista para cura da doença de sangue de seu irmão. Ela avança, tomada pelo calor da batalha, seu corpo sendo puxado sem tempo para maiores análises.

Sangue. Yharnam toda gira em torno disso. Da ministração do tratamento de sangue medicinal. Infusão de sangue. O estudo dele. E se Yharnam gira em torno disso, A Igreja da Cura é isso. O sangue e a ministração dele. E isso atraiu a jovem Maria, que está em busca de um tratamento para a doença que seu irmão contraiu, prendendo-o a uma cama. Yharnam é a terra da cura pelo sangue.

— Maria! — um caçador grita. — Não avance assim!

Tarde demais, ela já está no meio de um golpe, sua arma traçando um arco no ar, que atinge o rosto ossudo da fera, violentamente. O monstro se move para o lado, seu corpo sendo arrastado pela energia que o golpe passou para seu corpo. Maria salta para trás, com um largo sorriso no rosto. A voz que lhe alertou não vem de um caçador qualquer. Ela vem de Johannes, um caçador um pouco mais velho que ela, mas que é um amigo sincero dela. Os dois agem como uma dupla em Yharnam, e alguns lamentam, dizendo que talvez ambos tenham o destino cruel de viver tempo demais em uma caçada.

Johannes é um pouco mais alto que Maria, além de ter um físico diferente, com ombros largos e um corpo um pouco mais grosso, que combina com o que ele impunha como arma. Johannes carrega consigo uma grande roda, marca de sua aliança com um grupo de caçadores conhecidos como Executores. Sua roupa é em vários tons de branco e cinza, mostrando sua afiliação tanto com a Igreja quanto com seu grupo de caçadores.

— Não há porque temer, caro Johannes — Maria fala, com um riso na voz, colocando o cabo do machado apoiado em seu próprio ombro. — Já estou nessa caçada há tempo demais para uma fera dessa me pôr medo.

— Não é de medo que falo, é justamente de vossa imprudência! — o caçador diz, enquanto para ao lado dela. Sua voz carrega irritação. — Poderia ter se ferido agindo daquele jeito.

Os olhos de Johannes não podem ser vistos, e não por alguma sombra de algum chapéu, como a boina que Maria usa, mas sim porque existem bandagens cobrindo-os. Maria demorou muito para entender isso em seu colega. É para evitar visões talvez horríveis demais. Um jeito de poupar a mente. O pano não retira totalmente a visão de Johannes, apenas a reduz, retirando detalhes. E uma coisa Maria sabe sobre Johannes: o olfato do caçador se tornou algo de outro mundo por causa disso.

Quando dois caçadores são brutalmente jogados contra paredes de um edifício pelas garras da fera, a expressão de Johannes se retorce em desgosto. Imprudentes.

— Aqueles dois quebraram algo — o caçador comenta. — E tem dois indo ajudá-los. Logo podemos deixar o combate para os outros quatro por hora. Vamos respirar um pouco.

Johannes apoia sua roda em seu ombro, como se fosse um saco de batatas, com casualidade gigantesca. Sua arma de fogo, diferente da humilde pistola de Maria, é maior. Mais agressiva. Uma blunderbuss. A fera salta contra Johannes e Maria, a boca aberta para tentar abocanhar algum dos dois. Em um sobressalto, cada um salta para um lado, se afastando das presas da besta. Enquanto Johannes atira com sua arma, Maria aproveita para encolher o cabo de seu machado e atingir a região próxima ao olho esquerdo do monstro. A fera se afasta do ataque de Maria apenas para ir de encontro ao golpe de Johannes, que despenca sua roda contra um dos chifres, semelhantes a galhadas, da besta. O monstro salta para trás, assustado. Sangue jorra pela galhada direita, que cai, danificada demais pela ferida causada por Johannes.

Um horrendo grito sai da boca do monstro, que Maria toma por um convite, quase como se ela estivesse sendo chamada para uma dança. O braço da besta começa a se erguer, enquanto o grito muda de tom, ficando mais agudo. Johannes vê o vulto da colega correndo para o alcance da fera.

— Maria, não! — Johannes grita, seu corpo demorando para reagir a tempo.

A caçadora vai de encontro a um golpe certeiro da fera, um tapa, que a joga rolando no chão. Seu machado escapa de sua mão, indo para longe. Ela demora para se levantar, não conseguindo reunir forças para se recompor. Atordoada, consegue apenas erguer o olhar para a fera, que abocanha um caçador que tenta protegê-la, falhando horrorosamente. Apenas as pernas e a cabeça do caçador caem de início, com suas armas sendo cuspidas pela fera em seguida. Maria retorce o rosto em horror com a cena. Ela engatinha para trás, ainda sentindo seu corpo zonzo pelo golpe que tomou. Seu corpo parece um mecanismo que não recebeu um trato de óleo por um longo tempo, rangendo.

Johannes força seus pés a se mexerem, enquanto dá carga em sua roda, que suga de seu sangue para criar uma aura vermelha ao redor dela. Ele comanda seu corpo a correr, seus passos ficam mais espaçados e largos, os músculos de seu corpo dando tudo de si, e impedindo com sorte que Maria seja atingida fatalmente pelo monstro. Ele até consegue acertar o golpe que preparou, um arco de cima para baixo de sua arma bastante exótica. Em troca de salvar sua colega, e de um excelente acerto, Johannes precisa ver seus intestinos caindo para fora de seu corpo, o sangue sujando suas roupas.

Sua cabeça se move na direção de Maria, dentes rangendo em uma expressão de amargor e repreensão.

— Imbecil. — A palavra sai por entre seus dentes, tentando engolir a dor que sente.

Porém tudo que Johannes vê é o vulto de sua companheira e o cheiro nauseante e entorpecente de sangue, junto com os sons abafados da batalha. Ele sorri.

Johannes desperta em um jardim de flores brancas, com um cheiro que lembra-o de casa. Reconfortante, tranquilizador, mas que também passa uma certa ansiedade. Ânsia por algo mais, para sair do tédio e brincar com outras crianças. O caçador se senta no jardim, passando a mão por sua barriga. Sem ferimentos. Sem sangue. Tripas onde deveriam estar: dentro do corpo.

Ele se levanta e caminha até o começo da escada de pedra que leva a uma bela e simples casa, a Oficina. Aos pés da escada se encontra a Boneca (sim, a Boneca). Uma boneca, de tamanho real, com belas roupas. Um vestido, um chalé e um chapéu. Sua pele parece ser de porcelana, mas Johannes nunca teve coragem de perguntar ou tocá-la para saber.

— Já está de retorno, bom caçador? — ela pergunta, com uma voz macia e calma. — Logo em uma noite de caçada como essa?

Johannes solta um pequeno riso, removendo as bandagens de seu rosto, baixando-as para o pescoço. Ele sacode o cabelo, eternamente entre o crespo e o cacheado, preso com um lenço em um rabo de cavalo. Ele coça o nariz.

— Maria foi imprudente, novamente — ele responde. — Como você está?

A Boneca move a cabeça para o lado, pensativa, mas ainda com um sorriso. Apesar de consciente, às vezes não tem o mesmo nível de compreensão humano, tornando-se facilmente uma criança, fazendo perguntas e mais perguntas.

— Bem? E como eu, uma boneca, poderia alegar se estou bem ou mal? — ela pergunta, juntando as mãos à frente da cintura.

Johannes, que estava a caminho de subir o caminho até a oficina, para e pensa.

— Creio eu que, mesmo sendo uma boneca, você pode alegar se está bem ou mal. Como foi o tempo que passou aqui, no Sonho, até que eu voltasse ou até o que fez ou como se sente — ele explica, gestuando conforme fala de modo simples, sua mão flutuando pelo ar, quase como um maestro.

— Então creio que estive bem, bom caçador. — A Boneca sorri.

— Estarei na oficina, quero voltar a ler aquele diário — ele avisa, continuando a subir as escadas. — Se Maria chegar, poderia avisá-la que estou lá?

O Sonho do Caçador: um lugar misterioso e sobrenatural, a qual Johannes se vê preso. Uma bênção, às vezes. Uma maldição em outras. Principalmente nos relatos que lê nos diversos livros, com diversos caçadores gradualmente enlouquecendo, presos num ciclo sem fim de morrer apenas para serem trazidos de volta. A caçada não parece ter um fim, logo, o Sonho possui livros e mais livros com a coletânea individual e coletiva de todos os caçadores que já passaram por ali, em uma tentativa de que, um dia, a caçada chegue ao fim.

Ele adentra na simples casa, que, na verdade, funciona mais como um repositório e uma oficina para os caçadores do que como uma casa, por assim dizer. Existem mesas e alguns pequenos sofás, mas o lugar é recheado de prateleiras com livros, de recipientes, baús, uma pequena oficina para cuidar e reparar das armas, e um altar, com uma bela estátua atrás. Johannes entra, deixando sua roda, uma Roda de Logarius, caminhar sozinha pelo chão, sua mão apenas guiando conforme ela roda através do piso de madeira, que range um pouco conforme eles adentram.

— Gehrman? Está aí? — o caçador pergunta, erguendo a voz de leve.

Gehrman é um velho senhor, geralmente presente no Sonho, como uma espécie de anfitrião. Um antigo caçador, na verdade, um dos primeiros. Que agora se encontra em uma cadeira de rodas. Sem resposta do velho caçador, Johannes se senta em um dos sofás, após encontrar o diário que vem lendo, e prossegue com sua leitura.

Diferente de sua colega, Maria, Johannes é nativo em Yharnam. Cresceu nessas terras e viu elas prosperarem e o flagelo da fera se tornar um problema cada vez maior. As coisas mudaram bem rápido, indo de assustador para cotidiano de um jeito quase… Não natural. Por um bom tempo, Johannes serviu a Igreja, por incentivo de sua família, atuando junto à instituição. Primeiro como um coroinha, estudando lá, e depois… Na caçada. Só que daí veio o Sonho. Ele ainda lembra da primeira vez que morreu, durante uma luta contra uma fera que apareceu sorrateiramente na Igreja onde reportava. E isso o mudou, claro. Aos poucos, a Igreja da Cura (e suas crenças) já não confortava o espírito de Johannes durante a caçada.

Ele migrou para um grupo de caçadores que se intitulam Executores, fundados, e antigamente liderados, pelo Mártir Logarius. Um grupo ainda com ligações fortes na Igreja, mas que parecia uma divergência que fazia sentido para Johannes, quando Sonho e a caçada se impregnavam em sua vida. Os Executores acreditam que a glória na caçada é tudo. Que exterminar todas as feras, os monstros surgidos com a violação do precioso sangue da Igreja, é o correto. E se for para morrer, que seja na caçada, inspirando outros companheiros caçadores a continuar a luta. Apesar de Johannes não gostar da ideia de ir tão agressivamente para uma luta, faz sentido isso ser uma filosofia a se seguir, sendo ele um caçador que não morre, sendo trazido vez após vez pelo Sonho. Pela necessidade de se caçar. De se caçar aquelas malditas bestas.

— O que está fazendo aqui ainda? — A voz de Maria atravessa a oficina.

Johannes sorri ao ver Maria ali no Sonho do Caçador após ter morrido para a fera. Nem precisava pensar muito a fundo para entender o motivo. Ele trabalha ao lado dela o bastante para presumir que provavelmente Maria foi impetuosa demais e deve ter aberto uma brecha ou entrado no alcance de um ataque sem notar a tempo.

— Eu avisei — Johannes diz, com um leve riso na voz, passando a mão pelo rosto, alisando sua barba rala.

— E me esperou aqui pra ter a satisfação de poder dizer isso? — Maria indaga, revirando os olhos.

O caçador ri, fechando o livro e o deixando na mesinha ao lado do sofá. Ele puxa sua venda para os olhos, impedindo que Maria pudesse ter uma visão dos olhos do caçador, até hoje sem poder ter visto eles claramente.

— Sim, sim. Não farei isso novamente, fique tranquila. Apenas não resisti à/ tentação — ele responde. — Mas confesso que aproveitei para tirar um tempo de descanso e poder ler um pouco. Este diário é bastante interessante, sabia?

Maria adentra ainda mais a oficina, indo até a mesa usada para reparar armas, e começa a mexer em seu machado.

— É? De que jeito? — ela pergunta, não por curiosidade, mas sim por gostar de ver o amigo falar.

— Infelizmente não possui, até agora, nada que poderia ajudar em vossa jornada, mas são relatos interessantes. Um pobre homem arrastado para a caçada. Começou como um coveiro, então um caçador simplório, apenas um yharnamita querendo ajudar a cidade com a praga. E então preso ao Sonho, igual nós.

Maria solta um suspiro triste, por um lado, aprecia estar vinculada ao Sonho do Caçador. Agora, pode lutar com toda a sua força sempre pois sabe que irá retornar. Não há espaço para cautela quando se precisa lutar contra o tempo e encontrar um meio de salvar seu irmão. Johannes não aprecia isso, e ela até entende.

— É engraçado como você às vezes acaba tratando esses relatos como literatura — ela ri. — Como livros de fantasia e ficção.

Johannes apenas dá os ombros.

— Apenas acabo ficando curioso em como a história desse caçador termina, oras — ele responde. — Fico me perguntando quando ele se libertou do Sonho e porquê. Existem mil e umas formas disso poder ter acontecido.

Ele se levanta e pega sua arma pela alça, puxando-a do chão. Não é uma arma leve, logicamente. Cada balanço daquela particular arma tinha um peso que poderia derrubar mais de um homem feito. Maria termina de verificar o quão danificado e gasto está seu machado, colocando-o de volta nas costas. Johannes está olhando pela porta, para o horizonte branco que existe além das cercas que demarcam o espaço do Sonho do Caçador.

— Está pronto para voltar? — ela pergunta, com a voz baixa.

— Para a caçada? — A voz de Johannes é cansada, quase como a de alguém que acaba de despertar, e o sono ainda está embargada em sua voz.

— Sim — ela responde.

— Estou. Só… Às vezes sinto tanta preguiça. Me sinto cansado às vezes. — Johannes se mantém com o rosto voltado para fora. — A ideia de voltar para o caos, para a caçada. Os gritos, a violência, toda à caçada.

— E ainda assim, aqui estamos. No Sonho do Caçador — Maria fala. — Um lugar que nos prende a caçada.

— Às vezes não sei mais o que é real. Nessas horas, quero dizer… — Johannes bufa e respira fundo. — Nessas horas, de cansaço, eu me vejo pensando no que é real. No que é um sonho e no que é o “mundo real”.

Maria franze o cenho.

— Mas, poxa, não é simples? Digo… Yharnam é o “mundo real”, não? E o Sonho é só um… Lugar mágico? Um lugar mágico que ajuda caçadores. — A voz de Maria é cheia de dúvidas.

Johannes suspira, passando a mão na cabeça da colega e bagunçando seu chapéu e seu cabelo.

— Enfim, vamos logo, tem uma caçada nos esperando — Johannes diz, mudando de assunto. — E dessa vez, tente tomar cuidado com aquela fera, em particular.

Maria bufa, ajeitando seu cabelo e em seguida o chapéu.

— Relaxa, agora eu sei que consigo — ela fala, risonha. — Acho que vimos tudo que aquele bicho tinha pra mostrar.

Johannes respira fundo, como se pudesse conseguir do ar que inala algum punhado de paciência. Os dois se dirigem até uma lápide (que serve como um portal) e eles movem a mão na direção dela. Uma luz suave surge e os engole de repente. É como se gelo escorresse por suas mentes. Tirando-os do sonho. Tirando-os da tranquilidade. E os devolvendo no único lugar que um caçador deve estar. No único lugar em que um caçador é importante.

Na maldita caçada.

Notas finais
Caso você tenha chegado até aqui, obrigado.
Essa é uma história que eu carrego muito apego e que gosto bastante.
Espero que tenha te cativado e te veja nos próximos capítulos.
Agradeço sua leitura.